sábado, 11 de agosto de 2007

Antes do cochilo

Bocejei seguidamente. Não resistia. Aquele balanço contínuo, a vibração curta e suave sempre serviram para me embalar, me precipitar no sono.
Era assim nos trens - enquanto alongava meu pescoço para encostar minha cabeça no painel e deixar correr a brisa que apaziguava o calor. Era assim no metrô - quando ele adquiria velocidade e fazia curvas nos túneis, e o corpo era jogado suavemente para frente e para trás. Era assim em ônibus - onde eu era capaz de dormir antes que ele saísse da rodoviária, bastava o motor ser acionado. Era assim em aviões - cujo ritual de taxiar pelas pistas me fazia cair num sono tão profundo que não era incomodado nem pela decolagem.
As tentativas de me manter acordado sempre foram ridículas. Os olhos cerravam e eram reabertos em chicotadas. Movimentar-me só servia para acabar numa posição mais confortável ainda. Falar com alguém já chegou a se tornar motivo de embaraço: deixar frases pela metade no meio da conversa não é muito educado.
Sempre capitulava ao cochilo.
Restava tentar lembrar o que havia acontecido no último momento em que estava acordado: alguém vendendo balas tinha acabado de passar, alguém arrumando objetos dentro da bolsa, alguém tentando acomodar sacolas no compartimento de bagagens, alguém contando passageiros no ônibus, alguém acenando para os passageiros no avião.

2 comentários:

Rindu disse...

Meu, eu me identifiquei demais com esse post! O meu sono e a minha capacidade de dormir em qualquer lugar ou circunstância já se tornou um problema para mim. Ser embalado pela suspensão maciota dos ônibus interestaduais é tão bom! Aviões também me fariam dormir se eu não tivesse 1,86 de altura e 1,20 de pernas para acomodar naqueles assentos que não mais reclinam. E ultimamente o problema tem sido me manter digno, sem pescar, nas chatíssimas reuniões de trabalho que me impõem. Numa dessas eu quase joguei água na minha cara.

Caco disse...

EDMONT - A solução para o seu problema é a Classe Executiva, para não falar da Primeirona... ;-)

Em reuniões, a melhor tática é criar uma polêmica e deixar o circo pegar fogo. As reuniões ficam mais animadas...

A Rosecler, se ela ler este post, vai se lembrar de quando eu deixei uma história que estava contando pela metade. Quando 'recobrei os sentidos', o cochilo providencial durou uns 2 minutos ou menos, ela ainda esperava a minha continuação. Foi o cúmulo.

Abraço & stay wide awake.

Trilha sonora do post: Suzanne Vega, Tired of Sleeping http://www.goear.com/listen.php?v=cdb4788