segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Eu vi mamãe beijando Papai Noel

Sou um terrível last-minute. Por isso só agora mando meu post natalício quiçá de fimdeano. Creio que será praticamente impossível publicar algo mais. Este ano foi bom, bombombombomnãofoimasfoibombombombom. Sumário: aprendi a pedir para ser atendido. Vi neve em Praga. Dei muitas risadas e enchi muito a cara. Depois fiquei sóbrio e quase abstêmio. Chutei o balde para retomar as rédeas da minha vidinha insana. Chutei e retomei. Abandoneiosremédios retomeiosremédios. Me mudei. Mudei de país de novo. Passei no Mestrado. Estou treinando para corrida - este é o absurdomor. Vou me mudar para meu piedàterre logo. Encontrei um karma recorrentereincidente que já sei que vou ter que carregar nesta vida para não ter que carregar na próxima. Fiquei insone tantas noites por motivos diversos bons ruins inúteis. Andei de bicicleta na muralha de X'iAn depois de ver os Guerreiros de Ricota. Reconheci meu control freakness. Assisti a Laurie Anderson com meu bom&velho amigo. Sem contar ver Diamanda Galás, and who the HelenofTroy is Madonna? Fui sacaneado enganado trapaceado e me senti como um idiota (logo eu que me julgo tão esperto). Paguei o preço de estar longe, de estar sozinho e carregar o peso das decisões unilaterais - declare independência. Comprei um carro blackbacktoblack. Aprendi que não preciso desconfiar de mim mesmo, da minha capacidade ou de quem eu sou. Aprendi a falar sem mexer as mãos, com um tom de voz mais baixo e sem interromper meu interlocutor. Decidi ser empreendedor. Descobri-me insular quando vi os jardins de Hong Kong. Ouvi muito Ms Winehouse e fecho este post com ela mesma cantarolando I saw Mummy kissing Santa Claus. Feliz Natal. Divirta-se em 2009.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Coração espetado

Final de ano tem sempre um churrasquinho. E sempre há uma ou outra rodada de coraçõezinhos de galinha. Me dá sempre uma dor pensar quantas dezenas de galinhas foram sacrificadas para preencher um espeto daqueles. Cheios de corações. Parecem aqueles corações desenhados pelas adolescentes nos seus caderninhos, com uma flecha atravessada. Francamente falando, não tenho coragem de comê-los. Parece-me uma coisa de bárbaros, de sacrifício de animais.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tilt!

Hoje a rede de computadores corporativa deu tilt. Ninguém conseguia acessar suas mensagens no Outlook ou os arquivos na rede. Resultado: paralisação total. É como voltar à época das cavernas. Passamos a limpar os computadores, descartar papeladas que ficavam vagando em cima da mesa. Esvaziar gavetas. Uns trocavam olhares vagos durante a espera de um milagre. Volta e meia ouvia e aí, voltou? Nádegas ainda... Dediquei-me a fazer as reuniões de feedback que tinha postergado há semanas. E as pessoas participaram da reunião, acho que sabiam que não teriam que sair correndo para verificar se tinha chegado alguma mensagem importante. Uns foram embora mais cedo porque não tinham como trabalhar. A que ponto chegamos? Em pensar que há 15 anos atrás trabalhávamos sem rede, com telex, fax com papel, nem tínhamos idéia do que era internet e passamos a ter email anos depois. Estilo de vida corporativa impensável. Slow work. Talvez tenha sido armação da Flora.

Dê você uma sapatada no Bush

sábado, 13 de dezembro de 2008

Vício

E, a propósito, estou viciado em A Favorita. Maldade a granel. Reviravoltas. Atores bacanas - Fontoura, Gonçalves, Pillar, Lília. Outros nem tanto - Vecchia, Malfitano, Ranaldi, Mayer. E até aprendi uma coisa entre outras... Né, Marina?

Seu Arsenal



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O seu arsenal é composto por dissimulação, intriga, incapacidade, falta de discernimento, falta de bom senso, baixa auto estima, inveja, desajuste, má educação, hipocrisia, mentira, mau-caratismo. Tudo bem compactado dentro deste seu arsenal.

Karma Camaleão

Ele vai e vem, ele vai e vem.
Muda
Vai e vem. Vai e vem.

From me to you

Da força e da fraqueza

Uma das coisas que aprendi esta semana é que é da natureza humana ter compaixão pelos que aparentam ser fracos. Mesmo que sejam uns bastardosfilhosdaputacanalhas. E que os mais fortes, mesmo certos e justos, devem padecer da dúvida sobre seus interesses por ter um força tão esmagadora (aparentemente). E eu aprendi isto assistindo A Favorita, numa conversa entre o finado Gonçalo e Donatella.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Perdidas em Barcelona


Barcelona é uma das cidades mais legais que eu conheço. Tenho uma ligação quase afetiva com a cidade. A primeira vez em que estive lá, há quase 10 anos atrás, fui tratado superbem. Havia o taxista no aeroporto, com quem bati um papo legal até o hotel, conheci um pessoal bem simpático para conversas a altas horas em algum bar nas Ramblas, e comer Aquela paella no 7 Portes. Voltei lá outras vezes nestes meio tempo para matar as saudades e nunca mudei de opinião. E foi com este espírito que fui assistir Vicky Cristina Barcelona. Pena que Barcelona serve só de cenário, não há a vibração local, por mais que se desfilasse pelos cartões postais da cidade. Ela não é personagem, nem tão pouco consegui acreditar nela como elemento de mudança nas protagonistas. Mais especificamente, enquanto Vicky e Cristina desfilavam seu vazio americano em solo europeu, Maria Elena é a melhor desequilibrada dos últimos tempos. Woody colocou os chavões dos americanos versus europeus, desde a língua até o estilo de vida. Ficou um pouco óbvio demais, por mais realista que isto possa ser. Por sorte, Penélope Cruz acabou ficando com as melhores linhas, com deliciosa personalidade, sem contar a deliciosa língua espanhola. O narrador soava como um guia turístico cujo texto havia sido previamente decorado. Um pouco irritante.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Abraço

Resolveu fazer tudoaomesmotempoagora porque cansou de esperar que as coisas se resolvessem cada uma por vez. Abraçou o caos e a falta de resolução, o risco calculado e o frio na barriga. Cansou de desafiar a desorganização vigente na sua vida.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Peregrinação


Kaaba with a large crowd
Originally uploaded by transposition

Começa hoje o período do Hajj, quando os muçulmanos fazem sua Peregrinação à Mecca. Todo muçulmano deve fazê-la pelo menos uma vez na vida num período específico do ano, se tiver meios econômicos e estier gozando de boa saúde. Então, que os milhões esperados na Arábia Saudita tenham bastante fé , reafirmem o seu compromisso com a sua religião e com Deus, e renovem seu objetivo de serem pessoas sempre melhores - na mais ampla acepção da palavra.

Compras de Natal de 2008

O melhor de tirar férias em novembro é que é possível fazer as compras de Natal antecipadamente. Só que as minhas férias de novembro deste ano foram atípicas. A última coisa em que pensei foi em Natal. Portanto cá estou, à beira do ápice das compras do ano e com a perspectiva de enfrentar o comércio sob o calor senegalês. Hoje já tive uma pequena mostra. O bom seria poder fazer as compras de madrugada quando a insônia bater e a brisa noturna refrescar os impulsos materiais. Além disto, a partir de agora o Brasil se desacelera e só volta depois do Carnaval. Ou Páscoa. Feliz 2009.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

MSc.

Pois é, fui aceito para o Mestrado em Ciência de Alimentos num cabalístico 13º lugar. Vamos ver o que o futuro me reserva. (Fonte: http://www2.uel.br/cca/dcta/index.php)

Quinta sem lei



well, mesmerizing, tantalizing, captivating, devastating

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Storyboard

Se algo precisa ser feito, crio um filminho na minha cabeça. É uma estratégia boba que eu adoto. Monto storyboards mentais, planos e expectativas de realização. Usualmente sigo-os com disciplina. Hitchcock filmava com base nos seus storyboards. Quando chegava ao set, já sabia o que tinha que fazer e a aparência que o filme teria. Eu fico confortável nesta situação, compreendo a obsessão de Hitch. Mas olhando de uma outra perspectiva, vê-se novos elementos. É fato: as coisas saem do controle, independente do meu desejo ou não. É fato: existem oportunidades razoáveis aquieali, descartadas por estar fora do planejado. Só que esta obsessão por controle está me enchendo o saco. Sabe por que? Porque existe vida lá fora. Existe uma vida diferente do que estava no storyboard, igualmente boa, igualmente ruim, igualmente caótica, sujeita a tantos fatores randômicos quanto qualquer outra. Oportunidades e oportunidades que aparecem. Torna-se inútil o controle firme.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quinta sem lei



the best you ever had

Enchente no Vale do Itajaí

Cheguei à Navegantes - na margem oposta, de frente para Itajaí - numa sexta de sol. Difícil acreditar que chovia há dois meses no local. Quando fui embora e subi a serra em direção à Curitiba, negociei as curvas sob chuva forte, neblina, caminhões e 100 km/h. Agora entendo que aquela chuva era o que o povo lá de baixo no vale vinha conhecendo diaadia. A gota d'água no fim de semana passado fez transbordar os pluviômetros e o mundo veio abaixo. Gente trabalhadeira, casas bonitinhas, quintais bem cuidados, cidades ordeiras - tudo veio abaixo no vale. O caos se instalou e a gente vê lamentavelmente a leidocão em vigor durante os saques aos supermercados. Sim, foi muita chuva, durante muito tempo, mas foi também resultado de ocupação descuidada das cidades - constrói-se onde se pode onde se quer e esqueceram da lição clássica das escolas primárias de que plantar em encosta serve para segurar a terra. E o duro é que isto pode voltar acontecer a qualquer momento, em qualquer outro lugar do Brasilsilsil. Na primeira super enchente que me lembro da região - lá pelos anos 80 - meu irmão saiu da quitinete em que morava num bote, pegou um ônibus e veio para o Rio. Desta vez, ele ficou ilhado em casa com a família em Blumenau. Minha irmã, está na sua casa sobre um morro do vale perto de Pomerode. Em Gaspar, minha sobrinha teve água em casa. Os recém casados em Itajaí não tiveram inundação no seu ninhodeamor. Meu sobrinhoatleta voluntaria-se para ajuda aos necessitados. Enfim, segue-se a vida, combalida vida.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Não ao preconceito racial, não à American Airlines

A esta altura do campeonato, todos já devem ter lido sobre a denúncia de racismo de um comissário de bordo da American Airlines contra o casal Nobre/Bombom. Podem dizer que esta é uma atitude individual e não reflete a política da empresa, mas não voarei por esta companhia aérea até que ela forneça uma evidência clara contra o preconceito racial. Eu, como frequent traveller, digo não à American Airlines.

Demais

Um menino de 12 anos disse para mim eu já vivi demais desta vida.

Ironia

A gente precisa controlar os ímpetos de fúria nas ações e nos pensamentos. Sim, porque fatalmente a gente faz o que a gente pensa. Diante de algumas notícias do final de semana, eu tive vontade de falar uma série de coisas, mas fugi dos meus pensamentos irônicos como o diabo da cruz. Foi um 'milagre', diz deputado que estava em avião da Calypso, ‘Não sou foragido’, diz Pitta sobre decisão que determina sua prisão, Chavismo vence maioria dos estados, mas perde Caracas, sem contar as notícias do post abaixo.

domingo, 23 de novembro de 2008

Desculpe, eu sou atrasado

Correa lamenta decisão do Brasil, mas diz que não cederá com o BNDES
Presidente do Equador disse que não deixará que 'enganem seu país'.Equatorianos entraram com processo para impugnar dívida com o BNDES. (AFP)

Governo Morales anuncia nova lei petrolífera na Bolívia (EFE)

Que tal escavar as fronteiras com a América do Sul? Ficaríamos à deriva no Oceano Atlântico longe deste povo. Não é xenofobia não, mas este é o tipo de vizinhança atrasada da qual a gente precisa se desconectar. Já nos basta o nosso próprio atraso. Falta pouco para algum hugochavezbrasileño sugira uma guerra para anexar o Equador e a Bolívia. Afinal, já temos experiência no ramo - já fizemos estrago considerável no Paraguay.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ser sedentário é delicioso

Um dia eu disse desculpe hoje não vai rolar porque vou fazer minha caminhada. Torceram o nariz e pediram para eu reconsiderar. E eu disse não posso mesmo, se não caminhar eu vou morrer. Apesar de ter falado sério enquanto dava o ctrlaltdel no final do expediente, deram muita risada de mim. Eu não tinha me apercebido do que eu tinha dito. Mas era verdade. O que me impulsionou para caminhada é de viver com saúde. Meu médico já tinha dito para eu me virar. Sedentarismo é delicioso mas ser ativo é consideravelmente melhor. O objetivo sempre foi correr, algo que eu ensaiava desde Londres, mas sempre desdenhava. Papaidocéu não me desenhou para corridas mas resolvi tentar. Meu joelho peregrino está reclamando mas vou ver até quando ele resiste. Esta semana estou excepcionalmente de molho por causa da minha coluna (maldita má postura lavando louça) mas estou louco para voltar para os treinamentos. Para os 5 km, depois 10 km, depois meia maratona (o Sr F já fez, vou pegar as dicas) e quem sabe os 42km daqui a 3 anos.

A Bolsa foi para o espaço

"A caminhada espacial da astronauta da Nasa Heidemarie Stefanyshyn-Piper, na terça-feira, foi marcada por um acidente inusitado: depois da explosão de um aplicador de graxa, a bolsa de ferramentas dela flutuou para o espaço. Foi um dos maiores objetos já perdidos durante passeios espaciais.
O comentário da astronauta foi curto: 'Ah, que ótimo!'"
Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Porto

Depois de meses de chuva contínua, o sol chegou numa sexta-feira. Anunciação. Dirigia o carro na minha bolha de ar condicionado, imune ao mundo exterior. O terreno havia mudado da terra barrenta para uma areia clara e fina. Areia branca. Areia amarela. Areia de praia. E vi o porto, os containers, os navios e os caminhões. E vi os biquinis, os bermudões, as pranchas. E senti o gosto do peixe na brasa. Quando cheguei e vi minha família, ouvi o barulho da ondas batendo na praia. E soube que era um portoseguro.

Chuta que é macumba

Devo ter feito muita bobagem recentemente. Sim, porque estou numa fase idiota em que todos os meus karmas estão cruzando meu caminho. E quando eu consigo me desvencilhar, parece que voltam todos à minha frente. Um por um. Sucessivamente. Pois é aí que eu digo chuta, chuta forte porque é macumba. Tenho que dar risada, só assim. Ficar tranqüilo, ser condescendente e misericordioso para que isso passe. Logo, se possível.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Quinta sem lei



one day I'll get to you and teach you how to get to purest hell

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Outros, não

Estava eu levando a minha vida de ilustre desconhecido, anônimo num dia comum e absolutamente desinteressante, dando tickinthebox da minha lista de inutilidades. Sempre me choquei descobrir que algumas pessoas lêem o FdG, fora aqueles que estão na minha lista de ligações perigosas. Receber comentários do nada ou, pior, descobrir que lêem e ouvir que nunca comentaram me surpreende mais ainda. Enfim, entrando numa sala para ser atendido e marcar minha consulta, anotam meu nome perfeição como por telepatia sem que eu balbuciasse qualquer coisa, e me perguntam como havia sido meu retorno do exterior. E eu com a minha típica cara de comopodemsaberdetudoisso. Depois observo minha vida ser o assunto de vários minutos de acalorada discussão; sem a minha presença, naturalmente. Virei o centro do mundo por algum tempo. Não, não era um sonho. Realidade tola que me surpreende e me impressiona. Eu penso que a minha vida é desinteressante. Parece que outros, não.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vacaciones

Estoy de vacaciones. Legalmente obrigado a me afastar da empresa, estou sem fazer nada. vou aproveitar para procurar um teto para sair do meu estado de homelessness, viajar para um casório em família no sábado em SC, estudar para a prova do mestrado na segunda. Hoje saí de manhã com uma lista de coisas inúteis para fazer. Na hora do almoço, eu já havia quase zerado a lista. Ah a inutilidade.

High and dry

Créditos: autor desconhecido

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

3:35

A fúria passou por mim e deixou uma sensação de esgotamento. Como se minha energia tivesse sido sugada, succionada. Abatido, acordei às 3:35 pela segunda noite seguida. Literatura: NatGeo Brasil, Química Orgânica. TV: The West Wing, Jornal SBT da Manhã, Pelo Mundo. Escrita: meu moleskine. Som: pássaros, caminhões na estrada. Cores: pretume da noite, amarelo da manhã. Temperatura: pés gelados malditocoldlimbs. Movimento: horário e anti-horário em baixo do lençol. Aroma: de café.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

HO

Jack Chan diz que, todas as vezes que as pessoas o encontram, elas se posicionam como prestes a dar um golpe de judô, movem seus braços e gritam Jack Chan HO!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Massacre de informação

Eu já sei que Obama foi criado pela avó no Havaí. E que ela morreu ontem. E que a família dele mora no Quênia. E que John McCain foi capturado na Guerra do Vietnam. E se quebrou todo. E foi torturado. E voltou como herói de guerra. Os braços deles parecem estar engessados, prontos para um abraço. E que Sarah Palin foi um tiro no pé, uma piada enfim. Por favor, será que alguém poderia me dizer algo que ainda não foi dito?

Grudou

domingo, 2 de novembro de 2008

Antes do fim da corrida

Sempre curti dirigir, acelerar, testar os limites em curvas, apertar todos os botões do painel, trocar marchas rapidamente 0 a 100 em 4 segundos. Já rodei feio na estrada por conta disto, e não me orgulho nem um pouco. Mas dirigir é muito bom. Tenho Emerson Fittipaldi reidacosteleta na memória, com a coroa de louros, um puta troféu e a champagne. Acho que era a influência de Roberto Carlos a 300 km/h em 1971, enquanto eu nascia. Massa está menos insustentável neste ano, mas qualquer coisa é melhor que o Hamilton o reidaarrogância. Senna morreu e fiquei perplexo - como é que o super homem morre? Ainda gosto do fiel escudeiro Gerhard Berger. Piquetzão e Piquetzinho - o rei e o príncipedolimão, sem maiores comentários. Fittipaldi virou o Pelé das pistas, quase atemporal. Reginaldo Leme, oneofthelastgentlemeninthebusiness. O carro negro John Player Special era um ícone das pistas, bem como todas as propagandas de cigarros - Marlboro, Gitanes, Benson & Hedges.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quinta Sem Lei



shouting at the top of your voice, sing you little fuckers, sing like you got no choice

sábado, 25 de outubro de 2008

El Justiciero

Qual o limite entre fazer justiça, ser um vingador, e sentir culpa nestes tempos lindemberguianos? É o caso clássico da crise de consciência de Batman. Ele tem certeza que está fazendo a coisa certa, mas ao mesmo tempo tem a ciência de que pode ser uma intervenção indesejada. Não é uma intervenção divina - ele não é Deus - então se pergunta por que teria que tomar uma atitude. Fúria. Fúria contida é terreno fértil para crescimento do lado negro da força, já dizia mestre Kenobi. Inebriadora, a fúria domina e dá prazer como o narcótico. Ao mesmo tempo, a iniqüidade dominante é grosseira e ultrajante. Se dispõe-se de um pouco de força, a tentação de esmagar o pequeno e vil é grande. A força é usualmente desmedida. Resultados são catastróficos. Não sei brincar disto. Prefiro ver no cinema.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

De volta para o Brasil

Numa semana estávamos todos preocupados com o sobeedesce da Bolsa. O que acontecia em Hong Kong, Seul, Jakarta, Frankfurt, Londres e Nova Iorque nos era familiar e havia se tornado assunto a cada esquina. Sentimo-nos parte do mundo. Por pouco tempo. Porque daí chegou Lindemberg e partiu Eloá. Fomos todos tragados de volta para o Brasil, o local de onde nunca verdadeiramente saímos. O caos instaurado é tão grande e absurdo que começamos a não mais enxergar a situação de forma objetiva, nãocomovida. A polícia estava refém da sociedade. Não seguiu as regras deste tipo de caso - invasão e morte do seqüestrador - por medo da repercussão na sociedade. Decisão difícil, compreendo. Talvez eu fizesse o mesmo. O fato era: havia um desequilibrado, potencialmente suicida, mantendo pessoas em cárcere privado. Sem contar o fato que é fácil adquirir uma arma, invadir, ameaçar, matar e querer tornar-se um infame príncipe da comunidade. É banal para nós aceitarmos isto não para mim, não quero que seja banal para mim, quero continuar me indignando com isto. Nisto tudo, por mais doloroso que fosse o momento, uma das poucas coisas que me comoveram sem a pieguice instantânea foi a declaração da mãe de Eloá: Eu consigo perdoar o Lindemberg. Espero que a justiça seja feita. É de uma sabedoria imensa.

Beauty inspires obsession #9

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Com o maiordetodos

Saí do meu apartamento. As luzes do corredor estavam apagadas. Senti o cheiro do perfume que saía da porta do apartamento vizinho. Era como perfumedetalcoqueavóusa. Meus tênis faziam barulho porque o piso havia sido encerado. Eles deslizavam suavemente quase perigosamente. Precisei mexer na maçaneta da porta do corredor duas vezes. Suspirei. Forcei pela bilionésima vez e a porta se abriu. Impossível fazer isto sem provocar um barulho que acordaria a todos que pudessem estar tirando seus cochilos naquela tarde acinzentada. Quando olhei a claridade do lado fora, cerrei parcialmente meus olhos. Instintivamente, friccionei minhas mãos pelos meus braços quentes. O vento estava soprando e me pegou e subiu pelo meu peito pescoço queixo orelhas. Ainda virei-me e olhei para a porta agora fechada mas desisti de buscar o casaco. Avancei para o céu aberto, pisei de propósito na poça d'água e vi para onde a água ia. E senti as gotas caindo do céu. Poucas. Esparsas. Apertei o passo. Meus óculos tinham deslizado para a ponta do meu nariz. Empurrei-o com o maiordetodos como dizendo vásefoder a quem pudesse estar olhando. Estava agora em campo aberto e o vento soprava bem dentro do meu ouvido um zumbido que só eu escutava. Um furacão no meu pavilhão auricular, no meu pavilhão particular. As gotas nas lentes do óculos não me atrapalhavam a visão mas resolvi secá-las já. Dobrei a borda da camiseta e esfreguei. Uma primeira avaliação e tudo estava borrado, sujo engordurado. Esfreguei mais ainda até que ficasse decente. E posicionei a armação no meu rosto. Como que se dizendo vásefoder.

domingo, 19 de outubro de 2008

Insular

Descobri uma fixação por ilhas. Algum motivo me faz sentir-me bem nelas, achá-las de uma beleza particular. Ainda vou morar em Floripa e comer peixe na beira da lagoa da Conceição e moqueca no Bar do Arante no Pântano do Sul. Já vivi na ilha da Rainha, trabalhando numa City que ainda não havia falido, morando nos armazéns das docas. Ainda vou para a Islândia ver o que que a terra da Björk tem. Há o risco de virar Islandskaya, depois que eles passaram a dever até as cuecas para a Rússia. Há também o risco de se derreterem com o nosso aquecimento global. Ainda falta a Ilha Grande. Madagascar. Descobri que Hong Kong era essencialmente uma ilha quando me quedei de frente a ela e a baba escorria de um canto da minha boca entreaberta. Sardenha. Nova Zelândia é um pouco longe e o inglês, ininteligível. A Ilha da Páscoa, logo ali.

sábado, 18 de outubro de 2008

17.10.08


17.10.08
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virgorama

Virgorama tira imortaliza instantes de desavisados no metrô de Londres. E nós ficamos tentando ler a linguagem do corpo e os sentimentos e as palavras que não ouvimos.

Amor à queima roupa

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Blog Action Day 2008: Poverty

Tropecei. Carambacacetecaralho. Olhei para trás e vi o desnível da calçada. Um menino me olhou, não quer que eu engraxe seu sapato?. Uma senhora sentada numa marquise me estendeu a mão, uma ajuda pra alimentar minha filha?, e a menina estava dormindo no colo. Entrei no carro, abri metade da janela e me assustei com a oferta bala, moço, pra me ajudar? Eu disse não, não, não. Não é lógico viver assim. Mas a gente se acostuma com cada coisa nesta vida. Se acostuma a tropeçar na miséria, a viver com ela e nem mais se incomodar. Embora a gente não saiba, é possível viver bem diferente desta realidade. E o que falta? Falta a gente tomar vergonha na cara, ter honestidade, votar em gente decente, cobrar dos nossos representantes e fazer a nossa parte. Só um pouquinho. Dentro de casa mesmo, nada espetaculoso. Educação. Isto já ajuda aos montes. Conversar, instruir, recomendar. Ler. Iluminar. Quem sabe se a gente passa a se incomodar com a miséria e não só com um desnível da calçada.

domingo, 12 de outubro de 2008

Pragmático até os ossos

Este é o resultado do teste sugerido por Little Ms. Sunrise. Se toparem em fazer, o link do teste está abaixo. Coloquei em negrito aquilo que achei que tinha a ver, e coloquei em itálico minha opinião sobre o que ficou em escrita normal - usualmente eu disordei ou tinha reservas a respeito. Enfim, acho que ninguém vai se chocar muito.



Você é uma pessoa tranqüila e reservada, que preza por segurança e paz. Você tem um forte senso de dever, que lhe dá um “ar sério” e a motivação de cumprir tarefas. Organizado e metódico (nãnãnãnão) ao fazer as coisas, você geralmente consegue cumprir qualquer atividade ou tarefa que você assumir. Você é uma pessoa muito leal, fiel, confiável, e que valoriza honestidade e integridade ao extremo. Você é o típico “cidadão exemplar”, em quem se pode confiar que fará o que é certo para com sua família e comunidade. Mesmo que você leve tudo o que faz a sério, você também tem um senso de humor meio descompassado, podendo ser uma pessoa muito divertida – especialmente em festas ou encontros de família, ou do serviço (só com as pessoas mais próximas que geralmente entendem meu 'descompasso'). Você tende a confiar em leis e em tradições, e a esperar o mesmo dos outros. Você não se sente confortável em infringir leis ou em ir contra regras. Se lhe dão uma boa razão para você deixar de fazer as coisas da maneira com que você está acostumado, você dará apoio a essa nova maneira. No entanto, você tende a crer que as coisas deveriam ser feitas de acordo com procedimentos e planos ('o que espero, senhores, é que, depois de um razoável período de discussão, todos concordem comigo'). Se você não desenvolver seu lado intuitivo o suficiente, você pode acabar ficando obcecado com estrutura, insistindo em fazer as coisas seguindo as regras e os procedimentos à risca (eu já fui melhor com o meu lado direito do cérebro). Você é extremamente confiável, fielmente cumprindo o que você se compromete a fazer. Por essa razão as pessoas têm uma tendência a empilhar mais e mais trabalho “nas suas costas” (podem até tentar mas não vão conseguir porque sou vacinado contra estas espertezas). Como você tem esse forte senso de dever, você pode ter dificuldade em dizer “não”, mesmo que você já tenha serviço mais do que suficiente para se ocupar (digo 'não' sem dó nem pena). Por isso, você provavelmente acaba (ou acabará) tendo que fazer hora-extra no trabalho (au contraire, mon frère), e deve então se cuidar para que outras pessoas não tirem proveito de você. Você pode trabalhar por longos períodos e gastar bastante energia em qualquer coisa que você achar ser importante para o cumprimento de uma meta. Entretanto, você resistirá e não se esforçará numa tarefa ou atividade se ela não fizer sentido para você, ou se você não puder enxergar nela uma aplicação prática. Você prefere trabalhar sozinho, mas também trabalha bem em equipe se for necessário (prefiro trabalhar em equipe, por mais complicadas que sejam as pessoas). Você gosta de ser responsável por seus próprios atos, e de estar em posições de autoridade. Você não usa muita teoria ou pensamento abstrato, a não ser que haja uma aplicação prática clara (sou terrivelmente pragmático). Você respeita o que você considera como “fatos”, tendo uma tremenda quantidade deles armazenada em sua memória, que foram absorvidos através dos seus cinco sentidos. Você pode ter dificuldade em entender uma teoria ou uma idéia que seja de uma perspectiva diferente da sua (adoro perspectivas diferentes). Porém, se alguém a quem você respeita ou com quem você se importa consegue lhe mostrar a importância ou a relevância dessa teoria ou idéia, ela se torna um fato que você irá internalizar e apoiar (peut-être). E uma vez que você apóia uma idéia ou uma causa, você não medirá esforços para garantir que você esteja cumprindo seu dever de ajudar a quem precisa de ajuda. Não é normal que você esteja em sintonia com seus sentimentos e com sentimento dos outros, podendo ter dificuldade em identificar necessidades emocionais dessas pessoas num primeiro momento, pelo menos da maneira com que elas são expostas (presto muita atenção às pessoas, sou um psicólogodebotequim). Já que você é uma pessoa perfeccionista, você tem uma tendência a não valorizar os esforços das outras pessoas suficientemente, da mesma maneira que você acaba não valorizando seus próprios esforços. Assim, você deve se lembrar de dizer às pessoas o quanto você aprecia os esforços delas e de encorajá-las de vez em quando (eu juro que me esforço). É provável que você se sinta desconfortável expressando afeto e emoções na frente de outras pessoas (sou discreto). Entretanto, seu forte senso de dever e sua capacidade de enxergar o que precisa ser feito, em qualquer situação, permitem que você se torne uma pessoa menos reservada, dando apoio e carinho às pessoas que você ama. Assim, você se esforça para suprir as necessidades emocionais daqueles mais próximos a você, uma vez que você as reconhece. Você é extremamente fiel e leal. Tradicional e voltado à família, você se esforça ao extremo para garantir que as coisas na sua casa e na sua família andem bem. Você é um pai ou mãe responsável, que leva suas tarefas paternais ou maternais com muita seriedade (sou meio displicente com a família). Pessoas como você são ótimas provedoras de segurança financeira no lar. Você se importa muito profundamente com aqueles próximos a você, apesar de você normalmente não se sentir confortável em expressar este amor. Na verdade você prefere expressar seu afeto através de ações, ao invés de que através de palavras. Você tem uma capacidade imensa de pegar qualquer tarefa e defini-la, organizá-la, planejá-la, e implementá-la, até que a considere como cumprida. Você trabalha muito duro, e não permite que obstáculos que apareçam no seu caminho impeçam que você execute suas responsabilidades (sou uma força irresistível até contra uma barreira intransponível). Você geralmente não se valoriza o suficiente por suas conquistas, pois as vê como um simples cumprimento de suas obrigações. Você tem uma ótima noção de “espaço e função”, e demonstra uma apreciação artística das coisas. Assim, é provável que você mobílie sua casa com bom-gosto e que a mantenha de forma impecável (sou meiobagunçado). Você tem uma noção precisa de seus sentidos, e quer estar em ambientes que se encaixam com sua necessidade de estrutura, ordem e beleza. Em situações de estresse você pode acabar entrando num “modo-catástrofe”, em que você não enxerga nada além de todas as possibilidades de coisas que podem dar errado (nãonão, sou unflappable, otimista incorrigível). Você também fica “se remoendo” por coisas que você poderia ter feito de uma maneira diferente, ou por coisas que você não conseguiu executar (por muito pouco tempo). Mas em geral, você tem um potencial gigantesco. Você é uma pessoa capaz, lógica, racional, eficaz, e com um desejo profundo de promover a segurança e a paz. Em outras palavras, você tem o que se precisa ter para ser uma pessoa altamente eficaz em atingir suas metas, quaisquer que elas sejam.

sábado, 11 de outubro de 2008

Deu um trevo

Dirigi meu carro a 20km/h, conforme dizia a placa na estradinha. Na descida, antes de chegar na curva, avistei algo. Quatro quero-quero na estrada - dois adultos, dois filhotes. Um dos grandes, seguido por um dos filhotes, atravessou a pista e foi direto para o gramado. Já em terreno seguro, o pequeno foi para baixo de um arbusto. O segundo grande foi em seguida, esperando o mesmo comportamento do filhote remanescente. Agora, os dois adultos olhavam, sacudiam suas asas e faziam sons. O filhote, ainda na pista, estava travado. Em vez de caminhar para frente, iaevinha de um lado para o outro, sem avançar. E eu ao volante, carro parado, testemunhando o desespero, esperando o aftermath. E nada. Frações de segundos, uma eternidade. Não resisti. Embiquei o carro na direção do filhote, na direção da traseira do filhote. E ele se moveu enfim em direção aos adultos. Atravessou. Juntou-se aos demais. E sumiram no gramado alto.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Branco total e radiante

Tenho observado que vários blogs da minha lista de ligações perigosas estão passando por um período de Omo, também chamado de Branco Total. Uns reclamam de crise. Outros se dizem em reciclagem. Muitos outros se dizem ocupados demais com muitas outras coisas. Eu, que estou na média da população da blogosfera, também tenho passado por esta fase Blank!!! Meu estilo de vida mudou e isto alterou o meu sono, humor, saúde e, por conseguinte, meus hábitos de escrita. Tal hábito, quase uma regra, foi substituído por outras ocupações nestes tempos de mudança e cólera. Agora, quando a poeira começa a baixar, volto a experimentar esta sensação de cabeça vazia. Entretanto, não me causa preocupação, mas a segurança de que estou transcendendo da rotina. Esta já está quase domada. Os pequenos problemas foram resolvidos ou esquecidos. E me permito fixar no agorinhamesmo. Quando fui peregrino à Compostella passei pelas mesmas coisas. Durante as duas primeiras semanas sob frio e chuva, passei minha vida imbecil em revista. Reclamei para mim mesmo de tudo. Até que um dia o céu limpou, fez sol e calor e eu não pensei em nada - só na caminhada, no meu corpo e no esforço físico. Nada mais. Interessante reparar nesta mudança clara de postura. E não vi nada problemático nisto. Au contraire, mon frère. Adquiri leveza na mente. A felicidade estampada num sorriso bobo cantarolando AmorIloveyou.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

25 minutos

Well they're building a gallows outside my cell I've got 25 minutes to go and the whole town's waiting just to hear me yell I've got 24 minutes to go. Well they gave me some beans for my last meal I've got 23 minutes to go but nobody asked me how I feel I've got 22 minutes to go. Well I sent for the governor and the whole damned bunch with 21 minutes to go. And I sent for the mayor but he's out to lunch I've got 20 more minutes to go. Then the sheriff said ‘Boy, I gonna watch you die’ got 19 minutes to go so I laughed in his face and I spit in his eye got 18 minutes to go. Now here comes the preacher to save my soul with 13 minutes to go. And he's talking ‘bout burnin' but I'm so cold I've 12 more minutes to go. Now they're testin' the trap and it chills my spine 11 more minutes to go. And the trap and the rope, they work just fine got 10 more minutes to go. Well I'm waitin' on the pardon that'll set me free with 9 more minutes to go but this is for real so forget about me got 8 more minutes to go. With my feet on the trap and my head on the noose got 5 more minutes to go . Won't somebody come and cut me loose? with 4 more minutes to go.I can see the mountains I can see the skies with 3 more minutes to go and it's too darn pretty for a man that don't wanna die 2 more minutes to go. I can see the buzzards I can hear the crows 1 more minute to go. And now I'm swingin' and here I go-o-o-o!

Johnny Cash (prefiro a versão da Diamanda Galás)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Circuit breaker

Hoje todas as pessoas falavam da queda da bolsa. Do faxineiro da fábrica ao meu médico. De repente, todo mundo sabe o que está acontecendo em Seul, Hong Kong, Paris, Frankfurt, Londres, Nasdaq e Bovespa. Eleições? Gabeira, Kassab, um monte de prefeitas, PV, um sopro de ar fresco.

Tempo

De repente fujo de todas as novidades dos telejornais.
Porque eu preciso de um tempo para sonhar.
E catalogar meus sonhos.

domingo, 5 de outubro de 2008

Chuva de sapos

Para cura de algumas feridas na alma tomei um remédio que me causou reações adversas. It's not going to stop. Fiquei suscetível ao esquecimento formal das pessoas. Passo a ignorar pessoas, a apagar qualquer vestígio de uma história que possa ter havido. E isso passa a me ser tão estranhamente doloroso quanto incompreensível para àqueles que se deparam com um velho conhecido com amnésia. It's not going to stop. Esqueci, mas tenho vagos instantâneos de lembranças. Vivo neste limbo entre o total esquecimento e uma leve vontade de lembrar. It's not going to stop. Mas, no fim, capitulo ao remédio, à suspensão da dor e esqueço que pode haver algo de errado com isto. Só fica um efeito viciante. E eu esqueço. 'Til you wise up.
Para quem não viu, fica a seqüência de Magnolia de PT Anderson (um filme que nem chuva de sapos falta), em que todos os personagens confirmam que precisam se aprumar: WISE UP.

sábado, 4 de outubro de 2008

Prazer em conhecer

A gente conhece as pessoas quando sob pressão. Nos momentos de crise. É quando uns param, travam. Outros entram em pânico, se desesperam. Há aqueles que desaparecem, enfiam a cabeça no buraco esperando que a crise se resolva por si só. Fiquei procurando estar no seu campo de visão e travar contato visual. Todo seu pânico estava nos olhos. Perdidos. Sem saber para onde olhar. Sem saber o que fazer.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Virose

Acometido por uma doença misteriosa cujas causas insistem em ficar escondidas, digo para o médico É só uma questão de tempo para elucidarmos este mistério. Não há dores. Nem faltas de ar. Nem desmaios. Nem falta de memória. Fazendo minha caminhada de fim de tarde, cumprimentando os outros caminhantes da minha aldeia, tropeçando nas calçadas, driblando os carros estacionados, pensei na mortalidade. Pensei no testamento, na partilha. Pensei em todas as coisas que ainda quero fazer antes de comer capim pela raiz. Pensei em todas as viagens pendentes e as milhas das empresas aéreas que ainda tenho por usar. Pensei em todos os livros que estão esperando para serem lidos. Meu pied-à-terre por comprar e tornar com casademorareviver. Meu mestrado, que vai me fazer um carinha tipomaisintelectual. Minha tatoo de dragão! Me arrependi de um monte de coisas que não fiz, mas já me perdoei dizendo ninguém é perfeito... E fiquei pensando no monte de coisas por fazer. Uma grande tolice. Sou vaso ruim que não quebra fácil. Dei risada do meu elenco de frasesfeitas, lugarescomum e emoçõesbaratas. Se ninguém sabe o que é, seu neurótico, só pode ser uma virose.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quinta Sem Lei



to the good times that we shared and the bad times that we'll have

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Tempos e movimentos

Trabalhar com planejamentos, cronogramas, tempos, movimentos, orçamentos tornou-me uma pessoa bizarra. Eu espero acontecimentos; eu espero que coisas sejam cumpridas nos prazos devidos; eu antecipo atrasos. Daí vou ao médico e fico sem entender quando eles me atendem no horário marcado. Resmungo como pode ser uma falta de respeito comigo - que tenho a expectativa de me atualizar com todas as revistas Veja de antes d'eu voltar para o Brasil, saber de todas as novidades na Caras, e os futuros lançamentos do segmento automobilístico nacional. Hoje meu oftalmo, praticamente um guru indiano, me concedeu 2 horas de introspecção antes de me atender. Foi um tempo para eu me tornar mestre da minha fúria. Em compensação, folheei displicente uma Casa Vogue com casas com cara de casasondeeuqueriamorar. Ao fim do meu momento de evolução espiritual, meu oftalmo me saudou com a piada de sempre sobre meu sobrenome e meu local de nascença. Deve ser a 15ª vez que ele faz a mesma piada. E deve ser a 15ª vez que eu abro um amplo sorriso de monalisa. Meu sorriso de agradecimento.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Patinando no Carrefour

Ontem ouvi o relato de uma pessoa que, quando criança, queria ser patinadora do Carrefour. Passar o dia desfilando artisticamente por uma superfície lisa e ampla com chegadas providenciais e graciosas. Eu, entre Operações Unitárias, Processos Inorgânicos e Projetos Industriais, entrava em crise usualmente nos meses de setembro e outubro quando meu nível de tolerância chegava a limites aparentemente insustentáveis na universidade. Ficava me perguntando que raios eu estava fazendo numa turma de Engenharia Química, numa tarde de calor senegalês no Rio de Janeiro. Aproveitava as janelas do horário, escapava do campus e partia pro cinema. Exilava-me naquele país escuro e com temperaturas mais amenas. Durante 5 anos, semtirarnempor, passava aqueles dois meses querendo largar tudo e fazer Cinema, Desenho Industrial, Jornalismo, ou qualquer outra coisa. Mas aí, de repente, era dezembro, era Natal, eram férias, era uma viagem, era sol e era praia. E inquietações só reapareceriam 1 ano depois. É setembro quase outubro agora e é momento de ficar de saco cheio de tudo. Ficar pensando seriamente em ser fotógrafo da NatGeo.

domingo, 28 de setembro de 2008

De doer

Esqueci a máquina fotográfica dentro da mala, trancafiada sob o códigosamsonite. Logo ela, condenada a esta existência solitária, depois de ter capturado coisas em cantos exóticos deste mundodemeudeus. Companheira de jornadas. Senti falta dela num domingo lindo. Céu azul de doer. O ipê do caminho de casa florindo, amarelo de doer. E florada de ipê é tão efêmera. Um dia, faz frio, aquele de doer, e o ipê é esmagado pelo tempo. Já seco do inverno, sem folhas, meiomorto. Espremido, ele reage. E floresce quase como um milagre aleluia. Volte para ver no dia seguinte e seu bobão não vai encontrar mais nada na árvore. Só um carpete amarelo em volta do tronco dizendo tchauatéoanoquevem. Bati instintivamente com as mãos nos bolsos da calça. Carteira. Celular. Chaves. Não, a camera não estava comigo desta vez. Vai ficar para o ano que vem. Mas vou correndo tirá-la da solitária.

No trânsito

Acelerei pela bilionésima vez na mesma rua. Nem a primeira nem a última vez. No mesmo local, obrigatoriamente. E pela bilionésima vez pensei o que poderia ter levado você para tão longe de mim. E freei antes de virar à esquerda, olhei para os lados, desviei do buraco, sinalizei para o pedestre. Voltei a acelerar. E já tinha esquecido.

sábado, 27 de setembro de 2008

RIP, Paul

Créditos: Paul Newman, desconheço o autor (Deus?)

Vou correr atrás de doces...

Suspiro, cocada, pédemoleque, doce de amendoim, doce de leite, pipoca, bolo, geléia de duas cores, balas, pirulitos, Zorro, mariamole, canudo com doce de leite, Jujuba.
Será que me esqueci de algo?
Dia de São Cosme e São Damião.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Quinta Sem Lei

Ensaio sobre a Noz

O Ensaio Sobre A Noz é um exercício fotográfico do meu olddearfriend Sr F. Coisa de gente que nasceu com um olho bom. Tão bom que é uma pena que fique escondido lá no Flickr:
http://www.flickr.com/photos/fernando_nascimento/sets/72157607210839790/

"As aparências iludem"

Eu li
e falei
caramba!

Análise crítica e ouvidos de mercador

Eu li o post que acabei de publicar. E fiquei pensando. As minhas experiências, as importantes ao menos, são tão few and far between. Tenho lacunas tão graves nesta vida que me pertence que tudo repentinamente me soou pretensioso ao extremo. Tem gente tão mu i to mais experiente de vida do que eu... Além disso, os meus momentos em que eu falofalofalo são definitivamente consideravelmente menos freqüentes do que os de absoluto silêncio. Talvez porque sei que tenho muito a aprender e fico ouvindo aqueles que têm muito mais experiência do que eu, que me oferecem atalhos, me mostram armadilhas, mas para quem, por vezes, eu insisto em fazer ouvidosdemercador.

Professor

Tenho o instinto natural de partilhar as minhas experiências com o objetivo de ajudar aqueles que ainda não passaram pelo que eu passei. Quando tropeço e caio em mim mesmo, estou falandofalandofalando. Adquiro tom professoral facilmente. É a ansiedade de ajudar os outros a não cair nas armadilhas em que já caí, de dar atalhos. Só que já aprendi que conselhos não solicitados não são bem vindos. Só que aprendi que não adianta falar, eu falofalofalo mas ninguém me escuta. Então, se precisarem de ajuda, aqui estou à disposição. Caso negativo, quesefodamtodos, digo, azar o seu. Como diz o Dr D: se me pedir ajuda, pode até receber; se não falar nada, vai ficar esperando. E tenho dito.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Jejum antes do exame de sangue

Hoje de manhã cedo o sol brilhava forte, céu azul cristalino, vento forte de uns 10°C. Andei rápido mas ouvia mentalmente a maldita música chiclete quand j'étais petit, j'étais un Jedi, tellement nerveux, que lorsqu'il pleuvait souvent je m'électrocutais e pensava se não era um absurdo se considerar que o país estivesse blindado à crise mundial. Esta fina ironia do Presidente, discursos de encorajamento ao consumo do Ministro, presidente do BC nos EUA - tudo isto me causa algum incômodo. Tinha tirado o meu cachecol de listras da caixa de mudança para usar hoje. As extremidades penduradas para fora do casaco estavam indóceis por causa do vento. O mesmo vento que teria levado qualquer um para a Terra de Oz durante a madrugada. E que fez bater a janela e me acordar às 4:30. A Bolsa tinha caído bastante desde o último teto de uns 70000. Mas não fazia sentido - o país não está indo de todo mal. Agora como fica se alguém tipo Itaú quebrar aqui ou HSBC de lá? Alcancei o protetor labial no fundo do bolso do casaco e coloquei os óculos escuros que não precisava usar na Inglaterra. Olhos irresistivelmente lacrimejantes. Pisei numa outra centopéia (ou minhocacomummontedepatas, sei lá) e pensei que matar estes adoráveis animais vai me obrigar a ter muitas outras vidas para compensar o karma um dia ainda transcendo. Se o crédito continuar tão fácil, a candangaiada vai fazer um monte de prestaçãozinha para comprar geladeira, carro, microondas, casa, batedeiraprafazerunsbolinhos. Quando o crédito apertar, empresas não investirem, e eles forem demitidos para que cortem o custo fixo, a quebradeira neste país vai ser geral. Num país real, preços cairiam. Neste país surreal, acho que desafiamos até a lei da gravidade. Pensei, só devo poder comprar meu pied-à-terre no ano que vem. Pensei, vou abrir um projeto de metas para 2009 com a equipe de P&D já em outubro. Think ahead, Marcos. Think ahead. Virei a chave na ignição. Liguei o CD Player Let's Stay Together, Tina Turner. Esfreguei as mãos e praguejei contra meus eternos cold limbs, liguei o ar quente. Estava com fome. Fui fazer o exame de sangue.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Acelerador de Partículas

Espero uma peça, talvez épica, sobre o acelerador de partículas. Se possível, composta por Laurie Anderson - que olha sempre à frente. Ou para dentro do buraco negro entre a França e a Suíça.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Post sobre a cegueira

Há muito tempo atrás dei de presente para a Srta S um exemplar do Ensaio sobre a cegueira, do Saramago. Comprei de última hora, antes de ir encontrá-la, sem idéia na livraria, só lendo o resumo na páginadetrás, mas só mesmo porque Saramago é um desbunde. Neste fim de semana, assisti ao Blindness, do Fernando Meirelles. O filme tem alguns problemas de edição e continuidade que não podemos ignorar - ficamos por aqui e fim das críticas sobre a forma. Entretanto, não dá para passar incólume ao filme: ele causa desconforto. Vamos ao conteúdo. Não há metáforas óbvias sobre a cegueira. Os defeitos dos seres humanos independem do seu estado - e a crueldade e a insanidade fica mais intensa quando num grupo. Ser uma minoria por motivos físicos sociais mentais sexuais religiosos deixa-nos fadados ao isolamento e ao esquecimento. Neste exílio, os radicais florescem e começam ameaçando seu próprio grupo, até ameaçarem grupos maiores. E eu sempre tive um pouco de receio da coletividade. E continuo fã do Saramago.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Declaração livre dos direitos das pessoas desobrigadas da felicidade constante

Não resisti. Não sou o autor, nem sei que o é. Recebi da Srta C. Lá vai:

Declaração livre dos direitos das pessoas desobrigadas da felicidade constante

I - Toda pessoa tem o direito de errar, mesmo que já tenham explicado a ela mil vezes o certo sem que ela tenha entendido, pois o tempo de compreender e aprender é de cada um.
II - Toda pessoa tem o direito de mudar de idéia, de se contradizer, de voltar atrás, de recomeçar, pois a melhor coisa da vida é mudar, principalmente nas coisas que a gente pensava serem imutáveis.
III -Toda pessoa tem o direito de chorar, de sentir dor, de soluçar e de ficar com ar melancólico, pois o riso, muitas vezes, é falso, enganador e insano.
IV -Toda pessoa tem o direito de fazer silêncio, de calar, de não responder, de ficar quieta e não sair tagarelando, pois no silêncio estão as melhores respostas.
V -Toda pessoa tem o direito de se cansar e de ficar doente, pois o corpo, muito mais sábio que a mente, não é de ferro e sabe sinalizar a hora de parar.
VI - Toda pessoa tem o direito de enraivecer, de xingar, de esmurrar as paredes, de jogar coisas no chão, de gritar. Pois, como disse aquele poeta, tem coisas que só o grito consegue dizer.
VII -Toda pessoa tem o direito de perder, pois só quem perde sabe o quão inesquecível e instrutiva pode ser uma derrota.
VIII -Toda pessoa tem o direito de se dar mal nos negócios, de não conseguir lidar com dinheiro, de não querer ser rico, pois quem tem muito normalmente esquece como é viver com pouco.
IX -Toda pessoa tem o direito de ter medo, pois o medo é um bom anjo da guarda.
X -Toda pessoa tem o direito de duvidar, de perder a fé e de achar que tudo vai dar errado, pois às vezes, tudo dá errado mesmo, e não é culpa de ninguém.
XI -Toda pessoa tem o direito de não saber, pois quem já sabe tudo perde o motivo de viver.
XII -Toda pessoa tem o direito de falar bobagem, pois nem sempre é legal ser inteligente.
XIII -Toda pessoa tem o direito de se esconder, pois todo refúgio é recuperador.
XIV -Toda pessoa tem o direito de se achar o camarada mais ferrado do mundo, pois o problema de cada um é o pior do mundo para cada um.
XV -Toda pessoa tem o direito de reclamar, pois externar o descontentamento ajuda a gente a pensar sobre ele.
XVI -Toda pessoa tem o direito de desperdiçar uma boa chance, pois mesmo as boas chances, muitas vezes, não chegam em boas horas.
XVII -Toda pessoa tem o direito de não ser feliz incondicionalmente o tempo todo, pois a infelicidade faz parte da vida. E é mais feliz quem sabe lidar com ela do que quem a ignora.

Coração de leão

Chega um certo ponto na vida em que eu esqueci como é que se esconde os sentimentos. Talvez não os mais sutis, mas aqueles que nos definem, definem o nosso dia, o estado de espírito. Srta C me enviou a Declaração livre dos direitos das pessoas desobrigadas da felicidade constante. É transcendental não ser forçado a ser. Sim, simplesmente a ser. Então hoje eu botei a minha boca no trombone. E causei estrago. Tento me sentir culpado pelos danos causados mas não consigo. Só consigo ver a minha objetividade no tratamento do assunto: um corte cirúrgico, a separação das partes, uma análise meticulosa - quase matemática. Enquanto isto, meu interlocutor, que esperava palavras de solidariedade, balbuciava lógicas distorcidas e se calava no primeiro round de discussão. Knockout. E não estou satisfeito por isso porque a crueldade ou potencial humilhação (ah as diferentes perspectivas...) não era o fim. Preocupa-me ver a necessidade de uma outra pessoa de ser trazida à vida real, esta vida retadiretaconcretacorreta, e sair de um conjunto de expectativas criadas na sua mente e onde ela fatalmente se perdeu. E eu tive que ser sincero, vestir o meu coração em peito aberto, wear my heart on my sleeve.

A lenda do Rei Federer

Federer, por Leibowitz (backstage)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Do meu xará

"Travel is fatal to prejudice, bigotry and narrow-mindedness. Broad, wholesome, charitable views cannot be acquired by vegetating in one little corner of the earth."
Mark Twain

Separadas na maternidade

S. Palin, vice republicana

K. Walker, viciada álcool

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Entrevista sem um vampiro

Já tinha sido entrevistado na Rússia. Era para aparecer na televisão de Moscou - nunca soube se foi ao ar. Mas dei entrevista para uma revista técnica - e esta sim saiu. Agora dei entrevista sobre o Fundo de Garrafa. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra: Entrevista Blogs.

sábado, 6 de setembro de 2008

Os caminhos da compaixão

Quero fazer uma viagem bacana, low profile e despojada. Fazer meu mochilão - eu que não perco este hábito - e partir para o Nepal, trekking num acampamento base no Himalaia, um sonho improvável de visitar o Tibet (por conta da atual política de restrições no local). Um dos primeiros livros que tenho lembrança de ter mexido comigo foi Os caminhos de Katmandu de René Barjavel. Escrito nos loucos anos 60, permeado por muitas viagens alucinógenas e uma viagem real a Katmandu e uma busca por si mesmo. Li no início dos anos 80 ainda moleque mas já curtindo a viagem dos outros. E sempre me ficou uma curiosidade quase infantil em ir a este lugar - quem sabe se não encontro algo por lá? Há uma necessidade quase indissociável em passar pela Índia - que tenho relutado absurdamente em ir embora sinais aquieali me indicam que tenho que ir lá também. E ontem, me recuperando do acesso de fúria tarantinesco e já transcendendo à tudo, me caiu no colo o texto do Dalai Lama. E o velhinho me fez transcender de vez quando falou de perdão e compaixão. Ele soa piegas se a gente não se livra de uma série de preconceitos, distorções de pensamento e fica apenas com a essência da vida. Veja só: "One of the emotions most disturbing our mental tranquility is hatred. The antidote is compassion. We should not think of compassion as being only the preserve of the sacred and religious. It is one of our basic human qualities. Human nature is essentially loving and gentle. I do not agree with people who assert that human beings are innately aggressive, despite the apparent prevalence of anger and hatred in the world. From the moment of our birth we required love and affection. This is true of us all, right up to the day we die. Without love we could not survive. Human beings are social creatures and a concern for each other is the very basis of our life together. If we stop to think, compared to the numerous acts of kindness on which we depend and which we take so much for granted, acts of hostility are relatively few. To see the truth of this we only need to observe the love and affection parents shower on their children and the many other acts of loving and caring that we take for granted." O texto completo está aqui.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Laowai, de Sônia Bridi


Só para dizer que este livro é muito bacana, mesmo. Coisa bem escrita, que a gente lê com prazer. Escrita por gente com um olhar cosmopolita e até um pouco poético. Sem exagero meloso, o que é um alívio para quem assiste a umas reportagens com pretensões e declamações de pretensas poesias (todos já sabem minhas opiniões sobre poesia de pretensos poetas). Melhor ainda é poder viajar com a escrita precisa da Sônia. Muito melhor ainda é ver as fotos do Paulo Zero no fim do livro - só é uma pena por serem tão poucas. É como fazer a visita aos amigos que voltaram de viagem e ficam contando as aventuras e mostrando as fotos e a gente vai tomando um kisuco e se maravilhando com tudo e dando vontade de ter estado lá. Fico lendo e lembrando da minha expedição (ainda não cortei o cordão umbilical, confesso). Por ter sido um laowai por um curto espaço de tempo, recomendo fortemente.

Amateur


Martin Donovan, por Hal Hartley

CSI

Inteligência emocional é o que faz a gente carregar um rosto impassível enquanto trata com alguém que não presta. Pra nada. Veio a este mundo para incomodar. Inútil de todo, nem de mau exemplo serve. E eu sou obrigado a tolerar isto - porque, por formalidades impostas pelo destino, não posso evitar este constrangimento constante. Olhar seu sorriso no rosto que me causa hojeriza, sua incompetente diligência, e perguntas tipo honey,don't. Há pouca vida numa atmosfera pesada (como diz o mexicano Sr D, 'que pesada'). Eu, furioso, personifico um vingador taratinesco, brandindo uma espada de samurai e vendo o sangue se espalhar por toda a sala e, finalmente ofegante, miro os restos humanos. Neste instante, estou com semblante impassível. Apenas com uma caneta na mão. Aguardando o momento. Aguardando a chegada do CSI.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Versões para o dia 1º

Beto Guedes: "Quando entrar Setembro e a boa nova andar nos campos..." Marina Lima: "É Setembro, tudo tenta se superar e, cheia até a beira, a vida quer jorrar..." LSJack: "A desordem na janela, a tristeza na TV: esse dia de Setembro que não para de doer..." Vanusa: "Fui eu que em primavera só não viu as flores e o sol nas manhãs de Setembro..." Green Day: "Wake me up when September ends..."

domingo, 31 de agosto de 2008

Recomendações de blogs no BlogDay

5 blogs interessantes que eu recomendo a leitura.

Blowg - Blog da Marina, jornalista e autora de Não sou uma só: o diário de uma bipolar. Defensora dos direitos dos animais, a gente se sente em casa lendo seus posts, meioquebatendoumpapo. Sem contar que ela consegue umas imagens incríveis, fazendo seu blog muito coerente.

Slow Down - Nunca gostei de poesia rebuscada, daquelas que você desiste no meio do caminho. É por isso que voltoerevolto no Blog do José Luis. Acho que nunca comentei lá, mas nem precisa, porque gosto muito de ler os postesias dele, imagens e captions bem sacados. E, nesta lista, ele é o bendito fruto entre as mulheres.

Nenhum Lugar - Coisa bem escrita, de gente fluente em sabedoria, muito diferente de inteligência metidaàbesta (embora as línguas possam se confundir, e até depende do ouvinte). A Milena me parece antenada e escreve parágrafos e parágrafos sem provocar desinteresse. A propósito, é por isso que tenho escrito apenas num parágrafo.

All made of stars - Flavinha entrou 2008 botandopraquebrar. Ela me fez rir na China, num cybercafé esfumaçado sob um calor abafado. Só que ela anda ocupada ultimamente e os posts têm estado bissextos. Mas nada impede ter uma alegria retroativa, lendo os posts antigos.

Favoritos - Luíza Voll criou um metablog ou metasite, sei lá. Só sei que quando eu quero buscar coisas interessantes, lá vou eu. É o tipo de blog que faz a vida da gente ser mais fácil, mais divertida, melhor enfim.

BlogDay tag no Technorati: http://technorati.com/tag/BlogDay2008

Blog Day 2008




sábado, 30 de agosto de 2008

Santo Paulo

A segunda-feira foi caótica condicionada pela tensãopréviagem (quando a gente tenta deixar tudo em ordem antes de viajar). Passei uma semana, uma longa semana, em Sampa que se tornou quase, quase providencial. A conferência foi relaxante, quase uma sessão de análise, quando o conclave de técnicoscientistas participantes viram que suas mazelas são comuns a todos e que os vendedoresmarketeiros são um karma na nossa vida. Num certo momento não pensava em mais nada. São Paulo, santo, me ajudou a espairecer. Como não consigo entender a cidade, ela se torna só um cenário, pano de fundo para o meu trânsito de um lado para o outro. Sabe quando me sinto mais Carioca do que nunca? Quando vou a São Paulo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Curva de aprendizagem

Descobri você. Li com cuidado o que escrevestes e concluí o quanto deliberadamente tudo era uma cópia. Sim, um verdadeiro plágio de tudo o que eu já escrevi nos dias dourados de maior criatividade. Até a sua foto, por céus - poderias ter olhado para um outro lado ou mesmo ter mudado a posição dos pés. Zangado não, eu estou lisonjeado. Continue a aprender comigo. Como sempre.

sábado, 23 de agosto de 2008

Ginástica, solo e a proposta de ampliação da área

Assistindo a exibição da ginástica feminina, ouvi um comentarista que dizia que o área onde as ginastas se exibiam deveria ser ampliado. Atualmente esta área é de 12m x 12m. Daiane havia sambado fora dos limites. O motivo era o fato de que hoje em dia as ginastas executavam exercícios muito complexos, que exigiam altura e velocidade, levando a uma aterrisagem fora da área permitida. Hmmm. A medalhista de ouro fez tudo certo, obviamente melhor que todas as demais. E, surpreendentemente, não pisou fora da faixa em nenhum momento. Intrigante. Desnecessário ser cientista espacial para chegar às devidas conclusões.

O grande salto à frente

Trilha sonora: Van Halen, Jump

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Eu bem que tento

Tenho ouvido Macy à exaustão. Games, changes and fears: when will they go from here? When will they stop? Sensação de voz cantando no ouvido, dentro do ouvido, colado na mente. I believe that fate has brought us here and we should be together. But were not... I play it off but I'm dreamin of you, I'll keep it cool but I'm fiendin. E ela fica reclamando da vida, curtindo aquele bode de tentativa de encontrar sentido em tudo I try to say goodbye and I choke, I try to walk away and I stumble. Though I try to hide it it's clear: my world crumbles when you are not near. Sem entender muito bem para onde vai ou como tudo chegou ali. I may appear to be free but I'm just a prisoner of your love. I may seem alright and smile when you leave but my smiles are just a front. É, a gente fala que estátudobemestátudobom Here is my confession: may I be your possesion? I need your touch, your love kisses and such. With all my might I try but this I can't deny. E é um clássico para a fossa. I play it off but I'm dreamin of you. I'll keep my cool but I'm fiendin. I try to say goodbye and I choke, I try to walk away and I stumble. Though I try to hide it, it's clear: my world crumbles when you are not near. Mas que a gente curte, ah isto a gente curte.

Toró de palpite

Preciso de grana. Nada estratosférico. Talvez um aumento de uns 50 a 75% do meu patrimônio em 6 meses seria interessante. Fiz um brainstorm, aka toró de palpite. Pensei, plantar hemp no meu apartamento e vender para os universitários nos outros apartamentos. Não, nunca tive vocação para ser vendedor. Queria mesmo é fazer algo que me desse prazer. Sexo! Entrar para o ramo de entretenimento sexual - não vendendo estecorpomorenogostosoecheiroso, mas agenciando, gerenciando o processo - o middleman, que vive dos dezpurça. Não, acho que teria que ser algo ainda dentro da lei. Este blog está valendo USD 2.822,70 (descobri aqui), portanto dá mais trabalho vendê-lo do que aumentar a valorização - assim sendo, this blog is not for sale. Sei lá. Aumento de salário não vai rolar - só de selvissiu. Herança de algum tio rico? Bem, sem comentários. Há sempre a alternativa de casar com alguém endinheirado (mas aí a premissa do prazer é contrariada). Sei lá, vou escrever guias de viagens. Vou vender fotografias de viagens. Vou profissionalizar meu status de globetrotter.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

4 anos é muito tempo

A abelha que entra no ouvido do candango e fica zoando sem parar. Honestamente. A mocinha que fica andando em círculos. Francamente. Os cds que caem do porta-luvas. Pelamordedeus. O carinha que perde de ver o cometa. Não, W/Brasil, desculpe mas não ficou legal.

Taqueo

Créditos: Agência Reuters

Por favor, PARE! agora

Meu, vamos parando o bonde porque estou a fim de descer para esticar as pernas, beber um kisuco e ir ao banheiro.

RIP

A Mila morreu. Que saco. Ela era importante para a Srta R, companhia, de personalidade forte. Um pouco espaçosa e talvez mimada, mas parte da família.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Acalanto

Vai com Deus.

Cinquecento

Estava doente demais neste fim de semana para postar qualquer coisa, portanto sei que estou atrasado. Cac et e: Madonna está cinqüentona! É meio chocante porque ela parecia que ficaria para sempre likeavirgin - ouvi falar que ela removou esta canção do repertório por motivos óbvios. Profissionalmente falando, ela envelheceu muito bem mesmo. Para mim, sempre a vi um passo à frente do pop mainstream. Ela lançava e depois o povo seguia. Polêmica após polêmica, lá estava ela. Isto significa poder. No começo da carreira, eu achava que ela era meio chata, fadada ao ocaso, poucas coisas colavam, sem contar aquele figurino que não era engraçado nem naquela época. Mais aí ela usou a imagem, o video, e pessoalmente caí feito um patinho. Nada melhor do que ver um video da Madonna - mesmo os muito ruins estão acima da média dos muito ruins. O grande negócio é curtir como ela pode ser um divisor de águas a cada lançamento. 50 anos, Madonna - que tenha uma vida longa. Que venham mais 500.

Alta noite

Acordou no meio da noite e ficou perdido. Olhava a escuridão. Lembrava-se dos velhos amigos que já tinham partido. E falava consigo mesmo sobre tudo aquilo e a mente vagava. Queria também partilhar isto com todos à sua volta. Perdido, tentava se lembrar de todas as pessoas que já haviam passado pela sua vida. Seus irmãos. Seus amigos. Seus vizinhos. Gente com quem trabalhou. Gente com quem festejou. Seus filhos. Seus pais. Todos já se foram. Poucos ainda estão entre nós. E noite após noite vive neste limbo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

No Vale dos Reis

Hoje fiz um passeio pelo Vale dos Reis. Um conjunto de obras faraônicas, umas terminadas, outras em franco andamento. Ficarão fadadas a dizer eternamente ofaraóesteveaqui. O faraó, depois de colocar seu nemes, inspeciona diariamente suas obras e requer que os escravos carreguem pedras de um lado para o outro. Rapidamente, vigorosamente. O seu vizir mantém o bom andamento das obras, sempre com o chicote nas mãos, aos berros e com barro nas sandálias (mais ainda depois de um dia chuvoso como o de hoje). Muito sangue foi derramado esta tarde. Não, não aconteceu na mesa do sacrifício na sala de audiência faraônica, mas um mero acidente de um dos guerreiros do exército. Eu, mero escriba, descansei meus olhos dos papiros em que calculava os custos das pirâmides. Tudo isto é a comédia da vida corporativa.

Espetacular fugitiva do circo

He Kexin por Matthias Rietschel

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Dos jogos de ontem

Bom dia Pequim. Remova toda a pieguice. Eu fico genuinamente emocionado com as histórias de superação nos Jogos Olímpicos. A última foi a do Eduardo Santos. O cara saiu do nada (ou da comunidade), tirou a faixa preta no ano passado porque não tinha grana para fazer os testes, era reserva dos bambambans da seleção olímpica e chegou lá. Lá em Pequim. Dá aquele nó na garganta. Salve, salve, Eduardo. As meninas da ginástica também são um barato. Deixa a Daiane de lado. Dá uma olhada na gazela Ana Cláudia Silva e a simpatia da Ethiene Franco. Estas meninas vão longe. Sempre achei que faltava alegria no time, que só a Danielle Hypolito tinha um sorriso como contraponto da Jadeàbeiradeumataquedenervos. Parece-me que a futura geração vem com um diferencial além da habilidade. E o que era He Kexin, aquela ginasta chinesa nas barras assimétricas? Ela fugiu de algum circo chinês! Esp etac ul ar. Tinha horas que eu não queria nem ver, mudava de canal e só voltava para ver o replay com medo de assistir a alguma queda decpcionante. Boa noite Brasil.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sigamos em frente

Encerro forçosamente o ciclo chinês. Mesmo sentindo vontade de voltar a viajar com pessoas que conheci, vontade de partilhar novas jornadas. Afinal a gente conhece tanta gente com raízes, mentalmente enraizadas, que não conseguem se mexer, que qualquer um com a cabeça miseramente mais aberta já é uma maravilha. A sensação de nostalgia ainda é alongada pela enxurrada de matérias na televisão nesta época de jogos olímpicos. Entrei na livraria no sábado e a primeira coisa que os meus olhos captaram foi o livro da Sonia Bridi, Laowai. Jáfuifolheando... Entrei na locadora e já fui olhando para os filmes chineses de kung fu, Zhang Yimou, The Painted Veil. Fico fuçando em fotos sobre a China, lendo artigos sobre a China. É fascinante. Mas o ciclo estava se estendendo demais. Let'smoveon.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

No Rio

Nunca tinha feito um cruzeiro. Aliás, eu sempre achei que isto era coisa de velhinhos endinheirados que ficam no cassino do navio. Daí, lá fui eu com esta expectativa para o Rio Yang-tse - com as minhas neuras de idade e de falta de grana. Embarcamos na Pérola do rio em Chongqing, nos esbaldamos com a comida e nos esticamos depois da noite confinada no leito do trem, jantando comida de origem duvidosa. Embora o conforto fosse convidativo, bem como o ar condicionado do quarto, me abanquei no deck e fiquei olhandoolhandoolhando. Às vezes, tinha companhia de outros chineses, outras vezes era eu e Deus. Não conseguia entender muito bem porque deveria ficar dormindo na cama enquanto cruzávamos a China, no rio mais longo da Ásia, o rio mãe. De tempos em tempos, a paisagem ficava impressionante enquanto as montanhas se cobriam de nuvens depois da chuva abafada - tinha que lembrar que estava mais de 100m acima do leito do rio. Não era sempre que a vista era fabulosa, honestamente falando, mas o negócio era sorver aquilo tudo, imprimir as imagens na mente para que demorasse muito para esquecer. Meu pai e meu padrinho, aposentados da Marinha Mercante, adorariam ver as balsas, os navios cargueiros no rio, os sistemas de comunicação, jantar com o capitão e correlatos. Acho que era uma realidade do tempo deles - acho que eu curti por eles. Pegamos muita chuva nas pequenas Gargantas, mas deu para eu tirar uma foto clássica na China. Antes de desembarcarmos em Yichang, fiquei pensando na Represa das Três Gargantas. É uma maravilha da Engenharia (acho eclusas um barato) que eu, como humilde representante desta linhagem, aprecio - mas também reconheço que seja um puta crime ambiental. A propósito, o navio não tinha cassino.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Padeço

Padeço de insônia absurda. Este é o jet lag mais mal curado que já sofri. Noites pessimamente dormidas. Literatura atualizada nas madrugadas. Filmes de kung fu cortados pela metade. Telecurso nas primeiras horas da alvorada. Abajur que vela por mim. Fome de madrugada, secura da garganta seca, de um tempo seco. Escuto o trem passar, o caminhão freando na estrada. O edredomdeêxtase que se enrola. Costas que reclamam do colchão. Roupas espalhadas pelo quarto. E o silêncio daqueles que dormem o sono dos justos. Pergunto-me se é crise de abstinência da internet.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

175

Pode até ser um número cabalístico para algumas pessoas. Para outras pode significar a vida ou morte. Pode significar para o que tiveram de dizer adeus. 175 metros é altura máxima acima do leito do rio Yangtse onde a água pode atingir no pleno funcionamento da Barragem das Três Gargantas (Three Gorges Dam damned). Isto quer dizer: não construa nada abaixo desta placa – ela vai ser inevitavelmente coberta mais cedo ou mais tarde. Vimos a Byebyebridge, que vai ser destruída até o fim do ano. Vimos vários byebyes: lugares e coisas que vão ser encobertos pelas águas logo. Conhecemos chineses francamente felizes em terem suas vidas elevadas para um nível acima. Simplesmente foram notificados pelo Governo Central que suas casas ficariam submersas. Tiveram a chance de serem realocados em novas casas na nova cidade elevada ou teriam o direito de partir para outras cidades. Cidades migraram para o alto. Cidades migraram de uma margem do rio para a oposta. E todos para lá foram, com suas novas casas, sorteadas (sem direito de escolha). E felizes. Byebyelembranças.

sábado, 2 de agosto de 2008

O negócio é ir

Meu itinerário na China foi ditado pelas restrições de tempo de férias e deadline para fechar meu barraco no escritório de Londres e reabri-lo na fábrica no Paraná. O que sobrou está neste mapa: China Explored. Pulamos Chengdu por causa do maldito terremoto mas fomos a Longsheng, que foi um oásis providencial. Tem que tomar trem durante algumas noites, mas eu nem me preocupei - o negócio é ir. Só me atualizei de como eram os trens na China durante o meu vôo, insone, para Beijing. Beliches. Duplos. Triplos. Cabine aberta.

Nosso primeiro trem, e o primeiro trem a gente nunca esquece, em Beijing tinha ar condicionado e beliche duplo. Nada mal nada mal. Vimos os carregadores descerem com as trocentas mochilas e malas para o trem a troco de quase-nada, descendo heroicamente rampas até a plataforma. Abastecemo-nos com cervejas e outras biritas chinesas, salgadinhos e tranqueiras, para nos sustentar até o toque de recolher (lá pelas 10 de la noche quando as luzes são apagadas). Este hábito foi mantido nos trens subseqüentes - só mudando o tipo de birita e de tranqueira. Demos muita risada e quase choramos com o atraso de 6 horas na chegada.

No dia que partimos de Xi'An para Chongqing, fazia aquele calor que nos faz suar em bicas só em pensar. Chegamos no nosso Expresso e voilà: cabines com ve nt il ad o res. Bel i che tr iplo. Quem estava no topo não podia nem ter medo de altura nem de espaço confinado. Peguei malandramente o beliche do meio - o mais conveniente, muito embora com tão pouco espaço quanto os outros. Com Johnny, aventuramo-nos no vagão restaurante. Sorte: cardápio também em inglês - 'seacabamodecomê'. Passamos por tantos túneis que perdi a conta - impossível conversar pelo barulho do trem no túnel, restava escrever o meu travel diary e deixar a câmera a postos para quando aparecesse alguma paisagem. Pela canseira, ou já meio habituado, o sono me dominou por completo e acordei com as luzes sendo acesas no nosso destino.

Já em Wuhan, foi a oportunidade de ver o povão viajando pelo interior - o pessoal mais humilde não tem malas - eles colocam tudo num sacotiposacodegrãos e vão. O negócio é ir. Mas eu também já estava ficando meio mau humorado e, para sorte de todos e minha, era minha vez de ficar no beliche do topo. Entrei no meu casulo, com meu Ipod, e see you in Guilin.

Depois de subir nas montanhas de Longsheng e restaurar a paz e tranqüilidade, já estava pronto para o último trem até Shenzen. Nossa experiência no vagão restaurante desta vez foi a 'clássica'. Com a arrogância do sucesso anterior, nem pensamos em chamar nosso guia fluente em chinês. Só então descobrimos que não havia menu em inglês... Solução? Apontar para os pratos que outros estavam comendo e dizer yiga-yiga-yiga um deste, um deste e um deste, xie xie obrigado. Neste trem, foi a minha vez de ficar na cama de baixo. É onde temos que obrigatoriamente partilhar a cama com os demais até o toque de recolher no vagão. Mas já estávamos ficando todos meio melancólicos com a perspectiva da despedida em Hong Kong. Até caiu aquela chuva de chumbo. Foi do lado de fora mas que permeou para a cama do Sr D que a confundiu com cerva derramada na noite anterior ahestesbebuns.

Outro fato comum era a manobra para usar o banheiro squat-style, que eu só usava para o númeroum. De manhã, na hora de escovar os dentes, carregava a minha garrafinha de água mineral e os lenços úmidos - tudo bem, posso ser neurótico mas não tinha desenvolvido todos os anticorpos necessários.

Na hora nada foi muito engraçado (com exceção do primeiro dia), o banheiro, o calor, o barulho, o conforto, a comida, mas hoje só ficaram as boas recordações, as risadas, as conversas, os chinesesnosolhando, a fumaçadecigarros, as bebidas. Não, não me arrependi nem um tico. E descobri também porque todos os outros tours que fazem o mesmo itinerário usam aviões. Mas eles não viram nem viveram o que eu vi e vivi. O negócio é ir.

Outras fotos tiradas nos trens estão aqui: Overnight train in China.
Trilha sonora: Talking Heads, Road To Nowhere