quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Como julgar o livro se todas as capas forem iguais?

Encostei numa banca dentro da livraria. Espalhados estavam os zilhares de paperbacks em promoção. Passei os olhos rapidamente e quando estava dando aquela última olhada, já como o corpo virado, meus olhos captaram os bustos de duas mulheres numa pintura clássica. Irresistível não ir ver o que era: Jane Austen, Sense and Sensibility. Pensei como os livros deveriam ter todos as mesmas capas. Só esta heresia poderia levar à diferenciação pelas palavras do autor, pelo interesse do leitor em abrir as páginas e julgar o conteúdo. Um não exisitiria sem o outro. Julgar sem ler o livro seria tão vazio quanto tê-lo mal escrito. Acabaria o jogo das aparências, o livro está aberto para todos abundaestáexpostanajanelaprapassaramãonela. Acabaria o jogo do julgamento antecipado, superficial e leviano. Esta é minha resposta para você que, sem qualquer tentativa de conhecimento, julgou e condenou pelas aparências.

De mentes que brilham

Temos que tomar muito cuidado com o que desejamos. Porque pode se tornar realidade.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Rapaz, interrompido

É capaz de cobrir muitos assuntos em um curto espaço de tempo. Sempre temos a impressão de que fomos de norte a sul quando passamos um tempo conversando. Na verdade, a cada interrupção, o fio da meada é perdido. Desmemoriado e incapaz de voltar ao assunto inicial, engancha num assunto novo que desenvolve com naturalidade, entre muitas risadas e inserções inteligentes. Até a próxima interrupção. Entrei naquela mente beingjohnmalkovich e descobri que tudo está completo, concluído e encerrado: não há nós desatados. Rememorando as conversas, elas parecem com soluços depois da Coca-Cola gelada mas, na sua mente, isto nunca existiu.

Não dá para largar

Estou lendo um livro muito ruim. Dá a sensação que o autor está um passo atrás na evolução da literatura. Há, aqui ou ali, uma ou outra frase de efeito mas que não resiste à uma análise mais profunda. Só que resiste em mim uma atração mórbida em continuar a leitura até a última página. Só para confirmar, capítulo após capítulo, que tudo é muito ruim, nunca melhora. Só para dar um suspiro aliviado quando tudo é finito. A gente se agarra a uns relacionamentos assim.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Afronta a um sedentário

As pessoas correm aqui. E como correm. De manhã cedo. No frio. Vão para o trabalho correndo. Correm com a mochila nas costas. Vestem thermals. Com os seus Ipods. Respiram com dificuldade. Estão fora de forma. Estão correndo. E no frio. Alto impacto. Tornozelos martelados, batendo, batendo, batendo. Fico cansado só de ver.

Veni, vidi, vici

Se você faz uma pergunta, tem que se preparar para ouvir a resposta, por mais dura que ela possa ser. Tenho consciência que falo demais nas poucas vezes que falo. Aquela sensação de duh depois de referir-me casualmente a um restaurante a que fui no Japão duh. A mera vontade de partilhar experiências fica parecendo uma esnobada sem a menor intenção. Quando perguntei ao Sr W sobre o que ele achava a respeito, recebi a cândida resposta: bicho, você não precisa falar ou fazer nada referente a o que você sabe, fez, faz ou é. Você já se estabeleceu. Tão lamentavelmente óbvio. Quando a gente precisa ouvir isto é que a percepção está muito ferrada, distorcida. Ainda bem que tem alguém para dizer fuck off, você não precisa provar nada para ninguém. Tenho que agradecer também ao Sr F que me explicou algo semelhante entre livros numa tarde quente, algo sobre auto-afirmação.

Põe para fora

Filmado em locações em Londres: Mercado de Spitalfields, próximo da estação de Waterloo e Richmond.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Swinton, Day-Lewis, Hitchcock & Kelly

Para quem possa estar surpreso por Tilda Swinton, ela nem precisa de premiação nenhuma. É uma figurinha meio alternativa, ruiva e de olhos verdes, um bichinho esquisito vivendo nas Highlands. Mas é brilhante. Assistam a Orlando e entendam do que falo. Ela já ficou numa caixa de vidro numa instalação de arte na Serpentine Gallery. Mucho loca. Daniel Day Lewis, por sua vez, sempre me parece um pouco exagerado. Talvez com um pino a menos estou falando sério. Ele não me encanta - ele me dá medo. Aquelas veias na cabeça saltando são sinais de um homem à beira da insanidade. Ainda no barco cinematográfico, durante as semanas passadas, o grande assunto dos blogs foi a Vanity Fair e as fotografias dos filmes de Hitchcock. Também as vi - e as melhores que achei foram as da Jodie Foster e da Charlize Theron. Mas vamos para um original de 1954:

Fotograma: Dial M for Murder - 1000 Frames of Hitchcock

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Fairtrade, por um comércio mais justo


A cadeia produtiva tende a beneficiar quem está mais próximo do consumidor. Normalmente, neste estágio, o produto em questão já foi elaborado e seu valor agregado é maior. Além disto, os custos associados com logística e intermediários tendem a ser integrados, levando a uma aumento global dos custos. Enquanto isto, lá no outro extremo da cadeia, o produtor está vivendo muitas vezes a base de uma margem lucro miserável - principalmente nos países do Terceiro Mundo. O movimento Fairtrade passa a existir neste contexto.

Fairtrade é um movimento que promove o pagamento de um preço justo aos produtores. Estes preços nunca devem ficar abaixo de um valor mínimo e ajudam a sustentar o desenvolvimento local, sejam as condições de trabalho como as ambientais nos países do Terceiro Mundo. O objetivo maior é o de evitar injustiças e discriminações contra pequenos produtores, permitindo que sua posição comercial seja fortalecida.

O Reino Unido é um dos países que mais promovem o sistema Fairtrade. A influência é exercida principalmente pelas redes de supermercados - Sainsbury's, Waitrose, Tesco. Estas redes têm um poderio considerável neste país e exercem uma influência absurda em toda a cadeia. A maioria das prateleiras de produtos primários - frutas, café, chocolate (cacau) - têm obrigatoriamente produtos Fairtrade.

Consumidores se vêem de uma certa forma impelidos a comprar este tipo de produto por uma questão de sentimento de culpa. Esta é a oportunidade de fazerem algo para reduzir a pobreza no terceiro mundo. A idéia é reduzir a caridade através da doação de dinheiro e sim promover o desenvolvimento de forma ativa.

Entretanto, começa-se a observar uma atitude questionadora dos consumidores. A pergunta que fica é - Por que devemos comprar produtos Fairtrade se, afinal de contas, todos os produtos não deveriam ser resultantes de práticas comerciais justas? Isto, para mim, mostra que o futuro reserva uma pressão do público em geral para uma prática mais justa de forma indistinta - todos os produtos terão que ser Fairtrade.

Outra nova constatação é que os consumidores estão se cansando de ter que escolher entre os produtos éticos. Somos bombardeados por produtos Orgânicos, Fairtrade, Orgânicos+Fairtrade, produtos da estação (Season), ou produzidos localmente (para reduzir o carbon footprint). É ironicamente uma carga de culpa tão grande que eles podem desistir e comprar o produto mais barato na prateleira - que usualmente é aquele que não carrega certificação alguma.

Um fator interessante é a qualidade dos produtos Fairtrade através dos tempos. Antigamente eram produtos toscos, de sabor duvidoso que ostentavam apenas um conceito legal. O tempo marcou uma considerável mudança de patamar. Evidentemente, notaram que os consumidores não tolerariam baixa qualidade e preços mais altos só porque estariam ajudando o terceiro mundo. A qualidade deveria acompanhar, e foi o que espertamente fizeram.

Pessoalmente, ainda acho que o interesse genuíno por produtos Fairtrade é questionável. É uma pressão social e estranhamente provocada por um grupo de supermercados. Sei que é uma heresia pensar que os consumidores possam ser influenciados desta forma, mas acredito nisto. Vejo que os questionamentos que os consumidores passaram a ter é como se fosse uma grande vingança contra os próprios comerciantes. Logo tomarão as rédeas do jogo exigindo o comércio justo em todas as transações.

Finalmente, esta semana começa o Fairtrade Fortnight 2008 - 15 dias de promoção dos produtos Fairtrade no comércio inglês. É o momento em que eles promovem a conscientização dos consumidores. Além disto, um canal de televisão exibirá o instigante e premiado filme Black Gold, sobre os produtores de café da Etiópia e a sua luta por preços mais justos para o café.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

É solitário lá em cima

É muito triste quando o cara chega ao topo de sua carreira e os subordinados não gostam dele. Ele é meramente tolerado para os assuntos profissionais e torna-se impossível qualquer assunto de cunho informal. Aquele encontro na hora do almoço na copa do escritório é marcado pelo silêncio sepulcral e uma atmosfera que pode ser cortada com uma faca.

É uma via de mão dupla. Tem gente que faz parte da casta dos chefes que se isola na sua suposta superioridade, passando a caminhar alguns centímetros acima dos demais. Tem gente que é isolada pela equipe que se aglutina ao seu redor mas não deixa que ele seja parte dela. Ser chefe não é fácil não: tem que dizer não, tem que comer o rabo, tem que aprender a viver com gente que adoraria não te ver como chefe. Rapaduraédocemasnãoémolenão.

Muito embora eu acredite que consiga mudar a opinião das pessoas e fazê-las jogar no meu time, se não fosse bem sucedido, possivelmente eu riscaria o cateto, afofaria o pelo, queimaria o chão, picaria a minha mula - zarparia, enfim. Confesso que sou um homem de constituição fraca e não agüentaria um ambiente como este.

It is lonely at the top.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Um bagaço

Meu amigo Sr W esteve a me visitar. Esquadrinhamos a pé todo o centro de Londres no fim de semana. Muito embora eu tenha feito isto com um prazer inenarrável, meu cansaço se acumula de uma forma absurda. A casa está em caos, pés clamando por vingança, papelada acumulada para ser organizada, uma sensação de ressaca que não passa. Fui hoje bate-e-volta à Birmingham. Peguei o VirginTrain das 7 da madruga, depois de um jantar até mais tarde com o Sr e Sra F ontem. Peguei o vagão QuietZone e espero não ter roncado muito. Enfim, no meu destino, assisti a um surpreendentemente interessante seminário sobre Fairtrade. Consegui bravamente me manter acordado através das horas do dia. Idéias a respeito serão publicadas assim que me recuperar.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Uma tropa de qualidade

Então a tropa de elite invadiu Berlim e levou o leão para passear. Quando do lançamento, já estava por aqui e só acompanhei de longe todo o barulho em torno do filme. Surpreendentemente nunca nem mesmo assisti a nenhuma cópia pirata praticamente onipresentes no Brasil. Tropa de Elite tornou-se uma referência de linguagem, música, piada e o fenômeno das cópias não autorizadas evidencia isto. Antes dos Ursos, lembrei-me de O Quatrilho, que foi indicado ao Oscar. Torci pelo filme, sem tê-lo visto, ainda no calor do soubrasileirocommuitoorgulhocommuitoamor. Lembrem-se todos que o filme não levou o prêmio. Quando o assisti, entendi o porquê: o filme é entediante ao extremo. Para ter sido indicado, possivelmente a safra internacional daquele ano devia ter ser muito baixa. Quando a Tropa não foi selecionada para representar o Brasil no Oscar e, no seu lugar, foi indicado um outro filme (O ano em que meus pais saíram de férias) pensei que era uma resposta ao efeito Quatrilho. Algo extremamente popular mas de qualidade duvidosa. E também tem o efeito criança: é só colocar uma criança no filme que as chances de premiação aumentam. Parece que este não é o caso - parece que a Tropa era realmente de qualidade, finalmente.

Em 5 minutos

Um constrangimento ruborizante, uma decepção amarga, uma fúria contida, um descaso desdenhoso, uma presença de espírito única, uma rehabilitação corajosa e uma certeza que volta a ser absoluta. Tudo passou por mim como um vento forte numa noite fria.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Switched on

Esta é a iluminação especial da Tower Bridge nesta semana. Parte do projeto Switched On London. Siga o link e veja como ficaram as outras atrações da região do Pool of London.

Lembranças de um verão #2

Conversávamos alegremente sobre as simpatias para o início do ano. Pessoalmente dava risadas porque nunca fiz nada daquilo, minha natureza distraída sempre me impediu de lembrar de fazer qualquer coisa na virada do ano. E, era sempre melhor ficar tomando champanhe mesmo. Neste ano, nossa mesa de comes e bebes para o réveillon era pouco ortodoxa. Depois de peregrinar pelas padarias do balneário commaisgentedoquemereceporm², vasculhando os doces mais decentes possivelmente fornecidos, sobrou a nós comprar sonhos. Aqueles sonhos de padaria, recheados de creme ou doce de leite.

Daí, no meio da noite, alguém começou a dizer que comer sonhos na virada do ano trazia sorte. E outra pessoa disse que era uma tradição de tempos imemoriais. Olharam para mim, e já emendaram dizendo que, na verdade, a tradição começou na Inglaterra. E outra gozadora disse que a Rainha não passava sem os seus sonhos no réveillon (será que ela os chamava de dreams?). Eu, formigão, já estava no terceiro sonho, arremessei a tradição que eu tinha visto aqui no Reino da Rainha: tinha que se concentrar no desejo e comer o sonho e que o ideal era comer um para cada mês do ano. Não sendo otário e, enquanto todo mundo falava suas bobagens, já estava em março. E, assim, a noite foi empanturrada e regada a muitas risadas até os fogos de artifício que anunciaram 2008 e seus sonhos.

Não me lembro o autor da foto - talvez o Jacinto, talvez a Sílvia.

Lembranças de um verão

Todos os dias ia para a praia de manhã. Portava meu bermudão, rayban, Sundown e havaianas. Na procissão seguida do apê para a praia a distração era grande. Manhã de verão, depois de ir para cama tarde. Normalmente sou mais calado ainda de manhã, sem conversinhas por favor. Mas é chegar na esquina e olhar para a areia cegantemente branca e o mar ultrajantemente azul que tudo mudava. E a trilha sonora era feita por um tiozinho que colocava o equipamento de som na varanda do seu apartamento no quinto andar e acompanhava rocks e blues com sua guitarra e um potencial baseado. Tocava para o mar, para a paisagem, para nós. Tudo isto numa Praia do Forte de um Cabo Frio.

Trilha sonora: The wind cries Mary. Jimi Hendrix.

Rehab

Decidido em me alimentar de uma forma mais saudável aqui na terra do sanduíche, tenho feito experiências culinárias. Muitas verduras, muitos legumes. Meu caso de amor com o sal está terminado - resta um fiapo de saudade. O mais radical foi ter abandonado a farinha - dependendo do grau do vício, é quase necessário ir para a clínica de rehab. Massas, pães, biscoitos, o céu, adeus acho que estou surtando agora. Mas, como resultado, já me sinto desinchado e esta sensação é melhor do que o sabor do sanduíche. Naturalmente, como me ensinou a nutricionista, me dou um dia livre na semana my junk food day. No início, ficava desesperado para comer tudo quanto é tranqueira, mas agora a ansiedade já baixou. Parti para o wheat-free, gluten-free, e fiquei me perguntando será que sou celíaco. Estamos na Quaresma e é o período em que também corto carne vermelha. Dos problemas naturebas: fui comer o cereal ontem de manhã e crack quebrei um pedaço do molar. Enfim, é também uma chance de exercitar o meu repertório de palavrões.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Enquanto fazia compras

Não, não pode. Costeleta. Não ficava bem nem no Elvis Presley, ícone divulgador. Skinny jeans. Só na propaganda pode ficar até engraçadinho, mas devia ser proibido para o homem comum, independente da idade. Cueca aparecendo na cintura. Não estou a fim de saber se é Calvin Klein, Diesel, xadrez, colorida e acho que ninguém está a fim. Casaco tipo bote inflável. Pode proteger do frio mas existem outras coisas que também protegem. North Face é marca esportiva, portanto, que restrinja-se a quando for subir a montanha, esquiar ou ir para altas latitudes e no inverno. Mulherada ir para o trabalho de tênis e colocar o salto no escritório. Raciocínio é similar, portanto não me estenderei. São pequenas casmurrices depois de uma tarde de compras. Pode estar na moda, nas revistas, todos podem estar usando, mas, se o absurdo é evidente, não há desculpa.

Feliz Ano Novo, China

Londres está com a iluminação especial para comemorar o ano novo chinês, usando o calendário lunar. Além disto, a região do Pool of London (Tower of London, Tower Bridge, HMS Belfast, London Bridge, Southwark Cathedral) está com uma iluminação diferenciada, econômica e ecologicamente correta. Hoje a ponte estava azul e o HMS ficava mudando de cor. Quando o navio ficou vermelho, parecia um bordel flutuante.

Créditos: A foto favoritada no flickr é de Chris John Becket e chama-se 'Chinese New Year lanterns, Oxford Circus, London'.

Nada de stress na sexta, por favor

Tenho conhecido uma mulherada workaholics. Daquelas que estão ligadas o tempo o todo no Blackberry, bolando estratégias para corte de custos e aumento dos lucros, celulares a mil, trabalho até altas horas e no fim de semana. Sintomas clássicos que já viraram lugar-comum na VocêSA.

Esboço um sorriso perplexo quando penso a respeito. Acho particularmente interessante esta movimentação. Não é uma reação ao mundo dos negócios dominado pelos homens ou qualquer outro chavão semelhante, mas pura insegurança do ser humano - independente do sexo. É o mergulho de cabeça na vida profissional pela incapacidade de encarar a vida pessoal. Manda-se o o bom equilíbrio de vida para o lixo.

Ora, vendemos nossa capacidade física ou intelectual por um certo preço fixo mensal de acordo com o número de horas dedicadas - usualmente regulares durante a semana. Salvo emergências, das 8 às 5. Gerenciando o seu tempo apropriadamente, é possível entregar o combinado no período. Ficar depois do horário é sinal que algo vai errado - mau gerenciamento do tempo ou a gente combinou em excesso.

Além de cuidar da rotina e emergências, já reparou que somos capazes de tocar 2 a 3 projetos por dia (idealmente 2)? Aumente isto e o planejamento e controle ficam caóticos e as pessoas estressam. Posso ser queimado na fogueira dos heréticos corporativos, mas é verdade. E, francamente falando, nada pior do que trabalhar com gente estressada, gente correndo de um lado para o outro, gente pouco focada. A energia ao redor é dissipada e interrompida - dá para sentir.

Não faço a apologia do ócio nem de ambientes de trabalhos pouco desafiadores, vulgarmente conhecidos como a curva-de-rio dos vagabundos. Acredito num ambiente equilibrado que desafia os indivíduos a desenvolverem trabalhos de qualidade.

Gente, e hoje é sexta e fez um dia de sol e céu azul lindos em Londres.

Con los hombres azules

Admiro aqueles que são capazes de transformar sua rotina ou a coisa mais corriqueira que lhe acontece naquela história que você se contorce de rir. É um dom, com o qual o Senhor não me abençoou. Minha vidinha sempre soou mais desinteressante do que ela já genuinamente é - ou talvez eu seja um péssimo contador de causos. Mas, graças a Deus, tenho amigos divertidos. 'Y a ti te deseo que de cascabeles, pífanos y timbales sea alegre tu camino. Que nunca te sea adverso el destino. Que encuentres en tu vida amigos diáfanos y entretenidos.' Manolo García.

Calado

Uma vez viu o Bono. Ficou frente a frente com a Escrava Lucélia Santos Isaura. Caminhou ao lado de Jeremy Irons para fazer a mesma conexão. Ensaiou um bomdia para o Sílvio E o Bambu? Santos. Achou curioso o penteado de Baroness Thatcher sendo conduzida, sem contar Rod Stewart tirando as malas do carro (não o mesmo carro). Tarantino e Sophia Coppola tomando um café lhe pareceu um casal improvável e bizarro. Nunca atravessou a barreira para pedir autógrafo - eternalmente blasé. Num ataque de ansiedade, vai bloquear quando te ver, não vai dizer nenhuma palavra, como se novamente bancasse o blasé, e vai se arrepender amargamente 5 minutos depois.
Escrito há vários meses atrás, iria para o cemitério dos rascunhos. Não gostei muito original, nem tão pouco desta versão, mas paciência. Não tem nada a ver com o que estou pensando agora e deletarei se tiver comentários negativos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Pick of the week: Diamanda Galás, Si la muerte

Si la muerte viene y pregunta por mi, haga el favorde decirle que vuelva mañana que todavia no he cancelado mis deudas, ni he terminado un poema, ni me he despedido de nadie, ni he ordenado mi ropa para el viaje, ni he llevado a su destino el encargo ajeno, ni he echado llave en mis gavetas. Ni he dicho lo que debia decir a los amigos, ni he sentido el olor de la rosa que no ha nacido, ni he desenterrado mis raices, ni he escrito una carta pendiente, que si siquiera me he lavado las manos, ni he conocido un hijo, ni he empredido caminatas en paises desconocidos, ni conozco los siete velos del mar. Ni la canción del marino. Si la muerte viniera, diga por favor que estoy entendido y que me haga una espera que no he dado a mi novia ni un beso de despedida que no he repartido mi mano con las de mi familia, ni he desempolvado los libros, ni he silbado la canción preferida, ni me he reconciliado con los enemigos. Digale que no he probado el suicidio, ni he visto libre a mi gente, digale si viene que vuelva mañana, que no es que le tema pero, ni siquiera he empezado a andar el camino.
Miguel Huezo Mixco

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Descontinuação

Estava concentrado hoje nos meus afazeres tentando montar uma apresentação sobre café para uma empresa autraliana com material da Coréia do Sul, Japão e Europa. Cruzando informações, descobri que a Coca-Cola comprou parte de uma empresa de chá nos Estados Unidos chamada Honest Tea. Fui pesquisar o site da empresa e achei curioso o fato deles terem uma página para os produtos que foram descontinuados. Fuçei esta página em específico e encontrei a seguinte orientação para consumidores inconsoláveis mas que, na verdade, é uma pérola por si só:

And remember, "Don't cry because it's over. Smile because it happened." Dr Seuss.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Beauty inspires obsession #8


Feliz Ano Novo, Brasil

Quase esqueci que é Carnaval. Lá vem a bateria da Mocidade Independente. Hora de arrumar a mochilona e ir para algum lugar ensolarado. Não existe mais quente, não existe mais quente. Quatro dias e meio para pegar um sol fantástico, tomar muitas Skol e comer churrasquinhos deliciosos com um monte de gente. É festival de cor é a alegria da mocidade, salve a Mocidade. Dar risada ao chegar no destino depois de um engarrafamento ridículo que fez a distância de 1 hora se transformar em 3 (ou mais) horas. Salve a Mocidade Tudo vai se transformar em causo na volta - para contar para aqueles que ficaram para trás. Como não sou exatamente um folião, não comentarei sobre bailes ou similares. Mestre André sempre dizia: "Ninguém segura a nossa bateria" Mas fica na mente as luzes e a música, até uma sambada quando já se está no grau - principalmente quando se toca um samba ou uma música de carnaval de verdade. Enquanto isto, espero aqui a neve para amanhã e a volta ao trampo na segunda. Padre Miguel é a capital da escola de samba que bate melhor no Carnaval.