quarta-feira, 29 de abril de 2009

O verbo se fez carne



Ontem li o artigo da National Geographic sobre a retomada da religião na Rússia. "Obediência e ritual governaram governaram a Igreja Ortodoxa Russa desde o decisivo dia de 988 em que o príncipe Vladimir, soberano da Rus de Kiev, ordenou que seu povo fosse batizado no Rio Dnieper. Segundo a lenda que todo russo conhece, Vladimir mandara emissários mundo afora em busca de uma fé para sua nação pagã. Os emissários que foram a Constantinopla retornaram extasiados com o ritual grego ortodoxo que haviam presenciado na Hagia Sofia, então a maior catedral do mundo. 'Não sabíamos se estávamos no céu ou na terra', relataram." O texto foi escrito por Serge Schmemann e as fotos são do meu futuro coleguinha Gerd Ludwig. Não sendo russo, não conhecia tal lenda, mas tudo isto me remeteu a um livro que li há muito tempo chamado O Dicionário Kazar, de Milorad Pavitch. Nele, um rei convida representantes das principais religiões (leia-se cristianismo, judaísmo, islamismo) para convencê-lo a adotá-la para seu povo. É um livro-desafio, um grande quebra-cabeças, escrito como uma enciclopédia, à venda numa versão feminina e uma masculina. Foi criada uma aura em torno dele: teria sido compilado em 3 línguas, daí as entradas não seguirem ordem alfabética, por um povo que não mais existe. Um dos primeiros exemplares teria sido impresso originalmente com tinta venenosa e sobreviveu à Inquisição. Aqueles que ousavam lê-lo, eram silenciosamente envenenados ao toque e morriam inevitavelmente ao chegar na página 9 ao ler Verbum caro factum est (O verbo se fez carne). Pensei como os russos fossem kazares, que envenam dissidentes com material radioativo ou com bactérias botulínicas. E constroem igrejas, mantêm rituais em línguas desconhecidas, e pintam ícones formidáveis. Pensei nos ícones e criei um ícone para o FdG.

Nenhum comentário: