sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Alegria intolerável

Existe um caso clássico de gente que é adorada por todos. Gente de fácil relacionamento na maior parte do tempo, divertida, falante, aqueles que a gente lembra de convidar se lembra para fazer uma festa.
Só que algumas destas pessoas carregam algum traço desagradável. Seja uma intromissão supostamente natural em todos os assuntos alheios talvez seja a contra-partida de serem tão solicitados. Seja uma quase-irritante euforia, tornam-se cansantivas quase imperceptivelmente por tudo seu ser tão ótimo, tão fabuloso, tão tão. É tanto brilho que a gente não enxerga nem entende porque a gente se incomoda ora o sentimento deveria ser positivo.
Enquanto tudo é novidade, tudo vai bem; mas o tempo mina este sentimento. Usualmente não reagimos a esta situação, não reagimos à pessoa. Levamos em banho-maria porque o sentimento externado alegre é positivo e bom e contrário ao nosso sentimento incomodado, ruim e negativo. Isto vai tacitamente ecoando, vai derrubando o grupo um por um até o ponto em que ninguém suporta mais.
O corpo estranho como todos os corpos estranhos são removidos, naturalmente expelidos, ou simplesmente descobrem que não é mais a sua (dele) praia. Para o alívio geral. Em seguida, o grupo incomodado sente um alívio tão grande e nem conseguem entender como conseguiram suportar aquela situação por tanto tempo.

2 comentários:

Jackson Jr. disse...

muito boa a análise. é exatamente assim. e sempre tem alguém que nota antes de todo mundo que a pessoa "tão-tão" é insuportável.

Caco disse...

JACKSON - Estou passando por esta situação, mais uma vez. Acho que sou o primeiro a ficar incomodado. Subi na arquibancada e espero o momento da derrocada, para o alívio geral. Comentário amargo, não? Abraço & stay observative.