sábado, 8 de março de 2008

Don't look back in anger

Quando chegou em casa, tirou a carteira do bolso e a jogou displicentemente em cima do sofá. Tirou os sapatos pisando nos calcanhares. Os pés estavam gelados por ter ficado tanto tempo no frio da rua, de papo furado. No caminho para o banheiro, já deixou o celular em cima da estante no corredor. Um livro caiu em cima dele, mas nem se importou. Usou o banheiro para um número 1 e lavou as mãos com dignidade. A torneira do bar só tinha água fria e aquele maldito secador de mãos automático quebrado. Os olhos estavam meio vermelhos e pensou no quão bêbado ainda estava - beba com moderação, bem com moder..., beba! Enquanto arrumava a cama, a calça desabotoada caía cintura abaixo. Rememorou o que tinha dito e ouvido naquela noite. Das risadas sonoras nos momentos de ridículo, sorriu novamente. O livro de cabeceira voou do meio do edredom para o chão. Sacudiu a cabeça porque deveria ter ficado calado, sem usar aquela frase de efeito ridícula. Onde foi parar o chinelo? Achava que a conta deveria ter sido rachada por todos - teria sido mais justo - mas não é de bom tom ficar discutindo se alguém faz questão de pagar tudo. Tirou o relógio constatando que estava realmente muito tarde. Nada o tiraria cedo da cama no dia seguinte. Camisa, calça, underwear trocados - algodão de dormir, suspirou inconscientemente. Amanhã literalmente não ia lembrar de mais nada. Que reconfortante.

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