quarta-feira, 24 de março de 2010

Delírio em amarelo

Acordei e olhei pela janela do avião. Há quanto tempo havia dormido? Desde a decolagem? O sol do meio-dia no mormaço espanhol garantia um brilho embaçado e plastificado. Cerrei os olhos enquanto tateava meus pertences à procura dos meus óculos escuros. Tive vontade de voltar a dormir mas fiquei num estado de torpor observando a meseta espanhola. Um grande jogo de xadrez das propriedades quadradas de diferentes cores de dourado de trigo. Deveriam ser colhidos logo mas estavam em graus de maturidade ligeiramente diferentes. E os fazendeiros teriam muita dificuldade em separá-los, se quisessem. Mas precisariam ser separados, para o bem do seu futuro, da sua evolução. E a mágica, eu pensei, deve ser coexistir. Deve ser perder um pouco daquiedali. Em pensar que tudo aquilo estava verde há alguns meses. Agora tudo estava prestes a ser ceifado. O amarelo de Van Gogh sempre me fez delirar.

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