segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Com o maiordetodos

Saí do meu apartamento. As luzes do corredor estavam apagadas. Senti o cheiro do perfume que saía da porta do apartamento vizinho. Era como perfumedetalcoqueavóusa. Meus tênis faziam barulho porque o piso havia sido encerado. Eles deslizavam suavemente quase perigosamente. Precisei mexer na maçaneta da porta do corredor duas vezes. Suspirei. Forcei pela bilionésima vez e a porta se abriu. Impossível fazer isto sem provocar um barulho que acordaria a todos que pudessem estar tirando seus cochilos naquela tarde acinzentada. Quando olhei a claridade do lado fora, cerrei parcialmente meus olhos. Instintivamente, friccionei minhas mãos pelos meus braços quentes. O vento estava soprando e me pegou e subiu pelo meu peito pescoço queixo orelhas. Ainda virei-me e olhei para a porta agora fechada mas desisti de buscar o casaco. Avancei para o céu aberto, pisei de propósito na poça d'água e vi para onde a água ia. E senti as gotas caindo do céu. Poucas. Esparsas. Apertei o passo. Meus óculos tinham deslizado para a ponta do meu nariz. Empurrei-o com o maiordetodos como dizendo vásefoder a quem pudesse estar olhando. Estava agora em campo aberto e o vento soprava bem dentro do meu ouvido um zumbido que só eu escutava. Um furacão no meu pavilhão auricular, no meu pavilhão particular. As gotas nas lentes do óculos não me atrapalhavam a visão mas resolvi secá-las já. Dobrei a borda da camiseta e esfreguei. Uma primeira avaliação e tudo estava borrado, sujo engordurado. Esfreguei mais ainda até que ficasse decente. E posicionei a armação no meu rosto. Como que se dizendo vásefoder.

2 comentários:

Alle Nascimento disse...

vc só queria repelir alguém...

Caco disse...

Talvez...
Cara, gostei tanto deste post que você nem imagina. Obrigado por comentar aqui. Abraçodaí.