domingo, 16 de setembro de 2007

Teatro de Arena

Enquanto estava na parte de baixo do palco aguardando sua vez de ser forçado a entrar em cena, conseguiu ouvir a toda a movimentação sobre a superfície. A areia do piso do cenário penetrou as frestas e caiu sobre os seus olhos. Piscou, esfregou os olhos, piscou novamente. Encenavam uma caçada. Pôde acompanhar as rodas da carruagem pelo breve escurecimento dos raios de luz que iluminava o alçapão. Logo seria catapultado para arena, junto com os cenários representando a África. Seu papel era perseguir os animais até que eles resolvessem contra-atacar the hunter gets captured by the game. O som não era ensurdecedor, mas abafado, agudo e podia distinguir os gritos de indivíduos - fosse na arena, fosse na platéia. Estava aterrorizado, mas consciente e, quem sabe, conformado. Sua participação terminaria na sua morte para delírio de uma platéia de dezenas de milhares.
Livremente inspirado no que ouvi sobre o Coliseu de Roma.

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