terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Telegrama de Natal

mts coisas acontecendo pt registrando em moleskine pt volto logo pt boas festas pt td d bom pt caco

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Chove sobre o molhado

A chuva que cai tão incessantemente ou tão repentinamente é tão bizarra que coisas estranhas acontecem. É tudo de forma muito semelhante à chuva de sapos que cai em Magnolia e já escrevi a respeito. Hoje, enquanto chovia caía uma chuva de cupins. Acho que eram cupins, dada a minha ignorância para discernir e nomear insetos (ou animais em geral). Cupins voavam em espiral descendente pela minha janela do 12º andar. Muitos. Partículas que formavam uma nuvem - um modelo atômico na janela. Não reconheço este dezembro. Dezembros são quentes como frigideiras sem cabo. Este está morno, molhado, aborrecido.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Compare e contraste

Um dia me parou e disse, agora entendi porque adoro fazer maluquices. Pausa. Por maluquices, entendi o bungee jumping, a fixação pelo motocross, as escaladas na montanha, os saltos de paraquedas. Pausa. Continuou então, é que eu morro de medo. E eu disse que eu também e o resto da torcida do Vascão também. Não, um não pela palavra e pelo movimento de cabeça e pelo movimento do corpo. Não, é que eu sinto medo de tudo mesmo, daí que eu preciso criar algo de verdade pra eu ter medo, algo, tipo... hesitou... tipo mergulhar com tubarões. Eu ainda estava sem entender muito. É, continuou, é assim que dá para saber o que é realmente do que se deve ter medo. Todo o resto, finalizou, todo resto é nada. Nada, viu? Me bateu nos ombros, me olhou firme e foi embora. E eu fiquei olhando para ele, pensando. E depois concordei. Eu fazia o mesmo. Virei as costas e fui embora.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pequeno senhor raiodesol

Leio dentro do carro em movimento. Nada mal, você dirige você lê placas e, se não dirige, certamente lê coisas pelo caminho. Mas eu, eu leio livros, revistas e, para o assombro geral, não passo mal. Já fui avisado do descolamento de retina e, respeitosamente, ri para mim mesmo deste mito urbano e continuei minha leitura. Mantenho assim minha literatura em dia nestes tempos de pouco tempo para mim - um pouco de disciplina para as coisas que me dão prazer. Esta minha peculiaridade deve existir porque viajei 1845 km ainda na barriga da minha mãe numa Kombi lá nos idos de '71.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um aniversário

"Turbulência é o modo pelo qual Eu converto a maioria dos ateus", disse @OCriador no Twitter. Passei por poucas turbulências graves e não sou ateu. Pelo contrário, um dia me vi cristão e católico. Absolutamente quadradinho, daqueles que gosta de missas bem tradicionais e não está nem aí para padrescantoressuperstars. Acho o Papa uma figura que representa bem o radicalismo de manutenção de status quo, nem que se precise ir para a extrema direita. Sou uma ovelha negra, tudo bem um pouco moreno, desraigada. Confesso ficar dividido entre a ressurreição e a reencarnação, ser favorável ao aborto e o casamento homossexual, ter certeza da Evolução das Espécies. Mas no meio de toda esta parafernália, procuro voltar ao essencial: a fé em Deus, numa crença cega a um mistério muito louco do filho de Deus nascendo de uma virgem, de milagres formidáveis, uma Bíblia Sagrada que consolida não ficção em ficção. Fé, independente desta montoeira de gente aqui legislando a respeito. E olha que o aniversário do filho Dele está chegando.

Curva de rio

Depois de 8 anos, finalmente tive o meu certificado de Peregrinação à Compostella emoldurado. Inclui no quadro o pedaço do cajado que usei durante a caminhada. Ele tinha um significado especial para mim. Não o comprei, não usei um do tipo esportivo, não o ganhei. Na verdade, nós nos achamos, ou melhor, ele me achou (torno então o assunto mais poético). Ele estava num vinhedo da Rioja, entre Viana e Logroño, e eu já sofria da tendinite peregrina naquele momento. Ofereceu-me ajuda, retorcido e cheio de nós e viés ainda me provocando umas bolhas e vermelhidão nas mãos. Até que nos ajustamos e adotamos o we2r1. Junto com a minha mochila, acompanhou-me até Finisterre e daí até hoje aqui. Enfim, lembrei-me do como eu consegui viver com tão pouco, tão leve. Tudo isto serviu também de inspiração para fazer a minha limpa de fim de ano: roupas, coisas, papéis. Estas tranqueiras que ficam paradas nesta curva de rio com pouco propósito que a vida da gente pode se tornar. Abri espaços, livrei-me de algumas coisas velhas para que coisas novas cheguem e tragam um ar renovado.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ode às maçãs argentinas (ao inverso)

Desconfio que os argentinos exportam as suas maçãs podres para o Brasil. São usualmente aquelas maçãs que estão nos balcões dos supermercados, vistosas, grandes, brilhantes. Mas que não resistem à primeira mordida. Uma consistência de isopor, gosto idem. Sorte a nossa se ainda mantém internamente a cor branca - na verdade, é um índice de sorte, dizendo corra para um bingo para ganhar um milhão (deveria dar direito a mais uma maçã - que invariavelmente vai estar podre - como ganhar numa raspadinha, pegar mais uma e darcomosburrosn'água). Se um dia dependermos exclusivamente delas, as futuras gerações esquecerão que maçãs deveriam ser suculentas e rejeitarão todas aquelas que gotejarem um suco, melarem a mão, ou pingarem na camisa. Encontrarão apenas relatos, assim como neste post, que, um dia, maçãs eram frutas gostosas. E, para terminar, acho que eles prestaram consultoria para a Disney para desenhar a maçã dada pela bruxa à Branca de Neve.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Não basta

"Não basta vencer. O negócio é humilhar o adversário."

Meu estômago revira quando reconhece este comportamento.
É vicioso, canceroso, asqueroso.
Niilista, um precisa destruir o outro para garantir alguma importância à sua vida.

Quinta sem lei

Já esperando o Natal.



It's Christmas time, there's no need to be afraid. At Christmas time, we let in light and we banish shade. And in our world of plenty we can spread a smile of joy, throw your arms around the world at Christmas time. But say a prayer, pray for the other ones. At Christmas time it's hard, but when you're having fun, there's a world outside your window and it's a world of dread and fear where the only water flowing is the bitter sting of tears. And the Christmas bells that ring there are the clanging chimes of doom. Well tonight thank God it's them instead of you. And there won't be snow in Africa this Christmas time. The greatest gift they'll get this year is life. Where nothing ever grows, no rain nor rivers flow, do they know it's Christmas time at all? (Here's to you) raise a glass for everyone. (Here's to them) underneath that burning sun. Do they know it's Christmastime at all? Feed the world, let them know it's Christmas time again.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Esperando o annus mirabilis

Este ano foi surpreendentemente ruim. Ele começou torto, deu uma capengada e, quando achava que ele ia dar uma arribada, só piorou. Um dos fatores contributivos foram as expectativas que eu criei. Acho que foi um pouco demais, daí não segurei a onda quando não aconteceu como eu esperava. Poderia ter comemorado as conquistas um pouco mais, ter feito com que as alegrias fossem mais inesquecíveis. Mas este ano foi como atravessar uma piscina nadando crawl. Inspiração rápida, lateral, quase num espasmo. Expiração embaixo d'água para continuarmos a viver. E, simultaneamente, muito esforço de todo o corpo. Bom, Deus não lançou nenhuma ira divina sobre mim neste ano, o que já é de grande ajuda valeu, Papaidocéu. Mas este ano, como já disse Elizabeth no passado, foi um annus horribilis.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Quinta sem lei

Aumentem o volume.

Stop making the eyes at me, I'll stop making the eyes at you. And what it is that surprises me is that I don't really want you to. And your shoulders are frozen (cold as the night). Oh, but you're an explosion (you're dynamite). Your name isn't Rio, but I don't care for sand. And lighting the fuse might result in a bang, b-b-bang, go! I bet that you look good on the dancefloor. I don't know if you're looking for romance or I don't know what you're looking for. I said, I bet that you look good on the dancefloor dancing to electro-pop like a robot from 1984. From 1984! I wish you'd stop ignoring me, because it's sending me to despair. Without a sound, yeah, you're calling me, and I don't think it's very fair that your shoulders are frozen (cold as the night). Oh, but you're an explosion (you're dynamite). Your name isn't Rio, but I don't care for sand. Lighting the fuse might result in a bang, b-b-bang, go! I bet that you look good on the dancefloor. I don't know if you're looking for romance or I don't know what you're looking for. I said, I bet that you look good on the dancefloor dancing to electro-pop like a robot from 1984. From 1984! Oh, there ain't no love, no Montagues or Capulets, are just banging tunes and DJ sets and... dirty dancefloors, and dreams of naughtiness! Well, I bet that you look good on the dancefloor. I don't know if you're looking for romance or I don't know what you're looking for. I said, I bet that you look good on the dancefloor dancing to electro-pop like a robot from 1984. From 1984!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Coincidência e o Teorema de Bernoulli

Todo mundo tem sua trilha sonora para os momentos especiais. Mas eu tenho também as músicas dos momentos caóticos, de tristeza profunda, de fossa tipo meumundocaiu. Em particular tenho um CD do Manolo García, formidável por sinal, que me rodou tanto no meu CD player em momentos desagradáveis que eu tenho muito medo de tocá-lo de novo. Como diz o Sheldon, oh well this would be one of those circumstances that people unfamiliar with the law of large numbers would call a coincidence. Mas esta lei me é absolutamente familiar e a coincidência é maior ainda. Agora, num dos momentos não mais brilhantes do ano, estou com muita vontade de ouvi-lo novamente. Acho que só eu tenho música para os momentos especiais ao inverso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Meia linha

Disse-me, não gosto de poesia. Preferia contos, parágrafos, narrativas, pontuações e suas pausas dramáticas. Poesia se limitava a meias linhas e esperava provocar sorrisos com rimas amor dor. Enquanto concordava me perguntava será que também me negarei a enxergar a poesia das pequenas coisas? Olhava a estrada pela janela do carro e procurava contos nas árvores, no vento e no sol.

sábado, 21 de novembro de 2009

Azul KLM

A primeira vez em que viajei de KLM marcou minha memória. A cinzenta Guarulhos tinha ficado para trás e eu fui mimado no top deck de um 747. Escolhi uma miniatura de uma daquelas casinhas típicas holandesas com cerâmica de Delft. A manhã de Schipol estava cheia de holandesas ruivas bronzeadas sorridentes na primavera européia indo para algum destino caribenho. Eu, eu ainda me dirigia a uma fria Hamburgo. O vôo curto até Fuhlsbüttel foi num avião estreitinho. O comissário dava as instruções em holandês e num inglês tão ininteligível quanto. No seu típico uniforme azul do céu, a cada vez que a comissária gesticulava indicando as saídas de emergência ou fechando a fivela do cinto de segurança ou indicando como usar a máscara, o comissárionarrador fingia ter sido atingido por ela. Os dois riam, cúmplices, divertindo os poucos passageiros interessados. Nesta semana, encontrei uma velha amiga vestida de azul KLM dos pés a cabeça. Para alguns, bizarro. Para mim, boas memórias.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Hombre al borde de un ataque de nervios

Durante as últimas semanas andei segurando as pontas. Andei carregando a minha mochila com pequenas inúteis coisas. Andei escutando muita merda. Muita, que nem precisava escutar. Mas fui aceitando os convites e ouvi. Em retrospectiva, falei involuntariamente para mim mesmo várias vezes estou escutando o que eu não precisava escutar.

No domingo passado foram estourando dolorosas bolhinhas em torno da minha orelha direita. Num primeiro momento achei que era resultado da minha fácil reação a picada de insetos, ou dermatites ou micose tipocoisadepobre. Nem bem desconfiava que era meu corpo dizendo basta, não aceito mais ouvir isto. Não se torne um hombre al borde de un ataque de nervios. Reação silenciosamente eloquente para a qual dei a devida atenção.

Nesta semana, quando começam a me dizer o que não preciso ouvir, tomo uma de duas atitudes: interrompo o discurso inútil ou escuto-o, rebobino-o e o apago da memória. Como num julgamento, meu protesto é deferido e as palavras são removidas dos meus autos mentais.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O medo

A Tati me fez um comentário há algum dias atrás sobre medo. Ela leu medo nas minhas palavras sem que eu tivesse usado esta palavra em nenhum ponto. Interessante a reação à camuflagem aparentemente insuficiente. Levei um susto senti-me traído fiquei constrangido humilhado. E novamente ainda com medo. As mesmas palavras provocaram reações diferentes. Afeto e compaixão, na maioria das vezes. Foi só quando deparei-me com uma reação de raiva e mais medo que fiquei perplexo constrangido. Agradecido. Um nó na cabeça que confirmou que ninguém ou nada é unânime.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Entender a Matrix #2

Nada é mesmo muito assim, assim. Tudo é relativo. Sempre nem sempre existe. Nunca pode durar muito pouco. Sim pode ter um pouco de não e ambos poderiam ser substituídos por talvez. O que eu penso foi construído sob minha perspectiva, ora real ora distorcida pela minha miopia acumulada. Simplifico aos poucos meus pontosdevista. Jogo fora vícios ilegais de comportamento. Só para ver se tiro da minha mochila peregrina coisas de que não preciso no meu caminho.

sábado, 14 de novembro de 2009

Ascensor para o cadafalso


Tomou o elevador. Conforme passava pelos andares e via os números no display aumentando, pensava que a sua vida poderia ter parado entre um daqueles andares. Por medo de não se sentir importante, fez de tudo um pouco para ser incluso. Falou demais. Riu demais. Associou-se a quem não devia. Fez poucas restrições e muitas concessões. Isto o fez pensar. Quando se encaixou, já havia mapeado e mensurado o terreno. Passou por outro andar, então, passou a competir para assumir a sua competência e o seu controle. Pouco deixou de fazer para não se sentir humilhado enquanto sentia a gravidade nos ombros. Sentiu o jogo desgastante. Prestes a dizer eu não quero brincar mais, desço no próximo andar respirou fundo e continuou. Isto o fez pensar. O elevador parou - não sabia se havia chegado ao destino, não sabia se havia travado entre os andares. Se somente tivesse continuado poderia abrir as portas para gostar do que viria e vissem algo do que gostassem. A porta não estaria nunca fechada. Isto o fez pensar.

Tomaria aquele elevador todos os dias.

Créditos: A fotografia é de Daniel Jacques. O post nada tem a ver com o filme de Louis Malle, ao qual nunca assisti.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Como porcelana nas minhas mãos

Esta semana foi triste. Dias seguidos de dias em que cruzei com os sentimentos básicos de tristeza em mim, naqueles ao meu redor, e no resultante de nossas ações. Entenda-se a tristeza como um sentimento essencial que cristaliza inúmeros disfarces. A degradação moral, a ofensa, a injustiça, a manipulação, a humilhação, a falta de ética, a volubilidade inconstância, o comportamento dúbio. Deixei-me vulnerável, com a pele altamente sensível. E como me choquei me indignei senti raiva e me entristeci.

Mas nem tudo foi perdido. Isto tudo me ajudou a ver o que eu, definitivamente, não quero para mim.

Título do post usurpado de Vulnerable - a vulnerabilidade sueca.

Saudades

Saudade dá um resignificado a alguém.

Poeira

Olha só, você é uma rocha. Impassível, sujeita a intempéries seguidas, mantém-se lá. Firme e forte, como se nada te abalasse. Mas há dias, ah, há dias em que o vento mais forte torna-se cortante. E a dor fina e aguda é tolerada até que a chuva engrossa e a temperatura cai e tudo se contrai. A natureza de força irresistível encontra uma barreira até então intransponível. A vontade é que aquela rocha toda se torne poeira. Pulverize-se. Que a poeira seja levada pelo vento para rumos desconhecidos. Que se junte e se torne aos poucos pedrita, cascalho, pedra e rocha por fim um dia. Só que agora, bem agora mesmo, queria virar poeira e sumir.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mais sorrisos, pés mais leves...


Vertigo
Originally uploaded by Cyrille Lefranc (Nano)

... pálpebras semicerradas, olhos que giram, cabeça que pende, palavras engraçadas, com pouco nexo, talvez num tom um pouco mais elevado...

Liquidado


Veuve Clicquot...
Originally uploaded by Alessandro Oliveira

Liquidei o financiamento do meu apê hoje. Não devo nada mais a ninguém. Então façamos um brinde com a viúvinha mais feliz de Reims.
Salut!

Eu disse não, não, não

Entrei em paralisia. Engessei-me mentalmente e deixei de produzir posts. Justificava-me com a periódica aridez de pensamentos. Na verdade, se era aridez, sem lutar fui dragado para dentro de uma área de areia movediça. Deixei-me levar, ou como se diz, me joguei. Por hora estava cansado de lutar contra a correnteza. Tomei esta injeção de morfina, me viciei, e só queria dormir deste blog. Foi a sensação repentina de comer muito doce, beber muito, ler muito, dormir muito, pensar muito. Voltei agora por acomodação ao inverso - desconforto, insatisfação, tristeza, raiva. E ah eu sou loucomanso, daqueles que vai do dia de sol às chuvas e trovoadas só com uma brisa de fim de tarde. Uma rehab, enfim.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quinta sem lei

Não sei se esta quinta é cabeça ou leve ou é de uma insustentável leveza.

Where is the purpose in your life? Where is the truth? Do you remember your hopes, your dreams? They are no longer your own. This day is for loving your own life. Don't let this world capture your heart, your passion lost to a thousand themes surrendered to the screen . This is not a story, this is not a book, this is your life. And this is not a play, some TV show you've seen, this is real life. You know that this is your this is your life. This is your this is your life. You act like a child playing games now. Play and pretend the art of disguise. Alone and lost in all your lies. This is not a story, this is not a book, this is your life. And this is not a play, some TV show you've seen, this is real life. You know that this is your this is your life. This is real this is real life. There is no rehearsal, no second chance, no false start no better circumstance. This is not a story, this is not a book, this is your life. And this is not a play, some TV show you've seen. This is real life. You know that this is your this is your life. This is real this is your life. This is your this is your life. This is your life.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Como se não houvesse amanhã

Sinto dor nos ossos nos músculos nos membros. São dores que dizem não. Repetem repetem. Não. Dizem-me que aquela não é a direção que devo tomar. Um instinto latente que agora insiste em vir à tona. Latejando. Repetindo, não. Experimente nadar contra a correnteza, tente imprimir velocidade. Faça isto durante algum tempo. Faça isto para não se afogar. Faça isto como se houvesse amanhã. Quando sair da água, seus músculos cansados doerão. Esta é dor que sinto.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Outubro abortou um monstro

Há dias que merecem ser apagados do calendário. Arrancar a página da agenda. Fazer um corte de estilete em volta da data no calendário e jogar na lixeira. Para me lembrar que ele jamais existiu. Assim como hoje. Começando de forma inútil, o dia foi uma aberração que deveria ter sido abortada nas primeiras horas da manhã. Furado com agulhas de tricot. Cortado. Jogado no vaso sanitário e dado descarga. Mas insisti em vivê-lo. Mas o dia não se iluminou ou floresceu ou trouxe boas notícias. Au contraire mon frère, ele se escondeu nas sombras e atrás das portas, amargo, olhando o mundo de soslaio. Restou-me esperar os ponteiros do relógio seguirem seu curso e ver com olhos bem abertos a hora dele partir.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Quinta sem lei

Quinta punk, punk, punk. Lançado em novembro de 1977, Siouxsie & The Banshees detonam com Helter Skelter. Aperte o play, deixe rolar (começa aos quase 30 segundos) e, se quiser, pode dançar pular quebrar os móveis.




When I get to the bottom I go back to the top of the slide. When I stop I turn and I go for a ride. When I get to the bottom when I see you again yeah yeah yeah. When I get to the bottom I go back to the top of the slide. When I stop I turn, go for a ride. When I get to the bottom when I see you again yeah yeah yeah. I don't know don't you want me to make you? I'm coming down fast but I'm miles above you. Tell me tell me tell me tell me the answer, well you may be a lover but you ain't no dancer. So look out helter skelter, helter skelter, helter skelter, helter skelter. When I get to the bottom I go back to the top of the slide. When I stop I turn go for a ride, when I get to the bottom when I see you again yeah yeah yeah. I don't know don't you want me to make you? I'm coming down fast but don't let me take you. Tell me tell me tell me tell me the answer. Well you may be a lover but you ain't no fuckin' dancer. So look out helter skelter helter skelter helter skelter helter skelter helter skelter helter skelter. I'm coming down fast. When I get to the bottom I go back to the top of the slide where I stop.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Exercício mental

Fiz um exercício mental. Consistiu de pensar o quão feliz eu ficaria se tivesse você aqui por perto e que eu pudesse partilhar minha felicidade com você. Como você ficaria alegre com isto! Antes eu ficava triste por pensar desta forma, já que afinal te perdi para sempre, mas agora fico alegre porque tenho certeza que você estaria alegre por mim, por você.

domingo, 18 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Estou aqui pelo abaixo assinado

"- ... c'est... c'est pour la pétition... - euhh... quelle pétition? - ouais... la pétition pour... pour... pour faire canoniser Lady Di! - aha, oui! ah non, merci." (quem assistiu, conhece o diálogo). Reproduzo-o agora: Eu estou aqui para o abaixo assinado. Para canonizar o meu acuputurista, Dr Milton. Por ele ter me restaurado o sono e removido as minhas fortes dores lombares. Valha-me São Milton. padroeiro dos descadeirados insones.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Surreal, mas

Estou para conhecer alguém que já teve um momento cinematográfico na sua vida. Algo do gênero de tropeçar na Julia Roberts em Notting Hill, sujá-la de suco de laranja e fazer com que ela te considere surreal, but nice. Sim, porque a minha vidinha anda muito desinteressante, no padrão mais baixo possível dos últimos tempos. Queria só saber se é só comigo mesmo.

"Toc, toc, toc. Penny!!"

Personagens do The Big Bang Theory:
Rajeesh, Leonard, Penny, Sheldon, Howard.

Encantador

Estava assistindo ao Encantador de Cães, Cesar Millan. Cães ansiosos são resultados de donos ansiosos sempre os restringindo e antecipando o que pode vir a acontecer. Cães vivem no presente. Para eles, não existe passado. Não pensam no futuro. Só no agora. Não tenho um cachorro, infelizmente. Mas fica o pensamento para minha vida de cachorro.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dia de folga




Iso tank

Meu termômetro pessoal é minha cabeça. Penso demais, esquento a mufla. Meu humores corpóreos também contribuem. Meu fígado acionou minha enxaqueca no domingo. Apesar de sofrer na segunda, dominei-a na terça. A quarta-feira caiu como um novo golpe e hoje sucumbi. Lembro-me sempre de que o meu primeiro indício de desequilíbrio seja a minha cabeça latejando. Têmporas. Nuca. Testa. Olhos. Juntos ou separados, estes são os pontos. Hoje, no meio da dor física e com a mente em disparada, tive um momento de frieza e disse hora de dar uma descarga na mente e esvaziar toda a merda parada nela. Concentrar no nada e esfriar. E tomar paracetamol, na ausência de um complete sensory deprivation. Foi o momento em que a dor do menino enxaqueca diminuiu.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ora horas

Quantos relógios você tem em casa? No microondas, na parede da cozinha. Os 3 de pulso sendo 1 digital. O do aparelho de som. O computador, Ipod, na televisão, no DVD, e no celular. Já reparou que cada um deles marca sua hora particular? Alguns deles vivem num passado recente, enquanto outros, num futuro próximo. Existem poucos que pararam no passado, literalmente - não avançaram por falta de energia. Não tenho mais certeza quem está corretamente representando o presente. E fico procurando entre eles, tentando acertá-los, tentando me acertar. Mas continuo sendo cobrado por estar ligeiramente atrasado, continuo me cobrando por estar ligeiramente adiantado. Acho que aí está a minha dificuldade de viver no presente simples.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Desaparecido

Fez-se o silêncio. Não ouviu sua voz nem sequer uma só vez durante o dia. Tudo era imagens e sons produzidos pelos outros. Perguntou-se, no barulho da sua mente, será que ainda existo?

domingo, 4 de outubro de 2009

Tapeçaria

Quando olhou para sua mão, achou que estava envelhecida. Independente de quantos cremes passasse no rosto, a passagem do tempo havia sido implacável e sua mão a denunciava, pensou. Ela a examinou, a virou, para um lado para o outro, a uma maior e a uma menor distância, puxou a pele, amassou as veias. Pensou no que fazer e não chegou a qualquer conclusão razoável já que cortar a mão fora somente pioraria as coisas. Quando viu o marido passando por ela com o jornal numa mão e os óculos na outra perguntou de batepronto se ele achava que a mão dela estava velha. Ela está linda como sempre. Apesar de achar que era um tapete de mentiras, resolveu acreditar nele, abriu um sorriso Você que é lindo.

sábado, 3 de outubro de 2009

Mariella

Um dia eu cheguei do trampo nesta semana. Abri as janelas do apartamento fechado. Troquei a fantasia de engenheiro pela camiseta do fãclube da Amy Winehouse, shorts e tênis. Juntei o capacete e o ipod. Pulei na bike e lá fui eu. E o vento, ele estava frio. Do alto da colina até o lago, foram alguns segundos para a velocidade começar a subir, incontrolável, e minutos em que as músicas começaram a fluir nos fones. A primeira primeira curva em volta do lago ainda foi em alta velocidade. Negociar a primeira subida foi o momento para aproveitar e começar a paquerar até a subida da colina dos bombeiros e descer até a esquina do sinal do iate clube. Se vermelho, então squeezewatersqueeze, e esperar civilizadamente até o sinal verde. Depois é hora da vista panorâmica do lago, dos postes de luz refletidos no espelho d'água até a esquina do boteco. Passar pela tentação dos côcos verdes até a descida do futuro mercado. Segunda rodada oficial da paquera e aproveitar o vento fazendo barulho nas orelhas. Fechada a volta completa, acabei de pensar em todos problemas e a concentração ficou só na pedalada, só na paquera, só no squeeze, muito instinto e pouco cérebro. Uma. Duas. Três. E perdi a conta das voltas. E o shuffle da noite estava em sincronia com tudo aquilo, o que só me fez deixar com o o sorriso aberto pelo vento e falar a frase du jour: what a life.

Google it: Yes we créu

Créditos: Google Brasil

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009

π

A semana que passou foi uma provação. Tive que lidar com gente com estados de ego muito alterados. Eles trouxeram, em alguns momentos, o pior de mim. Em alguns momentos, coloquei para fora e respondi; já em outros engoli a seco. Enquanto me criticaram, eu me rebelei. Quando irracionalmente se rebelaram, eu coloquei a minha fantasia de pai e briguei com a criança. Nada disso é o ideal. Deveria ter tomado um comportamento adulto, objetivo e calmo. Recomendaram-me dizer números para mim mesmo em momentos críticos. A frieza e objetividade do número vão trazer o comportamento adulto de volta. Carteira de identidade. Carteira de Identidade Profissional. CPF. Conta do banco. Pi.

Para poder comprar cuecas novas

Os últimos meses têm sido vividos na base da comédia da vida caseira. Iniciei o processo de compra do meu apartamento em novembro do ano passado. Fechei o negócio em dezembro - foi aquele momento pânico em que pinta a insegurança se eu conseguiria pagar ou não. Por motivos burocráticos, o meu fundo de garantia não poderia ser imediatamente usado. Mesmo assim, o processo no banco foi moroso devido a contratempos diversos. Durante o primeiro semestre, mesmo aparelhando o lugar, não tinha certeza se o banco aprovaria o financiamento. Loucura absoluta. Enquanto isto, peregrinações pelas lojas de decoração, dúvidas entre objetos a serem comprados, compras erradas, trocas, equipamentos defeituosos, mais trocas ainda. Com o início do pagamento do financiamento, e depois que fui comprando todos os trecos da casa, finalmente esgotaram os recursos destinados à decoração. Já estava me preparando para ficar sem poder comprar nem uma cueca nova durante um ano, ou seja, economizando até que o financiamento estivesse acabado quando, num golpe de sorte, descobri que poderia abater o bendito fundo de garantia imediatamente. E agora espero só o fim da greve dos bancários para ir lá e pagar o resto faltante. E poder comprar cuecas de novo. Desejem-me sorte.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vai uma taça ou uma xícara?

Abençoado seja aquele que descobriu os benefícios de se consumir vinho na base diária. Abro minha garrafa, tomo meu copo, tasco-lhe a rolha e amanhã a gente se vê. Numa semana vem um chileno, na outra um espanhol, na outra um italiano, sem esquecer os franceses e os portugueses. Não esqueçam também dos benefícios do café: também têm antioxidantes polifenólicos e fazem um bem horrível para o bom humor. Continuem consumindo bastante café para ajudar o Caquinho aqui a continuar consumindo seus vinhozinhos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Os Piquets

A cada vez que leio sobre o escândalo na Formula 1, penso no Nelson Piquet, pai. Campeão mundial, mas pai do cara que jogou o profissionalismo e ética na sarjeta. Ele deve ter carregado este peso na consciência até o momento em que pode efetivamente fazer algo a respeito. Não creio que tenha sido uma revanche pelo filho ter saído da equipe, mas mais uma forma de poder voltar a respirar. Lamento por ele. O filho, por mais injustiçado, por mais forçado que tenha sido, participou da trama e deverá ser punido. Talvez a maior punição seja ser banido do esporte, preço suficientemente alto para manter a tentação da desonestidade fora do radar. Quanto ao Briatore, sem comentários.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Separadas na maternidade

Andréa Beltrão, Marilda, A Grande Família

Mercedes Ruehl, Connie, De Caso com a Máfia

Killer blow

Olha só, não ignoro mais o que sinto. E o que senti hoje foi um soco bem na boca do estômago. Daqueles em que o abdômen é contraído e o corpo enverga pelo meio e os olhos reviram enquanto as pálpebras se fecham. A recuperação foi a base de uma longa inspiração que levou meu peito ao alto. Engoli a saliva. Em vez de virar os olhos para o outro lado e tentar esquecer imediatamente, encarei o objeto de incômodo. Não sei se isto é tecnicamente certo ou errado (psicólogos de plantão, por favor comentem), mas de repente senti um vazio, um esgotamento. Expirei. Encontrei o primeiro desavisado ao meu lado e disparei, você sente um soco na boca do estômago de vez em quando também? E a reposta foi, sim.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cicatriz

Sofri um acidente de carro em 2001. Um corte como uma fenda foi aberto na minha cabeça que sangrou durante maisoumenos uma hora. Para levar os pontos, parte do cabelo foi removido e a cabeça, enfaixada. A recuperação demorou alguns meses. O cabelo cresceu, nem me lembro mais muito bem do que aconteceu. Só que, de quando em vez, o corte, aquele ponto focal, lateja. Você culpa o mundo e incrimina o destino por quem você é? Seu pai ou sua mãe carregam o pecado do mundo por ter te formado do jeito que é, por certo. Reprovação, falta de aprovação, ausência ou excesso de interferência: tudo é justificativa para almadiçoá-los. Injustiça, penso eu. Convites nos são feitos a todo momento, de todos os lados e por quem menos esperamos. Seus irmãos, tios, avós, primos, amigos e conhecidos, todos eles te incitam, te provocam e também te marcam. Alguns deles foram ignorados e esquecidos. Entretanto algumas situações te marcaram profundamente. Um corte profundo, cicatrizado, esquecido, mas que lateja de tempos em tempos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Entre, por trás, por cima

O poder te atrai. Fazer e desfazer o contrafeito sem dar satisfações a ninguém, exercendo o mistério da influência sutil e permanente. Idolatria, respeito e temor - estes são termos que te inspiram. Pensa que seu magnetismo é forte, na verdade, é isto que te faz hipnotizante. Você nunca passa incólume nem quando voa abaixo do radar. Para você, sexo é vigoroso, extenuante e quase ameaçador. Você está entre os ricos e poderosos, por trás dos ricos e poderosos, por cima dos ricos e poderosos (expressão derivada de Mlle P). Dominância exercida e submissão permitida. Poderia ser eu. Poderia ser você. Te questionei o que você poderia fazer de positivo com todo este poder. Fiquei sem resposta a não ser um olhar desafiador e um meio sorriso nos lábios.

sábado, 12 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O nunca transmitido final da novela

You deserve to be kept in the dark

... enquanto você, você alimentou este meu comportamento. Não. Nunca quis ser exatamente assim. Não. Não sou assim. Não. Não me comporto usualmente assim. Você conseguiu tirar o pior de mim, o meu pior discurso, as minhas piores ações. Sei que sou cúmplice por permitir este estado de coisas e isto é o que mata. Agora você vai embora. Agora você me deixa aqui, sem chances de retomar o fio da meada e consertar o que ficou para trás. Resta-me olhar este arremedo de relação e tentar esquecê-lo. Ainda bem que não sou nem budista nem espírita porque com certeza seria o karma mais mal resolvido da minha vida. Nem pensar ficar reencarnando e passando por tudo de novo até resolver tudo. Se você já merecia, pois bem, você acabou me deixando no escuro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Quinta sem lei

Beirut tem sonoridade de banda de coreto de praça. Pode falar que é folk, que é moderninha, que é retroavantgarde. Para mim, é de coreto de praça de subúrbio do Rio de Janeiro. Talvez seja por isso que achei que Elephant Gun ficou excelente como trilha de abertura de Capitu, do Machado de Assis. Machado é suburbano, é século XIX mas não é rococó, é moderníssimo.

Trago uma versão de Florence & The Machine para Postcards from Italy.



The times we had, oh, when the wind would blow with rain and snow were not all bad. We put our feet just where they had, had to go, never to go. The shattered soul following close but nearly twice as slow. In my good times there were always golden rocks to throw at those who admit defeat too late. Those were our times, those were our times. And I will love to see that day. That day is mine when she will marry me outside by the willow trees. And play the songs we made, they made me so. And I would love to see that day. Her day was mine.

Trago o original do Beirut para comparar e contrastar:



Um certo post secret

Quando eu te perguntei se estava tudo bem, ouvi um ahn han. Procurei seus olhos mas não encontrei. Isolei-me momentaneamente.







Depois de um razoável período de tempo, voltei a carga. Faleifaleifaleifaleimeioquesemparar. Inseri perguntas no meu discurso e ouvi como respostas só o seu ahn han. Se somente você soubesse que eu não entendo o que isto significa: ahn han. Sim, não, concordo, ..., cale-se, que saco, tá bom, é mesmo, que excelente? Ahn han. Se tentas me irritar não consegue, causa-me apenas dó de você por não saber se exprimir. E também dó de mim por estar desperdiçando meu tempo com você.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ler este blog não é de todo inútil

Eu faço um esforço para deixar este blog bem escrito - tanto em forma como em conteúdo. Português bem escrito, ideias bem concatenadas, uma certa lógica, assuntos interessantes ou que a mim ao menos interessa, sem vícios de linguagens, incorporação de língua estrangeira sem preconceitos no contexto correto e até algumas invencionices. A Nath me avisou que perceberam. Como assim? Um post meu tornou-se parte integrante da prova de língua portuguesa de um concurso público. Achei isto bacaníssimo. I'm not completely useless, you see?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cheiro de ralo

Há aproximadamente 2 meses tenho participado de um treinamento de desenvolvimento comportamental. Inicialmente cheguei com uma postura cética, derivando para uma cínica. Mas logo nos dois primeiros encontros, coloquei-me em cheque e comecei a aberta e genuinamente me desconstruir. Confesso um extremo desconforto que coincidiu com o início das férias e que demorou um pouco a ser engolido. O treinamento tem se tornado sessões de terapia grupal. Não sei bem onde vai dar. Mas sei que todas as minhas certezas foram jogadas pelo ralo. Todas. Tenho notado algumas diferenças, pequenas, em mim. Sei que são resultado de esforço pessoal e sei também que existe um longo caminho a ser percorrido.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Quinta sem lei

A coisa mais assustadora que eu ouvi nos últimos tempos: parecia um fantasma tocando ao piano, uma imagem um tanto andrógina e uma voz que me lembrou Alison Moyet. Quem me apresentou foi o lado turvo de Lord Weerth. Então, esta quinta sem lei vem sombria e fantasmagórica mas nada menos que absurdamente bela. Preparem suas almas para Antony & The Johnsons:

Hope there's someone who'll take care of me when I die, will I go? Hope there's someone who'll set my heart free, nice to hold when I'm tired. There's a ghost on the horizon when I go to bed. How can I fall asleep at night? How will I rest my head? Oh I'm scared of the middle place between light and nowhere. I don't want to be the one left in there, left in there. There's a man on the horizon. Wish that I'd go to bed. If I fall to his feet tonight, will allow rest my head? So here's hoping I will not drown or paralyze in light and godsend I don't want to go to the seal's watershed. Hope there's someone who'll take care of me. When I die, will I go? Hope there's someone who'll set my heart free, nice to hold when I'm tired.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ortorexia

Aparentemente não é grande novidade. Mas hoje me deparei com esta tendência que me assustou. Os ortoréxicos têm este distúrbio alimentar que os torna obcecados pela alimentação correta. A ortorexia usualmente atinge as sociedades ocidentais, pessoas de ambos os sexos particularmente acima dos 30 anos, de classe média e com alto nível de educação formal. Recusam-se a tocar alimentos com açúcar, sal, gordura trans, cafeína, álcool, trigo, glúten, soja, milho ou produtos lácteos. Não orgânicos ou com aditivos artificiais também estão fora da dieta. Eu procuro ter uma dieta equilibrada mas isto é demais. Sem contar que eu preciso do meu junk food day semanal. Eu conheço alguns ortoréxicos. Além de estarem sujeitos a problemas nutricionais pela obsessão (mais do que pelas restrições), são uns chatos.

Filhos do vírus

Eu havia enxergado o caráter maltusiano da gripe suína. A praga se espalharia por todo o mundo. Parte da população mundial contrairia a doença, sendo que uma fração da mesma sucumbiria. A pandemia encaminhava-se à confirmação desta tese. Maltus já dizia que não havia nada melhor do que guerras e pragas cíclicas para equilibrar a oferta e demanda de alimentos no mundo. Mas vem chegando o verão e a gripe vai se tornando menos frequente mas não menos importante. A grande devastação populacional nunca aconteceu. Se a redução não acontece pela morte, parece-me que há uma redução da vida. Tenho ouvido relatos de mulheres evitando engravidar por conta dos riscos da gripe. Surreal, mas verdadeiro.

domingo, 30 de agosto de 2009

Lindeza #2

Precisa dizer mais?
(Créditos: a imagem é do Museu Tamayo)
Já senti isto. Já tentei escrever a sensação. Já tentei escrever algo que provocasse esta sensação. Mas a imagem, ah a imagem, é linda. Eu a encontrei num post de Mary W para o blog coletivo Todas as coisas do mundo (para o qual também orgulhosamente escrevo).

Lindeza

Rio de Janeiro: A Águia retorna ao Teatro Municipal
Créditos: Camilla Maia/Agência O Globo

sábado, 29 de agosto de 2009

Dupla de ases

Pacino, de Niro, 1977
Esses caras são foda.
(créditos: autor desconhecido)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Quinta sem lei

Quer mais o quê? Porra, toca um Ramones, aí!


Twenty-twenty-twenty four hours to go I wanna be sedated. Nothin' to do no where to go-o-oh. I wanna be sedated. Just get me to the airport put me on a plane. Hurry hurry hurry before I go insane. I can't control my fingers I can't control my brain. Oh no. Twenty-twenty-twenty four hours to go I wanna be sedated. Nothin' to do no where to go-o-oh I wanna be sedated. Just put me in a wheelchair get me on a plane. Hurry hurry hurry before I go insane. I can't control my fingers I can't control my brain. Oh no. Twenty-twenty-twenty four hours to go I wanna be sedated. Nothin' to do no where to go-o-oh I wanna be sedated. Just put me in a wheelchair get me to the show. Hurry hurry hurry before I go loco. I can't control my fingers I can't control my toes. Oh no. Twenty-twenty-twenty four hours to go I wanna be sedated. Nothin' to do no where to go-o-oh I wanna be sedated. Just put me in a wheelchair get me to the show. Hurry hurry hurry before I go loco. I can't control my fingers I can't control my toes. Oh no. Ba-ba-bamp-ba ba-ba-ba-bamp-ba I wanna be sedated.

domingo, 23 de agosto de 2009

Objeto do desejo

Eu quero uma.

De um compromisso

Convidada a ir a um evento que não queria ir por incompatibilidade de gênio com o anfitrião aquele filhodaputa me sacaneou, ela respondeu calmamente que tinha um compromisso previamente agendado. Um tempo depois sua amiga, que tinha ouvido o convite e a recusa, perguntou que tal compromisso era aquele. Tenho um compromisso inadiável com a minha dignidade, respondeu.

sábado, 22 de agosto de 2009

Vista diurna

Créditos: foto minha mesmo, montada a partir de 4 fotos separadas tiradas na sequência.

Versão do post abaixo - agora com luz natural. O avião da TAM não está aí, porque aproveitei enquanto a chuva nos dá algumas horas de trégua. Esta é a versão bucólica da minha vista. Circundando meu prédio, há outros 4 prédios tão altos quanto o meu. Entretanto, o terreno imediatamente do meu lado está ocupado por uma loja da Tok&Stok, plana, horizontal, pésnochão. Daí acho que a minha vista não será ocupada por algum tempo. Tenho o sol da tarde porque encaro o oeste, providencial no inverno mas que poderá ser um tormento no verão. Mas esperemos até lá. Adoro esta linha de horizonte e o céuzão azul - na foto, ele está excepcionalmente tingindo do branco das nuvens remanescentes das últimas chuvas. Bom dia, então.

Segurança a bordo

Raramente prestamos atenção às instruções de segurança a bordo do avião. Mas se os apresentadores das informações estivessem peladões, acho que seria um ponto. Quem sabe, quando eu for à Nova Zelândia. O duro é entender este sotaque neozelandês.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Vista noturna

Créditos: Foto minha mesmo, montada a partir de 3 fotos separadas tiradas na sequência.

Improvisei esta panorâmica da janela daqui de casa. Basicamente estou num dos atuais limites da cidade. Isto em breve não mais será verdade, já que a expansão urbana vem nesta direção e avançará um pouco além. À noite vê-se estes pontinhos de luz. Estradinhas entre chácaras e condomínios horizontais de luxo. Bem ao fundo, dá para ver o amontoado urbano das cidades vizinhas. Um pouco à esquerda, temos o shopping center; e a torre de telecomunicações num primeiro plano. A panorâmica é cortada pela estrada estadual que nos leva daqui do interiorrr até a capitarrr do estado. Mais o que eu mais gosto é o horizonte coberto de lâmpadaszinhas de Natal piscando (sim, porque elas piscam). Há também o avião da TAM que manobra e passa à direita em direção ao aeroporto no início da noite (não, ele não está nesta foto). Nestes dias chuvosos, daqui do 12º andar, neblina impede-me de ver o outro lado da rua. O vento sopra forte e não temos qualquer proteção, só o céu nos protege. Um dia eu publico uma foto deste cenário bucólico durante o dia.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quinta sem lei

Quinta sem lei do jeitoqueodiobogostcha. Não dava para ficar só no áudio e apimentei com o vídeo da Revolução Sexual de Macy Gray. Uma pedida equivalente era o Get Off do Prince (How can I put this in a way so as not to offend or unnerve? There's a rumor goin' all round that u ain't been gettin' served. They say that u ain't u know what in baby who knows how long. It's hard 4 me 2 say what's right when all I wanna do is wrong. Get off! 23 positions in a 1 night stand...). Mas o príncipe é temperamental e ameaçou processar quem mexer com as coisas dele na internet. Então vamos com a Macy e cameo appearance de Naomi garotaenxaqueca Campbell:



Everybody shake it, time to be free amongst yourselves. Your mama told you to be discreet and keep your freak to yourself. But your mama lied to you all this time. She knows as well as you and I. You've got to express what is taboo in you and share your freak with the rest of us: 'cause it's a beautiful thing. This is my sexual revolution. Everybody shake it, time to be free amongst yourselves. Everybody break it every rule every constriction. My papa told me to be home by now but my party has just begun. Maybe he'll understand that I got to be to be the freak that God made me. So many things I want to try, got to do them before I die. This is my sexual revolution. I'm so funkin' beautiful, especially when I take my clothes off. Sexual revolution. Got to do them before I die

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Trinca de ases

Feliz aniversário, Sean Penn. Você é foda.
Créditos: Getty Images

domingo, 16 de agosto de 2009

Obrigado pelos dias

Quando Wim Wenders fez Até o Fim do Mundo (Until the end of the World), ele pediu a diversas pessoas para comporem músicas para o filme. O resultado foi tão bom que ele deu um jeito de encaixá-las todas no filme. Talvez por isso o filme tenha resultado em 4 horas e meia, pelo menos no director's cut. Aforando a questão do road movie em que o Wim é tão bom, as personagens vão se encontrando e se afastando, fugindo uns dos outros, até que, forçosamente estão juntos nas remotas áreas áridas da Austrália numa comunidade de aborígenes. Não sabem se houve o fim do mundo, se o resto do mundo existe ou não, se vão voltar ao resto do mundo. Ali, naquela convivência no mínimo estranha, e já no último terço do filme, as personagem vão se comunicando por meio dos parcos instrumentos musicais disponíveis - uma jam session improvável. Até que, na festa de Ano Novo, todos estão juntos, tocando juntos, e cantando juntos. O que cantam? Days, a contribuição do Elvis Costello para o filme. Depois de toda a tourdeforce do filme - talvez fazê-lo, certamente assisti-lo - a emoção é grande e não dá para deixar de agradecer. Thank you for the days, those endless days, those sacred days you gave me. I'm thinking of the days, I won't forget a single day, believe me. I bless the light. I bless the light that shines on you, believe me. And though you're gone, you're with me every single day, believe me. Days I remember all my life. Days where you can't see wrong from right. You took my life and then I knew that very soon you'd leave me. But it's alright, now I'm not frightened of this world, believe me. I wish today could be tomorrow. The night is dark, it just brings sorrow. Let it wait. Ah Elvis Costello é muito bom.


Eu não sou cachorro não

Créditos: Rodopho Buhrer

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Obrigado

Um dia te agradeci por ser uma pessoa bacana. Eu andava um caco no pun intended e você me deu 'aquela' força. Nada de apoio automático ou mecânico: suas palavras foram naturalmente sinceras, algo que senti como verdade absoluta. Você me deu um abraço em palavras, um abraço que me apertou e me espremeu com força e, do nó na minha garganta, foi um expelido um obrigadoporsertãolegal. E sei que isso iluminou teu dia e eu fico feliz. Fico feliz por você estar feliz. E fico feliz por você continuar a iluminar o meu dia, diaapósdia. Obrigado. Um dia vou ser tão legal quanto você para você.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Quinta sem lei

Raivosa, nem um exército de 7 países seguraria esta quinta mais sem lei do que a passada.



I'm gonna fight 'em off. A seven nation army couldn't hold me back. They're gonna rip it off, taking their time right behind my back. And I'm talking to myself at night because I can't forget. Back and forth through my mind behind a cigarette. And the message coming from my eyes says leave it alone. Don't want to hear about it. Every single one's got a story to tell. Everyone knows about it: from the Queen of England to the hounds of hell. And if I catch it coming back my way I'm gonna serve it to you. And that ain't what you want to hear but that's what I'll do. And a feeling coming from my bones says find a home. I'm going to Wichita. Far from this opera forevermore. I'm gonna work the straw, make the sweat drip out of every pore. And I'm bleeding, and I'm bleeding, and I'm bleeding, right before the Lord. All the words are gonna bleed from me and I will think no more. And the stains coming from my blood tell me "go back home".

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Monges

H1N1: Vivemos num mundo cheio de Monks, gente limpando a mão a todahora com álcool gel (escasso, skyrocketting prices). O detetive de Tony Shalhoub é paranóico por limpeza e organização. Acha que vive num mundo cheio de germes prontos para atacá-lo, daí isola-se numa bolha e evita ao máximo o contato com outras pessoas. Estamos caminhando nesta direção, isolando-nos cada vez mais. Penso que esta paranóia se intensificou desde 11-setembro-2001, e desde então temos os movimentos xenófobos em alta e a reclusão exponencialmente crescente das pessoas - comunicando-se via redes sociais virtuais. Tudo isto causa-me medo porque a salvação do mundo vai ser quando houver maior interação caraacara das pessoas, mais gente viajando, vendo coisas novas, experimentando mais.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma longa descida

Ewan McGregor e Charley Boorman foram do norte da Escócia até a Cidade do Cabo no extremo sul da África de moto. Tinham uma equipe por trás, mas na maior parte do tempo estavam sozinhos, atravessando as paisagens mais desconhecidas do mundo. Eles registraram tudo e o que viram virou o documentário Long Way Down. Eu assisti ontem às talvez 6 horas seguidas em que o documentário foi exibido pelo National Geographic Channel, sem me cansar. Apesar d'eu não saber andar de moto, este é o tipo de viagem que gostaria de fazer. Faria de carro, de bike, à pé. Paisagens, pessoas, experiências, tudo diferente. Aquela sensação de total impossibilidade e perigo que são totalmente desconstruídos no relacionamento com os africanos. Paisagens únicas de vida selvagem, variando de ruínas romanas do norte da áfrica, savanas, pântanos, animais selvagens, um wow a cada sequência. E a África ainda é um destino intocado. Já tinha assistido a dois episódios enquanto na Inglaterra, mas eventos além do meu controle me impediram de assistir ao restante. Durante todo este tempo, a música tema do programa fica tocando no meu ouvido, me lembrando que tinha de assisti-lo, me lembrando que a África está ali, do outro lado do oceano. E agora que estou com a minha veia roadmovie aberta, manda ver Stereophonics (supermarrentos):

domingo, 9 de agosto de 2009

Pensamentos no dia dos pais

Fui instado a reportar a minha lembrança mais antiga, aquela de quando era o mais novo possível. Pois disse que lembrava do meu pai, contando estórias, divertindo visitantes em casa. Lembro-me de prestar muita atenção a o que ele dizia, respeitosamente, guardadas as devidas proporções para uma criança de uns 4 ou 5 anos. Uma das estórias que eu me lembro era a de um homem que morava na vila do meu pai e que derrubou um avião arremessando laranjas. E ele sempre terminava a estória às gargalhadas, sinalizando que tudo era uma grande piada. Eu ficava com um sentimento meio esquisito: como aquela figura usualmente respeitável e séria poderia estar contando uma mentira? Era um contrassenso na cabeça daquela criança. Perguntaram-se se eu havia herdado tal capacidade dele. Não, sou um péssimo contador de estórias. Mas sim, sou cheio de contrassensos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quinta sem lei

A quinta sem lei chega com pouca inspiração, lembrada via twitter. Mas chega com um cover do Last Nite dos Strokes pela Adele.



Last night, she said: "Oh, baby, I feel so down. Oh it turns me off, when I feel left out". So I turned around: "Oh, baby, don't care no more I know this for sure, I'm walkin' out that door". Well, I've been in town for just about fifteen minutes now and Baby, I feel so down, and I don't know why I keep walkin' for miles. See, people they don't understand. No, girlfriends, they can't understand. Your Grandsons, they won't understand. And me, I ain't ever gonna understand... Last night, she said: "Oh, baby, don't feel so down. Oh, it turns me off, When I feel left out" So I, I turn 'round: "Oh, baby, gonna be alright". It was a great big lie if I left that night, yeah. Oh, people they don't understand. No, girlfriends, they won't understand. In spaceships, they won't understand and me, I ain't ever gonna understand... Last night, she said: "Oh, baby, I feel so down. See, it turns me off, When I feel left out". So I, I turn 'round: "Oh, little girl, I don't care no more. I know this for sure, I'm walking out that door," yeah.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A irmã de Shakespeare

Tenho paneladepressãofobia. É uma bomba de água pressurizada que desenvolveram para as residências. Entretanto rendi-me à sua praticidade e adquiri uma. Há um mês, ela vivia encastelada dentro do armário da cozinha. Ontem resolvi usá-la sob a supervisão de uma profissional, minha fiel diarista escudeira, Sra F. Entretanto, tive que adiar por algumas horas porque tinha esquecido de deixar o feijão de molho. Novamente estava por minha conta, à noite, eu e a malfadada. Coloquei o feijão, água, e acendi o fogo. Acompanhava o processo de longe. Repentinamente, água borbulhou pelo bico e pela válvula de segurança. Fuck, desligue o fogo - r´ ap ido. E agora, e agora? Acionei o Panic Mode. Celular, celular, onde está você? Telefone da V (minha irmã). Expliquei o acontecido e ela, unflappably, disse que eu tinha colocado muita água. Hmmm, faz sentido, eu coloquei mais água por segurança. Ah, estes engenheiroscuecanacozinha. Tinha que esfriar, tirar água, e colocar para esquentar de novo. Fuck, tenho que ir para o Pilates. Larguei tudo, peguei a bike e fui embora para a aula. Na volta, urrando de fome, preparei um macarrão básico, sempre sob a sombra da mardita sobre o fogão. Daí, a enfrentei de novo. Tirei a água e a coloquei de volta sob aquecimento. Panic Mode On, de novo. Esperei os milagrosos 15 minutos que demoraram uma eternidade para passar sob aquele chiado ameaçador. Desliguei o fogo. E ela ficou sentada sobre o fogão, como uma marani, chilling out. Quando achei seguro, fui abrir a joça. E lá estava tudo, cozido. E me perguntei, será que usá-la vale toda a adrenalina despejada na minha corrente sanguínea?

"I can smile about it now, but at the time it was terrible"
em Shakespeare's Sister,
The Smiths

sábado, 1 de agosto de 2009

Até o fim do mundo

Assisto a Até o Fim do Mundo, do Wim Wenders. Quatro horas e meia de um filme atemporal que tenho curtido aos poucos, da cama, na telinha do IPod, sob o edredom. Ele me causa estranheza, mas daquelas que eu já sei porque. É porque me vejo também indodaquiprali fisica e metaforicamente. E vai tudo fermentando sem saber muito bem aonde vai dar. Vamos a mais algumas na sessões na esperança de que Wim vá me dar algumas respostas. Sr F sofre de problema semelhante e seu pai já lhe disse que ele vai se assentar quando se encontrar. Sr O corajosamente vaticinou que eu sou um free spirit, um lobo solitário que vai vagar pelo mundo. Assustador por um lado, atraente por outro. Não sei se deixo a poeira baixar ou se a mantenho no alto, nenhuma das duas me dá medo, só não sei o que escolher.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Beauty inspires obsession #10


Créditos: Stefan Wermuth/Reuters

Botando reparo

Reparei que instalaram um dispensador de álcool gel no shopping. Sabemos todos o porquê disto. As mãos impuras agradecem. Tenho tentado impor alguma disciplina na minha dieta, depois de meses de improviso. Tenho tido algum sucesso, embora tire meu dia livre alljunkiefoodyoucaneattoday. Mas o pior mesmo tem sido seguir horários. É va ca cio nes e o negócio é zonear os horários! Cozinho para mim, então. E quando um cueca entra na cozinha, sabe como é: muita bagunça. Só que eu sou limpinho - pobre, mas limpinho - quase obsessivamente, como dizia o Sr R. Fico usando quase todos os talheres e outros instrumentos e colocando tudo dentro da pia. Volta e meia, tudo é lavado e colocado para escorrer (porque acho chato secar louça). Daí sigo meus livros de receita e fico olhando a cara de bobo do Jamie Oliver na capa de um deles. Assisto aos programas de TV com todos os chefspseudoapresentadores. Ainda estou para ver algum que tenha as unhas limpas, já repararam? Algum diretor de tv tinha que avisar para estes caras que as mãos são focadas. Mãos, dedos, unhas. Tinha que estar impecável.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quinta sem lei

Acusem-me de modismo, mas eu não estou nem aí. Esta quinta sem lei, vem indiana. Removendo este elemento, Alisha Chinai, profissão cantora para filmes de Bollywood, premiada no Oscar indiano por esta interpretação, manda ver. O trecho do filme está aqui - e a cantora não é Alisha porque em Bollywood, os atores fazem playback. Letra? Acho inútil, mas a quem interessar possa, a letra e tradução estão aqui. É fantástico saber que milhões de pessoas vão ao cinema curtir isto - é muito diferente do que a gente tem de musical no cinema (Chicago? MoulinRouge?). A música está aqui:

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sem chance de resposta

Estava assistindo a Herói, do Zhang Yimou. O filme é visualmente bem bacana. Mas o que interessa é que rolou uma sequência com um argumento que vem cruzando à minha frente de forma recorrente nos últimos dias. É simplesmente quando não entendemos, ou não sabemos a razão ou explicação sobre algo e simplesmente não temos a ninguém relevante para perguntar. Tá bom, exemplificando: no filme, uma personagem morre num duelo com sua amante, e ela pergunta porque ele a deixou matá-lo. Só que ela nunca vai ter a resposta: ele está morto. Outros poderiam só dar versões a respeito, mas seria absolutamente irrelevante - são terceiros. É quando alguém parte, real ou metaforicamente, e daí ficamos com a pergunta na ponta da língua (que é finalmente engolida para não se passar vergonha) já elvis playboy. Quantos why existem nesta nossa vida? Só para continuar a viver com esta lacuna, dependente de uma muleta. E não é um Why?, como o da Annie Lennox. Ela, Annie, pergunta e ainda tem a chance de resposta. Refiro-me a um why sem chance de se colocar ponto de interrogação. Ele termina num vácuo ou precipício logo depois da palavra.





Por que


terça-feira, 28 de julho de 2009

Algodão e fios de aço

Ele passou mão sobre o seu quadril. De um lado a outro. Sentiu a suavidade da pele, adivinhando uma penugem invisível que existia lá. Olhou para as pernas; fechou os olhos para memorizar tudo aquilo. Ficaram de frente finalmente e ele procurava lembrar-se do que já havia visto antes. Virou o rosto lentamente, olhou para o chão. Deixou o pescoço à vista. Ele se aproximou e encostou os lábios exatamente atrás da orelha onde os fios de cabelo nasciam. Sentiu o piercing da orelha. Ficou ali, respirando, quase ofegante. Tocou a sua mão. O calor dela aqueceu sua própria mão ansiosa. Os dedos exploraram uma geografia já conhecida, entretanto esquecida. E ele ficou se perguntando quando tudo tinha dado tão errado para separá-los por tanto tempo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ansiedade

Hey tudo bem? Preciso falar com você. Respirou fundo e bateu aquela sensação de susto, de respiração curta e adrenalina alta. Numa fração de segundo, tudo passa por sua mente o que poderia estar por vir? Ao mesmo tempo tudo vai blank! e espera o golpe.

domingo, 26 de julho de 2009

United (Airlines) quebra guitarras



"In the spring of 2008, Sons of Maxwell were traveling to Nebraska for a one-week tour and my Taylor guitar was witnessed being thrown by United Airlines baggage handlers in Chicago. I discovered later that the $3500 guitar was severely damaged. They didn't deny the experience occurred but for nine months the various people I communicated with put the responsibility for dealing with the damage on everyone other than themselves and finally said they would do nothing to compensate me for my loss. So I promised the last person to finally say no to compensation (Ms. Irlweg) that I would write and produce three songs about my experience with United Airlines and make videos for each to be viewed online by anyone in the world.
United: Song 1 is the first of those songs.
United: Song 2 has been written and video production is underway.
United: Song 3 is coming.
I promise.
Dave Carrol"
A história completa está aqui.

Dave é um dos meus.

sábado, 25 de julho de 2009

Mimetismo

Tinham o hábito comum de herdar roupas de um para o outro na família. Um ia crescendo e passava as roupas que não cabiam mais para o imediatamente menor. E este sucessivamente. A cadeia era quebrada quando, no meio do caminho, a roupa já estava rota ou, por qualquer motivo, inusável; ou, ao final, quando chegava ao último filho. Fato peculiar observado: o herdeiro da vestimenta ia sendo sutilmente influenciado no jeito de andar, de se pentear, de se portar por aquele que havia sido o dono original da mesma. Percebeu-se que eles iam se mimetizando um no outro.

Las bienventuranzas del peregrino

  1. Bienaventurado eres, peregrino, si descubres que el camino te abre los ojos a lo que no se ve.
  2. Bienaventurado eres, peregrino, si lo que más te preocupa no es llegar, sino llegar con los otros.
  3. Bienaventurado eres, peregrino, cuando contemplas el camino y lo descubres lleno de nombres y de amaneceres.
  4. Bienaventurado eres, peregrino, porque has descubierto que el auténtico camino comienza cuando se acaba.
  5. Bienaventurado eres, peregrino, si tu mochila se va vaciando de cosas y tu corazón no sabe dónde colgar tantas emociones.
  6. Bienaventurado eres, peregrino, si descubres que un paso atrás para ayudar a otro vale más que cien hacia adelante sin mirar a tu lado.
  7. Bienaventurado eres, peregrino, cuando te faltan palabras para agradecer todo lo que te sorprende en cada recodo del camino.
  8. Bienaventurado eres, peregrino, si buscas la verdad y haces de tu camino una vida y de tu vida un camino, en busca de quien es el Camino, la Verdad y la Vida.
  9. Bienaventurado eres, peregrino, si en el camino te encuentras contigo mismo y te regalas un tiempo sin prisas para no descuidar la imagen de tu corazón.
  10. Bienaventurado eres, peregrino, si descubres que el camino tiene mucho de silencio; y el silencio, de oración; y la oración, de encuentro con el Padre que te espera
De "El Mensajero de San Antonio"(7.08.2002)

25-07. Dia de Santiago.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Free, free, set them free

"I don't believe I am influencing anybody but myself."

Navegando por aí, tropecei na imagem da Winona (Winona forever, para o Johnny Depp) e a ironia dela vestida na camiseta da campanha para sua libertação. É uma ironia gostosa de ver. Lendo um artigo, apareceu um quote interessante para o contexto e para fora dele.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Turbidez mental

Eu bem que tento. Eu tento não ser autosufi, tento depender das pessoas, tento achar que preciso da ajuda dos outros. Mas no fim, só eu me ferro. Daí eu fico dizendo para mim mesmo viu só, foi depender dos outros - se ferrou; se tivesse feito do seu jeito, teria dado certo, ou teria se ferrado por si só. É uma reafirmação constante de um estilo de vida que tento deixar de lado. Ao mesmo tempo, coloco em perspectiva a necessidade de aprovação das pessoas. Ter vivido tanto tempo longe de família e dos velhos amigos deixaram-me desconectado da questão da aprovação. Tornei-me desprendido das coisas e das pessoas também - por pior que isto possa soar. Se a aprovação não é a questão, a rejeição tem muito mais impacto. Talvez busque a nãorrejeição em vez da aprovação. Esta busca tem levado à independência, o que parece ser uma redução drástica no risco de rejeição. Por outro lado reduz também a probabilidade de aprovação. Mixed blessings. Avançando no raciocínio está a questão de autoestima e autoconhecimento. Duas coisas ultra egoístas que carregam a independência do auto-. Pergunto-me se não há uma fração do outro na equação do se conhecer, seu julgamento, sua aprovação ou rejeição. And the names may have been changed but the faces are the same. And the names may have been changed but as people we're not the same. Post pouco claro porque as minha mente ainda está turva.

Quinta sem lei

Nesta semana de comemorações do homem na Lua, a quinta feira se alinha a este satélite. Com uma dose de mistério e lirismo, trouxe um Sting jazzy (que pode ser genial, por vezes) cantando o que acontece quando a Lua paira sobre a Rua Bourbon em New Orleans. Abertamente, inspirada em Entrevista com um Vampiro, uma canção atemporal:




There's a moon over Bourbon Street tonight. I see faces as they pass beneath the pale lamplight. I've no choice but to follow that call, the bright lights, the people, and the moon and all. I pray everyday to be strong for I know what I do must be wrong. Oh you'll never see my shade or hear the sound of my feet while there's a moon over Bourbon Street. It was many years ago that I became what I am. I was trapped in this life like an innocent lamb. Now I can never show my face at noon and you'll only see me walking by the light of the moon. The brim of my hat hides the eye of a beast. I've the face of a sinner but the hands of a priest. Oh you'll never see my shade or hear the sound of my feet while there's a moon over Bourbon Street. She walks everyday through the streets of New Orleans. She's innocent and young, from a family of means. I have stood many times outside her window at night to struggle with my instinct in the pale moonlight. How could I be this way when I pray to God above? I must love what I destroy and destroy the thing I love. Oh you'll never see my shade or hear the sound of my feet while there's a moon over Bourbon Street.