sábado, 29 de setembro de 2007

Roman Holiday #3

(Fragmentos de memória)

Por conta do Vaticano encravado em Roma, a concentração de religiosos é muito maior do que em qualquer outro lugar. Praticamente tropeça-se em freirinhas e padrecos. Diferentes idades e nacionalidades e cores do hábito. As freiras sempre têm aquela carinha angelical, virginal, parece que nunca nem esbarraram num outra pessoa. Uma máscara semelhante em todos os rostos que é formada através do tempo, por hormônios nunca nem mentalmente neutralizados. Por outro lado, os padres parecem não trazer esta carga no rosto - não encontrei isto nem nos mais jovens nem nos mais velhos.
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Enquanto minha cabeça encontrava a melhor posição para se acomodar na poltrona do trem o cochilo estava por vir, ele olhava pela janela. Usava um embaraçoso uniforme de escoteiro com direito a lenço no pescoço como todos os seus colegas em volta. O dia quente de sol a pino fez brilhar ainda mais o vale bucólico, os campos, as colinas mal cultivadas e uma ou outra casa que aparecia. Ele pensou no seu pai. Na sua mãe. E se perguntava se havia mais no mundo do que aquilo.
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É notória a fascinação dos ingleses pela Itália - ou qualquer outro lugar no sul da Europa com sol. Em A room with a view a personagem de Helena Bonham Carter desmaia na Piazza della Signoria depois de ver um homem ser esfaqueado. Pergunto-me se no século XIX a quantidade de turistas era tão grande - possivelmente deveria haver uma colônia de ingleses que se reuniria para picnics nas redondezas, tomando seu vinho ou chá. Sendo uma pessoa pragmática, me preocuparia em como fazer câmbio naquela época.
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Ainda sobre os ingleses na mesma praça, por lá atravessa uma mulher com um Marlboro na boca pela metade de cinza trançando as pernas. Um pouco atrás está outra com olhos perdidos fazendo bico para um pedinte. Passaram o dia provando vinhos, birras, grappas.
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Tem uma hora que o tempo pára. É quando a gente se descola de todo o resto. E se concentra no agora. No presente. Somem a tristeza e a preocupação. E a gente transcende.
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Fazer churrasco com lingüiça toscana passou a ter literalmente outro significado para mim.
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Quando me aposentar, vou me mudar para Floripa. Agora, se eu fosse filthy rich, me mudaria para a Toscana.

2 comentários:

Fê Savino disse...

Aiiii.. estava escrevedo agora mesmo um post sobre ir viajar... e a Itália, bem, conheci muito pouco dela, afinal, um mês não dá pra se explorar tudo, mas adoraria conhecer outros pedacinhos, outras vielinhas escondidas. Tenho uma paixão nada secreta por este lugar que talvez já tenha sido minha casa um dia!
Se eu fosse filthy rich, eu pegaria um vôo nesta mesma noite e iria pra estes lugar, me aventurar...

Acredita que quando não venho até aqui por mto tempo, sinto falta de vc e das coisas que vc escreve?1 Estranho, Caco.. não te conheço, mas parece que já faz anos...

Bjos & keep travelling!

PH disse...

meus avós se mudaram pra floripa,a cidade é muito boa mesmo, melhor que curitiba é.