sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Virose

Acometido por uma doença misteriosa cujas causas insistem em ficar escondidas, digo para o médico É só uma questão de tempo para elucidarmos este mistério. Não há dores. Nem faltas de ar. Nem desmaios. Nem falta de memória. Fazendo minha caminhada de fim de tarde, cumprimentando os outros caminhantes da minha aldeia, tropeçando nas calçadas, driblando os carros estacionados, pensei na mortalidade. Pensei no testamento, na partilha. Pensei em todas as coisas que ainda quero fazer antes de comer capim pela raiz. Pensei em todas as viagens pendentes e as milhas das empresas aéreas que ainda tenho por usar. Pensei em todos os livros que estão esperando para serem lidos. Meu pied-à-terre por comprar e tornar com casademorareviver. Meu mestrado, que vai me fazer um carinha tipomaisintelectual. Minha tatoo de dragão! Me arrependi de um monte de coisas que não fiz, mas já me perdoei dizendo ninguém é perfeito... E fiquei pensando no monte de coisas por fazer. Uma grande tolice. Sou vaso ruim que não quebra fácil. Dei risada do meu elenco de frasesfeitas, lugarescomum e emoçõesbaratas. Se ninguém sabe o que é, seu neurótico, só pode ser uma virose.

5 comentários:

Before Sunrise disse...

Hahaha!!

Os medicos nao sao Deus, apesar de alguns acharem que sao... Se nao sabem o que eh, nao quer dizer que nao seja nada e nao quer dizer que eh imaginacao sua e tb nao quer dizer que seja "virose" apesar de que acho que eh isso que dizem qdo nao sabem ;)

Se cuida, so voce sabe do seu corpo e da sua saude.

Fernanda S. disse...

Adoro ler-te, Marco! Cada vez melhor... praticamente um vinho!

Caco disse...

HA!
Beijodaí.

Flavia Melissa disse...

Quiáquiáquiáquiá!

Eu sou toda adepta destas mega análises de vida e retrospectivas sentimentais baratas. E acabo sempre dando muita risada das coisas que eu penso/falo/faço de vez em quando.

Tipo, estrada.
Estrada te faz pensar, aquele asfaaaaaaalto todo a perder de vista. Sozinha, então, PUTZ!

´Dia desses pensei: caracas, eu sou tão dramática que, se a minha vida virasse um filme contado em terceira pessoa, com certeza a voz do narrador seria daquelas que narram estórias medievais, tipo coração valente, tipo Rei Arthur?

Ai, que vida!
Nasci prá ser deboche de mim mesma!

Beijobeijo ;)

Caco disse...

HAHUAHA