sábado, 4 de julho de 2009

Praia e supermercado

Praia é dito como um dos espaços mais democráticos do mundo. É onde se vai para curtir, arrancar a roupa, ficar em trajes sumários, expor seu corpo sejalácomofor. Embora a gente se olhe no espelho todo dia e diga que a barriga poderia ser menor, os músculos mais tonificados, as gorduras menos evidentes, receosos num primeiro momento, enfrentamos a praia. E aí descobrimos que ninguém está dando a menor atenção a você. Aqueles que o estão, positivamente, estão interessados. Aqueles que não estão, usualmente não ultrapassarão a linha do apenasolhar, assim como estão olhando as ondas, a areia, procurando o vendedor de empadas, cuidando dos filhos, do parceiro, onde deixaram o protetor. Tenho um sentimento semelhante quando vou ao supermercado. É um espaço onde há gente de todos os naipes. Todos gostariam de ser ou estar melhor, talvez como aquele com quem cruzou no corredor dos enlatados. Este, por sua vez, está pensando como é a vida daquele que está escolhendo batatas. Não feliz com as batatas, este ficaria mais feliz se fosse como aquele com quem encontrou antes de pegar o carrinho. E, pobres de todos eles que pensam ser infelizes porque acham que os outros são mais felizes. Sim, porque todos, sem exceção, são felizes.

Nenhum comentário: