domingo, 26 de abril de 2009

Uma questão de Relatividade

Absorta nos seus problemas, continuava a caminhar pela calçada. Via apenas aquelas pedras portuguesas brancas e pretas no chão. Muita gente na rua? Teria sido incapaz de dizer. Parecia que haviam jogado um catalisador na sua vida que acelerou a velocidade com que os rolos estavam a acontecer. Viu-se sem fôlego. Parou no cruzamento, o sinal estava aberto, atravessar a rua teria sido suicídio e ela não queria causar mais um problema para si mesma. Quando olhou em volta, reparou no mendigo, na ambulância saindo do hospital da esquina, na adolescente semgraça de cabelo encaracolado cheia de espinhas no rosto, no taxista de rosto contraído no seu carro batido, no casal de idosos que se arrastava ao sair da farmácia, no boyzinho arrastando a boca da calça jeans pelo chão e camiseta suja do uniforme da escola. Tentou compreender o problema que cada uma destas criaturas potencialmente tinham. E viu que tinha uma vida muito boa, adicionando um graçasàDeus.

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