sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ev'ry time

Tudo de novo. Arrumar as malas. Fechar o barraco. Me despedir das pessoas (e como a gente se apega fácil). Lágrima no canto de olho, disfarçada. Respiração meio que apertada. Ev'ry time we say goodbye, I die a little. Mais uma taça de vinho e mais uma risada. Pose para fotografia. Troca de emails, número de telefones. Mais uma risada e a noite se alonga. When you're near, there's such an air of spring about it. Ar frio da noite. Entãotáentão, ficamos combinados. There's no love song finer but how strange the change from major to minor ev'rytime we say goodbye.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Eu quero velocità


Confesso que ainda me espanta ver quando um barquinho destes chega aqui.

domingo, 25 de maio de 2008

Tick in the box

Comunico a todos que serei repatriado a partir de julho próximo. Terminará assim a minha saga depois de 16 meses aqui na IlhadoLost. Trabalhei numa atmosfera de gravidade zero, criei algo a partir do zero, e o currículo ganhou um peso invisível. A escala do negócio passou a ser global - crises globais, alternativas globais, soluções globais. Só que fiquei com aquele gostinho amargo de faltar concluir algo mais. Meu conhecimento, autoridade, confiança foram desafiados. Saí por cima, apesar de ferido e as cicatrizes vão me ajudar. Vivi num ambiente de segurança e falta de burocracia. Exerci a naturalidade de pegar um avião para qualquer canto do mundo como se pegasse um taxi para atravessar a cidade. Mas foi um tempo mais turbulento do que imaginei - tempos de perdas, de afastamento, de saudades, de cólera. Quando um coração de pedra foi pintado de vermelho e os respingos de tinta mancharam o chão. E entendi mais algumas das facetas desta cabecinha: do controle e sua falta, dos valores e sua falta. Mais do que nunca estou certo de que a gente tem que fazer o que este instinto, intuição, vontade inxeplicável, ou mesmo tesão, diz. Só posso agradecer humildemente a uma tropa de gente de elite que me deu força a partir da terrabrasilis. E foi um prazer inenarrável receber várias destas pessoas aqui no exílio - Mauro, Vera, Silvia, Simone, Zibby, Sophia, Wagner, Fernando, Monica, Alexandre, Erika. Apesar de tudo, a resposta é 'sim', tomei a melhor decisão nas circunstâncias num certo tempo e não me arrependo nem uma lasca. Assim sendo, este blog fica novamente suspenso, sem garantia de novos posts, a partir da próxima semana quando entro numa seqüência de viagens de end-of-assignment e até a poeira baixar e me reestruturar na terrabrasilis. Como canta Lulu, me espera no portão pra você ver que eu tô voltando pra casa outra vez...

Bravo et merci Monsieur Kuerten

O cara é/era foda.

Este dia vai chegar

Um dia. Um dia vou morar de frente para a praia em Florianópolis. Sairei de casa, com minha bermuda florida e camiseta branca. Talvez com um chapéu, certamente com óculos escuros. Embaixo do braço carrego o jornal do dia, na mão, a cadeira de praia. Na outra mão, um guarda-sol. Dependendo da disposição, um pequeno isopor com a cervatchelada no outro ombro. Atravesso a rua. Tiro a sandália na areia. E me deixo ficar. Um dia.

Num dia há uns 15 anos atrás o Sr A me disse que o Sr A Senior se aposentaria em alguns anos. Então ele e a Sra A Senior encerrariam seus negócios em Curitiba e se mudariam para Santa Catarina, onde viveriam de frente para praia. E aquela estória me encantou tanto que inspiraram esta minha futura realização. Um dia.

Oderweiβ

Meu gosto por matemática sempre foi duvidoso. A inflação galopante da década de 90 me ensinou a calcular percentagens, proporções, juros. Teria sido um péssimo contador porque igualar coluna de crédito com a de débito me é impossível. A matemática só começou a ser engraçada quando ela me deu a chance de raciocinar. Decorar fórmulas sempre achei isto um absurdo e fiz questão de colar todas as vezes em que foram necessárias. De repente, probabilidade e estatística passa a explicar uma série de pequenos mistérios da vida. A pequena chance de que tudo desse certo. O número de vezes em que pensei em você, o número médio mensal de noites de insônia, a variação do meu humor. Agradeço a engenharia por me ensinar o conceito da folga, otherwise eu teria sido completamente inútil na vida. Oderweiβ...
(Créditos para o título: a amiga da Mrs SN-J quenãoseionome)

Em pleno ar

O avião se destruiu em pleno ar. Abaixei as pálpebras. Descanso de 10 segundos. Reabro e repasso todas as pessoas ao meu redor. Sala de embarque, sala de espera. Todos prontos para entregar seus cartões, folheando seus passaportes, folheando suas revistas. É o mesmo microcosmo que a gente vê nos 15 minutos iniciais daquele filme de horror em que o avião vai cair, o barco vai afundar, ou o tsunami vai arrasar. Pessoas despreocupadas, quase felizes. Famílias cansadas retornando de suas férias, ansiosas para mostrar as fotos para o vovô e a vovó. O executivo que foi para uma reunião checa seu Blackberry. A modelodublêdeatriz não tira seus óculos escuros. Os passageiros de primeira viagem ainda têm palpitações. Os idosos, as crianças, os detentores de cartõesprataourodiamantesafira embarcam primeiro. Vamos na segunda leva. Quinze minutos mais tarde estamos todos reunidos, ordenadamente sentados. Comportados. Vemos o aeroporto se distanciar pela janela e o estômago já pensa no serviço de bordo. Não pensei em mais nada e dormi.

Dia de chuva

E então eu olhava para o céu. E acompanhava os rastros que os aviões deixavam. Rastros de fumaça branca. Rastros de vapor branco. Rastro de combustível. Um avião só pousa se o seu peso estiver dentro de certos limites, por segurança. Se for necessário um pouso de emergência, ele tem que ficar voando, voando, voando em círculos até gastar o combustível. Ou, se a emergência for gigantesca, pode lançar o combustível na atmosfera. Ou lançar passageiros no espaço. Ou lançar malas Samsonite pelo espaço. Malas coloridas, pretas, vermelhas, verdes. E eu fico esperando o dia em que vai chover querosene de aviação, passageiros ou malas.

domingo, 18 de maio de 2008

12

12 meses. Um ciclo completo. Durante 12 meses senti sua ausência em todas as reuniões, aniversários, festas, Dia dos Pais, das Mães, Dia de Cosme e Damião, Natal, viagem de Carnaval, viagem de fim de semana prolongado, aniversários (o seu, o meu), casamentos, missas, brindes de champagne do Réveillon, nas decisões de nova casa, do novo carro, do novo trabalho, para contar as novidades e desabafar as dúvidas. Tudo isto foi novidade para mim nestes últimos 12 meses. A partir de agora, tudo vai se repetir. E me acostumarei com a sua ausência, ela já não me será mais tamanha novidade. (Este post foi inspirado numa conversa que tive com alguém muito especial).

Vai, confessa...

...tens sonhos, que sei. Tens desejos nunca admitidos em alto e bom som. A sua lista de vontades é extensa. Está espalhada por esta cabecinha dispersa. Mas voltaemeia você tropeça em cada uma das idéias. Falta de confiança ou medo de assumir que falharia em realizá-los, por isso não admite os sonhos. Deve ser vergonha. Talvez modéstia. Não fala, não transforma em palavras, não verbaliza nem vocifera. Pára agora. Não fuja mais - admita o que você quer com-todas-as-palavras. Se é para prejudicar alguém, então não vale porque o CSI vai descobrir. Esqueça o que não quer. Desate o nó das cordas verbais. Fale. Ria de si, ria da confissão. Torne as coisas mais simples.

sábado, 17 de maio de 2008

1 pence traz sorte

Encontrei uma moeda de 1p e me disseram que isto trazia sorte. Agarrei a moeda com força, punho fechado e fiz caradesonhosrealizados. Para o bolso. Fui almoçar tarde e descobri que tinha perdido minha carteira. Seu cabeçadevento, você a esqueceu em casa. Faminto, fui dar um pulinho em casa. Ônibus, é o mais rápido. 40 minutos depois de ficar esperando o 100 direção Shadwell, resolvi negociar a distância a pé. Aí descubro que a auto-estrada estava fechada por causa de um acidente e Wapping, isolada dos transportes públicos. Cheguei em casa e descobri que a carteira não estava lá. OK, sem grana, sem cartões, nada de restaurantes. Ainda tenho uma sopadeentulho na geladeira - belo almoço para um dia de sorte. Voltei para o trampo para descobrir a mardita caída atrás da minha caixa de mudança no escritório. Sorte, por fim. Fui então para o happyhour me arrastando - cansaço residual de horas na fila da embaixada no dia anterior e a inesperada caminhada do almoço - e atrasado por uma reunião de última hora. E aí descubro que esqueci o celular em casa e com ele, o endereço do encontro. Coloquei a mão no bolso, peguei a moeda e a joguei num canto. Tomara que algum candango muito mais ferrado do que eu a encontre, aquela sorte era menos que suficiente para mim.

Em reverso

Desconfio de cada uma das suas palavras. Existem segundas intenções nas suas perguntas. Acho que você vai distorcer as minhas respostas para seu próprio benefício. Estás sempre prestes a me causar algum dolo - físico ou psicológico. Sua honestidade é duvidosa e alimenta a minha paranóia. Preso estou eu neste modelo mental - yourmindisfuckedup, littlekid. Agora, e se tudo isto é mais uma grande farsa? Isto significa que estou numa farsa dentro de uma grande farsa - ou seja, tudo isto pode ser uma farsa em reverso - enfim, a verdade definitiva.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Lista de compras

Rascunhei as coisas que tinha que comprar para você hoje no supermercado. Frutas. Legumes. Jaffa cakes. Cereais. Água mineral. Vinho. Fiquei pensando no que você estava precisando enquanto caminhava entre as prateleiras de cafés e chás. E fiquei procurando o corredor onde estava a paz que você tanto precisava, e o outro corredor onde estaria a sua tranqüilidade. Sem sucesso. Alguns funcionários do supermercado faziam caradepontodeinterrogação quando eu tentava obter a informação deles. Outros me levavam de um lado para o outro dizendo que as tinham visto em algum canto. Os mais despachados me mandavam para a seção de bolos e eu não entendia bem porquê. Por favor, não se desaponte comigo - juro que vou continuar tentando encontrá-las. Por enquanto, te devolvo o dinheiro que sobrou.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Aprendizado para o próximo ciclo

O outro lado de se sentir muito feliz é que a gente se esquece como são as horas tristes. A gente se esquece como lidar com a tristeza, a frustração, o desânimo. Sim, porque tudo na vida é cíclico - altos e baixos, vazio e plenitude, yin e yang. Talvez o segredo esteja em olhar para trás, aprender a separar o joio do trigo, e seguir em frente com a sabedoria adquirida. Meramente olhar para trás transformaria-nos em nostálgicos incuráveis. A sabedoria está no aprendizado para nos preparar para o próximo ciclo, seja ele qual for. Perder a concentração na tormenta de sentimentos nos deixa sem rumo, a flertar com o desastre.

Magnitude 7.9

Hoje foram 4 horas em uma fila relativamente modesta para dar entrada no visto. Somente 4 atendentes estavam disponíveis na embaixada. O verão londrino (ou inverno recifense) ainda colaborou para tolerar a espera. Ontem, terremoto de magnitude 7.9. É, nem cheguei e já estou abalando as estruturas. Créditos: Shakemap, Earthquarke Hazards Program

Vou passar por Chengdu - acho eu, se for seguro. Vejamos a cor da cidade no mapa: algo entre o amarelo e o alaranjado. Legenda correspondente: danos potenciais moderados, moderados/pesados. Hmm não sei se me preocupo ou não. Mais pelas conseqüências do que aconteceu do que potenciais novos tremores. Tenho corpo fechado - três meses de Japão e nenhum tufão, nem um tremorzinho merreca. Acompanhemos o que vai acontecer nas próximas semanas, tudo ainda é tão recente. Vamos torcer para que os Chineses sejam mais eficientes do que a turminha de Burma e que eles se recuperem rapidamente. Enfim, nada como subir a adrenalina antes da hora. Guerreiros de Ricota, aguardem-me inteiros porque aí vou eu.

domingo, 11 de maio de 2008

Laurie Anderson: a invenção da memória

A estória é sobre um pássaro numa época antes que o mundo existisse. Pássaros voavam em círculos no céu. Círculos.
Círculos.
E não paravam de voar porque não existia terra, somente o céu, e eles não paravam de voar. Até que o seu pai morreu. E isto tornou-se um grande problema - o que deveria fazer com o corpo? Porque, antes do mundo existir, não havia terra, só o céu. E os pássaros pensaram no que fariam, enquanto voavam.
Em círculos.
E voaram por dias até que o pássaro finalmente teve uma idéia. Ele decidiu enterrar o seu pai na parte de trás da sua cabeça.
Este foi o início da memória.
Foi com esta estória (tradução livre de resumos de outros sites) que o show Homeland da Laurie Anderson foi aberto, pontuada por calculadas pausas de frações de segundo entre algumas palavras. Impossível não visualizar aquele pequeno conto que termina por fascinar e nos deixar com um sorriso nos lábios.

Mas, o ponto alto foi a fina ironia de dizer que apenas um expert pode lidar com um problema. E se não há um expert, seus problemas duplicam. E o grande problema é que queremos ter controle - quando tudo está fora de controle. E alfineta a guerra, a invasão, a procura por um problema pelos experts. E ironiza o aquecimento global reconhecido globalmente por um expert reconhecido e que até ganha Oscar por isso.

O concerto foi instigante, nos encheu de vida porque nos deu a chance de sentir que ainda somos capazes de pensar. Penso, logo existo. Agradecemos a Laurie com nosso aplauso e deixamos o Barbican naquele primeiro sábado de maio para tomar uma taça de vinho.

sábado, 10 de maio de 2008

"Parece Recife no inverno"

Infelizmente não consegui mais encontrar o autor desta pérola para dar os devidos créditos, mas define extremamente bem a onda calor dos últimos dias em Londres.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Acho que vou vomitar

Eu me sinto enojado com o caso Josef Fritzl, com o caso Isabela Nardoni, com o caso Richthofen. Será que é o fim do mundo como o conhecemos? Então, que ele seja pulverizado e que renasça renovado das cinzas. Porque, do jeito que está, tafóda.

Cuide bem das suas crianças

Cuide bem das suas crianças, fique atento para o mundo ao redor. Fique atento para guiar os pequeninos no mundo, principalmente até os 7 anos. É aí que tudo começa. O pequeno Josef foi criado numa cidadezinha esquecida, e poderia ter se tornado aquele vizinho insosso. Mas Amstetten não era um local comum. Sediava um campo de concentração de mulheres durante a guerra. Qualquer coisa que qualquer um de nós tenhamos lido, visto ou ouvido falar dos campos é muito superficial diante da realidade. A crueldade vai além do inconcebível. Um ambiente opressivo da guerra e a possibilidade de oprimir intoxicaram o pequeno Josef. Subjugar mulheres, ameaçar, dominar, aniquilar e ser preponderante - foi isto o que o menino viveu. Só que, num dia de 1945, veio a derrota e a vergonha que o fez calar até que pudesse extravasar a energia contida novamente. E a explosão veio, suja, degradante, viciante, abominável - subjugar, abusar, oprimir a filha, seus filhos-netos. Aproveitou-se do silêncio de uma sociedade traumatizada pela denúncia durante a guerra: elenãomexiacomninguém, ninguémmexiacomele. Hoje, o pequeno Josef envelhecido não consegue entender que tenha feito mal a alguém. Acha que é um salvador, na verdade. Acha que poderia ter feito mal pior, poderia ter matado. E então vemos a lógica distorcida cementada na cabeça do pequeno Josef. Por isso eu digo e repito, cuide bem das suas crianças.

Pick of the week: Laurie Anderson, Only An Expert

Now only an expert can deal with a problem.
Cos half of the problem is seeing the problem.
And only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem.

So if there's no expert dealing with a problem,
then really it's actually twice the problem.
Cos only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem.

Now in America, we like solutions. We like solutions to problems. And there's so many companies that offer solutions. Companies with names like: The Pet Solution, The Hair Solution, The Debt Solution, The World Solution, The Sushi Solution.

The debt solution... Now, only an expert can see there's a problem.
And these companies are experts ready to solve these problems.
Cos only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem.

Now, let's say you're invited to be on Oprah, and you don't have a problem, but you wanna go on the show, and so you need a problem. And so you invent a problem. But if you're not an expert in problems, you're probably not going to make up a very plausible problem. And so you're probably gonna get nailed. You're gonna get exposed, you're gonna have to bow down and apologise and beg for the public's forgiveness. Because only an expert can see there's a problem. And only an expert can deal with a problem. Only an expert can deal with a problem.

And on these shows that try to solve your problems, the big question's always: how can I get control. How can I take control. But, don't forget, this is a question for the regular viewer, the person who is barely getting by. The person who is watching shows about people with problems, the person who is one of the 60 percent of the US population 1.3 weeks away, 1.3 paychecks away from homelessness. In other words... a person with problems.

So when experts say let's get to the root of the problem, let's take control of the problem, cos if you take control of the problem, you can solve the problem. Often this doesn't work at all because the situation is completely out of control.

Cos only an expert can deal with the problem.
And only an expert can deal with the problem.
And only an expert can deal with the problem.

So, who are these experts? Now, experts are usually self-appointed people or elected officials or people skilled in sales techniques, trained or self-taught to focus on things that might be identified as problems. But the expert is someone who studies the problem and tries to solve the problem. The expert is someone who carries malpractice insurance. Because often the solution becomes... the problem.

And only an expert can deal with the problem.
And only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem.

Now sometimes experts look for weapons. And sometimes experts look everywhere for weapons. And sometimes when they don't find any weapons, sometimes other experts say: if you haven't found any weapons, it doesn't mean there are no weapons. And other experts looking for weapons find things like cleaning fluids and refrigerator rods and small magnets. And they say: these may look like common objects to you, but in our opinion, they could be weapons. Or they could be used to make weapons. Or they could be used to ship weapons. Or to store weapons. Cos only an expert can see they might be weapons. And only an expert can deal with weapons. And only an expert can deal with problems.

Cos only an expert can deal with the problem.
And only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem.

You know, and sometimes, if it's really really really really really hot, and it's July in January, and there's no more snow, and huge waves are wiping out cities, and hurricanes are everywhere, and everyone knows it's a problem. But if some of the experts say it's no problem, and if other experts claim it's no problem or explain why it's no problem, then it's simply not a problem.

But, when an expert says it's a problem and makes a movie about the problem and wins an Oscar about the problem then all the other experts have to agree that it is, most likely, a problem.

Cos only an expert can deal with the problem.
And only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem.

And even though a country can invade another country, and flatten it, and ruin it, and create havoc and civil war and refugees in that country, and if the experts say it's not a problem and if everyone agrees that they're experts and good at solving problems, then invading these countries is simply -- not -- a problem.

And if a country tortures people, and holds citizens without cause or trial, and sets up military tribunals, this is also not a problem. Unless there's an expert who says it is the beginning... of a problem.

Cos only an expert can deal with the problem.
And only an expert can deal with the problem.
And only an expert can deal with the problem.

And only an expert can deal with the problem.
And only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem.

Cos seeing the problem is half the problem.
And only an expert can deal with the problem.
Only an expert can deal with the problem.

Preço baixo deixa até o capeta desconfiado

Estava em dúvida se poria a minha alma à venda ao diabo. Perguntei-me do preço para negociar. Vou colocar o preço lá em cima porque já sei que o demo vai barganhar. Fiquei matutando quanto valiam a minha vida, meus valores e crenças, minha dignidade e o quanto as pessoas acreditam em mim. Cheguei a um número que anotei no centro da folha. Fiquei olhando para ele, rabiscando no papel em volta, repetindo as contas, encontrando meus erros de soma. Desenhei a carinha do coisaruim: dois chifrinhos, sobrancelhas arqueadas, sorriso maquiavélico. Dei risada antes de voltar para o número - o centro das atenções no centro da página. Achei pouco, aumentei um pouco, arredondei. Mas ainda não estava satisfeito. Tinha certeza que capeta ia dar uma gargalhada, mesmo assim me daria até um pouco mais e sumiria até o dia em que reapareceria para reclamar minha alma, semmaisnemmenos. E pensei quanta bobagem, vou aproveitar o dia lá fora. Eu valho muito pouco para apurrinhar o tinhoso.

domingo, 4 de maio de 2008

Química

Adicione água. Dilua. Torne a concentração menor. Sempre quis ser menos. Menos egoísta. E preocupou-se em adicionar água, e diluir, e tornar tudo bem mais fraco, mais ameno, mais ralo, mais diluído. Mal tinha percebido que estava concentrando, tornando mais forte, mais intenso e poderoso. Só porque estava colocando mais água, só porque estava preocupado em colocar mais água. E morreu, afogado.