sexta-feira, 24 de abril de 2009

Garotos

Saiu correndo da aula mas não falou nada com ninguém. Talvez apenas uns tchaus inevitáveis. Havia marcado de dar aulinha particular de física à sua amiga da sala. Tinha uns 17, mas cara de 15, um bocó adolescente. Foi direto para casa dela depois da aula. Conversando abobrinhas, dando risadas. Caminhando pela rua sob o sol da tarde. Estava com um pouco de fome mas sabia que ia rolar um rango na chegada. Entraram pela porta da cozinha e já viram os pratos sobre a mesa. Ela gritou Mãe! Manhê! Chegamos. O Beto veio comigo. Ouviu uma voz abafada, algo como Já vou. Ele largou a mochila num canto. Sentou-se à mesa. Ela entrou no corredor para ir se trocar. Então aconteceu. Um barulho. Aquele aromadesabonetesaindodebanheiropósbanho: meio Lux, meio refrescante, meio quente, meio úmido. Ele se virou e a viu. Uma mulher que saía do banheiro. De camiseta regata. De bermuda jeans. De cara lavada. De cabelos molhados. Cabelos louros tingidos eram enrolados numa toalha. Aquela. Aquela era. Aquela era Manhê. Quando ela o percebeu parou no corredor. E ele caiu em si Olhei demais, olhei demais. Fechou a boca entreaberta, virou-se num salto e ficou olhando o prato na mesa (como se de castigo). Ela notou toda a seqüência de eventos. Riu para si. Disse um Boa tarde protocolar ainda com ele de costas, emendando com um Meu nome é interrompido pela chegada da filha. Hormônios em ebulição. Não, não esqueceu mais aquele rosto, aqueles cabelos, aquele cheiro.

2 comentários:

Ana Paula disse...

Que sensações boas neste texto...
Gostei muito daqui.
Abraço.

Caco disse...

Oi Ana, obrigado pela visita ao FdG e pelas palavras.
Beijodaí.