segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Esperando o annus mirabilis

Este ano foi surpreendentemente ruim. Ele começou torto, deu uma capengada e, quando achava que ele ia dar uma arribada, só piorou. Um dos fatores contributivos foram as expectativas que eu criei. Acho que foi um pouco demais, daí não segurei a onda quando não aconteceu como eu esperava. Poderia ter comemorado as conquistas um pouco mais, ter feito com que as alegrias fossem mais inesquecíveis. Mas este ano foi como atravessar uma piscina nadando crawl. Inspiração rápida, lateral, quase num espasmo. Expiração embaixo d'água para continuarmos a viver. E, simultaneamente, muito esforço de todo o corpo. Bom, Deus não lançou nenhuma ira divina sobre mim neste ano, o que já é de grande ajuda valeu, Papaidocéu. Mas este ano, como já disse Elizabeth no passado, foi um annus horribilis.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Quinta sem lei

Aumentem o volume.

Stop making the eyes at me, I'll stop making the eyes at you. And what it is that surprises me is that I don't really want you to. And your shoulders are frozen (cold as the night). Oh, but you're an explosion (you're dynamite). Your name isn't Rio, but I don't care for sand. And lighting the fuse might result in a bang, b-b-bang, go! I bet that you look good on the dancefloor. I don't know if you're looking for romance or I don't know what you're looking for. I said, I bet that you look good on the dancefloor dancing to electro-pop like a robot from 1984. From 1984! I wish you'd stop ignoring me, because it's sending me to despair. Without a sound, yeah, you're calling me, and I don't think it's very fair that your shoulders are frozen (cold as the night). Oh, but you're an explosion (you're dynamite). Your name isn't Rio, but I don't care for sand. Lighting the fuse might result in a bang, b-b-bang, go! I bet that you look good on the dancefloor. I don't know if you're looking for romance or I don't know what you're looking for. I said, I bet that you look good on the dancefloor dancing to electro-pop like a robot from 1984. From 1984! Oh, there ain't no love, no Montagues or Capulets, are just banging tunes and DJ sets and... dirty dancefloors, and dreams of naughtiness! Well, I bet that you look good on the dancefloor. I don't know if you're looking for romance or I don't know what you're looking for. I said, I bet that you look good on the dancefloor dancing to electro-pop like a robot from 1984. From 1984!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Coincidência e o Teorema de Bernoulli

Todo mundo tem sua trilha sonora para os momentos especiais. Mas eu tenho também as músicas dos momentos caóticos, de tristeza profunda, de fossa tipo meumundocaiu. Em particular tenho um CD do Manolo García, formidável por sinal, que me rodou tanto no meu CD player em momentos desagradáveis que eu tenho muito medo de tocá-lo de novo. Como diz o Sheldon, oh well this would be one of those circumstances that people unfamiliar with the law of large numbers would call a coincidence. Mas esta lei me é absolutamente familiar e a coincidência é maior ainda. Agora, num dos momentos não mais brilhantes do ano, estou com muita vontade de ouvi-lo novamente. Acho que só eu tenho música para os momentos especiais ao inverso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Meia linha

Disse-me, não gosto de poesia. Preferia contos, parágrafos, narrativas, pontuações e suas pausas dramáticas. Poesia se limitava a meias linhas e esperava provocar sorrisos com rimas amor dor. Enquanto concordava me perguntava será que também me negarei a enxergar a poesia das pequenas coisas? Olhava a estrada pela janela do carro e procurava contos nas árvores, no vento e no sol.

sábado, 21 de novembro de 2009

Azul KLM

A primeira vez em que viajei de KLM marcou minha memória. A cinzenta Guarulhos tinha ficado para trás e eu fui mimado no top deck de um 747. Escolhi uma miniatura de uma daquelas casinhas típicas holandesas com cerâmica de Delft. A manhã de Schipol estava cheia de holandesas ruivas bronzeadas sorridentes na primavera européia indo para algum destino caribenho. Eu, eu ainda me dirigia a uma fria Hamburgo. O vôo curto até Fuhlsbüttel foi num avião estreitinho. O comissário dava as instruções em holandês e num inglês tão ininteligível quanto. No seu típico uniforme azul do céu, a cada vez que a comissária gesticulava indicando as saídas de emergência ou fechando a fivela do cinto de segurança ou indicando como usar a máscara, o comissárionarrador fingia ter sido atingido por ela. Os dois riam, cúmplices, divertindo os poucos passageiros interessados. Nesta semana, encontrei uma velha amiga vestida de azul KLM dos pés a cabeça. Para alguns, bizarro. Para mim, boas memórias.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Hombre al borde de un ataque de nervios

Durante as últimas semanas andei segurando as pontas. Andei carregando a minha mochila com pequenas inúteis coisas. Andei escutando muita merda. Muita, que nem precisava escutar. Mas fui aceitando os convites e ouvi. Em retrospectiva, falei involuntariamente para mim mesmo várias vezes estou escutando o que eu não precisava escutar.

No domingo passado foram estourando dolorosas bolhinhas em torno da minha orelha direita. Num primeiro momento achei que era resultado da minha fácil reação a picada de insetos, ou dermatites ou micose tipocoisadepobre. Nem bem desconfiava que era meu corpo dizendo basta, não aceito mais ouvir isto. Não se torne um hombre al borde de un ataque de nervios. Reação silenciosamente eloquente para a qual dei a devida atenção.

Nesta semana, quando começam a me dizer o que não preciso ouvir, tomo uma de duas atitudes: interrompo o discurso inútil ou escuto-o, rebobino-o e o apago da memória. Como num julgamento, meu protesto é deferido e as palavras são removidas dos meus autos mentais.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O medo

A Tati me fez um comentário há algum dias atrás sobre medo. Ela leu medo nas minhas palavras sem que eu tivesse usado esta palavra em nenhum ponto. Interessante a reação à camuflagem aparentemente insuficiente. Levei um susto senti-me traído fiquei constrangido humilhado. E novamente ainda com medo. As mesmas palavras provocaram reações diferentes. Afeto e compaixão, na maioria das vezes. Foi só quando deparei-me com uma reação de raiva e mais medo que fiquei perplexo constrangido. Agradecido. Um nó na cabeça que confirmou que ninguém ou nada é unânime.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Entender a Matrix #2

Nada é mesmo muito assim, assim. Tudo é relativo. Sempre nem sempre existe. Nunca pode durar muito pouco. Sim pode ter um pouco de não e ambos poderiam ser substituídos por talvez. O que eu penso foi construído sob minha perspectiva, ora real ora distorcida pela minha miopia acumulada. Simplifico aos poucos meus pontosdevista. Jogo fora vícios ilegais de comportamento. Só para ver se tiro da minha mochila peregrina coisas de que não preciso no meu caminho.

sábado, 14 de novembro de 2009

Ascensor para o cadafalso


Tomou o elevador. Conforme passava pelos andares e via os números no display aumentando, pensava que a sua vida poderia ter parado entre um daqueles andares. Por medo de não se sentir importante, fez de tudo um pouco para ser incluso. Falou demais. Riu demais. Associou-se a quem não devia. Fez poucas restrições e muitas concessões. Isto o fez pensar. Quando se encaixou, já havia mapeado e mensurado o terreno. Passou por outro andar, então, passou a competir para assumir a sua competência e o seu controle. Pouco deixou de fazer para não se sentir humilhado enquanto sentia a gravidade nos ombros. Sentiu o jogo desgastante. Prestes a dizer eu não quero brincar mais, desço no próximo andar respirou fundo e continuou. Isto o fez pensar. O elevador parou - não sabia se havia chegado ao destino, não sabia se havia travado entre os andares. Se somente tivesse continuado poderia abrir as portas para gostar do que viria e vissem algo do que gostassem. A porta não estaria nunca fechada. Isto o fez pensar.

Tomaria aquele elevador todos os dias.

Créditos: A fotografia é de Daniel Jacques. O post nada tem a ver com o filme de Louis Malle, ao qual nunca assisti.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Como porcelana nas minhas mãos

Esta semana foi triste. Dias seguidos de dias em que cruzei com os sentimentos básicos de tristeza em mim, naqueles ao meu redor, e no resultante de nossas ações. Entenda-se a tristeza como um sentimento essencial que cristaliza inúmeros disfarces. A degradação moral, a ofensa, a injustiça, a manipulação, a humilhação, a falta de ética, a volubilidade inconstância, o comportamento dúbio. Deixei-me vulnerável, com a pele altamente sensível. E como me choquei me indignei senti raiva e me entristeci.

Mas nem tudo foi perdido. Isto tudo me ajudou a ver o que eu, definitivamente, não quero para mim.

Título do post usurpado de Vulnerable - a vulnerabilidade sueca.

Saudades

Saudade dá um resignificado a alguém.

Poeira

Olha só, você é uma rocha. Impassível, sujeita a intempéries seguidas, mantém-se lá. Firme e forte, como se nada te abalasse. Mas há dias, ah, há dias em que o vento mais forte torna-se cortante. E a dor fina e aguda é tolerada até que a chuva engrossa e a temperatura cai e tudo se contrai. A natureza de força irresistível encontra uma barreira até então intransponível. A vontade é que aquela rocha toda se torne poeira. Pulverize-se. Que a poeira seja levada pelo vento para rumos desconhecidos. Que se junte e se torne aos poucos pedrita, cascalho, pedra e rocha por fim um dia. Só que agora, bem agora mesmo, queria virar poeira e sumir.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mais sorrisos, pés mais leves...


Vertigo
Originally uploaded by Cyrille Lefranc (Nano)

... pálpebras semicerradas, olhos que giram, cabeça que pende, palavras engraçadas, com pouco nexo, talvez num tom um pouco mais elevado...

Liquidado


Veuve Clicquot...
Originally uploaded by Alessandro Oliveira

Liquidei o financiamento do meu apê hoje. Não devo nada mais a ninguém. Então façamos um brinde com a viúvinha mais feliz de Reims.
Salut!

Eu disse não, não, não

Entrei em paralisia. Engessei-me mentalmente e deixei de produzir posts. Justificava-me com a periódica aridez de pensamentos. Na verdade, se era aridez, sem lutar fui dragado para dentro de uma área de areia movediça. Deixei-me levar, ou como se diz, me joguei. Por hora estava cansado de lutar contra a correnteza. Tomei esta injeção de morfina, me viciei, e só queria dormir deste blog. Foi a sensação repentina de comer muito doce, beber muito, ler muito, dormir muito, pensar muito. Voltei agora por acomodação ao inverso - desconforto, insatisfação, tristeza, raiva. E ah eu sou loucomanso, daqueles que vai do dia de sol às chuvas e trovoadas só com uma brisa de fim de tarde. Uma rehab, enfim.