quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Curva de rio

Depois de 8 anos, finalmente tive o meu certificado de Peregrinação à Compostella emoldurado. Inclui no quadro o pedaço do cajado que usei durante a caminhada. Ele tinha um significado especial para mim. Não o comprei, não usei um do tipo esportivo, não o ganhei. Na verdade, nós nos achamos, ou melhor, ele me achou (torno então o assunto mais poético). Ele estava num vinhedo da Rioja, entre Viana e Logroño, e eu já sofria da tendinite peregrina naquele momento. Ofereceu-me ajuda, retorcido e cheio de nós e viés ainda me provocando umas bolhas e vermelhidão nas mãos. Até que nos ajustamos e adotamos o we2r1. Junto com a minha mochila, acompanhou-me até Finisterre e daí até hoje aqui. Enfim, lembrei-me do como eu consegui viver com tão pouco, tão leve. Tudo isto serviu também de inspiração para fazer a minha limpa de fim de ano: roupas, coisas, papéis. Estas tranqueiras que ficam paradas nesta curva de rio com pouco propósito que a vida da gente pode se tornar. Abri espaços, livrei-me de algumas coisas velhas para que coisas novas cheguem e tragam um ar renovado.

4 comentários:

maria disse...

Adorei isso. Sinto um prazer quase sexual em me livrar de coisas, rs

E quisera eu ser assim em relação a certas pessoas... isso é que é difícil... abandonar o que não dá mais.

Louise disse...

Caco, nem preciso dizer o quanto esse texto faz sentido pra mim agora...

Lembro direto do seu lema "I travel light"; expliquei até, dia desses, para minha mãe, que está super triste - a sala de jantar pesadíssima, madeira maciça, não vai caber no novo apto.

Queria poder explicar à ela da mesma forma como vc explica para nós, aqui. Tão bem.
Beijo

Flavia Melissa disse...

Se vc lança um clube de vijantes, já tem a primeira sócia =)

Caco disse...

Estou pensando seriamente em algo nesta linha.

Juro!