quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Princípio da incerteza de Heisenberg

7:30. Passo pela lista de projetos em desenvolvimento. 100. Quase fico sem respiração e olho para a equipe. Desalento. Encosto minha cadeira na do Diretor e ele se lembra de mais alguns que estavam perdidos no tempo ou no espaço. Anoto no meu caderno. Reviso o relatório de viabilidade técnica, perco-me pelos números e peço encarecidamente por tabelas - diretas, retas, concretas. Inevitavelmente ouvindo a ligação do meu vizinho de baia (ou cubicledodilbert), faço a anotação mental de segregar claramente um projeto de lucroimediato e um de longoprazo dentro dos cestos de projetos individuais. Conto isto para o Diretor enquanto postergo o início de um outro que não vai nos levar a lugar algum. 12:00 Almoço rápido, tento comparar os orçamentos para móveis do apartamento mas não consigo. Peço hospedagem temporária para uma amiga. E saio atrasado para a reunião de 2 horas para redefinir o layout da fábrica-piloto - comprar equipamentos, reformar salas, vender equipamentos. E começa a seçãohortifruti: os pepinos e abacaxis. O Marketing aponta prejuízo por um desenvolvimento não executado. O Controle de Qualidade rejeita um lote de produto industrial desenvolvido. Passo a bola do Marketing para o Diretor e vou resolver a questão do CQ. Preparo os gráficos para a reunião mensal da próxima semana. 18:30 e vou caminhar, e ouvir Kate Nash no IPod. Porque preciso me desligar e cuidar só de mim.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Qual é o interesse?

As notícias na imprensa brasileira tem oscilado dois extremos. Ora elas são absolutamente desinteressantes, inúteis e vazias. Ora elas são uma afronta ao leitor quando lida com a violência, a corrupção e com o mundocão. Eu passo mal, sinto asco e quero me alienar. A última alternativa é a melhor e a mais fácil. É só me manter com as notícias leves, como se jornal tivesse apenas o caderno de abobrinhas.

Rol

Biscoitos orelha doce. Fui criado numa casa onde se comia muitos doces. E tudo era muito doce. Lembro-me de have frutas após o almoço. Nos últimos tempos, era sempre doce delieitedebananadegoiabadefigo. Mini-éclairs: chocolate, coco, baunilha, café. Chego hoje ao domingo e me assustei com a quantidade e variedade de doces que consumi nesta semana. Torta de damasco e iogurte. Sempre gostei de comer bem, coisas boas e gostosas. Mariola, mariola, mariola. Mas acho que esta semana foi um despropósito. Sorvete de flocos. Talvez o sentimento de culpa tenha sido precipitado com o encontro fortuito com o meu cardiologista na sexta-feira. Pédemoleque. Suco de morango e framboesa. Mas me pergunto: será que precisava mesmo de tudo aquilo? A gente não consegue viver com muito menos? Doce de figo em calda. Cheesecake de framboesa. Consegue, sim.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Cidadão sustentável

"Queremos deixar para nossos filhos um mundo melhor, onde possam viver suas vidas com saúde e alegria. Mas, para que isso aconteça, precisaremos mudar nosso modo de fazer as coisas. E sabemos o quanto é difícil mudar hábitos. O Cidadão Sustentável veio ajudá-lo a fazer uma importante opção pela vida.Selecionamos algumas ações especialmente para o cidadão comum, já atarefado, mas que quer contribuir para um mundo melhor. São as Ações Sustentáveis. Elas são de fácil execução e não requerem grande investimento financeiro. Podem ser adotadas por qualquer um que tenha vontade de contribuir.Adote uma Ação Sustentável e você estará dando um passo muito importante, estará se tornando um Cidadão Sustentável.Mas uma andorinha não faz verão. Pedimos que você vá um passo além e convide seus amigos para participar deste saudável movimento. Estes amigos também vestirão a camisa do Cidadão Sustentável, escolhendo uma Ação Sustentável e indicando por sua vez mais amigos...Dessa forma o movimento crescerá através de amigos indicando amigos e em pouco tempo atingiremos nosso objetivo:

1 milhão de Cidadãos Sustentáveis!

Ao atingirmos essa desafiadora marca, estaremos reduzindo a emissão de gases que contribuem para o aquecimento global, em 10 milhões de quilos mês. O que é uma imensa contribuição! Com a sua participação, e de seus amigos, conseguiremos! Nesse momento faremos uma grande comemoração e daremos por findo o movimento. Ou seja, o nosso movimento não é eterno. Tem um objetivo muito claro. E quando alcançado se dará por encerrado. Claro que outras iniciativas poderão nascer ... mas isso já é outra história."

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

I'm gonna live the life I sing about in my song

I'm gonna live the life I sing about in my song
I'm gonna stand for right and always shun the wrong
If I'm in the crowd, if I'm alone,
on the streets or in my home:
I'm gonna live the life I sing about in my song.
Everyday, everywhere,
on a busy thoroughfare.
Folks may watch me, some may spot me,
say I'm foolish but I don't care.
I can't sing one thing and then live another,
be saint by day and a devil undercover.
I've got to live the life I sing about in my song.
If at day, if at night,
I must always walk in the light.
Some mistake me, underrate me.
Because I want to do aright.
I can't go to church and shout all day Sunday,
go out and get drunk and raise sand all day Monday.
I've got to live the life, I sing about in my song.

Um monte de gente gravou. Mas o clássico é gospel, quintessência de Mahalia Jackson. Na verdade, é uma celebração de quem você é, do quanto singular você pode ser. É uma lembrança de que temos que ser fiéis a o que acreditamos. Eu canto ou declamo estas palavras. Você pode fazer o mesmo. As exatas mesmas palavras. E elas dirão coisas diferentes. Melodias de vida diferentes. Com Diamanda Galás (nada menos gospel que ela), está tocando incessavelmente no meu Ipod.

Porque I pode.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O evangelho, segundo Caco

O cara também nasceu num dia 25 lá pelos anos 70. Teve uma infância desinteressante, que ninguém se lembra muito bem. E, de qualquer jeito, hoje em dia não há muitos mais para contar muita coisa a respeito. Seus contemporâneos já morreram também ou estão presos ou se perderam talvez por este mundo. Ele conseguiu se manter limpo todo o tempo. As drogas não o tentaram. Mas quase não resistiu a uma vizinha gostosa. Ela fazia ponto na frente da boate, usava vestido curto e uma bolsa de alcinha. Todos comentam o quanto ela chorou quando ele se foi. Ele mexeu com ela. Ele afinal mudou a vida dela. Como tornou-se hábito nesta geração, até os 30 viveu com os pais. Trabalhou junto com o pai feito um condenado um burrodecarga um louco um camelonodeserto um turco um operário um cavalo um escravo um cão. Aí ele descobriu que não era filho dele. Não aguentou a barra. E pirou. Passou a escutar muito o Raulzito e aquela loucura o arrebatou. Virou profeta, ora Profeta Gentileza ora Beato Salu. Era de uma generosidade irritante do tipo que nos constrange. Ele tinha tudo para viver choramingando pela pobreza pela falta de chuva pelo ônibus cheio pela falta de fé. Mas não, não ele. A trupe que andava com ele também era meio louca: uns o adoravam, outros o seguiam por inércia e um o odiava. Um dia estava subindo o morro e foi pego no meio de um tiroteio. Ia tomar umas biritas convidado pelo por aquele amigo traíra (a mãe dele nunca tinha curtido aquela amizade). Balaperdida. Polícia, bandidagem. O disparo veio nãosesabedeonde e o pegou na cara, no olho esquerdo e se alojou no cérebro. O Delegado lavou as mãos: ele estava no lugar errado e na hora errada. Ficou em coma por três dias antes do último inaudível suspiro. Ele não tinha nem 32 anos quando isto aconteceu. Eu acho que ele era o Messias, ia ter uma vida igual ao do JC. Só que nós o queimamos antes. Cometemos o mesmo erro duas vezes. Quando será que vamos aprender?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Portico Quartet: Cittagazze

E te fiz acreditar em literatura

Limpei a minha prateleira de livros de 2008 e fui analisar o que li. 15 livros. Nada mal. Um clássico de Twain (Tom Sawyer). Três ligados à profissão (90 dias, Blog corporativo, Microbiologia). Quatro livros sobre viagem (Antártica, China, Laowai, Praga). Um de relativa futilidade (How to cheat at cooking). Dois livros que adorei (The book thief, My name is Red). Dois de autoajuda (Peça e será atendido, Uma vida com propósitos). Uma inutilidade total (The interpretation of murder). E um sorriso amarelo (The melancholy death of Oyster boy).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Só Saramago pode

Num certo dia comecei a escrever posts curtos. Havia me cansado de escrever três parágrafos quando nem sequer tinha tanto assunto para tal. A formatação do blogger não estava ajudando. E eu não conseguia separar os parágrafos - e eu posso ficar mucholoco se não conseguir a organização das idéias que eu quero. Comecei a adorar a ler posts numa tacada só, com tudo na tela, sem ter que fazer Pagedown. Conciso: esta é a qualificação. Prolixo: local para onde vão posts longos. Há muito tempo atrás certificaram-me como tendo fluência próxima a um nativo inglês. Achei que as palavras rebuscadas que me forçavam a usar, os raciocínios a elaborar, expressões idiomáticas, tudo isto demonstrasse algo bem escrito. O mundo deu voltas e hoje em dia voltei a trabalhar com persuasão de pessoas com o uso da língua inglesa escrita. São 8,5 horas diárias de writing - promover o impromovível, explicar o inexplicável. É muito diferente da vida na Inglaterra quando a persuasão tinha que ser verbal. Pois agora rad i ca liz ei. Minimalizei. Alinhei-me. E descobri que tudo já estava no movimento Plain English. Por abrangência, estou aplicando o que aprendi num Português Plano. Tento viver num mundo em que existem menos frases longas, mais sujeito-verbo-objeto (ou predicado). Observo estas pessoas que escrevem uma frase do tamanho de um parágrafo - será que elas pensam que são Saramago? Elas perdem esta maravilha chamada de pontuação travessão, ponto, pontoevírgula, doispontos, vírgula. Corta e para. Respira. Simplifique a vida.