segunda-feira, 10 de março de 2008

Se a Morte chegar e perguntar por mim, faça-me o favor de dizer a ela que volte amanhã

A primeira vez que ouvi Diamanda Galás foi há uns 15 anos atrás. Foi em algum programa totalmente alternativo na falecida Fluminense FM, a Maldita. Talvez algum com José Roberto Mahr ou a Selma Boiron num distante domingo à noite. Foi assustador. Porque era uma rádio de puro rock - R.E.M., Whitesnake, Echo - e, de repente, tocava um fragmento do concerto de Plague Mass. Pura ópera para trilha sonora de filme de terror gótico alemão. Dava vontade de sair de perto, mas não consegui mudar a estação. Era uma sensação muito louca, de gente louca fazendo música para gente louca.

Pois que o mundo deu muitas voltas e eis que caiu no meu colo o anúncio para um show de Diamanda. E lá vou eu, morrendo de medo, dia 18. Às vezes, a gente tem que ser submetido a um tratamento de choque para exorcizar os maus espíritos e tomar controle da situação.

Talvez escute Si La Muerte, que acho uma grande brincadeira. Dou sempre risada do cara que manda a Morte voltar outra hora porque tem muito ainda por fazer. É genialmente irônico.

Tenho a tendência a dormir em ópera, ballet, performances. Quanto mais clássico, pior. Quanto maior a duração, pior. Vou entrando em um estado zen-alfa e abstraio completamente. Olhos lacrimejantes, bocejos irresistíveis.

Paira a dúvida. Vou me assustar, dormir ou dar risada?

4 comentários:

Caco disse...

Só para constar: nada de Si La Muerte.

Ale Weerth disse...

E aí? Como foi o show? Adoro essa mulher, vi um show dela há uns 10 anos e ela cantava com as vísceras. Não sei se ainda é assim.

Caco disse...

E aí Werth? Bom, o show foi bizarro, no melhor sentido.

Para começar, tinha cada figuraça na platéia. Esperando a hora de entrar na Sala, dava para perceber os góticos, punks, ou seja, um povinho que emergiu dos dungeons. Honestamente, percebi que aquela não era a minha praia. Logo eu, solar, bronzeado, dos trópicos no corpo e na alma. Mas não deixo de curtir algo de qualidade quando vejo uma.

Quando DG entrou no palco, ela me pareceu uma digna senhora, com vozeirão, mas uma digna senhora. Acho que eu tinha a imagem de uma mulher mais jovem. El tiempo passa...


Entre as loucuras cantadas, o melhor (e o que me soava familiar) foi O Death, Down So Low, Autumn Leaves.

A única interação com a platéia foi no meio do show numa conversa em que ela atacou alguns e elogiou outros da mídia inglesa. Compararam ela a uma Shirley Bassey gótica numa revista, para quê... Uma voz muito suave, quase sussurada, na conversa era um contraponto absurdo para tudo o que a gente vinha ouvindo nas canções.

Encore? Só depois de muito aplauso, mas muito mesmo. Mas valeu. Primeiro, Gloomy Sunday. E, depois de muito mais aplauso ainda, 25 Minutes To Go.

Mais uma missão cumprida. Mais um
tick-in-the-box.

Boa Páscoa.

Caco disse...

A propósito, me assustei, cochilei e dei risada.

Ale - Fiquei te devendo um "e" ;-) Abraço.