domingo, 5 de dezembro de 2010

Noite estrelada

Eu sou um puta fã do Van Gogh. Eu adoro os azuis, os amarelos e todas as suas misturas no meio termo. Viajo na textura, viajo nas pinceladas grossas e espirais. Sinto a brisa dos campos pintados, o vento mais forte do campo aberto e seu trigo vibrante. Descanso com seus trabalhadores. Fotografo seus interiores e me teletransporto para lá. Como nada é perfeito, confesso que não curto muito a influência japonesa dos Ukiyo-e quando abertamente japonista, mas quando ele coloca o vangoghnismo, meus olhos não conseguem se dispersar. Se tudo desse errado em Amsterdam - o que finalmente não aconteceu - queria apenas garantir que iria no Van Gogh Museum. Fui lá no dia 27 de setembro - que também foi um dia emblemático. Ainda tenho que ler o livro das cartas de Vincent a Theo, seu irmão, e viceversa. Quero conhecer um pouco mais desta relação. Finalmente o cara era literalmente muito louco. Exemplifica a relação da sanidade mental e a genialidade artística. Vincent ultrapassou todos os limites.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quinta sem lei




When you ate I saw your eyelashes, saw them shake like wind on rushes in the corn field when she called me. Moths surround me - thought they'd drown me. And I miss your precious heart. Dry rose petals, red round circles. Frame your eyes, and stain your knuckles. Dry rose petals, red round circles. Frame your eyes, and stain your knuckles. And all those lonely nights down by the river brought me bread and water, water in. But though I tried so hard my little darling, I couldn't keep the night from comin' in. And all those lonely nights down by the river brought me bread and water, kith and kin. But in the quiet hour when I am sleepin' I couldn't keep the night from comin' in. Why you gone away? Gone away again. I'll sleep through the rest of the day, if you're gone away again. I'll sleep through the rest of the day, sleep through the rest of the day, sleep through the rest of the day. Why've you gone away, away? Seven suns, seven suns away, away, away, away. Can you hear me? Will you listen? Don't come near me, don't go missin'. In the lissome light of evenin', help me cosmia, i'm grievin'. And all those lonely nights down by the river brought me bread and water, water in. But though I tried so hard my little darlin' I couldn't keep the night from comin' in. And all those lonely nights down by the river brought me bread and water, kith and kin. But in the quiet hour when I am sleeping I couldn't keep the night from comin' in. Beneath the porch light we've all been circlin', beat our duck's hearts, singe our flower wings. But in the corner, somethin's happenin'. Wild cosmia - what have you seen? Water wet her limbs, fire warms her hair. And then the moonlight caught her eye and she rose through the air. Well if you see true light, then this is my prayer, oh will you call me when you get there? And I miss your precious heart. And I miss your precious heart. And i miss your precious heart.And I miss your precious heart. And I miss your precious heart. But release your precious heart to its feast, oh precious heart milkymoon.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Memórias de uma fotografia em branco e preto

Meu irmão Anselmo e eu.

Esta foto ficou perdida durante muito tempo até que pude recuperá-la. Cheia de significado, ela tornou-se um pequeno tesouro para mim. O autor desconhecido tirou esta foto em algum momento após abril de 1971.

sábado, 27 de novembro de 2010

As pombas que descem

As fotografias abaixo foram feitas por mim e são três flagrantes de batismo no Rio Jordão. Apesar do local ser pasteurizado, ou seja, pronto para hordas de turistas cumprirem mais uma tarefa na Terra Santa, eu acho que consegui alguns momentos de candura. Gosto do brilho branco emergindo da dama da água, da alegria genuinamente ingênua da criança sendo levada ao seu batismo (reparem no detalhe do seu chapeuzinho), e, finalmente, de um batismo isolado, mais distante e tão reservadamente sagrado na sua intimidade. Revoadas de pombas passam sobre eles.



E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará. Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu. E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. (Mt 3)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Água de se banhar

Israel é um país seco, árido, duro, quente. Paradoxalmente, o que eu mais gostei lá foi a água para se banhar.

Primeiro, o Mar Mediterrâneo que lambe as praias calmas de Tel Aviv e enche de um azul mezzo salgado o horizonte. Orna a atmosfera quase sufocante do balneário e permite ao povo, jovem, que desfile com o despojamento característico das cidades costeiras. Camiseta, bermudas, chinelos. Sensualidade exaurida pelos poros. Afinal , já se diz, in Tel Aviv we play - in Jerusalem we pray.

A segunda fonte de água foi o Mar da Galiléia, palco de vários feitos de Jesus - o milagre da multiplicação dos pães e peixes, bem como andar sobre as suas águas. Embora tenha tentado, só me foi possível mergulhar e nadar para lá e para cá. É um Mar de água doce - na verdade, um grande lago. Águas mornas, doces, de transparência moderada. E eu ficava olhando abestalhado as colinas de Golan, território sírio ocupado por Israel com seus assentamentos e imaginando aqueles vilarejos secos de gente seca e dura que um dia pararam para ouvir o Homem. Eu mesmo tinha acabado de comer um peixinho frito: o peixe de São Pedro, ou a nossa famosa tilápia. Trouxe umas conchas da beira do mar, deste mar especial, souvenirs que vale muito.

A terceira presença marcante da água foi no Rio Jordão. Ali, João Batista batizou o Homem. Na verdade, o local do batismo não é acessível. Resta uma grande comoção entre aqueles que vão àquelas margens banhar-se, batizar-se. Não, confesso que não o fiz. Foi-me suficiente molhar a minha mão e me benzer. A comoção era grande demais para mim: gente chorando, gente vestida com túnicas brancas, gente mergulhando, padres, pastores. Lembrou-me a cena no Rio Jordão no A última tentação de Cristo. Recolhi-me.

Finalmente, o Mar Morto. Nenhuma descrição fará justiça a o que o lugar realmente é. Passamos por ele enquanto íamos às ruínas de Masada. Todo aquele azul era doloroso e fazia contraponto à secura do entorno. Seguíamos numa espiral descendente desde que havíamos saído de Jerusalém. Desce, desce, desce até os fatídicos 422 metros abaixo do nível do Mar. Primeira sensação, a água é macia dada a sua concentração altíssima de sais.

Recebemos instruções clara de como comportar-se quando dentro d'água - não molhar o rosto, não deixar cair água nos olhos, não nadar com a barriga para baixo. Apesar de contrariado pela lista de itens começando com não, obedeci, mas não sem antes reparar num grupo de indianas que ignoraram completamente estas regras e pareciam se divertir bem mais (com exceção daquelas que saíam amparadas da água porque seus olhos estavam queimando).

Todos dizem que tudo bóia no Mar Morto. E dão risadas por associações escatológicas. E eu confirmo tudo. É uma sensação bizarra, fora deste mundo. Erga as pernas um pouco e logo elas estarão flutuando sem qualquer tipo de esforço. Move-se para lá e para cá e o empuxo é violento. Demora-se um pouco a habituar-se com aquela sensação. Sensação de gravidade zero onde a pressão atmosférica é a mais alta do planeta.

E tudo é água. Em meio à vasta secura, tudo é um pouco de emoção.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A mãe do Borat

Viajei de Amsterdam para Tel Aviv via Bucareste com a infame TAROM. Estive na Romênia há uns 10 anos atrás e a atmosfera opressiva comunista se mantinha embora a transformação em algo capitalista estivesse em curso. É notório que os anos por trás da cortina de ferro deixou marcas indeléveis: pessoas ríspidas, duras desde o tom de voz. Tendo o embarque em Amsterdam terminado, uma atarracada comissária contava aqueles à bordo. Um desavisado. coitado, levantou-se talvez para se esticar, talvez para pegar algo no compartimento superior. Ela para sua contagem e berra em inglês, Sente-se. Já. Não há nada para fazer de pé. Sente-se. Não haviam interjeições, por favores ou obrigados. E eu enfiei minha cara na revista de bordo.

À espera do embarque no portão do Aeroporto Otopeni, eu observava o povo na fila. De repente, vi uma velhinha e imediatamente me veio à cabeça: é a mãe do Borat. Inventei para mim mesmo uma história: era a primeira vez que ela viajava de avião, a primeira vez que havia saído de seu vilarejo perdido nos Balcãs para ver in loco o que o seu padre cristão ortodoxo contava nas missas. Usava um lenço florido na cabeça com um nó sob o queixo do rosto enrugado. Corpo empertigado. Sem sorrisos. Seu casaco era pesado e tinha uma espécie de pele animal na gola, punhos e nas beiradas. O animal abatido devia ter sido um camelo, possivelmente sujo. E eu pensei, sou um cara de sorte - ela vai se sentar ao meu lado.

Embarquei para o trecho final da minha primeira viagem para o Oriente Médio e fiquei procurando o meu assento - corredor, comme d'habitude - e a mãe do Borat. Quando o localizei, a mãe do Borat não estava ao lado. Ops! Mas havia alguém sentado no meu assento. Ops, ops! A mãe do Borat estava ao meu lado; só que do outro lado do corredor. Cara de sorte... Quando provei que o assento do corredor era o meu, a dama que havia incorretamente o tomado teve um acesso de claustrofobia. Eu, compreensivo e tranquilizador, disse-lhe que daria o assento do corredor desde que ninguém se sentasse na janela - sim, porque também sou claustrofóbico. Mas o vôo estava lotado e o dono do assento da janela - que depois comprovou ser um elemento roncador - chegou. Portanto, sorry mas eu ficarei aqui mesmo, e apesar da mãe do Borat. A propósito, foi só o avião levantar vôo e o acesso de claustrofobia dela desapareceu como por encanto. Engraçadinha.

Enfiei minha cara na revista de bordo novamente. Já havia quase decorado os artigos desinteressantes escritos com inglês duvidoso. De repente, a manga da minha camisa é puxada. Pensei, What kind of fuckery is this? Era a mãe do Borat. Cara de sorte. Ela falava comigo possivelmente em romeno e eu fiz minha cara de pontodeinterrogação. Ela continuou até que me mostrou o cinto de segurança que não conseguia atarrachar. E lá fui eu explicar via sinais até que desisti e fechei-o eu mesmo para ela. E ela ficou quietinha até que chegaram os passageiros que sentariam ao lado dela. E ela não sabia mais como abrir a fivela do cinto de segurança e a confusão formou-se. Até que uma comissária, grosseira, chegou, possivelmente a xingou e a livrou do seu cinto. Enfiei minha cara na revista de bordo novamente.

O avião estava taxiando. E eu ouvia um cochicho, um sussurro, um shshsh incessante. Levantei a cara da revista de bordo e me aventurei a olhar para o lado. Mamãe de Borat tinha sua mão direita sobre o assento da frente. Sua mão esquerda estava sobre o pulso e ela estava inclinada com os olhos fechados. Assumi que estava orando. Confirmei só numa segunda olhada de soslaio - ela usava uma pulseira com ícones diversos que ela dedilhava mas, quando chegava a um crucifixo, ela parava e dava três beijinhos devotos na cruz. E lá foi ela shshsh-ando até que atingimos a altitude de cruzeiro. OK, reza de mãe de Borat tem poder.

Depois do jantar servido e os restos, recolhidos, a comissária passou por mim com alguns cobertores. Em seguida, minha manga foi puxada. E novamente, a conversa ininteligível recomeçou. Chamei a comissária e, mal abri a boca e ouvi um aqueleseramosúltimoscobertoresquesobraramdaclasseexecutivaenãotenhomaisnenhum sem pausa para respiração. E eu, com o meu melhor e mais polido inglês, sorry for the misunderstanding, it seems that this lady by my side needs some help but I regret not to speak her language. Momento saia justa, como eu quis. Elas se conversaram secamente e a comissária se foi - nunca soube do que se tratou e tenho até medo de saber.

O avião manteve-se no alto até que o comandante avisou que estávamos nos aproximando de Tel Aviv. E a mãe de Borat recomeçou suas preces. Exatamente como quando levantamos vôo. E aterrisamos suavemente no Ben Gurion. Novamente pensei, reza de mãe de Borat tem poder.

Uma semana depois, eu, cansado depois de ficar quase 2 horas numa fila zoneada para entrar onde Jesus foi sepultado e só poder ficar lá por menos de 1 minuto, sentei-me nas escadas em frente à Igreja do Santo Sepulcro. Minha lombar doía e aquela escada era uma benção. Juntei-me às outras pessoas que faziam o mesmo e observávamos o enorme fluxo de turistas alheios ao conflito judeusversusmuçulmanos. Abri o meu livro guia e o folheei para passar o tempo. De repente, alguém aproveitou o espaço ao meu lado e se sentou. Era uma senhora que... Ops eu já vi esta pulseira antes... ops... é a mãe do Borat!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Andando à toa por aí atrás da felicidade

Apesar de ter voltado já há muito tempo, tenho dado um tempo. Tenho olhado este blog de longe. Tenho o visitado e me revisitado. Tenho juntado algumas histórias, esquecido de outras. Tudo tem sido muito visual. Aí vão algumas imagens de onde fui, vi, me perdi, esqueci, ri. Vivi. No meio-tempo.

Mar Morto. Israel.

Zaanse Schans. Holanda.

Créditos: Fotos minhas, Setembro-Outubro-2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Na maçaneta

Créditos: Skymix

Blog temporariamente em férias. Vou para o outro lado do Atlântico e até o Oriente Médio. Não conta lá em casa. Placa pendurada na maçaneta da porta: "Volto já".

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Aluna aplicada

Fui para o RJ e voltei. Coisas de família. No Rio de Janeiro, eu consigo ler o jornal de cabo a rabo, incluindo obituário e classificados. É como estar em casa e saber exatamente onde estão as coisas. Melhor ainda se fosse o JB. Mas, como sabem, o JB está só online. Comecei a analisar alguns lugares, algumas pessoas e situações. Deixei a dubiedade de lado bem como a minha condescendência. Assisti a programas eleitorais e o desenrolar do caso Erenice. Fica surpreendente a crença das pessoas que podem fazer e desfazer o contrafeito com a cara mais lavada do mundo e achar que ninguém vai perceber. É ter a minha inteligência açoitada, ou a mesma pura estupidez de outrém afinada em alta definição. O palanque para o senado do RJ tem gente demais, as alianças levam a apoios bizarros do presidente a um, da candidata do presidente a outro, do governador a outro, e todos querem o apoio inconteste em retorno. Mas esta Erenice, hem? Deve ter tido aulas com o Zé Dirceu.

domingo, 12 de setembro de 2010

Porque é um livro muito bom

Retirando-se

A. R. Williams escreveu na National Geographic que as Ilhas Maldivas recepcionam milhões de libélulas em outubro todos os anos. Elas acompanham as chuvas sazonais, saindo da Índia, parando por lá e depois indo para a África Oriental. E de volta. A rota cobre um total de 17.700 km em 4 gerações. São como retirantes que vão se perdendo pelo caminho. Esta imagem me diz o quanto estamos amarrados ao nosso lugar. Fazemos caminhadas - uns 5 km. Rodamos de bicicleta - uns 15 km. Nas férias, viajamos - uns 1.000 km de carro. Uns 10.000 km de avião, no máximo. Mas sempre voltamos para casa.

sábado, 11 de setembro de 2010

Zapeando

Foi andando em direção ao precipício. Às vezes, olhava para trás. Um certo nervosismo no olhar. A testa brilhava; suava. Mas os passos continuavam. Até que chegou lá. Na beira. Olhou para frente. Olhou para baixo. Tontura. Sabia que ia cair. Soprou uma brisa.

E então, rapidamente mudei de canal. Incrível como queremos fugir do sofrimento, mesmo que seja numa mera obra de ficção.

Havia chegado bem perto de dizer eu te amo quero ficar contigo para sempre mas não disse bem a tempo. Ficou a um passo. O interlocutor, do outro lado da conversa, havia chegado bem perto de ouvir eu te amo quero ficar contigo para sempre. Mas encerrou a conversa bem a tempo.

Mudou de canal.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Censo 2010

Quando eu era pequeninho eu escutei esta história do Rei que forjou um censo para matar uma criança que seria coroada Rei no futuro, supostamente no seu lugar. E aí, ele fica insano e manda seu soldados matarem toda a criançada, todos os postulantes ao seu trono. E à noite, minha campanhia tocou. Um certo nervosismo e desconfiança toma conta quando ele fala, Oi sou do Censo. Saca do seu smartphone e vai marcando as minhas respostas, uma matança high tech. Espero a hora em que ele vai me empurrar e entrar no meu apartamento brandindo uma espada à procura de um inocente a ser assassinado.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ficamos combinados

"Uma sucessão de fatos reais, originada em uma afirmação mentirosa, configura uma realidade que jamais será verdadeira."
De lá das Sergidades.

Céu azul






Todas as fotos são minhas mesmo.

O linguarudo volta a atacar

Um pouco atrasado, li a entrevista do Morrissey que provocou controvérsia na semana passada. Fui procurar as palavras que provocariam a ira das pessoas. O que eu encontrei foi um relato de uma paixão ignorada. Não desprezada ou não correspondida, mas simplesmente vazia. A inclusão da frase sobre os chineses é só uma informação a mais. O fato de estar de forma indireta cria um colchão de segurança, considerando a crueldade dos chineses para com os animais, você não conseguiria evitar de pensar que eles seriam uma subespécie. Ora, quem poderia acusá-lo de racismo?, diria um advogado. Ainda há a oportunidade de mudar o foco para sobre o tratamento garantido aos animais. Mas onde ficamos afinal? Racismo ou crueldade? Cinismo ou objetividade? Formador de opinião ou completa falta de habilidade social? Tudo ou mais um pouco? Leia aqui a íntegra da entrevista no The Guardian e aqui, a polêmica.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Rol nãocontaláemcasa

Fiz esta lista enquanto tomava alguns chopps. Coisas que quero fazer pelo mundo. Não conta lá em casa. Ver o sol da meia noite na Noruega. Andar de balão na Capadócia. Conhecer a terrinha da Björk. Subir o Monte Fuji. Ir à casa do Papai Noel na Finlândia. Esquiar em St Petersburgo em algum lago congelado. Kathmandu. Não, a Suécia deve ser um saco. Conhecer Mecca. Atravessar a Alemanha em alta velocidade numa Autobahn. In Jerusalem we pray, in Tel Aviv we play. Ir de Moscow a Vladisvostok de trem. Peregrinar de Le Puy até Roncesvalles. Acompanhar o Tour de France. Trekking até o base camp do Everest. Ir até a DMZ das Coréias. Estar em Paris num 14 Juillet e jantar no topo da Torre Eiffel. Subir na Pirâmide. Ir a um coffee shop em Amsterdam. Visitar a Ilha Páscoa. Hospedar no The Peninsula de Hong Kong. Fazer trekking entre as Cinque Terre. Visitar o Palácio de Potala, Lhasa. Tomar cerveja na Oktober, de Munique. Passar temporada com os nômades da Mongólia. Ver os bichos na África, ao vivo e a cores, de preferência na área entre o Quênia e Tanzânia. Nadar no Mar Morto. Ir até a Antarctica. Morar em Floripa.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O charme da curiosidade provocada

Porque seus olhos são muito juntos. Quando escutei isto fiz a minha cara de ponto de interrogação. E exclamação, em seguida. Senti-me aliviado por não ser o único a se sentir incomodado com esta característica física. O meu senso de proporcionalidade e alinhamento é apurado. O que outros acham engraçado e não sabem bem porque acham estranho, eu converto em centímetros, polegadas ou pés. Olhos muito juntos ou eyes too close together. Uns dizem que significa que não podem ser confiados, outros, sinal de pouca inteligência. A mim, eles conferem o charme da curiosidade provocada. E uma anotação no meu caderninho para daí um dia consolidar o padrão de ocorrência. Olhos muito próximos significa...

domingo, 29 de agosto de 2010

Conversa que nunca existiu

Há aqueles que foram criados pelos avós. Em geral, lembram-me Norman Bates. Podem usar cardigans, combinam a calçacamisacintosapato e os óculos, estes parecem ter saído de algum túnel do tempo. Poderiam ser trendy, mas são freaky. Eu não conheci meus avós. Nenhum deles. Morreram antes de eu nascer ou viviam longe o suficiente para que não tivesse havido oportunidade de nos conhecer antes de morrer. Durante muito tempo, achei avós uma entidade, nunca compreendi muito bem do que se tratava, e que talvez só existisse em outras famílias. Se senti falta? Honestamente, não. Como sentir falta de algo que nunca tive ou precisei ter? Já tinha uma família grande demais que preenchia com sobra este vazio. Mas um dia me deparei conversando com um avô que nunca conheci. O nome dele era Leandro. Só devia falar castelhano porque era uruguaio. Talvez estatura mediana, um nariz aquilino e queixo pronunciado. Devia ser daqueles clarosqueimadosdesol porque trabalhava no campo. Um bigode estreito bem aparado. Magro de ruim porque era forte e comia muita carne. Com vitalidade, mas não enérgico. Fumante, de cigarro de palha. Os cabelos eram bem lisos e castanhos. Descrevo assim porque existe uma linha comum entre primos e um dos meus irmãos - não eu, eu não o puxei. Há um neto de cada um dos seus filhos que herdou estas características - chega a ser quase assustadoramente resultado de experiência genética hitlerista. Mas enfim a conversa era de uma criança com um venerável senhor idoso. Altivo, porém mais bem mais velho. Que queria mostrar as ovelhas a serem tosqueadas e caminhar pela estrada até onde a vista alcança.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O feio de jóias


The summer of 1974 was brutally hot in New York and I kept thinking about how nice and icy it must be at the North Pole. And then I thought, "Wait a second, why not go?" You know, like in cartoons where they hang going to the North Pole on their door knobs and they just take off.

So I spent a couple of weeks preparing for the trip, getting a hatchet, a huge backpack, maps, knives, sleeping bags, lures and a three month supply of Banic, a versatile high-protein paste that can be made into flat bread, biscuits or cereal.

Now I had decided to hitch hike and one day I just walked out onto Austin Street, weighing down seventy pounds of gear, and stuck out my thumb. "Going North?" I asked the driver as I struggled into a station wagon.

After I got out of New York, most of the rides were trucks until I reached the Hudson Bay and began to hitch in small male planes. The pilots were usually guys who'd gone to Canada to avoid the draft or else embittered Vietnam vets who never wanted to go home again. Either way they always wanted to show off a few of their stunts. We'd go swooping along the rivers doing loop do loops and baby hueys. And they'd drop me off at an airstrip. "There'll be another plane by here couple of weeks... See ya... Good luck."

I never did make it all the way to the geographic pole; it turned out to be a restricted area and no one was allowed to fly in or even over it. I did get within a few miles of the magnetic pole though. So it was't really that disappointing. I entertained myself in the evenings, cooking or smoking, and watching the blazing light of the huge Canadian sunsets as they turned the lake into fire.

Later I lay on by back, looking up at the Northern lights and imagining there'd been a nuclear holocaust and that I was the only human being left in all of North America and what would I do then.

And then, when these lights went out, I stretched out on the ground, watching the stars as they turned around and their enormous silent.

I finally decided to turn back because of my hatchet. I's been chopping some wood and the hatchet flew out of my hand on the upswing. And I did what you should never do when this happens: I looked up to see where it had gone and it came down "fffooo" just missing my head and I thought, "My God! I could be working around here with a hatchet embedded in my skull and I'm ten miles from the airstrip. And nobody in the whole world knows where I am."

Daddy Daddy, it was just like you said
Now that the living outnumber the dead
Where I come from it's a long thin thread
Across an ocean. Down a river of red
Now that the living outnumber the dead
Speak my language

(The Geographic North Pole, Laurie Anderson; The Ugly One with the Jewels, 1995)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Religiosa e fervorosamente

Eu costumo conversar com as pessoas e elas pensam que sou um bom ouvinte enquanto eu penso que não tenho uma história melhor para entretê-las. E me calo. Num dia ouvi os anos se passaram mas ainda fantasio se ele ainda pensa em mim, se ainda pensa em mim todos os dias, religiosamente, fervorosamente, viciadamente. Não me canso de me surpreender com a ingenuidade das pessoas. Nestes momentos, repentinamente, a minha mais fria aproximação se ergue e digo certamente que não. A obviedade choca. Tento ajudar a recuperarem a respiração naquele confessionário improvisado. Sempre achei bizarro que as pessoas esperem respostas prontas, quase previamente combinadas, sobre suas mazelas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Tapa na pantera

Procurar por:

Aproximei-me da prateleira. Passei por ela. Caminhei rápido e não olhei para ela na volta. Posterguei. Até que, antes de apagar as luzes, separei os escritos. Eram ou foram escritos formidáveis a seu tempo. Mas tive receio de relê-los por causa da dor e sofrimento que os inspiraram. Ainda estão na sua forma bruta e não se tornaram construtivos ainda. São muito mais retratos de época do que lembranças. Sim, porque o tempo ameniza as lembranças que faz sobreviver apenas as melhores. Procuro por uma resposta específica que sei que está lá em uma das folhas e não há um search para eu clicar e me livrar da dor.

Na madrugada fria de agosto

Refastelou-se no bar. Deu risadas e jogou sua cabeça para trás. Olhou para alguém localizado às 03:00. Conversou com o da esquerda e a da direita. Bebericou bebeu experimentou do copo de alguém. Petiscou com palitos com garfos com as mãos. A conta seria por sua conta, após alguns protestos. Bateu com a mão no bolso de trás do jeans. Bolso da direita. Da esquerda. Frente direita e frente esquerda. Nada além das chaves do carro e umas moedas no bolso de moedas que nem havia vasculhado. Bloody hell Havia esquecido perdido a carteira em algum canto. Sentou-se e pediu mais uma rodada. Que seguiu-se a outra. E deu aquela vontade de um desespero urgente de ir ao banheiro. Acordou na madrugada fria, colocou seu chinelo e foi até o banheiro. Na volta, aninhou-se sob as cobertas na esperança de encontrar a carteira e honrar a dívida contraída no sonho. Pelo menos rendeu uns chopps a mais.

sábado, 7 de agosto de 2010

Na sua cara


Morrissey é o artista que melhor inventa títulos para suas canções. Aqueles títulos enormes, habitualmente irônicos, que nos deixa com meio sorriso no final. Renato Russo também tinha a mesma linhagem. Por vezes, é um tapa na cara, outra vezes é um escárnio absoluto pela raça humana, apertando o dedo dolorido e esfregando na nossa cara os nossos sentimentos mais escondidos. Porque eles são intuitivos embora socialmente indesejáveis. Existem algumas pessoas que ousam usar este fato. Algumas de uma forma construtivamente criativa. Outras, no lado negro da força, transformando em verdade o texto da foto acima.


Riviera. Biarritz. Léman.

Comprei a última participação disponível no bolão. Forçosamente, por certo, já que não suportaria ser o único na repartição a ficar depois que todos os demais pedissem a exoneração e fossem curtir a vida na boréstia. Passei o resto dia divagandodivagando. O que fazer. Riviera. Biarritz. Lac Léman. Bebendo alguma coisa numa espriguiçadeira sob o sol ao lado de alguma piscina localizada a poucos metros de um espelho d'água natural. Podia até sentir o corpo se aquecendo e a claridade diminuir pelo efeito das lentes wayfarer. Até que alguém disse, 'ei - mexe o mouse'. E foi a fração de segundo em que voltei à excruciante realidade e dei uma risada. Riviera. Biarritz. Léman. Com um bolão?

Mensagem de ausência temporária

O relógio despertou e você esqueceu de se levantar. Chegou atrasado ao trabalho com o cabelo desgrenhado. A camisa estava assimetricamente abotoada. Apesar de avisado pela recepcionista, você teve que passar no banheiro para colocar os botões nas devidas casas e isto te fez chegar na reunião já pela metade, sob os olhares de reprovação dos demais. O computador deu tilt, o relatório não ficou pronto a tempo, a bateria do celular descarregou no início da tarde. Tomou a decisão errada. Foi criticado pelos corredores. A popularidade entrou em baixa. A fofoca correu solta. Apelou. Mandou um email para anjo da guarda. Recebeu um de volta: Out-of-the office reply. Your guardian angel is out of the office on holiday. Sorry but I will have limited access to my emails. This message will not be automatically forwarded to any other angel. In case of urgent matters, pray twice and go to church. I will be back to you as soon as possible. Thanks and regards. Good luck.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Aceite de convites

Já contei como eu adoro o Encantador de Cães? Basicamente eu adoro cães, mas meu estilo de vida me impede de ter um neste momento. Não poderia simplesmente ter um e garantir uma vida miserável a ele, trancado num apartamento sem a presença humana na maior parte do tempo. Mas o que eu gosto no Cesar Milan é como ele mostra como o problema de um cão estressado, latindo todo o tempo, mal comportado, é simplesmente os donos. Donos ansiosos, frustrados, estressados, transmitem esta energia para os cães. Daí o comportamento irriquieto é apenas um reflexo desta vida irritadiça. Cães vivem no agora, sem referir-se a um passado, sem antecipar um futuro - muito diferente de nós humanos. E o quanto isto pode ser levado para o comportamento humano? O quanto criamos de energia esquisita para nossos próximos? O quanto aceitamos os convites para entrar numa vibe incontrolavelmente ruim? Da próxima vez, lembre-se disto, não grite com alguém que já está gritando, não tente convencer ninguém no grito. Isto é só um exercício de mau comportamento.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fake it

Equação: a habilidade é igual ao talento vezes o exercício. Se te sobra talento, não precisa exercitar exageradamente porque a habilidade vai sobrar. Usando exemplos futebolísticos, vide Romário e Ronaldinho. Agora, se te falta talento, só te resta exercitar. Exercitar. Exercitar. Repetir à exaustão. Fingir a naturalidade de exercer uma habilidade que não lhe é natural, com sprezzatura. Fake it till you make it.

sábado, 31 de julho de 2010

A simplicidade

Do abandono

Crianças de uma certa idade necessitam de constante supervisão. Precisam, por vezes, que peguem na sua mão e indiquem o caminho. Há crianças que se perdem no supermercado, por entre corredores de possibilidades. Exatamente no momento em que parece que a liberdade a atingiu e todo aquele gigantesco local clama por conquista, é quando a criança sente-se muito pequena. E começa a chorar. E a olhar com desespero. E a correr na procura. Para não confirmar o sentimento de abandono que a ameaça.

Escrevo de volta com a cara mais lavada do mundo. Como se nunca tivesse abandonado este blog.

domingo, 11 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Mais um

Sexta-feira. Tinha que comprar uns artigos de primeira necessidade e aproveitei para passar no shopping. Anda para lá. Ando para cá. No fim, passei em frente à cervejaria e pensei, espera um instante, por que não? O primeiro chopp desceu fácil. Pedi uma caneta emprestada ao garçom que me olhou torto - por que ninguém gosta de emprestar sua Bic? Peguei um guardanapo e comecei a anotar todas as idéias randômicas que ia tendo. Faltando dois dedos para o fundo do copo, o garçom apontou e dissemos, uníssonos, mais um - ele com um ? e eu com um !. Um guardanapo. Mais um guardanapo. Um prato de salgados. Mais um guardanapo; este, um pouco engordurado. Esqueci de dizer que já tinha acontecido outro 'mais um' neste meiotempo. Agora, a velocidade das anotações já havia diminuído e eu sentia um leve torpor nas bochechas. Mais um? Eu já estava distraído, mas não perdi a gentileza, sim por favor!

Chamois

Hoje de manhã acordei com a cara amassada como chamois. Um daqueles dias em que o cabelo não assenta, o pijama fica retorcido no corpo e o chinelo, distante o suficiente para fazer caminhar no piso frio. E fui fazer uma caminhada, mas não sem antes resgatar o meu boné, não sem antes resgatar meus óculos escuros. Daí eu olhei todas aquelas pessoas com quem eu cruzava no caminho. Gordos magros carecas. Tristes, não me pareciam. Eram movidos a energia solar do céu azul do meio-dia. Ou pela força motriz dos seus cães. Carregariam eles uma tristeza absoluta por baixo dos seus bonés ou por trás dos seus óculos escuros? Se sim, enganam bem. E me perguntei por que eu poderia ser menos feliz. When my face is chamois-creased...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

MarinamorenaMarina

Se hoje apareceu um Índio na corrida presidencial, prefiro a cara do Brasil.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Lanterna e fósforos

Ganhei um presente. E quando abri a caixa era uma lanterna e uma caixa de fósforos. Um cartão anexo me dizia, para Marcos, o aventureiro. Disseram-me que eram itens essenciais para minhas viagens. Para iluminar meu caminho. Para eu poder enxergar mais longe. Para eu passar, passear com discreção. Para eu contar histórias. E eu disse obrigado. E dei um sorriso. Iluminando.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quinta sem lei

Estou pulando de quinta para quinta... Mas enfim, aí vem mais um pouco de ironia - original e a remixada (click nos respectivos play). Somente especialistas podem lidar com o problema, segundo Laurie Anderson, uma contadora de histórias hipnótica. Lá vai:



Now only an expert can deal with the problem. Because half the problem is seeing the problem. And only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem. So if there’s no expert dealing with the problem. It’s really actually twice the problem. Cause only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem.

Now in America we like solutions. We like solutions to problems. And there’s so many companies that offer solutions. Companies with names like: The Pet Solution. The Hair Solution. The Debt Solution. The World Solution. The Sushi Solution. Companies with experts ready to solve these problems. Cause only an expert can see there’s a problem. And only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem.

Now let’s say you’re invited to be on Oprah. And you don’t have a problem. But you want to go on the show, so you need a problem. So you invent a problem. But if you’re not an expert in problems, you’re probably not going to make a very plausible problem. And so you’re probably going to get nailed. You’re going to get exposed. You’re going to have to bow down and apologize and beg for the public’s forgiveness. Cause only an expert can deal there’s a problem. And only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem.

Now on these shows, the shows that try to solve your problems. The big question is always: “How can I get control? How can I take control?” But don’t forget this is a question for the regular viewer. The person who’s barely getting by. The person who’s watching shows about people with problems. The person who is one of the 60% of the U.S. population. 1.3 weeks away, 1.3 pay checks away from a shelter. In other words, a person with problems. So when experts say, “Let’s get to the root of the problem. Let’s take control of the problem. Cause if you take control of the problem, you can solve the problem.” Now often this doesn’t work at all because the situation is completely out of control. Cause only an expert can deal with the problem. And only an expert can deal with the problem. And only an expert can deal with the problem.

Now sometimes experts lend you money. And sometimes they lend you lots of money. And sometimes when the subprime mortgage collapse, and banks close and businesses fail and crisis spreads around the world. Sometimes other experts say: "Just because all the markets crash it doesn't mean it's necessarily a bad thing". And other experts say: "Just because all your friends are fired and your family is broken and we didn't see it coming, it doesn't mean that we were wrong. And just because you lost your job, and your house and all your savings it doesn't mean you don't have to pay for the bailouts for the traders, and the bankers and the speculators. Cause only an expert can design a bailout, and only an expert can expect a bailout. Cause only an expert can deal with the problem. And only an expert can deal with the problem. And only an expert can deal with the problem.

And sometimes when it’s really really really really hot. And it’s July in January. And there’s no more snow and huge waves are wiping out cities. And hurricanes are everywhere. And everyone knows it’s a problem. But if some of the experts say it’s no problem. And other experts claim it’s no problem. Or explain why it’s no problem. Then it’s simply not a problem. But when an expert says it’s a problem And makes a movie about the problem and wins an Oscar about the problem and gets a Nobel prize about the problem, then all the other experts have to agree: it is most likely a problem. Cause only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem.

And even though a county can invade another country. And flatten it. And ruin it. And create havoc and civil war in that other country. If the experts say that it’s not a problem. And everyone agrees that they’re experts good at seeing problems. Then invading those countries is simply not a problem. And if a country tortures people And holds citizens without cause or trial and sets up military tribunals. This is also not a problem. Unless there’s an expert who says: "This is the beginning of a problem". Cause only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem.

Only an expert can see there’s a problem. And seeing the problem is half the problem. And only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem.

Laurie, também insere em shows algumas estrofes diferentes. São pequenas porradas que acho OK colocar aqui:

Now sometimes experts look for weapons. And sometimes they look everywhere for weapons.
And sometimes when they don’t find any weapons. Sometimes other experts say, “If you haven’t found any weapons, it doesn’t mean there are no weapons.” And other experts looking for weapons find things like cleaning fluids. And refrigerator rods. And small magnets. And they say, “These things may look like common objects to you but in our opinion, they could be weapons. Or they could be used to make weapons. Or they could be used to ship weapons. Or to store weapons.” Cause only an expert can see they might be weapons. And only an expert can see they might be problems. Cause only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem. Only an expert can deal with the problem.

So who are these experts?
Experts are usually self-appointed people or elected officials
Or people skilled in sales techniques, trained or self-taught
To focus on things that might be identified as problems.
Now sometimes these things are not actually problems.
But the expert is someone who studies the problem
And tries to solve the problem.
The expert is someone who carries malpractice insurance.
Because often the solution becomes the problem.
Cause only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem O
nly an expert can deal with the problem.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quinta sem lei

Faça uma pausa, Pam. Você parece cansada. São as últimas palavras de Jason Bourne, antes de começar a tocar Extreme Ways e rolarem os créditos.

Moby was Bourne to be wild:



Extreme ways are back again. Extreme places I didn't know. I broke everything new again, everything that I'd owned. I threw it out the window; came along. Extreme ways I know will part the colors of my sea, perfect colored me. Extreme ways they help me, they help me out late at night. Extreme places I had gone that never seen any light. Dirty basements, dirty noise, dirty places coming through. Extreme worlds alone. Did you ever like it planned? I would stand in line for this. There's always room in life for this. Oh baby, then it fell apart. Extreme sounds that told me they held me down every night. I didn't have much to say. I didn't give about the life. I closed my eyes and closed myself and closed my world and never opened up to anything that could get me at all. I had to close down everything. I had to close down my mind. Too many things could cut me. Too much could make me blind. I've seen so much in so many places, so many heartaches, so many faces, so many dirty things you couldn't even believe. I would stand in line for this. It's always good in life for this. Oh baby, then it fell apart. Like it always does, always does.

Estado civil ou militar

Sempre rejeitei a hipótese de que alguém que viva sozinho desenvolva hábitos solitários e, com o tempo, incompatíveis com outros. Uma falácia. Se um lobo solitário pode ser qualificado como metódico, bagunçado, cheiodemanias, maníaco, ou qualquer outra coisa, ele seria assim mesmo, mesmo que estivesse acompanhado de sua parceira ou grupo. Porque é uma característica humana, intrínseca, pessoal, intransferível e não aderente ao estado civil. Extrapolando o raciocínio, perguntei-me hoje se haveria diferença na capacidade de absorção de frustrações entre casados e solteiros. Pensei, casados têm um fator a mais de frustração que têm que lidar: o outro no casamento. É como uma oportunidade adicional para lidar com rejeições - aumentando a frequência, aumentando a experiência. Consultei ilustrados e ouvi suas posições. E conclui: estado civil não deixa um mais ou menos equipado para lidar com frustrações. Portanto, resta-me desejar: Boa sorte a todos nós.

terça-feira, 25 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Alice deixada pelo seu Salvador

Eu não assisti Alice. Tenho fugido estranhamente do cinema. De repente, minha vida passou a ter outras prioridades. Ou simplesmente esqueci do encantamento da sala escura. Certamente bem mais acessível ela é do que a do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que está tinindo de bonito depois da reforma. Será que, dentro daquela sala de paredes douradas e assentos vermelhos, nós igualmente nos transportaríamos para algum outro lugar? Possivelmente. Um dia estive lá e fui para uma Espanha do século XIX onde todos cantam em francês. Bizarro certamente, mas mágico também. Outro dia sonhei com uma Alice como do nada. Havia também um gato gordo e rajado, e olha que eu não aprecio gatos. Não sei interpretar sonhos, mas tive a sensação de que estava exagerando no cuidado concedido. Eu, que tenho a mania de ser o Salvador, tomei meu rumo e deixei aqueles dois personagens à sua própria sorte.

sábado, 22 de maio de 2010

Are you experienced?

Você é experiente? Desistiu de cometer os velhos erros. Decidiu cometer erros novos. Correr riscos em vez de correr dos riscos. Não mergulharia num vazio, num buraco negro. Mas, experimentaria sem medo de errar. E o Jimi insiste, have you ever been experienced? Acho que sim. Num certo momento de vida, talvez. E finaliza, well I have...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Frases memoráveis

O começo da sabedoria está em chamar as coisas pelos seus nomes corretos. Provérbio chinês.

Uma arte

Há pessoas habilidosas na sensível arte de tornar as coisas ainda piores. Numa fração de segundos elas criam uma realidade paralela onde constroem premissas ameaçadoras, preocupações inimagináveis, conspirações e atentados. Na verdade, saem da realidade e entram numa matrix sórdida, criada pela sua própria agitação mental. Nada é tão ruim quanto aparenta ser. Ela só se torna pior graças a você mesmo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quinta sem lei

Esta música nunca é demais para mim.

A propósito, alguém poderia me definir o que expressa o tom de voz do Bernard Sumner? Gentileza comentar.


As I look at the morning sky, today the wind is blowing hard, see that bird is floating high: pretty soon it will be tired. I spent a day all by myself. A rich man without his wealth. Sometimes I get it wrong but I'm not the only one. The afternoon was very clear. The sun was beating down on me. I got thirsty for a beer that I had to go to sea. The sea was very rough. It made me feel sick but I like that kind of stuff: it beats arithmetic. I don't want the world to change. I like the way it is. Just give me one more wish: I can't get enough of this. When it gets to be alive and not just still survive. To hit and not to miss: I can't get enough of this. The early evening mists look beautiful to me. It was sweeter than a kiss. I wish you all could see. I'm a long long way from home but this photograph of you, even though it's monochrome, tells me what I should do. So I got up on my feet. I knew it would be alright for my clothes were looking beat in the middle of the night. I don't want the world to change. I like the way it is. Just give me one more wish: I can't get enough of this. When it gets to be alive and not just still survive. To hit and not to miss: I can't get enough of this.

domingo, 16 de maio de 2010

Das pirâmides, efígies e obeliscos

De nada vale a sua história, foi o que ouvi. O que conta é tão somente a ação de hoje e a perspectiva de amanhã. E este prazo à vencer pareceu-me tão etéreo como contar com o rendimento da bolsa de valores: garantia nula. Uma subjetiva aposta no infinito sem premissas, sem dados, sem memória de cálculo. O choque que sofri, transformei em uma qualificação: absurdo. Ora, pode-se construir pirâmides, efígies, obeliscos. Perenes serão, mesmo sob risco da ruína pelo tempo ou mesmo de alguma guerra nuclear. Será que tê-los construído alçará seu idealizador à mesma imortalidade? Para uns, parece que não. Eu acho que sim. Seremos lembrados, sim, por termos imprimido uma marca neste mundo. E eu, eu apresento o mais profundo respeito a quem deixou um legado, a quem tem uma história para contar.

terça-feira, 11 de maio de 2010

GPS

Há uma pequena ebulição em andamento. Há interesses diversos que passam na minha frente e eu, curiosa e talvez desatentamente, os sigo. Por vezes, passam de excessivamente atraentes a absolutamente aborrecidos em pouco tempo. Mas como posso julgar isto em antecipação? Enquanto sementes, breves e pequenas, todas são muito semelhantes. Com o tempo, algumas vezes mais, outras vezes menos longos, algumas tornam-se árvores frondosas, outras arbustos rasteiros. Só o tempo ajuda. Consigo ver apenas esta profusão de eventos passar mas não consigo ver lógica, ver a lógica que sei que existe mas cujo raciocínio ainda não desenvolvi. Por conta disto, justifico, não tenho escrito aqui. Minhas idéias não andam calcadas em nada. Tudo é lentamente efêmero. Certezas que achava que tinha, se perderam. Outras se formam, mas desconfio ainda delas. Mas não pense, caro leitor, que vivo sem norte. Minha bússola é interna. É um GPS orgânico em algum lugar entre minha mente e meu coração.

sábado, 24 de abril de 2010

Hedonismo

Um dia resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer, concordando com a Rita Lee. Fiz-me senhor do meu prazer, sem dependências, sem condições. Tornei-me responsável por ele. Passei a me conceder sorrisos cúmplices e sentir um tufão atravessando meu corpo, versões não sexuais de orgasmos. Só para reforçar a resolução de Ano Novo:

have more fun

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Vulcão

Eu estaria embarcando domingo para Londres via Amsterdam. Estaria.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quinta sem lei

Só queria tocar bateria para barbarizar como o Tim Flocke, em Empire State of Mind.



In New York, concrete jungle where dreams are made of. There's nothing you can’t do, now you’re in New York: these streets will make you feel brand new, the lights will inspire you, let's hear it for New York, New York, New York.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Da melancolia fotográfica

É que eu sofro desta melancolia fotográfica.

Uma senhora passa pela rua com seu guarda-chuvas e carregando uma sacola pesada no braço. Seu andar é lento cuidadoso não se deixar cair no piso escorregadio. Congelo a imagem e fantasio tudo o que ela pode estar passando. Como a velhinha de LDN que carrega suas sacolas de supermercado até que é brutalmente atingida na cabeça para ter suas jóias e carteira roubadas, ela pode estar voltando para sua casa depois de um dia estafante de faxina para complementar sua aposentadoria. Ou qualquer outra coisa igualmente triste para alguém de sua idade. Qualquer outra coisa que ela não mereceria estar passando.

E eu me deixo levar por esta tristeza momentânea.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Delírio em amarelo

Acordei e olhei pela janela do avião. Há quanto tempo havia dormido? Desde a decolagem? O sol do meio-dia no mormaço espanhol garantia um brilho embaçado e plastificado. Cerrei os olhos enquanto tateava meus pertences à procura dos meus óculos escuros. Tive vontade de voltar a dormir mas fiquei num estado de torpor observando a meseta espanhola. Um grande jogo de xadrez das propriedades quadradas de diferentes cores de dourado de trigo. Deveriam ser colhidos logo mas estavam em graus de maturidade ligeiramente diferentes. E os fazendeiros teriam muita dificuldade em separá-los, se quisessem. Mas precisariam ser separados, para o bem do seu futuro, da sua evolução. E a mágica, eu pensei, deve ser coexistir. Deve ser perder um pouco daquiedali. Em pensar que tudo aquilo estava verde há alguns meses. Agora tudo estava prestes a ser ceifado. O amarelo de Van Gogh sempre me fez delirar.

terça-feira, 23 de março de 2010

G.U.T.

Existem vários tipos de problemas. Os graves variam entre aqueles sem qualquer importância até aqueles de consequências tenebrosas. As urgências estabelecem o ritmo com o qual devemos tratá-los para restabelecer certa normalidade. Mais negligenciada, a tendência deve também ser observada. Ela indica o que pode acontecer se não fizermos absolutamente nada - ficarmos quietin' quietin'. Por vezes, a situação se deteriorá rápida e incontrolavelmente. Outras vezes, nada acontece ou, quiçá, as coisas até se resolvem por si só. Pois bem, após anos lutando com uma restrição legal, já havia praticamente desistido de resolver esta equação impossível. Na última tentativa, rondava a mesa de discussões a possibilidade de ser processado pelo fato de estar não conforme. Mas aí aparece uma Erin Brockovich que vai fuçar um detalhe da lei que desconhecia. E, eis que ela descobre que, no apagar das luzes de 2009, a lei foi revogada. Voilà: nada foi feito e o problema se foi.

Com mais delongas #2

"Procrastination is like masturbation. At first it feels good, but in the end you're only screwing yourself. "
Autor desconhecido.

domingo, 21 de março de 2010

Um campeão aos 50

Créditos: Art by Terra
Senna, se tivesse chegado aos cinquenta.
O cara era muito foda.

sábado, 20 de março de 2010

Somente duas alternativas

Olhava nos seus olhos pelo espelho. Respirei fundo e tomei coragem. Titubeei nas primeiras palavras que saíram. Era a minha deixa de hesitação e de demonstração do quanto delicado o assunto era. Continuei. Repetiria tudo de novo assim mesmo, como um pleonasmo propositado repetiria tudo de novo para ser mais amada, admirada, aceita? Seus ombros caíram num instante e formou-se uma linha na testa, Sim possivelmente. E, embora soubesse que aquela pergunta teria apenas 2 respostas possíveis - sim ou não - me perguntei porque não consegui desenvolver a conversa.

Por poder tornar-se realidade,

sexta-feira, 19 de março de 2010

The Cultural Ambassador

Clique no Play:



Anyway, I was in Israel as a kind of cultural ambassador and there were lots of press conferences scheduled around the performances. The journalists usually started things off by asking about the avant-garde.

— So, what's so good about new? they'd ask.
— Well, new is… interesting.
— And what, they would say, is so good about interesting?
— Well, interesting is, you know… it's… interesting. It's like… being awake, you know, I'm treading water now.
— And what is so good about being awake? they'd say.

Finally I got the hang of this: never answer a question in Israel, always answer by asking another question. But the Israelis were very curious about the Gulf War and what Americans had thought about it, and I tried to think of a good question to ask and answer to this, but what was really on my mind was that the week before I had myself been testing explosives in a parking lot in Tel Aviv. Now this happened because I had brought some small stage bombs to Israel as props for this performance and the Israeli promoter was very interested in them. And it turned out that he was on weekend duty on one of the bomb squads, and bombs were also something of a hobby during the week. So I said:

— Look, you know, these bombs are nothing special, just, just a little smoke.
And he said:
— Well, we can get much better things for you.
And I said:
— No really, these are fine…
And he said:
— No but it should be big, theatrical. It should make an impression, I mean you really just the right bomb.

And so one morning he arranged to have about fifty small bombs delivered to a parking lot, and since he looked on it as a sort of special surprise favor, I couldn't really refuse, so we are on this parking lot testing the bombs, and after the first few explosions, I found I was really getting pretty… interested.

They all had very different characteristics: some had fiery orange tails, and made these low paah, paah, paah, popping sound; others exploded mid-air and left long smoky, slinky trails, and he had several of each kind in case I needed to review them all at the end, and I'm thinking:

— Here I am, a citizen of the world's largest arms supplier, setting off bombs with the world's second largest arms customer, and I'm having a great time!

So even though the diplomatic part of the trip wasn't going so well, at least I was getting some instruction in terrorism. And it reminded me of something in a book by Dan Delittle about how terrorists are the only true artists left, because they're the only ones who are still capable of really surprising people. And the other thing it reminded me of, were all the attempts during the Gulf War to outwit the terrorists, and I especially remember an interesting list of tips devised by the US embassy in Madrid, and these tips were designed for Americans who found themselves in war-time airports. The idea was not to call ourselves to the attention of the numerous foreign terrorists who were presumably lurking all over the terminal, so the embassy tips were a list of mostly don'ts. Things like: don't wear a baseball cap; don't wear a sweat shirt with the name of an American university on it; don't wear Timberlands with no socks; don't chew gum; don't yell “Ethel, our plane is leaving!" I mean it's weird when your entire culture can be summed up in eight giveaway characteristics.

And during the Gulf War I was traveling around Europe with a lot of equipment, and all the airports were full of security guards who would suddenly point to a suitcase and start yelling:

— Whose bag is this? I wanna know right now who owns this bag.

And huge groups of passengers would start fanning from the bag, just running around in circles like a Skud missile on its way in, and I was carrying a lot of electronics so I had to keep unpacking everything and plugging it in and demonstrating how it all worked, and I guessed I did seem a little fishy - a lot of this stuff wakes up displaying LED program readouts that have names like Adam Smasher, and so it took a while to convince them that they weren't some kind of espionage system. So I've done quite a few of these sort of impromptu new music concerts for small groups of detectives and customs agents and I'd have to keep setting all this stuff up and they'd listen for a while and they'd say:

— So uh, what's this?
And I'd pull out something like this filter and say:
— Now this is what I'd like to think of as the voice of Authority.
And it would take me a while to tell them how I used it for songs that were, you know, about various forms of control, and they would say:
— Now, why would you want to talk like that?
And I'd look around at the Swat teams and the undercover agents and the dogs and the radio in the corner, tuned to the Superbowl coverage of the war. And I'd say:
— Take a wild guess.

Finally of course, I got through, with this after all American-made equipment, and the customs agents were all talking about the effectiveness, no the beauty, the elegance, of the American strategy of pinpoint bombing. The high tech surgical approach, which was being reported on CNN as something between grand opera and the Superbowl, like the first reports before the blackout when TV was live and everything was heightened, and it was so… euphoric.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Leite, torrada e mel

Comprou o pão mas deixou o troco na padaria. Beliscou o bico dele no caminho para o carro. Sentou e deu a partida. Seta piscando. CDplayer tocando. Milk toast and honey. Deliciosamente piegas, pensou e riu para si, por que ainda estou ouvindo isso? Deve ser porque eles são suecos e não há nada mais bizarro do que ser sueco. Quando virou na segunda à direita, eles avisaram to bring a little lovin', honey, to take away the pain inside, is everything that matters to me, is everything I want from life.

domingo, 14 de março de 2010

Indulgência

Babette ganhou uma grana inesperada e generosamente deu um presente de agradecimento àquelas pessoas que haviam a recebido. Gente velha. Gente fechada. A abundância da generosidade transforma aquelas pessoas. Elas alimentam seus corpos e suas almas, bebem de um vinho santo, conversam, dançam e finalmente sorriem. A alegria abunda. Este é o espírito de uma festa ideal. Have more fun, people. Sem culpa (Babettes gaestebud, 1987)

sábado, 13 de março de 2010

Minha vida com um cão

Primeiro foi o Rex, que ficou na memória através de fotografias. Acinzentado, ele aparecia sempre embaixo das mesas. Devo ter aprendido a falar seu nome de tanto ouvir os outros o chamando. Não sei que fim teve. Num hiato de tempo, apareceu o Marrom. Engraçado ter uma cor como nome. Mas o que fazer quando seu corpo branco é coberto por manchas indeléveis marrons? Torna-se Marrom, o marronzinho. Rei da casa, tornou-se arredio quando seu trono foi ameaçado e finalmente tomado pelo Lobo. Este era um malandro, filho de um Lord e de uma vagabunda, mas foi querido por todos durante seu reinado. Marrom foi tornando-se intratável e sua antissociabilidade doentia ficou insustentável na casa. O coup d'État foi implacável e levou-o à morte por pena capital. Lobo tornou-se então único e sem rivais de direito ou de fato. Seu fim entretanto foi shakespeareano: envenenado na sua gana e pela displicência da sua Corte. Tentativas de reanimação foram penosas e ineficazes. Triste fim, triste fim. Ficamos todos consideravelmente abalados por algum tempo. Muito mudou quando a era Collor se instalou e chegou o Marajá. Como seu nome diz, ele tinha pompa e circunstância, mas que era um grande e sonoro falastrão sob seu manto cor de canela da Índia. Sua Exaltada Alteza viveu conosco por pouco tempo. Devido ao nosso sangue cigano, estávamos constantemente nos deslocando então. Deslocar um Marajá e seu séquito elefantes carruagens tigres de Bengala era extremamente extenuante - estava drenando nossas limitadíssimas reservas parcialmente confiscadas pela Zélia. Daí, ele foi deposto e enviado para um merecido exílio luxuoso no campo. Embora avesso às atividades do campesinato, foi treinado por um tutor habilitado e tornou-se exímio soldado, guardando um império dentro da cidade maravilhosa.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Quinta sem lei

Eu curto quando, na cidade, dois mundos colidem. E eu curto a Adele aos montes, voz da menina fofinha que soa poderosa, profissional, uma porrada. Esta música me dá saudades de Londres.



I've been walking in the same way as I did: missing out the cracks in the pavement and tutting my heel and strutting my feet. "Is there anything I can do for you dear? Is there anyone I can call?" "No and thank you, please Madam. I ain't lost, just wandering". Round my hometown, memories are fresh, round my hometown. Ooh the people I've met are the wonders of my world, are the wonders of this world. I like it in the city when the air is so thick and opaque. I love to see everybody in short skirts, shorts and shades. I like it in the city when two worlds collide. You get the people and the government: everybody taking different sides. Shows that we ain't gonna stand shit, shows that we are united, shows that we ain't gonna take it, shows that we ain't gonna stand shit, shows that we are united. Round my hometown, memories are fresh, round my hometown. Ooh the people I've met are the wonders of my world, are the wonders of this world.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Quinta Sem Lei

Mundo louco, este um.


All around me are familiar faces, worn out places, worn out faces, bright and early for the daily races going nowhere, going nowhere. Their tears are filling up their glasses. No expression, no expression. Hide my head I wanna drown my sorrow. No tomorrow, no tomorrow. And I find it kind of funny, I find it kind of sad. The dreams in which I'm dying are the best I've ever had. I find it hard to tell you, I find it hard to take when people run in circles, it's a very very, mad world, mad world. Children waiting for the day they feel good: Happy Birthday, Happy Birthday. And I feel the way that every child should: sit and listen, sit and listen. Went to school and I was very nervous, no one knew me, no one knew me. Hello teacher tell me what's my lesson. Look right through me, look right through me. And I find it kind of funny, I find it kind of sad. The dreams in which I'm dying are the best I've ever had. I find it hard to tell you, I find it hard to take when people run in circles it's a very very, mad world, mad world. Enlarge your world, mad world.