quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Enchente no Vale do Itajaí

Cheguei à Navegantes - na margem oposta, de frente para Itajaí - numa sexta de sol. Difícil acreditar que chovia há dois meses no local. Quando fui embora e subi a serra em direção à Curitiba, negociei as curvas sob chuva forte, neblina, caminhões e 100 km/h. Agora entendo que aquela chuva era o que o povo lá de baixo no vale vinha conhecendo diaadia. A gota d'água no fim de semana passado fez transbordar os pluviômetros e o mundo veio abaixo. Gente trabalhadeira, casas bonitinhas, quintais bem cuidados, cidades ordeiras - tudo veio abaixo no vale. O caos se instalou e a gente vê lamentavelmente a leidocão em vigor durante os saques aos supermercados. Sim, foi muita chuva, durante muito tempo, mas foi também resultado de ocupação descuidada das cidades - constrói-se onde se pode onde se quer e esqueceram da lição clássica das escolas primárias de que plantar em encosta serve para segurar a terra. E o duro é que isto pode voltar acontecer a qualquer momento, em qualquer outro lugar do Brasilsilsil. Na primeira super enchente que me lembro da região - lá pelos anos 80 - meu irmão saiu da quitinete em que morava num bote, pegou um ônibus e veio para o Rio. Desta vez, ele ficou ilhado em casa com a família em Blumenau. Minha irmã, está na sua casa sobre um morro do vale perto de Pomerode. Em Gaspar, minha sobrinha teve água em casa. Os recém casados em Itajaí não tiveram inundação no seu ninhodeamor. Meu sobrinhoatleta voluntaria-se para ajuda aos necessitados. Enfim, segue-se a vida, combalida vida.

3 comentários:

Ana R. disse...

Dói, dói muito aqui no meu coraçãozinho dilacerado...Me coloco no lugar dessas pessoas dia e noite....Penso duas vezes antes de comprar qualquer coisa que não possa ser compartilhada com a privação de cada um....

Alice Salles disse...

Realmente, também sinto que deveria existir muito mais gente ajudando, é uma situação dificil, ainda bem que seu sobrinhatleta está dando uma força e muitos outros também... Nunca estamos preparados para o que a natureza nos apronta... - já que abusamos dela por tanto tempo!

Flavia Melissa disse...

e nóis aqui nessa ilhotinha tão pequenininha vamos de casa em casa coletando doações - água, principalmente - prá mandar prá essa gente que viu a terra ruir sob os pés.

e enquanto isso, na sala de justiça, faz-se o quê, mesmo?

bjs