quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cicatriz

Sofri um acidente de carro em 2001. Um corte como uma fenda foi aberto na minha cabeça que sangrou durante maisoumenos uma hora. Para levar os pontos, parte do cabelo foi removido e a cabeça, enfaixada. A recuperação demorou alguns meses. O cabelo cresceu, nem me lembro mais muito bem do que aconteceu. Só que, de quando em vez, o corte, aquele ponto focal, lateja. Você culpa o mundo e incrimina o destino por quem você é? Seu pai ou sua mãe carregam o pecado do mundo por ter te formado do jeito que é, por certo. Reprovação, falta de aprovação, ausência ou excesso de interferência: tudo é justificativa para almadiçoá-los. Injustiça, penso eu. Convites nos são feitos a todo momento, de todos os lados e por quem menos esperamos. Seus irmãos, tios, avós, primos, amigos e conhecidos, todos eles te incitam, te provocam e também te marcam. Alguns deles foram ignorados e esquecidos. Entretanto algumas situações te marcaram profundamente. Um corte profundo, cicatrizado, esquecido, mas que lateja de tempos em tempos.

Um comentário:

Flavia Melissa disse...

... e o que dizer daquelas outras cicatrizes?

... aquelas que não se vê por serem na alma?

... aquelas que depois de abrirmos o corte, jogamos dentro tinta e exibimos orgulhosos por aí?

a vida é um constante latejar.