domingo, 25 de maio de 2008

Em pleno ar

O avião se destruiu em pleno ar. Abaixei as pálpebras. Descanso de 10 segundos. Reabro e repasso todas as pessoas ao meu redor. Sala de embarque, sala de espera. Todos prontos para entregar seus cartões, folheando seus passaportes, folheando suas revistas. É o mesmo microcosmo que a gente vê nos 15 minutos iniciais daquele filme de horror em que o avião vai cair, o barco vai afundar, ou o tsunami vai arrasar. Pessoas despreocupadas, quase felizes. Famílias cansadas retornando de suas férias, ansiosas para mostrar as fotos para o vovô e a vovó. O executivo que foi para uma reunião checa seu Blackberry. A modelodublêdeatriz não tira seus óculos escuros. Os passageiros de primeira viagem ainda têm palpitações. Os idosos, as crianças, os detentores de cartõesprataourodiamantesafira embarcam primeiro. Vamos na segunda leva. Quinze minutos mais tarde estamos todos reunidos, ordenadamente sentados. Comportados. Vemos o aeroporto se distanciar pela janela e o estômago já pensa no serviço de bordo. Não pensei em mais nada e dormi.

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