sábado, 14 de março de 2009

Fragmentos

Enquanto caminho pela rua vejo a moça de cabelo longo. Passou algum creme e cacheou as madeixas. Olhava para baixo e andava apressada. Sua calça branca justa estava assustadoramente alva. E penso o que estaria passando na sua cabeça. Mais adiante, todas as lojas estavam fechadas e já ninguém mais estava nas calçadas. Reparei que por trás dos letreiros na fachada, iluminados bonitos chamativos ridículos com neon, dava para ver um predinho acanhado mal tratado sujo mal pintado. E pensei naquela ambiguidade. Pisei no acelerador. O vento entrou forte pela janela do carro. Tateei até encontrar o botão do vidro elétrico. A cidade estava vazia, como após um toque de recolher. Janelas entreabertas deixavam sair um brilho supostamente de TVs ligadas, vigiadas por olhos vidrados. E pensei que poderia escrever sobre tudo aquilo. Tinha que encontrar meu moleskine.

2 comentários:

Fernanda S. disse...

Constrastes da vida que nos deparamos a todo instante...

Beijos, querido!

Caco disse...

Vida louca vida vida breve...