segunda-feira, 28 de setembro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009

π

A semana que passou foi uma provação. Tive que lidar com gente com estados de ego muito alterados. Eles trouxeram, em alguns momentos, o pior de mim. Em alguns momentos, coloquei para fora e respondi; já em outros engoli a seco. Enquanto me criticaram, eu me rebelei. Quando irracionalmente se rebelaram, eu coloquei a minha fantasia de pai e briguei com a criança. Nada disso é o ideal. Deveria ter tomado um comportamento adulto, objetivo e calmo. Recomendaram-me dizer números para mim mesmo em momentos críticos. A frieza e objetividade do número vão trazer o comportamento adulto de volta. Carteira de identidade. Carteira de Identidade Profissional. CPF. Conta do banco. Pi.

Para poder comprar cuecas novas

Os últimos meses têm sido vividos na base da comédia da vida caseira. Iniciei o processo de compra do meu apartamento em novembro do ano passado. Fechei o negócio em dezembro - foi aquele momento pânico em que pinta a insegurança se eu conseguiria pagar ou não. Por motivos burocráticos, o meu fundo de garantia não poderia ser imediatamente usado. Mesmo assim, o processo no banco foi moroso devido a contratempos diversos. Durante o primeiro semestre, mesmo aparelhando o lugar, não tinha certeza se o banco aprovaria o financiamento. Loucura absoluta. Enquanto isto, peregrinações pelas lojas de decoração, dúvidas entre objetos a serem comprados, compras erradas, trocas, equipamentos defeituosos, mais trocas ainda. Com o início do pagamento do financiamento, e depois que fui comprando todos os trecos da casa, finalmente esgotaram os recursos destinados à decoração. Já estava me preparando para ficar sem poder comprar nem uma cueca nova durante um ano, ou seja, economizando até que o financiamento estivesse acabado quando, num golpe de sorte, descobri que poderia abater o bendito fundo de garantia imediatamente. E agora espero só o fim da greve dos bancários para ir lá e pagar o resto faltante. E poder comprar cuecas de novo. Desejem-me sorte.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vai uma taça ou uma xícara?

Abençoado seja aquele que descobriu os benefícios de se consumir vinho na base diária. Abro minha garrafa, tomo meu copo, tasco-lhe a rolha e amanhã a gente se vê. Numa semana vem um chileno, na outra um espanhol, na outra um italiano, sem esquecer os franceses e os portugueses. Não esqueçam também dos benefícios do café: também têm antioxidantes polifenólicos e fazem um bem horrível para o bom humor. Continuem consumindo bastante café para ajudar o Caquinho aqui a continuar consumindo seus vinhozinhos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Os Piquets

A cada vez que leio sobre o escândalo na Formula 1, penso no Nelson Piquet, pai. Campeão mundial, mas pai do cara que jogou o profissionalismo e ética na sarjeta. Ele deve ter carregado este peso na consciência até o momento em que pode efetivamente fazer algo a respeito. Não creio que tenha sido uma revanche pelo filho ter saído da equipe, mas mais uma forma de poder voltar a respirar. Lamento por ele. O filho, por mais injustiçado, por mais forçado que tenha sido, participou da trama e deverá ser punido. Talvez a maior punição seja ser banido do esporte, preço suficientemente alto para manter a tentação da desonestidade fora do radar. Quanto ao Briatore, sem comentários.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Separadas na maternidade

Andréa Beltrão, Marilda, A Grande Família

Mercedes Ruehl, Connie, De Caso com a Máfia

Killer blow

Olha só, não ignoro mais o que sinto. E o que senti hoje foi um soco bem na boca do estômago. Daqueles em que o abdômen é contraído e o corpo enverga pelo meio e os olhos reviram enquanto as pálpebras se fecham. A recuperação foi a base de uma longa inspiração que levou meu peito ao alto. Engoli a saliva. Em vez de virar os olhos para o outro lado e tentar esquecer imediatamente, encarei o objeto de incômodo. Não sei se isto é tecnicamente certo ou errado (psicólogos de plantão, por favor comentem), mas de repente senti um vazio, um esgotamento. Expirei. Encontrei o primeiro desavisado ao meu lado e disparei, você sente um soco na boca do estômago de vez em quando também? E a reposta foi, sim.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cicatriz

Sofri um acidente de carro em 2001. Um corte como uma fenda foi aberto na minha cabeça que sangrou durante maisoumenos uma hora. Para levar os pontos, parte do cabelo foi removido e a cabeça, enfaixada. A recuperação demorou alguns meses. O cabelo cresceu, nem me lembro mais muito bem do que aconteceu. Só que, de quando em vez, o corte, aquele ponto focal, lateja. Você culpa o mundo e incrimina o destino por quem você é? Seu pai ou sua mãe carregam o pecado do mundo por ter te formado do jeito que é, por certo. Reprovação, falta de aprovação, ausência ou excesso de interferência: tudo é justificativa para almadiçoá-los. Injustiça, penso eu. Convites nos são feitos a todo momento, de todos os lados e por quem menos esperamos. Seus irmãos, tios, avós, primos, amigos e conhecidos, todos eles te incitam, te provocam e também te marcam. Alguns deles foram ignorados e esquecidos. Entretanto algumas situações te marcaram profundamente. Um corte profundo, cicatrizado, esquecido, mas que lateja de tempos em tempos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Entre, por trás, por cima

O poder te atrai. Fazer e desfazer o contrafeito sem dar satisfações a ninguém, exercendo o mistério da influência sutil e permanente. Idolatria, respeito e temor - estes são termos que te inspiram. Pensa que seu magnetismo é forte, na verdade, é isto que te faz hipnotizante. Você nunca passa incólume nem quando voa abaixo do radar. Para você, sexo é vigoroso, extenuante e quase ameaçador. Você está entre os ricos e poderosos, por trás dos ricos e poderosos, por cima dos ricos e poderosos (expressão derivada de Mlle P). Dominância exercida e submissão permitida. Poderia ser eu. Poderia ser você. Te questionei o que você poderia fazer de positivo com todo este poder. Fiquei sem resposta a não ser um olhar desafiador e um meio sorriso nos lábios.

sábado, 12 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O nunca transmitido final da novela

You deserve to be kept in the dark

... enquanto você, você alimentou este meu comportamento. Não. Nunca quis ser exatamente assim. Não. Não sou assim. Não. Não me comporto usualmente assim. Você conseguiu tirar o pior de mim, o meu pior discurso, as minhas piores ações. Sei que sou cúmplice por permitir este estado de coisas e isto é o que mata. Agora você vai embora. Agora você me deixa aqui, sem chances de retomar o fio da meada e consertar o que ficou para trás. Resta-me olhar este arremedo de relação e tentar esquecê-lo. Ainda bem que não sou nem budista nem espírita porque com certeza seria o karma mais mal resolvido da minha vida. Nem pensar ficar reencarnando e passando por tudo de novo até resolver tudo. Se você já merecia, pois bem, você acabou me deixando no escuro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Quinta sem lei

Beirut tem sonoridade de banda de coreto de praça. Pode falar que é folk, que é moderninha, que é retroavantgarde. Para mim, é de coreto de praça de subúrbio do Rio de Janeiro. Talvez seja por isso que achei que Elephant Gun ficou excelente como trilha de abertura de Capitu, do Machado de Assis. Machado é suburbano, é século XIX mas não é rococó, é moderníssimo.

Trago uma versão de Florence & The Machine para Postcards from Italy.



The times we had, oh, when the wind would blow with rain and snow were not all bad. We put our feet just where they had, had to go, never to go. The shattered soul following close but nearly twice as slow. In my good times there were always golden rocks to throw at those who admit defeat too late. Those were our times, those were our times. And I will love to see that day. That day is mine when she will marry me outside by the willow trees. And play the songs we made, they made me so. And I would love to see that day. Her day was mine.

Trago o original do Beirut para comparar e contrastar:



Um certo post secret

Quando eu te perguntei se estava tudo bem, ouvi um ahn han. Procurei seus olhos mas não encontrei. Isolei-me momentaneamente.







Depois de um razoável período de tempo, voltei a carga. Faleifaleifaleifaleimeioquesemparar. Inseri perguntas no meu discurso e ouvi como respostas só o seu ahn han. Se somente você soubesse que eu não entendo o que isto significa: ahn han. Sim, não, concordo, ..., cale-se, que saco, tá bom, é mesmo, que excelente? Ahn han. Se tentas me irritar não consegue, causa-me apenas dó de você por não saber se exprimir. E também dó de mim por estar desperdiçando meu tempo com você.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ler este blog não é de todo inútil

Eu faço um esforço para deixar este blog bem escrito - tanto em forma como em conteúdo. Português bem escrito, ideias bem concatenadas, uma certa lógica, assuntos interessantes ou que a mim ao menos interessa, sem vícios de linguagens, incorporação de língua estrangeira sem preconceitos no contexto correto e até algumas invencionices. A Nath me avisou que perceberam. Como assim? Um post meu tornou-se parte integrante da prova de língua portuguesa de um concurso público. Achei isto bacaníssimo. I'm not completely useless, you see?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cheiro de ralo

Há aproximadamente 2 meses tenho participado de um treinamento de desenvolvimento comportamental. Inicialmente cheguei com uma postura cética, derivando para uma cínica. Mas logo nos dois primeiros encontros, coloquei-me em cheque e comecei a aberta e genuinamente me desconstruir. Confesso um extremo desconforto que coincidiu com o início das férias e que demorou um pouco a ser engolido. O treinamento tem se tornado sessões de terapia grupal. Não sei bem onde vai dar. Mas sei que todas as minhas certezas foram jogadas pelo ralo. Todas. Tenho notado algumas diferenças, pequenas, em mim. Sei que são resultado de esforço pessoal e sei também que existe um longo caminho a ser percorrido.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Quinta sem lei

A coisa mais assustadora que eu ouvi nos últimos tempos: parecia um fantasma tocando ao piano, uma imagem um tanto andrógina e uma voz que me lembrou Alison Moyet. Quem me apresentou foi o lado turvo de Lord Weerth. Então, esta quinta sem lei vem sombria e fantasmagórica mas nada menos que absurdamente bela. Preparem suas almas para Antony & The Johnsons:

Hope there's someone who'll take care of me when I die, will I go? Hope there's someone who'll set my heart free, nice to hold when I'm tired. There's a ghost on the horizon when I go to bed. How can I fall asleep at night? How will I rest my head? Oh I'm scared of the middle place between light and nowhere. I don't want to be the one left in there, left in there. There's a man on the horizon. Wish that I'd go to bed. If I fall to his feet tonight, will allow rest my head? So here's hoping I will not drown or paralyze in light and godsend I don't want to go to the seal's watershed. Hope there's someone who'll take care of me. When I die, will I go? Hope there's someone who'll set my heart free, nice to hold when I'm tired.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ortorexia

Aparentemente não é grande novidade. Mas hoje me deparei com esta tendência que me assustou. Os ortoréxicos têm este distúrbio alimentar que os torna obcecados pela alimentação correta. A ortorexia usualmente atinge as sociedades ocidentais, pessoas de ambos os sexos particularmente acima dos 30 anos, de classe média e com alto nível de educação formal. Recusam-se a tocar alimentos com açúcar, sal, gordura trans, cafeína, álcool, trigo, glúten, soja, milho ou produtos lácteos. Não orgânicos ou com aditivos artificiais também estão fora da dieta. Eu procuro ter uma dieta equilibrada mas isto é demais. Sem contar que eu preciso do meu junk food day semanal. Eu conheço alguns ortoréxicos. Além de estarem sujeitos a problemas nutricionais pela obsessão (mais do que pelas restrições), são uns chatos.

Filhos do vírus

Eu havia enxergado o caráter maltusiano da gripe suína. A praga se espalharia por todo o mundo. Parte da população mundial contrairia a doença, sendo que uma fração da mesma sucumbiria. A pandemia encaminhava-se à confirmação desta tese. Maltus já dizia que não havia nada melhor do que guerras e pragas cíclicas para equilibrar a oferta e demanda de alimentos no mundo. Mas vem chegando o verão e a gripe vai se tornando menos frequente mas não menos importante. A grande devastação populacional nunca aconteceu. Se a redução não acontece pela morte, parece-me que há uma redução da vida. Tenho ouvido relatos de mulheres evitando engravidar por conta dos riscos da gripe. Surreal, mas verdadeiro.