quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ao longo de uma música

Ele chegou à festa e encostou na coluna no canto da sala. Enquanto olhava em volta, tomava alguma coisa direto do gargalo de uma long neck. Poderia ser uma cerveja, poderia ser uma vodka. O calcanhar estava levantado, sujando a parede com a sola do tênis. Sua mão empurrava o fundo do bolso da calça, tanto que quase deixava sua cueca à mostra - não que isso o incomodasse. Mais um gole na garrafa. A música era para dançar. Nada muito pesado. O suficiente para dançarem em pares na pista - não que isso o incomodasse. Quando as luzes piscaram, uma música começou e foi que ele percebeu quem estava na pista. Velhos amigos. Acompanhou aquele casal com os olhos e os achou engraçados até o fim da primeira estrofe. No primeiro refrão, notou o quanto o charme lhe banhava os cabelos - eram lisos como penugens, angelicais. Na segunda estrofe, tentou olhar para o outro lado porque estava se sentindo esquisito. Mas não resistia em voltar seus olhos para o mesmo lugar, irresistível para ele. E chegou o refrão novamente. O sorriso o contagiava e causava uma aflição e pensou o quanto ridículo era estar com aquela garrafa, encostado num canto. O refrão tocou de novo, um chiclete, pensou. Devia estar dançando, droga. O fim da música chegou. E ele tinha se apaixonado.

2 comentários:

Fernanda S. disse...

Ah, as paixões...

Caco disse...

Já se apaixonou em 5 minutos?