Depois que a vida voltou a uma normalidade quase irritante, de vez em quando faz-se um vácuo no meu peito. E é quando lembro de você, meu irmão. Estas atividades repetitivas, corriqueiras, monótonas fazem a minha mente entrar num certo estado de transe. É quando me vejo conversando com a sua ausência. É um monólogo, na verdade, em vez de diálogo. Aposto que você gostaria de saber das novidades, e de como é a vida por aqui, e de me dar dicas para lidar com os problemas, e me contar dos seus novos negócios, e como está sol e calor e da praia, de me dizer que quer me encontrar logo, e de me dizer que vai fazer uma oração por mim. De repente, o vácuo torna-se um peso no meu peito que eu, por medo de afundar e afogar, largo e volto à superfície para respirar. E meus pulmões se enchem rapidamente e com força - chega a doer. Procuro então de novo a normalidade quase irritante para seguir em frente.
5 comentários:
Esse pequeno texto ficou muito bonito! Sei como você se sente... durante o dia vivo fazendo anotações mentais para depois poder compartilhá-las com quem espero o dia inteiro para ver :)
beijos!
Que lindo, Caco... Gostei de como descreveu "a normalidade quase irritante", eh assim que me sinto as vezes...
saudade dói. eu nunca tive uma relação tão próxima com meus irmãos, mas me identifiquei com o mote.
=***
Ai.. que dorzinha!
Não tenho palavras... não consigo me imaginar sem as minhas irmãs...
Beijos & don't be sad!
puxa... entendo bem, porém!
abraço
Jardim
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