sábado, 11 de setembro de 2010

Zapeando

Foi andando em direção ao precipício. Às vezes, olhava para trás. Um certo nervosismo no olhar. A testa brilhava; suava. Mas os passos continuavam. Até que chegou lá. Na beira. Olhou para frente. Olhou para baixo. Tontura. Sabia que ia cair. Soprou uma brisa.

E então, rapidamente mudei de canal. Incrível como queremos fugir do sofrimento, mesmo que seja numa mera obra de ficção.

Havia chegado bem perto de dizer eu te amo quero ficar contigo para sempre mas não disse bem a tempo. Ficou a um passo. O interlocutor, do outro lado da conversa, havia chegado bem perto de ouvir eu te amo quero ficar contigo para sempre. Mas encerrou a conversa bem a tempo.

Mudou de canal.

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