quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quinta Sem Lei



shouting at the top of your voice, sing you little fuckers, sing like you got no choice

sábado, 25 de outubro de 2008

El Justiciero

Qual o limite entre fazer justiça, ser um vingador, e sentir culpa nestes tempos lindemberguianos? É o caso clássico da crise de consciência de Batman. Ele tem certeza que está fazendo a coisa certa, mas ao mesmo tempo tem a ciência de que pode ser uma intervenção indesejada. Não é uma intervenção divina - ele não é Deus - então se pergunta por que teria que tomar uma atitude. Fúria. Fúria contida é terreno fértil para crescimento do lado negro da força, já dizia mestre Kenobi. Inebriadora, a fúria domina e dá prazer como o narcótico. Ao mesmo tempo, a iniqüidade dominante é grosseira e ultrajante. Se dispõe-se de um pouco de força, a tentação de esmagar o pequeno e vil é grande. A força é usualmente desmedida. Resultados são catastróficos. Não sei brincar disto. Prefiro ver no cinema.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

De volta para o Brasil

Numa semana estávamos todos preocupados com o sobeedesce da Bolsa. O que acontecia em Hong Kong, Seul, Jakarta, Frankfurt, Londres e Nova Iorque nos era familiar e havia se tornado assunto a cada esquina. Sentimo-nos parte do mundo. Por pouco tempo. Porque daí chegou Lindemberg e partiu Eloá. Fomos todos tragados de volta para o Brasil, o local de onde nunca verdadeiramente saímos. O caos instaurado é tão grande e absurdo que começamos a não mais enxergar a situação de forma objetiva, nãocomovida. A polícia estava refém da sociedade. Não seguiu as regras deste tipo de caso - invasão e morte do seqüestrador - por medo da repercussão na sociedade. Decisão difícil, compreendo. Talvez eu fizesse o mesmo. O fato era: havia um desequilibrado, potencialmente suicida, mantendo pessoas em cárcere privado. Sem contar o fato que é fácil adquirir uma arma, invadir, ameaçar, matar e querer tornar-se um infame príncipe da comunidade. É banal para nós aceitarmos isto não para mim, não quero que seja banal para mim, quero continuar me indignando com isto. Nisto tudo, por mais doloroso que fosse o momento, uma das poucas coisas que me comoveram sem a pieguice instantânea foi a declaração da mãe de Eloá: Eu consigo perdoar o Lindemberg. Espero que a justiça seja feita. É de uma sabedoria imensa.

Beauty inspires obsession #9

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Com o maiordetodos

Saí do meu apartamento. As luzes do corredor estavam apagadas. Senti o cheiro do perfume que saía da porta do apartamento vizinho. Era como perfumedetalcoqueavóusa. Meus tênis faziam barulho porque o piso havia sido encerado. Eles deslizavam suavemente quase perigosamente. Precisei mexer na maçaneta da porta do corredor duas vezes. Suspirei. Forcei pela bilionésima vez e a porta se abriu. Impossível fazer isto sem provocar um barulho que acordaria a todos que pudessem estar tirando seus cochilos naquela tarde acinzentada. Quando olhei a claridade do lado fora, cerrei parcialmente meus olhos. Instintivamente, friccionei minhas mãos pelos meus braços quentes. O vento estava soprando e me pegou e subiu pelo meu peito pescoço queixo orelhas. Ainda virei-me e olhei para a porta agora fechada mas desisti de buscar o casaco. Avancei para o céu aberto, pisei de propósito na poça d'água e vi para onde a água ia. E senti as gotas caindo do céu. Poucas. Esparsas. Apertei o passo. Meus óculos tinham deslizado para a ponta do meu nariz. Empurrei-o com o maiordetodos como dizendo vásefoder a quem pudesse estar olhando. Estava agora em campo aberto e o vento soprava bem dentro do meu ouvido um zumbido que só eu escutava. Um furacão no meu pavilhão auricular, no meu pavilhão particular. As gotas nas lentes do óculos não me atrapalhavam a visão mas resolvi secá-las já. Dobrei a borda da camiseta e esfreguei. Uma primeira avaliação e tudo estava borrado, sujo engordurado. Esfreguei mais ainda até que ficasse decente. E posicionei a armação no meu rosto. Como que se dizendo vásefoder.

domingo, 19 de outubro de 2008

Insular

Descobri uma fixação por ilhas. Algum motivo me faz sentir-me bem nelas, achá-las de uma beleza particular. Ainda vou morar em Floripa e comer peixe na beira da lagoa da Conceição e moqueca no Bar do Arante no Pântano do Sul. Já vivi na ilha da Rainha, trabalhando numa City que ainda não havia falido, morando nos armazéns das docas. Ainda vou para a Islândia ver o que que a terra da Björk tem. Há o risco de virar Islandskaya, depois que eles passaram a dever até as cuecas para a Rússia. Há também o risco de se derreterem com o nosso aquecimento global. Ainda falta a Ilha Grande. Madagascar. Descobri que Hong Kong era essencialmente uma ilha quando me quedei de frente a ela e a baba escorria de um canto da minha boca entreaberta. Sardenha. Nova Zelândia é um pouco longe e o inglês, ininteligível. A Ilha da Páscoa, logo ali.

sábado, 18 de outubro de 2008

17.10.08


17.10.08
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virgorama

Virgorama tira imortaliza instantes de desavisados no metrô de Londres. E nós ficamos tentando ler a linguagem do corpo e os sentimentos e as palavras que não ouvimos.

Amor à queima roupa

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Blog Action Day 2008: Poverty

Tropecei. Carambacacetecaralho. Olhei para trás e vi o desnível da calçada. Um menino me olhou, não quer que eu engraxe seu sapato?. Uma senhora sentada numa marquise me estendeu a mão, uma ajuda pra alimentar minha filha?, e a menina estava dormindo no colo. Entrei no carro, abri metade da janela e me assustei com a oferta bala, moço, pra me ajudar? Eu disse não, não, não. Não é lógico viver assim. Mas a gente se acostuma com cada coisa nesta vida. Se acostuma a tropeçar na miséria, a viver com ela e nem mais se incomodar. Embora a gente não saiba, é possível viver bem diferente desta realidade. E o que falta? Falta a gente tomar vergonha na cara, ter honestidade, votar em gente decente, cobrar dos nossos representantes e fazer a nossa parte. Só um pouquinho. Dentro de casa mesmo, nada espetaculoso. Educação. Isto já ajuda aos montes. Conversar, instruir, recomendar. Ler. Iluminar. Quem sabe se a gente passa a se incomodar com a miséria e não só com um desnível da calçada.

domingo, 12 de outubro de 2008

Pragmático até os ossos

Este é o resultado do teste sugerido por Little Ms. Sunrise. Se toparem em fazer, o link do teste está abaixo. Coloquei em negrito aquilo que achei que tinha a ver, e coloquei em itálico minha opinião sobre o que ficou em escrita normal - usualmente eu disordei ou tinha reservas a respeito. Enfim, acho que ninguém vai se chocar muito.



Você é uma pessoa tranqüila e reservada, que preza por segurança e paz. Você tem um forte senso de dever, que lhe dá um “ar sério” e a motivação de cumprir tarefas. Organizado e metódico (nãnãnãnão) ao fazer as coisas, você geralmente consegue cumprir qualquer atividade ou tarefa que você assumir. Você é uma pessoa muito leal, fiel, confiável, e que valoriza honestidade e integridade ao extremo. Você é o típico “cidadão exemplar”, em quem se pode confiar que fará o que é certo para com sua família e comunidade. Mesmo que você leve tudo o que faz a sério, você também tem um senso de humor meio descompassado, podendo ser uma pessoa muito divertida – especialmente em festas ou encontros de família, ou do serviço (só com as pessoas mais próximas que geralmente entendem meu 'descompasso'). Você tende a confiar em leis e em tradições, e a esperar o mesmo dos outros. Você não se sente confortável em infringir leis ou em ir contra regras. Se lhe dão uma boa razão para você deixar de fazer as coisas da maneira com que você está acostumado, você dará apoio a essa nova maneira. No entanto, você tende a crer que as coisas deveriam ser feitas de acordo com procedimentos e planos ('o que espero, senhores, é que, depois de um razoável período de discussão, todos concordem comigo'). Se você não desenvolver seu lado intuitivo o suficiente, você pode acabar ficando obcecado com estrutura, insistindo em fazer as coisas seguindo as regras e os procedimentos à risca (eu já fui melhor com o meu lado direito do cérebro). Você é extremamente confiável, fielmente cumprindo o que você se compromete a fazer. Por essa razão as pessoas têm uma tendência a empilhar mais e mais trabalho “nas suas costas” (podem até tentar mas não vão conseguir porque sou vacinado contra estas espertezas). Como você tem esse forte senso de dever, você pode ter dificuldade em dizer “não”, mesmo que você já tenha serviço mais do que suficiente para se ocupar (digo 'não' sem dó nem pena). Por isso, você provavelmente acaba (ou acabará) tendo que fazer hora-extra no trabalho (au contraire, mon frère), e deve então se cuidar para que outras pessoas não tirem proveito de você. Você pode trabalhar por longos períodos e gastar bastante energia em qualquer coisa que você achar ser importante para o cumprimento de uma meta. Entretanto, você resistirá e não se esforçará numa tarefa ou atividade se ela não fizer sentido para você, ou se você não puder enxergar nela uma aplicação prática. Você prefere trabalhar sozinho, mas também trabalha bem em equipe se for necessário (prefiro trabalhar em equipe, por mais complicadas que sejam as pessoas). Você gosta de ser responsável por seus próprios atos, e de estar em posições de autoridade. Você não usa muita teoria ou pensamento abstrato, a não ser que haja uma aplicação prática clara (sou terrivelmente pragmático). Você respeita o que você considera como “fatos”, tendo uma tremenda quantidade deles armazenada em sua memória, que foram absorvidos através dos seus cinco sentidos. Você pode ter dificuldade em entender uma teoria ou uma idéia que seja de uma perspectiva diferente da sua (adoro perspectivas diferentes). Porém, se alguém a quem você respeita ou com quem você se importa consegue lhe mostrar a importância ou a relevância dessa teoria ou idéia, ela se torna um fato que você irá internalizar e apoiar (peut-être). E uma vez que você apóia uma idéia ou uma causa, você não medirá esforços para garantir que você esteja cumprindo seu dever de ajudar a quem precisa de ajuda. Não é normal que você esteja em sintonia com seus sentimentos e com sentimento dos outros, podendo ter dificuldade em identificar necessidades emocionais dessas pessoas num primeiro momento, pelo menos da maneira com que elas são expostas (presto muita atenção às pessoas, sou um psicólogodebotequim). Já que você é uma pessoa perfeccionista, você tem uma tendência a não valorizar os esforços das outras pessoas suficientemente, da mesma maneira que você acaba não valorizando seus próprios esforços. Assim, você deve se lembrar de dizer às pessoas o quanto você aprecia os esforços delas e de encorajá-las de vez em quando (eu juro que me esforço). É provável que você se sinta desconfortável expressando afeto e emoções na frente de outras pessoas (sou discreto). Entretanto, seu forte senso de dever e sua capacidade de enxergar o que precisa ser feito, em qualquer situação, permitem que você se torne uma pessoa menos reservada, dando apoio e carinho às pessoas que você ama. Assim, você se esforça para suprir as necessidades emocionais daqueles mais próximos a você, uma vez que você as reconhece. Você é extremamente fiel e leal. Tradicional e voltado à família, você se esforça ao extremo para garantir que as coisas na sua casa e na sua família andem bem. Você é um pai ou mãe responsável, que leva suas tarefas paternais ou maternais com muita seriedade (sou meio displicente com a família). Pessoas como você são ótimas provedoras de segurança financeira no lar. Você se importa muito profundamente com aqueles próximos a você, apesar de você normalmente não se sentir confortável em expressar este amor. Na verdade você prefere expressar seu afeto através de ações, ao invés de que através de palavras. Você tem uma capacidade imensa de pegar qualquer tarefa e defini-la, organizá-la, planejá-la, e implementá-la, até que a considere como cumprida. Você trabalha muito duro, e não permite que obstáculos que apareçam no seu caminho impeçam que você execute suas responsabilidades (sou uma força irresistível até contra uma barreira intransponível). Você geralmente não se valoriza o suficiente por suas conquistas, pois as vê como um simples cumprimento de suas obrigações. Você tem uma ótima noção de “espaço e função”, e demonstra uma apreciação artística das coisas. Assim, é provável que você mobílie sua casa com bom-gosto e que a mantenha de forma impecável (sou meiobagunçado). Você tem uma noção precisa de seus sentidos, e quer estar em ambientes que se encaixam com sua necessidade de estrutura, ordem e beleza. Em situações de estresse você pode acabar entrando num “modo-catástrofe”, em que você não enxerga nada além de todas as possibilidades de coisas que podem dar errado (nãonão, sou unflappable, otimista incorrigível). Você também fica “se remoendo” por coisas que você poderia ter feito de uma maneira diferente, ou por coisas que você não conseguiu executar (por muito pouco tempo). Mas em geral, você tem um potencial gigantesco. Você é uma pessoa capaz, lógica, racional, eficaz, e com um desejo profundo de promover a segurança e a paz. Em outras palavras, você tem o que se precisa ter para ser uma pessoa altamente eficaz em atingir suas metas, quaisquer que elas sejam.

sábado, 11 de outubro de 2008

Deu um trevo

Dirigi meu carro a 20km/h, conforme dizia a placa na estradinha. Na descida, antes de chegar na curva, avistei algo. Quatro quero-quero na estrada - dois adultos, dois filhotes. Um dos grandes, seguido por um dos filhotes, atravessou a pista e foi direto para o gramado. Já em terreno seguro, o pequeno foi para baixo de um arbusto. O segundo grande foi em seguida, esperando o mesmo comportamento do filhote remanescente. Agora, os dois adultos olhavam, sacudiam suas asas e faziam sons. O filhote, ainda na pista, estava travado. Em vez de caminhar para frente, iaevinha de um lado para o outro, sem avançar. E eu ao volante, carro parado, testemunhando o desespero, esperando o aftermath. E nada. Frações de segundos, uma eternidade. Não resisti. Embiquei o carro na direção do filhote, na direção da traseira do filhote. E ele se moveu enfim em direção aos adultos. Atravessou. Juntou-se aos demais. E sumiram no gramado alto.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Branco total e radiante

Tenho observado que vários blogs da minha lista de ligações perigosas estão passando por um período de Omo, também chamado de Branco Total. Uns reclamam de crise. Outros se dizem em reciclagem. Muitos outros se dizem ocupados demais com muitas outras coisas. Eu, que estou na média da população da blogosfera, também tenho passado por esta fase Blank!!! Meu estilo de vida mudou e isto alterou o meu sono, humor, saúde e, por conseguinte, meus hábitos de escrita. Tal hábito, quase uma regra, foi substituído por outras ocupações nestes tempos de mudança e cólera. Agora, quando a poeira começa a baixar, volto a experimentar esta sensação de cabeça vazia. Entretanto, não me causa preocupação, mas a segurança de que estou transcendendo da rotina. Esta já está quase domada. Os pequenos problemas foram resolvidos ou esquecidos. E me permito fixar no agorinhamesmo. Quando fui peregrino à Compostella passei pelas mesmas coisas. Durante as duas primeiras semanas sob frio e chuva, passei minha vida imbecil em revista. Reclamei para mim mesmo de tudo. Até que um dia o céu limpou, fez sol e calor e eu não pensei em nada - só na caminhada, no meu corpo e no esforço físico. Nada mais. Interessante reparar nesta mudança clara de postura. E não vi nada problemático nisto. Au contraire, mon frère. Adquiri leveza na mente. A felicidade estampada num sorriso bobo cantarolando AmorIloveyou.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

25 minutos

Well they're building a gallows outside my cell I've got 25 minutes to go and the whole town's waiting just to hear me yell I've got 24 minutes to go. Well they gave me some beans for my last meal I've got 23 minutes to go but nobody asked me how I feel I've got 22 minutes to go. Well I sent for the governor and the whole damned bunch with 21 minutes to go. And I sent for the mayor but he's out to lunch I've got 20 more minutes to go. Then the sheriff said ‘Boy, I gonna watch you die’ got 19 minutes to go so I laughed in his face and I spit in his eye got 18 minutes to go. Now here comes the preacher to save my soul with 13 minutes to go. And he's talking ‘bout burnin' but I'm so cold I've 12 more minutes to go. Now they're testin' the trap and it chills my spine 11 more minutes to go. And the trap and the rope, they work just fine got 10 more minutes to go. Well I'm waitin' on the pardon that'll set me free with 9 more minutes to go but this is for real so forget about me got 8 more minutes to go. With my feet on the trap and my head on the noose got 5 more minutes to go . Won't somebody come and cut me loose? with 4 more minutes to go.I can see the mountains I can see the skies with 3 more minutes to go and it's too darn pretty for a man that don't wanna die 2 more minutes to go. I can see the buzzards I can hear the crows 1 more minute to go. And now I'm swingin' and here I go-o-o-o!

Johnny Cash (prefiro a versão da Diamanda Galás)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Circuit breaker

Hoje todas as pessoas falavam da queda da bolsa. Do faxineiro da fábrica ao meu médico. De repente, todo mundo sabe o que está acontecendo em Seul, Hong Kong, Paris, Frankfurt, Londres, Nasdaq e Bovespa. Eleições? Gabeira, Kassab, um monte de prefeitas, PV, um sopro de ar fresco.

Tempo

De repente fujo de todas as novidades dos telejornais.
Porque eu preciso de um tempo para sonhar.
E catalogar meus sonhos.

domingo, 5 de outubro de 2008

Chuva de sapos

Para cura de algumas feridas na alma tomei um remédio que me causou reações adversas. It's not going to stop. Fiquei suscetível ao esquecimento formal das pessoas. Passo a ignorar pessoas, a apagar qualquer vestígio de uma história que possa ter havido. E isso passa a me ser tão estranhamente doloroso quanto incompreensível para àqueles que se deparam com um velho conhecido com amnésia. It's not going to stop. Esqueci, mas tenho vagos instantâneos de lembranças. Vivo neste limbo entre o total esquecimento e uma leve vontade de lembrar. It's not going to stop. Mas, no fim, capitulo ao remédio, à suspensão da dor e esqueço que pode haver algo de errado com isto. Só fica um efeito viciante. E eu esqueço. 'Til you wise up.
Para quem não viu, fica a seqüência de Magnolia de PT Anderson (um filme que nem chuva de sapos falta), em que todos os personagens confirmam que precisam se aprumar: WISE UP.

sábado, 4 de outubro de 2008

Prazer em conhecer

A gente conhece as pessoas quando sob pressão. Nos momentos de crise. É quando uns param, travam. Outros entram em pânico, se desesperam. Há aqueles que desaparecem, enfiam a cabeça no buraco esperando que a crise se resolva por si só. Fiquei procurando estar no seu campo de visão e travar contato visual. Todo seu pânico estava nos olhos. Perdidos. Sem saber para onde olhar. Sem saber o que fazer.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Virose

Acometido por uma doença misteriosa cujas causas insistem em ficar escondidas, digo para o médico É só uma questão de tempo para elucidarmos este mistério. Não há dores. Nem faltas de ar. Nem desmaios. Nem falta de memória. Fazendo minha caminhada de fim de tarde, cumprimentando os outros caminhantes da minha aldeia, tropeçando nas calçadas, driblando os carros estacionados, pensei na mortalidade. Pensei no testamento, na partilha. Pensei em todas as coisas que ainda quero fazer antes de comer capim pela raiz. Pensei em todas as viagens pendentes e as milhas das empresas aéreas que ainda tenho por usar. Pensei em todos os livros que estão esperando para serem lidos. Meu pied-à-terre por comprar e tornar com casademorareviver. Meu mestrado, que vai me fazer um carinha tipomaisintelectual. Minha tatoo de dragão! Me arrependi de um monte de coisas que não fiz, mas já me perdoei dizendo ninguém é perfeito... E fiquei pensando no monte de coisas por fazer. Uma grande tolice. Sou vaso ruim que não quebra fácil. Dei risada do meu elenco de frasesfeitas, lugarescomum e emoçõesbaratas. Se ninguém sabe o que é, seu neurótico, só pode ser uma virose.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quinta Sem Lei



to the good times that we shared and the bad times that we'll have

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Tempos e movimentos

Trabalhar com planejamentos, cronogramas, tempos, movimentos, orçamentos tornou-me uma pessoa bizarra. Eu espero acontecimentos; eu espero que coisas sejam cumpridas nos prazos devidos; eu antecipo atrasos. Daí vou ao médico e fico sem entender quando eles me atendem no horário marcado. Resmungo como pode ser uma falta de respeito comigo - que tenho a expectativa de me atualizar com todas as revistas Veja de antes d'eu voltar para o Brasil, saber de todas as novidades na Caras, e os futuros lançamentos do segmento automobilístico nacional. Hoje meu oftalmo, praticamente um guru indiano, me concedeu 2 horas de introspecção antes de me atender. Foi um tempo para eu me tornar mestre da minha fúria. Em compensação, folheei displicente uma Casa Vogue com casas com cara de casasondeeuqueriamorar. Ao fim do meu momento de evolução espiritual, meu oftalmo me saudou com a piada de sempre sobre meu sobrenome e meu local de nascença. Deve ser a 15ª vez que ele faz a mesma piada. E deve ser a 15ª vez que eu abro um amplo sorriso de monalisa. Meu sorriso de agradecimento.