sexta-feira, 27 de março de 2009

Desafio

Sobre este desafio Activia, eu fico me perguntando como se prova que o produto não funcionou.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Um post auspicioso

Esta profusão recente de referências indianas aqui no FdG foram evidentemente catalisadas pelo fenômeno dasoito. Mas, o que me interessa mesmo é a estranheza dos sons e vozes indianas. Uma polifonia tão distante daquilo que conhece-se como o bom som, off Rolling Stone, off Capital Radio. Lata Mangeshka estava na trilha sonora de Eternal Sunshine of The Spotless Mind com Wada Na Tod. Há quantos anos mesmo Kate era Clementine? Um tempo depois faixas do Kronos Quartet com Asha Bhosle cruzaram minha trilha. E fiquei num misto de estupefato e maravilhado. Acho que foi em 2006, Dum Maro Dum chocava meus caronas enquanto dirigia para o trabalho. E me viciei nesta venerável senhora. Que mané Bahuan que nada. O negócio é Bollywood, coreografia e roteiro risíveis e filme sem beijo. O Darjeeling Limited é chatíssimo, mas o Slumdog Millionaire é bem sacado. Ashes to Asha, já cantava David Bowie.

Lata e Asha, irmãs


segunda-feira, 23 de março de 2009

domingo, 22 de março de 2009

Plena tarde

Pleno domingo de sol. De repente, numa tarde preguiçosa, um menino fica ultra ansioso com o dia seguinte, com o que pode acontecer. Para não entrar em parafuso, ele é levado a um parquinho para brincar, espairecer. Esta imagem de mais de trinta anos atrás veio hoje à minha mente. O seu comportamento naquela tarde era exatamente o mesmo. Uma ânsia, uma ansiedade, a velocidade de pensamento, uma perda de loção, à margem de um perigo aumentado desproporcionalmente sob rídículas lentes de aumento. Um sentimento aflitivo, já diria o Dalai Lama, não obstante absolutamente controlável. Há trinta anos atrás, o menino não tinha noção de nada a não ser daquele sentimento de perigo e medo tipo fight or flight. Descarga de adrenalina. Um maldito sentimento que o formou, sedimentou-se no subconsciente, para sorrateiramente aflorar na primeira oportunidade. Diferença básica: muita água passou em baixo da ponte. E, se não pode controlá-lo, ao menos o reconhece e procura mantê-lo sob perspectiva.

sábado, 14 de março de 2009

Asha Bhosle: Dum Maro Dum

Fragmentos

Enquanto caminho pela rua vejo a moça de cabelo longo. Passou algum creme e cacheou as madeixas. Olhava para baixo e andava apressada. Sua calça branca justa estava assustadoramente alva. E penso o que estaria passando na sua cabeça. Mais adiante, todas as lojas estavam fechadas e já ninguém mais estava nas calçadas. Reparei que por trás dos letreiros na fachada, iluminados bonitos chamativos ridículos com neon, dava para ver um predinho acanhado mal tratado sujo mal pintado. E pensei naquela ambiguidade. Pisei no acelerador. O vento entrou forte pela janela do carro. Tateei até encontrar o botão do vidro elétrico. A cidade estava vazia, como após um toque de recolher. Janelas entreabertas deixavam sair um brilho supostamente de TVs ligadas, vigiadas por olhos vidrados. E pensei que poderia escrever sobre tudo aquilo. Tinha que encontrar meu moleskine.

terça-feira, 10 de março de 2009

Lady Murphy

Por motivos de força maior, muito maior mesmo, agora anuncio oficialmente que não farei mais o Mestrado. A empresa não flexibilizou o horário para eu estar presente na Universidade. Mantenho-me assim na Era das Trevas do Conhecimento. Quando me graduei, eu era verde. Queria trabalhar, colocar capacete, ir para a fábrica, e nada de voltar aos bancos escolares. Desaponta-me agora não poder voltar quando me sinto maduro para tal. Mas, enfim, dou de ombros, paciência. Cada coisa a seu tempo. Não foi dessa vez que eu entrei para a vida acadêmica. Porque a experiênça eu já me tenho-me, só me falta o diproma. Título descaradamente copiado do blog da Louise.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Vento fresco num dia de calor senegalês

Privilegio a justiça. O tratamento correto entre as partes envolvidas. Substituí o Ordem e Progresso da minha bandeira pela retidão, igualdade e justiça. O caminho mais curto entre dois pontos é o caminho da retidão. É incompreensível para mim quando o revanchismo provoca ações danosas. Escutem-me: rancor provoca câncer. Meu peito andava pesado com uma mágoa negra. Sentia uma raiva descomunal que me faria mal, me deixaria doente. E logo. Mas antes disso, me aconteceu algo desagradável. Notei que a mágoa que eu sofria era muito menor do que a mágoa que havia ao meu redor. Entendi que uma mágoa é partilhada numa esfera muito maior. Nunca é só sua. Pois bem, esta mágoa ao meu redor tranformou-se numa onda revanchista que me atingiu. Fui engolido. E a fúria só tornou-se maior dentro de mim. Num crescente descontrolado até que Caraca! entendi o sentido de tudo. Salve, salve São Jorge Lucas. Salve, salve São Martinho Scorcese. Todo este tempo estava sendo tentado, tentado, tentado. Estava sendo tentado a partir numa vingança, numa revanche, a acalentar o ódio no peito. Tentação a pular num lodaçal, a adotar a leidaselva, o absolutismo enfurecido. Só que não sei jogar este jogo e capitulei. Adeus todos, acredito na justiça, na correção, apesar de. Venci este karma. E veio uma sensação tão boa. Um vento fresco neste dia de calor senegalês. Achei que meu irmão ficaria orgulhoso de mim. Sabe, este post tinha começado assim... Tem chovido muito por aqui. E quando estia um pouco, as nuvens negras se instalam no horizonte. E ficam por lá, ameaçadoras. Andei pegando muita chuva ultimamente. No início, era aquela torrencial: molhava o corpo suado, lavava a alma e me deixava com esperança do dia de sol. Mas aí a chuva não parou. Ficou caindo fininha. Inclemente. Dia após dia. Tortura chinesa. Minando a minha paciência e a vontade de seguir em frente...Fiquei prestes a desistir de seguir em frente. Até a hora que vi a fresta de sol. E eu lembrei que ele sempre esteve lá. Me esperando...

O mistério

Acho que a Bulgária ainda existe. Não tinha muita certeza depois que os Balcãs foram loteados mas acho que ainda estão juntos. Vagando pelo Blip encontrei Le Mystère de Voix Bulgares. Vozes dissonantes numa língua ininteligível mas bonito de doer. Clique aqui para ouvir a canção de amor das montanhas. Alternativamente, você pode clicar no widget Blip à direita e passear pelas músicas até chegar nela: Bulgarian State Radio & Television Female Vocal Choir – Messetschinko Lio Greïlivko (Love Song from the Mountains).

domingo, 1 de março de 2009

O que significa Jai Ho?

Assisti ao Slumdog Millionaire. Salman Rushdie o detonou, talvez com um pouco de dordecotovelo. Mas eu não estou nem aí. Não conheço a India e tenho um pouco de neura de ir até lá, embora saiba que os nossos caminhos inevitavelmente se cruzarão um dia. Um filme é bom quando te causa algum efeito. Produções de David Lynch, vocês sabem, me causam asco. Um asco genialmente provocado. O Slumdog me fez ter certeza de que a vida vai ter um final feliz, com direito a coreografia de Bollywood (piscadela para quem viu o filme). Mesmo que o caminho seja coalhado de cagadas (outra piscadela). Não sei quanto a vocês, mas a minha vida vai ter um finalfeliz.
Ah vai sim.
Nem que seja à marra.

Feliz Ano Novo

O Carnaval passou. Acabou. Finito. The end. Fin.
OK?

Sabedoria partilhada por Sua Santidade

Oração que serve de grande inspiração para o propósito de Sua Santidade o Dalai Lama de fazer bem aos outros:
Que eu me torne em todos os momentos, agora e sempre,
um protetor para os desprotegidos,
um guia para os que perderam o rumo,
um navio para os que têm oceanos a cruzar,
uma ponte para os que têm rios a atravessar,
um santuário para os que estão em perigo,
uma lâmpada para os que não têm luz,
um refúgio para os que não têm abrigo
e um servidor para todos os necessitados.