sexta-feira, 9 de maio de 2008

Preço baixo deixa até o capeta desconfiado

Estava em dúvida se poria a minha alma à venda ao diabo. Perguntei-me do preço para negociar. Vou colocar o preço lá em cima porque já sei que o demo vai barganhar. Fiquei matutando quanto valiam a minha vida, meus valores e crenças, minha dignidade e o quanto as pessoas acreditam em mim. Cheguei a um número que anotei no centro da folha. Fiquei olhando para ele, rabiscando no papel em volta, repetindo as contas, encontrando meus erros de soma. Desenhei a carinha do coisaruim: dois chifrinhos, sobrancelhas arqueadas, sorriso maquiavélico. Dei risada antes de voltar para o número - o centro das atenções no centro da página. Achei pouco, aumentei um pouco, arredondei. Mas ainda não estava satisfeito. Tinha certeza que capeta ia dar uma gargalhada, mesmo assim me daria até um pouco mais e sumiria até o dia em que reapareceria para reclamar minha alma, semmaisnemmenos. E pensei quanta bobagem, vou aproveitar o dia lá fora. Eu valho muito pouco para apurrinhar o tinhoso.

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