terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Telegrama de Natal

mts coisas acontecendo pt registrando em moleskine pt volto logo pt boas festas pt td d bom pt caco

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Chove sobre o molhado

A chuva que cai tão incessantemente ou tão repentinamente é tão bizarra que coisas estranhas acontecem. É tudo de forma muito semelhante à chuva de sapos que cai em Magnolia e já escrevi a respeito. Hoje, enquanto chovia caía uma chuva de cupins. Acho que eram cupins, dada a minha ignorância para discernir e nomear insetos (ou animais em geral). Cupins voavam em espiral descendente pela minha janela do 12º andar. Muitos. Partículas que formavam uma nuvem - um modelo atômico na janela. Não reconheço este dezembro. Dezembros são quentes como frigideiras sem cabo. Este está morno, molhado, aborrecido.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Compare e contraste

Um dia me parou e disse, agora entendi porque adoro fazer maluquices. Pausa. Por maluquices, entendi o bungee jumping, a fixação pelo motocross, as escaladas na montanha, os saltos de paraquedas. Pausa. Continuou então, é que eu morro de medo. E eu disse que eu também e o resto da torcida do Vascão também. Não, um não pela palavra e pelo movimento de cabeça e pelo movimento do corpo. Não, é que eu sinto medo de tudo mesmo, daí que eu preciso criar algo de verdade pra eu ter medo, algo, tipo... hesitou... tipo mergulhar com tubarões. Eu ainda estava sem entender muito. É, continuou, é assim que dá para saber o que é realmente do que se deve ter medo. Todo o resto, finalizou, todo resto é nada. Nada, viu? Me bateu nos ombros, me olhou firme e foi embora. E eu fiquei olhando para ele, pensando. E depois concordei. Eu fazia o mesmo. Virei as costas e fui embora.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pequeno senhor raiodesol

Leio dentro do carro em movimento. Nada mal, você dirige você lê placas e, se não dirige, certamente lê coisas pelo caminho. Mas eu, eu leio livros, revistas e, para o assombro geral, não passo mal. Já fui avisado do descolamento de retina e, respeitosamente, ri para mim mesmo deste mito urbano e continuei minha leitura. Mantenho assim minha literatura em dia nestes tempos de pouco tempo para mim - um pouco de disciplina para as coisas que me dão prazer. Esta minha peculiaridade deve existir porque viajei 1845 km ainda na barriga da minha mãe numa Kombi lá nos idos de '71.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um aniversário

"Turbulência é o modo pelo qual Eu converto a maioria dos ateus", disse @OCriador no Twitter. Passei por poucas turbulências graves e não sou ateu. Pelo contrário, um dia me vi cristão e católico. Absolutamente quadradinho, daqueles que gosta de missas bem tradicionais e não está nem aí para padrescantoressuperstars. Acho o Papa uma figura que representa bem o radicalismo de manutenção de status quo, nem que se precise ir para a extrema direita. Sou uma ovelha negra, tudo bem um pouco moreno, desraigada. Confesso ficar dividido entre a ressurreição e a reencarnação, ser favorável ao aborto e o casamento homossexual, ter certeza da Evolução das Espécies. Mas no meio de toda esta parafernália, procuro voltar ao essencial: a fé em Deus, numa crença cega a um mistério muito louco do filho de Deus nascendo de uma virgem, de milagres formidáveis, uma Bíblia Sagrada que consolida não ficção em ficção. Fé, independente desta montoeira de gente aqui legislando a respeito. E olha que o aniversário do filho Dele está chegando.

Curva de rio

Depois de 8 anos, finalmente tive o meu certificado de Peregrinação à Compostella emoldurado. Inclui no quadro o pedaço do cajado que usei durante a caminhada. Ele tinha um significado especial para mim. Não o comprei, não usei um do tipo esportivo, não o ganhei. Na verdade, nós nos achamos, ou melhor, ele me achou (torno então o assunto mais poético). Ele estava num vinhedo da Rioja, entre Viana e Logroño, e eu já sofria da tendinite peregrina naquele momento. Ofereceu-me ajuda, retorcido e cheio de nós e viés ainda me provocando umas bolhas e vermelhidão nas mãos. Até que nos ajustamos e adotamos o we2r1. Junto com a minha mochila, acompanhou-me até Finisterre e daí até hoje aqui. Enfim, lembrei-me do como eu consegui viver com tão pouco, tão leve. Tudo isto serviu também de inspiração para fazer a minha limpa de fim de ano: roupas, coisas, papéis. Estas tranqueiras que ficam paradas nesta curva de rio com pouco propósito que a vida da gente pode se tornar. Abri espaços, livrei-me de algumas coisas velhas para que coisas novas cheguem e tragam um ar renovado.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ode às maçãs argentinas (ao inverso)

Desconfio que os argentinos exportam as suas maçãs podres para o Brasil. São usualmente aquelas maçãs que estão nos balcões dos supermercados, vistosas, grandes, brilhantes. Mas que não resistem à primeira mordida. Uma consistência de isopor, gosto idem. Sorte a nossa se ainda mantém internamente a cor branca - na verdade, é um índice de sorte, dizendo corra para um bingo para ganhar um milhão (deveria dar direito a mais uma maçã - que invariavelmente vai estar podre - como ganhar numa raspadinha, pegar mais uma e darcomosburrosn'água). Se um dia dependermos exclusivamente delas, as futuras gerações esquecerão que maçãs deveriam ser suculentas e rejeitarão todas aquelas que gotejarem um suco, melarem a mão, ou pingarem na camisa. Encontrarão apenas relatos, assim como neste post, que, um dia, maçãs eram frutas gostosas. E, para terminar, acho que eles prestaram consultoria para a Disney para desenhar a maçã dada pela bruxa à Branca de Neve.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Não basta

"Não basta vencer. O negócio é humilhar o adversário."

Meu estômago revira quando reconhece este comportamento.
É vicioso, canceroso, asqueroso.
Niilista, um precisa destruir o outro para garantir alguma importância à sua vida.

Quinta sem lei

Já esperando o Natal.



It's Christmas time, there's no need to be afraid. At Christmas time, we let in light and we banish shade. And in our world of plenty we can spread a smile of joy, throw your arms around the world at Christmas time. But say a prayer, pray for the other ones. At Christmas time it's hard, but when you're having fun, there's a world outside your window and it's a world of dread and fear where the only water flowing is the bitter sting of tears. And the Christmas bells that ring there are the clanging chimes of doom. Well tonight thank God it's them instead of you. And there won't be snow in Africa this Christmas time. The greatest gift they'll get this year is life. Where nothing ever grows, no rain nor rivers flow, do they know it's Christmas time at all? (Here's to you) raise a glass for everyone. (Here's to them) underneath that burning sun. Do they know it's Christmastime at all? Feed the world, let them know it's Christmas time again.