segunda-feira, 29 de junho de 2009

Curb your enthusiasm

Manere no entusiasmo, foi o que eu disse. Havia oferecido a oportunidade de agir de uma maneira foradospadrõesusuais durante um certo tempo. Uma loucura, haviam pensando, vamos aproveitar a onda! Mas eu, logo eu, desconfio daqueles que sorriem demais, que mostram a boca cheia de dentes por muito tempo. Daí soltei a frase chupinhada da série americana: curb your enthusiasm. Senti-me culpado, embora por pouco tempo confesso eu, por haver jogado o balde de água fria na incauta pessoa. Mas meu objetivo era genuíno: nada de criar expectativas grandiosas, nada de ser o que não se é, nada de vender o que não se pode entregar. Acho que fiz bem. Se não fiz, azar.

domingo, 28 de junho de 2009

Voando

Para quem assistiu Asas da Liberdade de Alan Parker (ou não), hoje é domingo para voar por aí. Sobrevoar a vizinhança, alta velocidade, rasantes pelas ruas, sobre casas e carros. Das melhores sequencias do filme, sem contar o fim dedarnónagarganta. Matthew Modine então tinha um futuro que nunca exisitiu e Nicolas Cage já era um promissor canastrão.


Olhando pela janela do escritório à noite

Troco qualquer balada por acordar cedo num belo dia de sol para uma caminhada. Colocar os tênis, alongar e partir. Olhar aquela avenida longa sem fim, que depois vira uma rua, ruela e, finalmente, estrada de terra. Daqui da minha janela, encaro o horizonte. À noite, ficam os pontinhos de luz de estradas rurais. Que ainda vou explorar. Férias, férias. Por que não chegam logo?

sábado, 27 de junho de 2009

Um ou em um (num)

Sofro de profundo descrédito temporário nas pessoas e, por conseguinte, na humanidade. Decepciono-me por atos despropositados, gerados por uma falta de lógica infantil, permeado por um diálogo escrito por um roteirista de terceira categoria. Tal decepção é fruto de uma completa falta de compreensão da realidade. Sim, porque nem todos são loucos de pedra que falam impropérios por vontade própria. Vivem numa realidade tão particular que parece absurda aos demais mas absolutamente direita para si. Dos outros, por certo, e talvez minha também - ah esta minha autocrítica. Por conta disto, faço aleatoriamente um reality check com os pares à minha volta: será que estou vivendo um absurdo ou num absurdo? Ou o absurdo reside só na minha mente distorcida? Desconfio de você. Desconfio de mim.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fotossíntese

Aviso aos navegantes: definitivamente me mudei. E é o melhor caos que eu poderia estar vivendo na minha vida. É o colapso da rotina cristalizado em jantar em casa, em cozinhar com os temperos, arrumar a cama, usar a máquina de lavar para lavar a trouxa de roupas sujas e pendurar tudo no varalzinho da área de serviço, colocar livros na estante, é sentar no final de tarde na varanda e fazer a fotossíntese ao sol. Ah porque depois do temporal, vem o dia de sol.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Tchau, Top of the Pop

O cara era foda.
Billie Jean was not his lover. She's just a girl who claims he is the one.
He was Nr. One.
Rest in peace, Michael Jackson (1958-2009)
Foto: autor desconhecido capturou MJ na fase pós Ben pré Diana Ross.

Tchau, Pantera

Muito antes de Drew Barrymore, era ela quem dava as cartas.
Rest in peace, Farrah Fawcett (1947-2009)
Foto: autor desconhecido, lá nos anos 70

Quinta sem lei

Deborah Harry. Precisa dizer mais? Um furacão nos anos 70, uma louraça inteligente o suficiente para, junto com o seu Blondie, mudar o punk e ser a pioneira da nova ordem, da nova onda, da new wave. Se eu fosse grandinho o suficiente naqueles loucos anos, eu diria Vai, lourinha, me liga.


Colour me your colour, baby, colour me your car. Colour me your colour, darling, I know who you are. Come up off your colour chart, I know where you're coming from. Call me on the line, call me call me any anytime. Call me my love you can call me any day or night. Call me. Cover me with kisses, baby, cover me with love. Roll me in designer sheets, I'll never get enough. Emotions come I don't know why, cover up love's alibi. Call me on the line, Call me call me any anytime. Call me oh my love, when you're ready we can share the wine. Call me. Ooh, he speaks the languages of love. Ooh, amore, chiamami chiamami. Ooh, appelle-moi mon cherie, appelle-moi anytime anyplace anywhere anyway. Anytime anyplace anywhere any day, anyway. Call me my life, call me call me any anytime. Call me call me in a sweet design. Call me call me for your lover's lover's alibi. Call me on the line. Call me call me any anytime. Call me. Oh, call me, ooh ooh ah. Call me my love. Call me, call me any anytime.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sobre o que todos estão falando


Tim Burton. Alice no País das Maravilhas. Foto, Helena Bonham Carter como a Rainha de Copas. Eu confesso que achei o livro chatíssimo, até na releitura. Mas Burton é Burton. E Bonham é Carter. Créditos da foto: Disney.

domingo, 21 de junho de 2009

"Sleep in peace when the day is done...

...that's what I mean."

Mouses e celulares no Irã

Lendo o blog do Raul Justes, confirma-se: o Ahmadinejad tem medo do Mouse Mau. O caso se repete no Irã como já aconteceu em vários cantões deste mundo. Encerra-se mais um ciclo na história daquele país para iniciar um outro, certamente numa evolução - sim, porque todos nós vamos para frente. Enquanto isto, somos espectadores de massacres, protestos, e um presidente que insiste em ser a vanguarda do atraso. A grande diferença agora é que podemos dar graças aos mouses maus que, acompanhados dos celulares maus, podem derrubar uma farsa.

Separados na maternidade

Rubens Barrichello

Dominique Pinon

Hoje vi o Rubinho no pódio de Silverstone - ele está se transformando no Pinon aos poucos. É uma mutação lenta mas inevitável, evidenciando a dolorosa separação na maldita maternidade.

sábado, 20 de junho de 2009

Dois pólos

Estava a desembrulhar objetos pessoais depois de guardados durante dois anos. Primeiro, uma onda de alegria quase infantil, daquelas crianças que vai desembrulhando vorazmente nãosabeoquê para abrir um sorriso no final. Depois, a lembrança de onde veio cada uma daquelas coisas. Uma viagem frustrada, uma folga do trabalho, um dia de sol, velhos amigos, meu irmão, um dia de praia, presente de um casal de amigos. E este último foi o pior porque lembrou-me que estes amigos tornaram-se desconhecidos, alguém de quem já me esqueci e só restou um vazio forçado e amargo. Será que estou me tornando bipolar?

Banzo

Despedi-me de muitas pessoas nesta semana. Oficialmente saí da casa que me dava um teto, da generosa companhia dos meus anfitriões. Saí da cidade em que eu estava há um ano (mais uma vez; desde 2005 foram 6 mudanças, acabo de contabilizar), de uma companhia rotineira de muitas pessoas, gente que me deu força nos conturbados últimos meses. Revi alguns amigos de Londres também esta semana muito rapidamente. E me bateu uma saudade. Saudade de bons momentos que não voltarão mais, sei, mas que guardo com carinho, gratidão, felicidade e um monte de outros bons sentimentos. E foi este turbilhão de sentimentos que me deixou num banzo, em olhos facilmente marejáveis, em palavras engasgadas e gaguejadas. E resultou nest post, meio feliz por todos estes momentos, meio simplesmente triste (sem maiores variações descritivas de sentimentos).

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Com uma exceção

Todas as vezes em que me perguntavam se eu tinha feito uma boa viagem, eu respondia: ah, foi boa, só tive um pouco de turbulência quando ia chegando na costa brasileira, sobre o litoral, talvez sobre o Ceará. Sempre achava uma bela coincidência. Eu, logo eu, sou muito desencanado com vôos, já estou cochilando na poltrona enquanto o avião está taxiando; um aviso para apertar cintos por causa de turbulência é só uma oportunidade para me ajeitar na poltrona e mergulhar num sono mais profundo ainda. Acompanhando todas as notícias sobre a recente tragédia, descobri a verdade. Aquela região é coalhada de turbulência, todo mundo sabe: pilotos, autoridades, companhias aéreas. Menos nós, passageiros, fomos explicitamente avisados a respeito - obviamente para não espalhar o pânico. Por sorte, temos passado pela turbulência, muitas vezes incólumes. Menos o AF447.