domingo, 29 de julho de 2007

Amor e restos humanos

Estar longe de casa implica estar ausente em muitos momentos importantes. Importantes podem significar críticos, felizes, sérios, infames, grandes, únicos. Isto é e sempre foi parte do processo e nunca me senti culpado por isto. Estar longe na morte do meu irmão foi um destes momentos.
O sofrimento solitário é uma dor discreta, testemunhada pelo céu que tem poucas explicações, pelo chão que me encarou enquanto escondia lágrimas dos outros, ou pelo travesseiro que protege os olhos inchados.
Mas mudei a dimensão e fui encontrar a família num momento seguinte. Entrar na esfera do sofrimento coletivo e completar o ciclo. E quem pensou que isto tornaria as coisas mais fáceis nunca pode estar mais enganado. A dor é mais intensa.
Fechar o ciclo era necessário: ouvir as pessoas, aceitar que a perda deles era também a minha e vice-versa. Saber que gente supostamente distante se importava - com meu irmão, com minha família, comigo. Doloroso, mas reconfortante.
Agora volto para minha reconstituição reorganização reconstrução solitária. Hora de usar o que restou da minha capacidade de juntar as peças, analisar criticamente, sintetizar, amalgamar. E seguir em frente.
Título livremente traduzido de 'Love and Human Remains'.

Verbos

Meu irmão faleceu, morreu, passou.
Queria poder usar aqui todos os verbos existentes para descrever isto: esgotar todas as possibilidades de uma vez por todas. Tornar isto um pouco mais natural, real e me familiarizar com o fato.
Palavras esquisitas. Usá-las pelos outros é fácil. Ser parte do contexto delas me levou a uma outra dimensão.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Outra ponte

Dia quente, abafado no coração de Seul. O sono não chega, o fuso horário é inclemente. Explorando a cidade no início da noite, sou atraído por luzes e a música de um guitarrista ecoando entre os prédios. Quando encontro a origem de tudo, lá está um rio artificial rasgando o centro da cidade, com suas correntezas provocadas, os bancos que provocam a tentação de escaldar os pés na água, um monte de nativos caminhado nas margens, aproveitando a noite 'al fresco', crianças com os pais, namorados, casados, amigos assim mesmo. E o guitarrista. O melhor lugar era sob a ponte, sentindo a corrente de ar, imaginando como Londres podia estar tão fria nesta época do ano.

"Your words stung me to the heart. I hadn't even noticed how far we had drifted apart. Can I still count you as a friend? Or have I done to much now to ever make amends? 'Cause I once needed just an open mind. Well, that's no reason why I now should leave you behind.
A word from out of the blue reminds me how much I once needed you. Oh, but that's all in the past now... so much that I can scarcely remember how. I once needed just a hand to hold. 'Cause now the few times we meet all I sense is a love grown cold.
You can't hold on to everything and I've forgotten what we talked about a long time since. I can't recall days with regret. Tomorrow remember today and all the rest forget. 'Cause time's gone by and all the things we did are now so much water under another bridge."
Another bridge (EBTG).