quarta-feira, 30 de abril de 2008

Eu tenho medo de Josef Fritzl

O vôo chegou em Vienna e não estacionou em um dos fingers. Descemos, e tomamos os ônibus que nos esperavam na pista. Eu estava no fundo do avião e desci pelos fundos. Thankyoubyehaveaniceday, troquei amenidades com a aeromoça. Fui um dos primeiros a entrar no ônibus e me lembrei da minha última conexão em Vienna em que um atoroscarizado estava no mesmo ônibus para o terminal. Desta vez, a coisa tinha um tom de bizarrice. Referia-me ao cara de meia-idade com cara de maníaco que desceu do vôo. Aquele freak de cabeloboilambeu, roupaqueavóvestiu, calça com a bainha alta, e óculos tipo aviador. Pré-julguei, confesso. Minha definição era o de um maníaco sexual que possivelmente abusava de crianças ou tinha acabado de retornar de uma viagem de turismo sexual. Procurei manter os meus olhos afastados, concentrar meus pensamentos no caminhão de querosene de aviação. Mais tarde, passei a ver aquele personagem em todos os rostos com que cruzei em Vienna, como que me assombrando. Odiei a cidade e me odiei por isso. Queria fugir daquele mundo de aberrações. Fugi a tempo de saber, a muitos quilômetros de distância na IlhadoLost, que Amstetten havia descoberto uma aberração que ninguém conseguia acreditar existir - Josef Fritzl. Chocado, eu soube da existência dele quando entrei naquele ônibus do aeroporto.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A gente inventa

Você me levou às alturas e me trouxe de volta ao mapa-múndi enquanto eu desaparecia num buraco negro existencial que estava cavando com as unhas. Só com as suas palavras, voltei a achar que a minha vidinha desinteressante poderia despertar o interesse sobre a face da terra. E eu saboreei cada segundo, e recuperei meu norte e te dei a devida importância no contexto. Aproveitei para incorporar um pouco de realidade à ficção que criei, só que tudo ficou sem sustentação e desabou. Desapontado fiquei, mas a excitação que você me provocou tinha sido tão intensa, que a frustração desapareceu logo, como se nada havia existido - e só ficou um gosto de vento na cara quando a gente anda de moto. Obrigado, Srta F, por ajudar este bobão a entender a piada. Onossoamoragenteinventa prasedistrair e quandoacabaagentepensa queelenuncaexistiu nuncaexistiu. Isto torna as coisas tão mais leves e fáceis.

domingo, 27 de abril de 2008

Faltando 25 minutos

"Well they're building a gallows outside my cell well I've got 25 minutes to go And the whole town's waitin' just to hear me yell I've got 24 minutes to go Well they gave me some beans for my last meal I've got 23 minutes to go But nobody asked me how I feel I've got 22 minutes to go Well I sent for the governor and the whole dern bunch with 21 minutes to go And I sent for the mayor but he's out to lunch I've got 20 more minutes to go Then the sheriff said boy I gonna watch you die at 19 minutes to go So I laughed in his face and I spit in his eye got 18 minutes to go Now here comes the preacher to save my soul with 13 minutes to go And he's talking bout' burnin' but I'm so cold I've got 12 more minutes to go Now they're testin' the trap and it chills my spine with 11 more minutes to go And the trap and the rope they work just fine got 10 more minutes to go Well I'm waitin' for the pardon that'll set me free with 9 more minutes to go But this is for real so forget about me got 8 more minutes to go With my feet on the trap and my head on the noose got 5 more minutes to go Won't somebody come and cut me loose with 4 more minutes to go I can see the mountains I can see the skies with 3 more minutes to go And it's too dern pretty for a man that don't wanna die 2 more minutes to go I can see the buzzards I can hear the crows 1 more minute to go And now I'm swingin' and here I go-o-o-o-o-o-o-o-o-o!"
Johnny Cash

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A Ford inspirou o Padre

Surdez na cegueira

Depois dos gracejos, dos amassos, da cumplicidade, dos beijos, acabou. E aí, pensando retrospectivamente, a gente se sente meio desconfortável e constrangido. Tudo aquilo havia se resumido a um teatrinho - algo surreal, inverossímil, e que nunca devia ter existido. Paira a dúvida até agora sobre onde acabou a verdade e começou a realidade inventada das nossas cabeças. Não devo ter ouvido o click quando apagaram a luz.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Billy Bragg

"His punk-folk style was compared to a one-man Clash show and his touching, honest and searingly witty lyrics were like something out a Mike Leigh film."
Martha de Lacey, London Lite, 22-Abril-2008.

Billy é foda. É daqueles caras que eu queria ser vizinho e bater papo todo dia no corredor. Assim como Marcelo Camelo. Como nada é perfeito, continuo batendo papo com o meu vizinho sobre o horário de verão, a primavera que não chega, o frio, o junk mail, o lixo reciclado e o elevador que não funciona.

Salve, salve

Hoje é dia do santo padroeiro dos ingleses. St. George ou o nosso velho amigo São Jorge. Um soldado romano que resolveu ser Cristão e pagou com a vida, virando mártir. Os Cruzados aproveitaram e tornaram Jorge uma lenda - o cavaleiro que resolveu brandir sua espada contra o dragão, e liberou o seu povo para vida e derrotou a iniqüidade. Vi o seu brasão nas portas dos ônibus muquifentos de Moscou e descobri que ele é padroeiro da cidade também. Hoje muitas bandeiras brancas e suas cruzes vermelhas estavam hasteadas por Londres. Tomei uma cerveja em nome do Santo e esbarrei num candango com a roupa de dragão branca e vermelha dentro do pub. Imaginei que fosse Ogum, mas logo mudei de opinião. Fiquei pensando no dragão que está sempre lá, vivo, e George, que está sempre disposto a lutar contra ele, do alto do seu cavalo. Força de vontade e vigília constante contra o mal que está entre nós. Que ele abençoe a nós e a todos os Jorges, meus amigos, meu irmão, meu antigo chefe, e o Ben Jor. Salve Jorge.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Erros: o problema é meu

Quero errar por responsabilidade própria, não devido a ninguém. Quero poder tomar as minhas próprias decisões e me responsabilizar pelas conseqüências. Sim, vou ouvir a todos e àquela voz na minha cabeça, mas a decisão final - a melhor possível nas atuais circunstâncias - será minha. Ofereçam-me tijolos, esperanças ou ilusões, ou mesmo nada - vou decidir pelo que vale a pena. Já que a assinatura no rodapé do documento começará com o meu M engraçado, quem vai à bancarrota ou prisão ou queima na fogueira, canonização ou estátua ou estandarte em praça pública será eu. Não posso delegar isto a ninguém então é minha vitória ou derrota. Portanto, afastem-se que o rolo compressor vai passar. Mas, se eu ganhar, distribuo meu sorrisobobo a todos.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Domine Dirige Nos

O escritório em que trabalho foi arrombado no final de semana. Levaram a grana do caixa. Baixou a polícia, a turminha csi para tirar impressões digitais, aquela chacrinha. Eu estava viajando e não testemunhei. Chegando lépido e fagueiro na quinta-feira para o trampo, já avistei a joaninha local e pensei hmmvieramfazernovasaveriguações. Cruzei com os policiais no elevador e já me avisaram sevocêvaiparaosegundoandarnãotocaemnada. Como assim? Aconteceuumassaltolá É, eu sei - no fim de semana Nãoontem Fucking hell, de novo??? Denovo. Enfiaram o pé na porta, destruíram a entrada. Nem tinha dado tempo de instalar o alarme novo. Vão-se os anéis, laptops, blackberries e ficam-se os dedos. Só para constar, não estou falando de RJ ou SP. Estou falando da City, The Square Mile, EC3N 1LQ.
Foto do wikipedia.

Não, não entendo

Caros bloggers, escrevemos uns posts elaborados, esperamos que os leitores curtam e não aparece nenhum comentário. Acontece isto com vocês também? Aí a gente rascunha um tropeço mental qualquer e gera-se uma enxurrada de reações. Não, não entendo as pessoas. Estava vendo as estatísticas do blog e o maior link para o FdG está na busca pela palavra culpa. Um post bobo que fiz, apenas uma citação, e um monte de gente vem aqui por causa disto. Culpa. Nem bonita a palavra é, sem falar do seu significado. Este blog não faz apologia da culpa e sou daqueles que odeia os que culpam o mundo e incriminam o destino pelas suas mazelas. Mas as pessoas vem aqui por causa disto. Culpa. Não, não entendo as pessoas.

Pinto no lixo

Ele é um controlfreak. Mudei os planos de última hora e ele surtou. Bem naquela hora em que ele já tinha separado as roupas, o discurso, o passaporte e o ticket. Dei o tiro de largada antes que ele estivesse preparado. Os cavalos arrancaram e eu ri enquanto ele tentava pegar as rédeas de novo. Ri do quanto furioso ele estava. Frustração e mau humor o acompanharam por algum tempo - e eu rindo daquela casmurrice. Distraiu-se novamente com algo novo e brilhante e já se esqueceu de tudo. Montou uma certa ordem na cabecinha de vento sem mesmo tocar no caos à sua volta. Ficou feliz feitopintonolixo. Este tal de Caco é uma figurinha. Ele não vai aprender nunca.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

37, mas com cara de 36

O Terminal, o 747, a Primavera e a minha íris

Enfrentei o monstro do T5 domingo passado.

Tenho montado um timing cronometrado para chegar ao aeroporto. Praticamente já passo do raio X para o portão de embarque sem muita espera. Acordei às 5 da madruga para pegar o vôo das 7:35 para Vienna - não se esqueçam da ameaça velada da British Airways recebida via email. Mas havia um fator diferente desta vez: a Maratona de Londres. Ruas estavam fechadas e, algumas horas mais tarde, ficaria ilhado no meu bairro pelas barreiras montadas para não atrapalhar os corredores. O taxista fez alguns malabarismos para me despachar em Paddington. Descobri então que o Heathrow Express não pára mais no T4 (tem que fazer baldeação com o Heathrow Connect) e vai direto do T123 para o T5. Hámalasquevãoparabelém.

Vou resumir as estatísticas sobre o T5 no seguinte: ele é grandão, modernoso, meio metido a besta. Os andares inferiores ainda têm aquele cheiro de concreto molhado, recém colocado. Os vidros têm marcas de dedos dos instaladores, aqueles que a gente tem sempre que passar o pano para remover, se é na nossa casa. Sobretudo ele é novo na mais pura acepção da palavra - as pessoas estão se acostumando com ele - e aposto que adaptações serão feitas com o tempo. Há uma quantidade estúpida de funcionários da BA em todos os lugares. Testemunhei uma passageira na minha frente na fila do raio X reclamando do cancelamento do seu vôo anterior sendo acalmada pela Segurança com muitos darling everythingwillbealright love youwillboardnow sweetheart.

Meu portão era satélite, portanto peguei o trenzinho subterrâneo. Novamente, ele é novo e dá uma sensação esquisita de formalidade, de limpeza hospitalar. Quando emergimos de novo para o piso térro do segundo prédio do terminal, a escada rolante nos deixou aos pés de um 747.

E deu aquela sensação de wow. Sim, porque um 747 é monumental, seu design é definitivo, e nunca tinha tido tal noção de altura, envergadura, comprimento. Parei, olhei, registrei na minha mente - nenhuma fotografia faria justiça às proporções que vi. Observá-lo voando, taxiando, ou mesmo estacionado mas de cima de algum terminal não permite nos colocarmos em perspectiva real. Não tanto quanto estamos no chão ao lado dele. Tudo fica pequeninho. Já vi um A380 estacionado e ele não tem a elegância do 747. Lembra mais aquele primo gordinho.

A manhã de domingo tinha começado com um céu azul e o frio de sempre. Mas rendeu a foto deste post. Retornei de uma Vienna dignamente primaveril 20ºC para a primaveril Londres de hmpf 6ºC na segunda-feira de noite. Sem atrasos na chegada do vôo, sem malas despachadas, sem filas na Imigração - agora, passo pelo sistema de reconhecimento da íris e não tenho que ficar respondendo às perguntas dos oficiais da Imigração nem tenho o passaporte carimbado. Hassle-free.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Caráter é melhor conhecido nos tempos de crise

"Quem olha a superfície das águas desconhece o teor do seu leito. Vem a tempestade, a fúria dos elementos revolve as águas, e o sedimento depositado sobe à superfície. Aí, então, vemos se o leito é constituído de lama e destroços ou se é límpido."

Entãotáentão.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Zé Pequeno

- Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno!
Dei muita risada com os Batutinhas, no original, quando eu era pequeno (láemBarbacenadoNorte...). Hoje estava pesquisando o que era buckwheat, daí o banco de imagens do Google deu na foto acima. Claro que dei uma risada - internamente, para não passar recibo da chacrinhada no escritório - e segui em frente.

Rejeição

Estava aqui pensando cá com os meus botões na quantidade de vezes que não fiz algo simplesmente pelo medo irracional e incontrolável de ser rejeitado, de me sentir inconveniente, ou um estorvo. Posso reduzir todas as possíveis justificativas do meu auto-controle ou paralisia a isto. Re-jei-ção. Nada me fez me sentir melhor do quando me esqueci disto. Outro dia anotei num canto de página uma frase que sempre achei meio solta e vazia, to love yourself is to let yourself be loved. Cantarolo isto para mim de vez em quando, to love yourself is to let yourself be loved. Parece que não, mas tem tudo a ver. Esta anotação era para eu me lembrar de escrever este post. Eu não seria rejeitado por isto, nem por nada de fato. Caso seja, azar (ou melhor, quesefoda).

Quem avisa, amigo é (Heathrow Terminal 5)

Reprodução do email que recebi recentemente. Enfatizo o trecho: "If you miss this deadline [to be ready to fly at least 35 minutes before the flight departs], you will not be allowed onto your flight." O que será que Naomi pensou quando recebeu um email destes?



terça-feira, 8 de abril de 2008

Às avessas

O recém-inaugurado Terminal 5 de Heathrow está um caos. Malas não são despachadas, vôos são cancelados, malas não são entregues. Dezenas de milhares de malas estão no limbo do T5. Isto poderia acontecer em qualquer lugar do mundo, mas era totalmente inesperado aqui. Complete shambles. No meio desta baderna, emerge Naomi Campbell embarcando para LA. Ao ser avisada que uma das suas malas foi dada como desaparecida, ela esquece todas as suas táticas de angry management e solta o verbo para cima do funcionário da British Airways. A polícia é convocada para tirá-la do vôo, e ela deixa o verbo tão solto que sobra até uma cusparada. Resultado imediato: removida do avião, algemada. Resultado posterior, banida para sempre de todos os vôos da BA - isto é o que é ser poderosa às avessas. O que eu tenho a ver com isto? Vou estrear o T5 neste domingo e não vou despachar a minha mala malandroégatoquejánascedebigode. Conto no retorno minha experiência.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tchau, Ben Hur

O cara era foda.
Rest in peace, Charlton Heston (1924 - 2008)
Foto: IMDb

sábado, 5 de abril de 2008

Errorex

Já trabalhei em escala de turno no início de carreira. 6 por 2. Seis dias de trabalho num horário, dois dias de folga. Voltava a trabalhar por mais seis dias num outro horário, mais dois de folga, e assim vai. Capacete na cabeça, bota de segurança, jaleco - fantasia de engenheiro de processo. Tinha que redigir o sumário de ocorrências do turno no livro ata no final da jornada. Naquela época jurássica (muito mudou em relativo pouco tempo), computadores ainda não estavam tão popularizados e tudo era feito à mão. Quando estava no horário das 23 às 7, tinha que começar a escrever por volta das 5:30 da madruga. Sim, naquele horário em que toda a civilização está no melhor dos melhores dos sonos. Depois de alguns meses, desenvolvi uma técnica: já escrevia com um frasco de errorex à minha frente. Imagine cochilar enquanto escreve e acordar com meia palavra escrita e uma linha que continua quase infinitamente da perna de um 'a'. Errorex nela, com certeza. E esta era minha batalha-das-5:30: escreve, cochila, errorex, escreve, cochila, errorex. Times, they have changed e ontem estava digitando um post, cansado até a alma, e cochilei no meio da redação. Em vez de uma linha infinita no 'a', eu tinha um infinito sssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss. Ri ainda sonolento e capitulei. ClickIniciarShutDown.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Seleção oficial

Uh-hu... Minhas fotos não são de todo inúteis, viu só...

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:: Schmap Italy Second Edition: Photo Inclusion

Hi Marcos,

I am delighted to let you know that your two submitted photos have been selected for inclusion in the newly released second edition of our Schmap Italy Guide:

SS. Annunziata
http://www.schmap.com/italy/churches/p=49490/i=49490_12.jpg
Castel Sant'Angelo
http://www.schmap.com/italy/museums/p=10578/i=10578_9.jpg

If you like the guide and have a website, blog or personalpage, then please also check out the customizable widgetized versions of our Schmap Italy Guide, complete with your published photos:
http://www.schmap.com/guidewidgets/p=71209078N00/c=SG31102158

Thanks so much for letting us include your photos - please enjoy the guide!

Best regards,
Emma Williams,
Managing Editor, Schmap Guides
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Música de fundo

Robot Boy

"Mr and Mrs Smith had a wonderful life.
They were a normal, happy husband and wife.
One day they got news that made Mr Smith glad.
Mrs Smith would be a mom,
which would make him a dad!
But something was wrong with their bundle of joy.
It wasn't human at all,
it was a robot boy!
He wasn't warm and cuddly
and he didn't have skin.
Instead, there was a cold, thin layer of tin.
There were wires and tubes sticking out of his head.
He just lay there and stared,
not living or dead.
The only time he seemed alive at all
was with a long extension cord
plugged into the wall.
Mr Smith yelled at the doctor,
'What have you done to my boy?
He's not flesh and blood,
he's aluminium alloy!'
The doctor said gently,
'What I'm going to say
will sound pretty wild.
But you're not the father
of this strange-looking child.
You see, there still is some question
about the child's gender,
but we think that its father
is a microwave blender.'
The Smiths' lives were now filled
with misery and strife.
Mrs Smith hated her husband,
and he hated his wife.
He never forgave her unholy alliance:
a sexual encounter
with a kitchen appliance.
And Robot Boy
grew to be a young man.
Though he was often mistaken
for a garbage can."
Tim Burton, in The melancholy death of Oyster Boy.