Vi apenas que seus olhos estavam marejados enquanto você olhava na distância. Decidi não insistir em nenhum diálogo porque me incomodava ouvir sua voz alterada pelo nó na garganta. Um nó que eu sentia ser incapaz de ajudar a desatar. Estava perdida nos seus próprios pensamentos, concentrada em colocar as perguntas em ordem. Sabia por si só que poderia responder a todas elas numa única tacada - era uma questão de encaixar as peças. Estava esperando um sinal, um email, telefonema, uma palavra do tipo vemcomigonocaminhoeuexplico ou um catalisador qualquer. Algo que pudesse retirar aquela sensação de ar parado nos pulmões, expelindo tudo num suspiro. Eu já tinha visto aquilo uma vez. Você me contou que sentia medo de ouvir um não. Isto te imobilizava. Por Deus, era por isto que brincava sem parar com o flip do celular - abrefechaabrefechaabrefecha... As horas nunca bastavam, tomaria uma atitude em uma hora, em meia hora, numa hora cheia qualquer, numa hora meia qualquer, na hora que fosse conveniente, na hora que desse, na hora em que tivesse coragem para ouvir um não. Eu compreendia mas estava aflito. Medo é o contrário do amor, haviam me dito isto há muito tempo e eu achei uma bobagem tão grande que nunca tinha ousado repetir. Tive vontade de te dizer, mas você já sabia que esta era a resposta.
6 comentários:
sensacional isso aqui, caco...
este texto é teu?
Estou de volta. Dessa vez pra ficar....
Aos poucos vou tirando o pó, colocando as coisas no lugar... dando cara nova....mas voltei...
Portanto minhas visitas voltaram a ser mais frequentes por aqui...
E que 2008 lhe seja o melhor possível.
Bons Sonhos!
Caco, tenho cada vez mais certeza de que medo eh o contrario do amor. O medo imobiliza mesmo :(
WEERTH - Sim, isto é de minha autoria. Sempre me surpreendo quando descubro que há gente que lê o FdG, e mais ainda quando descubro que gostam.
SANDMAN - O homem de mil vidas! A gente se fala. Feliz 2008.
SUNRISE - A-hã.
Beijos, abraços a todos & stay beautiful.
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