sábado, 14 de novembro de 2009

Ascensor para o cadafalso


Tomou o elevador. Conforme passava pelos andares e via os números no display aumentando, pensava que a sua vida poderia ter parado entre um daqueles andares. Por medo de não se sentir importante, fez de tudo um pouco para ser incluso. Falou demais. Riu demais. Associou-se a quem não devia. Fez poucas restrições e muitas concessões. Isto o fez pensar. Quando se encaixou, já havia mapeado e mensurado o terreno. Passou por outro andar, então, passou a competir para assumir a sua competência e o seu controle. Pouco deixou de fazer para não se sentir humilhado enquanto sentia a gravidade nos ombros. Sentiu o jogo desgastante. Prestes a dizer eu não quero brincar mais, desço no próximo andar respirou fundo e continuou. Isto o fez pensar. O elevador parou - não sabia se havia chegado ao destino, não sabia se havia travado entre os andares. Se somente tivesse continuado poderia abrir as portas para gostar do que viria e vissem algo do que gostassem. A porta não estaria nunca fechada. Isto o fez pensar.

Tomaria aquele elevador todos os dias.

Créditos: A fotografia é de Daniel Jacques. O post nada tem a ver com o filme de Louis Malle, ao qual nunca assisti.

2 comentários:

Deka disse...

Muito bom o texto.
Me parece que tem pensado sobre o rumo e o sentido das coisas em sua vida não é?
Grande abraço e ótimo fim de semana.

Caco disse...

Venho pensando há tempos.
Mas só agora tenho expurgado coisas da minha mente insana.
Beijodaí.