quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Pick of the week: Blur, Country House

"(So the story begins) City dweller, successful fella thought to himself: "Oops, I've got a lot of money caught in a rat race terminally. I'm a professional cynic but my heart's not in it. I'm paying the price of living life at the limit caught up in the century's anxiety". Yes, it preys on him. He's getting thin (try the simple life). He lives in a house, a very big house in the country. Watching afternoon repeats and the food he eats in the country. He takes all manner of pills and piles up analyst bills in the country. Oh, it's like an animal farm - that's the rural charm in the country. He's got morning glory and life's a different story. Everything's going jackanorry touched with his own mortality. He's reading Balzac, knocking back Prozac: it's a helping hand that makes you feel wonderfully bland. Oh, it's a century's remedy. For the faint at heart, A new start (Try the simple life). He lives in a house, a very big house in the country. He's got a fog in his chest so he needs a lot of rest in the country. He doesn't drink, smoke, laugh. Takes herbal baths in the country. You should come to no harm on the animal farm in the country (Blow, blow me out, I am so sad, I don't know why)."

Stormy weather

Amanhã vai nevar.

Ordem

Quando aquela voz dentro da sua mente ficar falando faça isto, faça aquilo responda ora, vá fazer você mesmo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Joelho de peregrino

Sem querer, fiz alguns movimentos que intimidaram o meu joelho apodrecido. Podem tomar-me por um jogador de futebol, mas abandonei esta formidável oportunidade de carreira aos 12 anos.

Ele começou a doer na saída de Santo Domingo de La Calzada, maio de 2001. Dor idiota. Numa descrição exagerada e simplista seria como se o joelho fosse se abrir e a rótula estivesse pronta para ser cuspida para fora. O frio da manhã agravava um pouco, ainda mais depois do frio do dia e da noite anteriores. Havia dormido num Convento e ainda me pergunto se casar com Jesus significaria passar frio.

Caminhei incomodado, atravessei a cidade e manquei um pouco até chegar à ponte. Era atravessar o Rio Oja. Isto me remetia ao vinho da noite anterior (e, agora, a muitos vinhos que tomei desde então até hoje) e me distraí com aquele marco. Neste momento, tendo o corpo já aquecido, me esqueci das dores.

Tudo mudou dias depois que cruzei Castrojeríz. Tomei o café no bar do Toño, e fui negociar a montanha para chegar nas planícies, nas mesetas, de Palencia. Subi a uma boa velocidade, agora sei que demasiada, na estrada enlameada da chuva da noite anterior. Quando cheguei ao topo, parei para a água e a indefectível fotografia. Só me lembro da minha mão sobre o joelho - gesto imortalizado numa fotografia do álbum.

Este era o sinal do que estava por vir. 'Para baixo, todo santo ajuda' - my ass! A descida da montanha teve que ser feita jogando todo o peso sobre a outra perna. Este é o risco de quem está sofrendo de tendinite: desviar o peso para o outro membro e provocar outra tendinite. Fui me arrastando até uma sombra de onde podiam ter uma vista de toda a descida da montanha. Todos aqueles que eu tinha encontrado no trecho já haviam chegado e parabenizaram-me pela chegada - era evidente que sabiam o que tinha acontecido.

Parei em Itero de la Vega - um vilarejo perdido entre o nada e o lugar nenhum. Depois do jantar, a noite foi fechada por um cara que ofereceu uma sessão de cura por imposição das mãos. O alívio chegou alguns dias depois, depois de algum descanso e muito Cataflan. A cura, esta nunca chegou.

Renato Aragão

Além da semelhança, outro Rambo só pode ser piada. (Foto Reuters).

Estranhos num trem

sábado, 26 de janeiro de 2008

Tropa de elite

Tuesday, 11 December 2007, 14:15 GMT
London's teenage victims of violence: London has seen 26 teenagers killed in 2007. (Leia a matéria da BBC London aqui)
Last Updated: Saturday, 26 January 2008, 20:39 GMT
Teenager dies after park attack: A teenager has died in hospital after an attack with a "blunt instrument" in a west London park. (Leia a matéria da BBC aqui)

Enquanto isto, no Rio de Janeiro...

Retrato-falado

Sei que o assunto é sério, mas não resisti a este comentário.

Vejam abaixo o retrato-falado do potencial (sim, assim o descrevo porque ainda não engoli esta história) seqüestrador da Madeleine:

E, pensei, putz já vi este cara antes. Até que levei um susto quando lembrei:

George Harrison!

Pode mandar a outra

Auto-comiseração é uma das coisas mais repelentes que conheço. Afasta os mais resistentes e pacientes ouvintes, deixando um ranço de cansaço e torpor. Aquela lengalenga de quem incrimina o mundo e o culpa o destino por tudo, vivendo um passado não concretizado sem conseguir olhar um palmo à frente. Muitos que me conhecem - e até alguns que pouco me conhecem - me diagnosticaram com isto no ano passado. Até eu estava cansado de mim mesmo que não chutava mais o pau da barraca.

É, fui levando caixote em cima de caixote, entrando muita água pelo nariz e areia na sunga - sem qualquer controle. Fui arrastado para a praia, para a conclusão de que não adianta chorar porque ninguém vai sentir peninha. Saí de quatro na areia bem longe de onde eu tinha mergulhado no mar, muito diferente do que eu tinha planejado. Mais uma vez, sim, mais uma vez, o negócio era sussurar fuck off, sair com o resquício de dignidade, sem passar recibo. Já tomei uma ducha e tirei o sal - com o orgulho ferido e a lição aprendida, tô pronto pra outra.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Janela indiscreta

O frio agora lá fora está em 4ºC. Desisti de fazer qualquer coisa e me aquartelei no quarto - arrodeado dos livros a ler, dos rascunhos a desenvolver, dos artigos interessantes do jornal do fim de semana passado. Deixei no corredor o cheiro do stir fry vegetables (hey Sunrise, may I join the cooking club?). Escrevo agora na bancada, na frente do aquecedor que apazigua meu ânimo, olho pela janela que precisa de uma limpeza, acompanhando os aviões que cruzam delesteproeste, os barcos de festa com bizarras lâmpadas roxas e as luzes refletidas no rio - não de uma noite estrelada de Van Gogh, mas simples postes na outra margem. A vizinhança, por sua vez, está lavando a louça nas suas respectivas cozinhas, e alguns em trajes sumários revelando mais, muito mais, do que deveriam - cofrinhos e porta-jóias deveriam ser mantidos num local seguro, longe da vista do público. A fumante do andar de baixo enfrenta o frio da janela entreaberta para manter a fumaça do lado de fora. A arrumação continua na cobertura. E uma televisão permanece continuamente ligada nightandday. Se eu for vítima do mesmo escrutínio, tentarei sobreviver às descrições de um cara com eterno badhairday, olhando pela janela e eventualmente escrevendo algo no computador.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Memorable quote #4

"Midi 15, rire de gorge évoquant l'orgasme, motif : plaire au mâle dominant."

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Resoluções de Ano Novo

Já fui acusado disto tantas vezes que já me encheu o saco. Portanto, antes que qualquer um fale qualquer coisa, já digo: metódico my ass.

Este ano resolvi fazer uma lista de resoluções de ano novo. De antemão, já dizia comigo mesmo que era ridículo demais. Todas as minhas resoluções nunca duraram mais do que o tempo entre a champagne do réveillon e a ressaca do dia seguinte - quando tudo volatilizava junto com o álcool. Como nada é perfeito, procrastinei pegar na caneta e papel o quanto pude - vejam só, é quase fevereiro. Mas tudo vinha sendo marinado, ou fermentado se preferirem, cozido em fogo baixo, há algumas semanas.

Rascunhei meu mapa mental, daqueles cheios de setas e desdobramentos de metas. Quem me conhece sabe que podem deixar as estratégias comigo, e if all else fails vou descolar o meu plano B possivelmente perdido entre a papelada. Não fui muito duro comigo mesmo porque não quero me estressar. Então cortei um monte de coisas. Quero manter minha usual irritante serenidade frente ao desespero frenético dos outros à minha volta. Mantive o essencial.

Vou cuidar da saúde, do meu coração, de dar risada e do meu bolso. Tão simples quanto parece. Vou cuidar disto porque, da minha vida, já tem um monte de gente cuidando.

Respiração voluntária

De repente tomei consciência de mim mesmo novamente. Aquela fração de segundo em que a gente divaga, vai longe, entra na fase REM do sono e, quando vai ver, está com o carro a 80 km/h em frente ao muro de concreto. Figurativamente falando.

Estava na livraria do aeroporto, acordei quando um carrinho cheio de malas me abalroou. Eu olhava no vazio, na frente da banca dos livros de auto-ajuda e eu estava com um na mão, folheando, parando num parágrafo ou noutro, procurando o sentido naquilo tudo. Uma linha, dois capítulos, três livros, quatro prateleiras e nada. Estrutura de fórmulas, façaistonãofaçaaquilo, realidades e necessidades muito diferentes de tudo o que estava na minha cabeça.

Xinguei fuckinghellwhatamIdoinghere.

Já havia esquecido da última vez em que auto-ajuda tinha sido de alguma ajuda para mim - muito tempo atrás, suponho. Havia me tornado independente o suficiente para ditar regras, não para ouvi-las, e nada daquela situação fazia qualquer sentido. Perguntei-me como fui parar ali e, ainda meio tonto, larguei o que estava na minha mão e empurrei a minha mala para fora da livraria. Voltei a respirar.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Falta luz

Fui resgatar algumas coisas que rascunhei no moleskine para elaborar para o FdG. Foi uma experiência nauseante, como abrir um cadáver em decomposição. Nada que se aproveitava, escrito por alguém doente. Não há nada com uma respiração aquecida, só um vento frio gelado saindo das páginas. Falta cor, luz, intensidade e sentimento, como se Van Gogh nunca tivesse existido. Tenho que dar um jeito nisto.

Mantra #2

"Je ne veux pas travailler
Je ne veux pas déjeuner
Je veux seulement oublier
Et puis je fume"

Algumas coisas ficam melhor não ditas

Eu estou fazendo um monte de coisas ouvindo meu I-tunes e aí toca Annie Lennox, Why. Se ela não tivesse feito mais nada na vida - só e apenas esta música, já teria valido a pena a sua existência. A canção é repleta de linhas isoladas brilhantes, acredito que a minha favorita é 'some things are better left unsaid'. Quando arrumadas juntas poderiam constituir uma massa disforme, mas formaram um conjunto formidável. Visualmente, nunca assisti uma performance desta música que mantivesse qualquer semelhança com uma outra. Annie sempre bola uma maneira de pontuar dramaticamente alguma parte da música - é de arrepiar. Nunca me canso de descobrir alguma coisa escondida, alguma pérola escondida. Fico pensando o quão difícil pode ter sido para escolher uma versão definitiva para ser gravada - o que marcar, acentuar?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Felicidade ou significado

"There is no mistery to happiness.
Unhappy men are all alike. Some wound they suffered long ago, some wish denied, some blow to pride, some kindling spark of love put out by scorn - or worse, indifference - cleaves to them, or they to it, and so they live each day within a shroud of yesterdays. The happy man does not look back. He doesn't look ahead. He lives in the present.
But there's the rub. The present can never deliver one thing: meaning. The ways of happiness and meaning are not the same. To find happiness, a man need only live in the moment; he need only live for the moment. But if he wants meaning - the meaning of his dreams, his secrets, his life - a man must reinhabit his past, however dark, and live for the future, however uncertain. Thus nature dangles happiness and meaning before us all, insisting only that we choose between them."
Jed Rubenfeld, The Interpretation of Murder

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Mantra

Ainda transcendo a Classe Econômica.
Ainda transcendo a Classe Econômica.
Ainda transcendo a Classe Econômica.
(foto: airline.net)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Superbonder

Encontro certos amigos uma vez por ano. Conversamos desde abobrinhas até as alegrias profundas, sucessos, decepções e neuras. O intervalo do encontro não é suficiente para criar barreiras de hesitação, de exposição exagerada, vergonha. É só uma torrente de idéias, um reconhecendo algo no outro. Algo que nos liga há 25 anos. E ficamos felizes por isso.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Desculpem-me pelos erros de degetação

Costumava gostar de um exercício preparatório dos exames de proficiência em inglês que consistia de encontrar um erro a cada linha de um texto. Por vezes era um erro de ortografia, ora gramática, ora concordância, ora simplesmente não existia. Eu era craque! Meus próprios textos costumavam ter muito poucos erros, acho que por conta disto. Hoje em dia, é quase impossível não encontrar um texto meu com um erro crasso. Parece que foi escrito com desatenção e padecendo de falta de revisão, como se eu estivesse esquecido do meu passado de revisor nos testes preparatórios. Mas acredito que o acontece é que a minha velocidade de leitura e composição está mais alta do que a velocidade dos meus dedos. E o pior é que, quando reviso, eu leio como se todas as palavras lá estivessem, escritas corretamente, e tudo fazendo sentido. Lamento então profundamente, caro leitor, pelos meus erros de degetação – digo, digitação.

Coisas chatas, mas que a gente releva

O nariz do Roger Federer, o queixo da Sarah Jessica Parker, a altura do Tom Cruise, a voz da Melanie Griffith, as rugas do Robert Redford, a mania do Renato Machado de sempre dar a última palavra, as tatuagens da Amy Winehouse.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Pick of the week: Björk, Jóga

"All these accidents that happen follow the dot. Coincidence makes sense only with you. You don't have to speak, I feel. Emotional landscapes, they puzzle me. Then the riddle gets solved, and you push me up to this state of emergency, how beautiful to be. State of emergency is where I want to be. All that no-one sees, you see what's inside of me. Every nerve that hurts, you heal, deep inside of me. You don't have to speak, I feel. Emotional landscapes, they puzzle me - confuse. Then the riddle gets solved, and you push me up to this state of emergency, how beautiful to be. State of emergency is where I want to be."

sábado, 5 de janeiro de 2008

Ódio não é o contrário de amor

Vi apenas que seus olhos estavam marejados enquanto você olhava na distância. Decidi não insistir em nenhum diálogo porque me incomodava ouvir sua voz alterada pelo nó na garganta. Um nó que eu sentia ser incapaz de ajudar a desatar. Estava perdida nos seus próprios pensamentos, concentrada em colocar as perguntas em ordem. Sabia por si só que poderia responder a todas elas numa única tacada - era uma questão de encaixar as peças. Estava esperando um sinal, um email, telefonema, uma palavra do tipo vemcomigonocaminhoeuexplico ou um catalisador qualquer. Algo que pudesse retirar aquela sensação de ar parado nos pulmões, expelindo tudo num suspiro. Eu já tinha visto aquilo uma vez. Você me contou que sentia medo de ouvir um não. Isto te imobilizava. Por Deus, era por isto que brincava sem parar com o flip do celular - abrefechaabrefechaabrefecha... As horas nunca bastavam, tomaria uma atitude em uma hora, em meia hora, numa hora cheia qualquer, numa hora meia qualquer, na hora que fosse conveniente, na hora que desse, na hora em que tivesse coragem para ouvir um não. Eu compreendia mas estava aflito. Medo é o contrário do amor, haviam me dito isto há muito tempo e eu achei uma bobagem tão grande que nunca tinha ousado repetir. Tive vontade de te dizer, mas você já sabia que esta era a resposta.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Quênia numa espiral descendente

Long Way Down é um projeto-documentário em que dois motociclistas (um deles, a quem interessar possa, é o Ewan McGregor) cruzam desde o norte da Escócia até a Africa do Sul. Na Europa, atravessam o Canal da Mancha, França e Itália, o Mar Mediterrâneo, Tunísia, Líbano, Egito, Etiópia, Quênia, Tanzânia e por aí vai. O mais interessante era ver em technicolor lugares que pouco passam na TV. Coisas como os resquícios do domínio romano no Líbano, e as surpreendentemente verdejantes colinas no Quênia e Tanzânia. Até a Etiópia, que pensei que fosse integralmente seca, foi mostrada de forma muito diferente.

E eu fiquei eufórico com a possibilidade de começar a sonhar com uma parte do mundo que ainda não conheço. Nem exótica a região pode ser classificada, simplesmente porque ela nunca foi vista antes. Aventure-se em imagens no link: Long Way Down.

Mas quando ouvi falar das pessoas mortas, queimadas, na igreja no Quênia, senti uma ânsia de vômito. Primeiro, os gritos incessantes que não sei se foram sumindo aos poucos ou foram encobertos pelo barulho da madeira queimando. Depois foi aquele cheiro de pêlos, de pele, queimando. Uma multidão em delírio. Uma gritaria que impossibilitava discernir se era indignação, pedidos para parar com tudo, ou para ir em frente logo, e atear fogo em tudo. A loucura coletiva incontrolável de que eu sinto muito medo.

A loucura incensada é apenas reflexo da pobreza. A gota d'água foi o roubo descarado nas eleições presidenciais. A escória está à solta, louca e desesperada. Sem qualquer condição de vida, vivendo em favelas, tornaram-se marionetes nas mãos dos políticos. Agora, usam o pretexto de rivalidades tribais para ocultar a rebelião da população contra sua pobreza escancarada.