sábado, 30 de junho de 2007

Vozes

Mom, I see dead people Não, não vejo os mortos. Mas escuto vozes antes de dormir. Sei de quem são as vozes, mas elas insistem em falar naquele exato momento em que nos abandonamos ao sono. E torna-se impossível reproduzir o que disseram. Na verdade, não falam comigo. Me ignoram. E eu me torno mera audiência. Mom, I hear absent people. Acho que deve have algum outro louco no mundo que sofra disto também.

Último dia de um pub esfumaçado


A partir de 1º de Julho, mañana, a Inglaterra passa a ser smokefree. Fica proibido fumar em praticamente qualquer lugar fechado. Escritórios, restaurantes, bares, pubs, lojas. Transporte público ou qualquer automóvel usado a trabalho por mais de 1 pessoa também entra na regra. A penalidade é de £50 para aqueles que infringirem a lei.
Hoje é último dia para ver um pub esfumaçado, comer um fish and chips defumado ou aproveitar uma cerveja com um cigarro.
Veja os detalhes do Smokefree aqui.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A primeira ameaça terrorista, a gente nunca esquece

Hoje Londres amanheceu com as notícias de um frustrado atentado terrorista. O carro bomba foi encontrado absolutamente por acaso: uma ambulância foi chamada para atender alguém passando mal numa boate; viram um carro com fumaça dentro; chamaram a polícia; um policial abre a porta do carro; encontra os artefatos; a fumaça era gás de um cilindro; as pessoas são afastadas; o fio do detonador é cortado; o atentado é frustrado. Parece coisa de cinema. Como tudo aconteceu no West End, o trânsito da cidade ficou caótico - muito melhor do que com corpos espalhados e prédios destruídos. Durante o dia na City, aqui na área financeira, o policiamento estava ostensivo - o que é raro. Estavam fazendo um pente fino. Alerta vermelho.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Walking wounded

É um termo usado em situações em que triagem para primeiros socorros é necessária. Indica as pessoas com relativa baixa prioridade para cuidados. Estes pacientes estão conscientes, respirando e geralmente têm pequenos ferimentos; desta forma, às vezes são capazes de ajudar a tratar os pacientes mais seriamente feridos, ou ajudar com outras tarefas. São sempre maioria em emergências com muitas vítimas.

Os feridos que ainda caminham. Estava pensando figurativamente...

A fotografia é de Andy Field. Para a trilha sonora, clique no título.

E vem ver o sol

O sol nasce às 4:30 da madruga e se põe às 21:30. Isto tem me provocado um bela insônia, só vou para cama lá pela 1. Como uma versão amenizada do personagem do Al Pacino em Insomnia, que não consegue dormir com o sol eterno do verão no Alaska. É lugar comum dizer que chove há alguns dias e as temperaturas voltaram a não conseguir ultrapassar os 20ºC. Ontem lembrei-me que não via a Lua há algum tempo, como se ela tivesse ido tirar férias no sul da Espanha, com a maioria dos ingleses. Vou tentar tirar umas fotos quando voltar a vê-la. Talvez pendurar na janela à noite.
Baby, compra o jornal e vem ver o sol. Ele continua a brilhar, apesar de tanta barbaridade. Baby escuta o galo cantar, a aurora de nossos tempos. Não é hora de chorar, amanheceu o pensamento. O poeta está vivo, com seus moinhos de vento a impulsionar a grande roda da história. Mas quem tem coragem de ouvir: amanheceu o pensamento que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento. Se você não pode ser forte, seja pelo menos humana. Quando o papa e seu rebanho chegar, não tenha pena. Todo mundo é parecido, quando sente dor mas nu e só ao meio dia, só quem está pronto pro amor O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou. Conheceu os jardins do Éden e nos contou. Mas quem tem coragem de ouvir: amanheceu o pensamento que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento...

terça-feira, 26 de junho de 2007

Wapping Tube Station


Wapping Tube Station
Originally uploaded by Fundo de Garrafa.
Esta é a estação mais próxima de casa - Wapping. Vai fechar no fim do ano para reformas - quando voltar a funcionar, não estarei mais por aqui. Porque eu não sou daqui. Minha velha câmera não resistiu e não funciona mais. Esta é uma das primeiras fotos com a nova, incluindo efeitos. Na verdade, ia fotografar um camundongo nos trilhos mas ele desapareceu antes de eu encontrar a câmera na mochila. Mas aí encontrei o pai e filho na beira da outra plataforma. Personagens mais interessantes. E o pai explicava os detalhes da estação para o filho, que o túnel ia passar por baixo do rio, que a estação era de 1869, e eles tiravam fotos dos painéis na estação...

domingo, 24 de junho de 2007

Memórias numa foto em branco e preto

Tenho a memória de uma fotografia em preto e branco. Um bebê está sentado no encosto de uma poltrona. Para mantê-lo lá, o irmão mais velho o equilibra por trás da poltrona. Talvez o objetivo não fosse aparecer na foto, mas ele aparece - rindo, porque está fazendo arte. Acho que era uma pose antes de sair de trás da poltrona, jogar o bebê para o alto e dar outro beijo na aterrissagem. O irmão mais velho saiu de casa antes do bebê crescer o bastante e se lembrar que ele tinha mais um irmão. E eles só voltaram a se reconhecer irmãos talvez 20 anos depois. Estranhamente, a distância fez com que eles se esforçassem em se comportar de acordo com os estereótipos dos irmãos - e não se arrependeram disto. Estiveram juntos em momentos muito felizes que não esquecem. Porém as poucas vezes em que voltaram a se afastar desde então foram marcadas por pequenas tragédias. E eles se separaram mais uma vez, e não se falaram por muito tempo, e tudo se agravou. Enquanto o bebê está do outro lado do Atlântico agora, seu irmão está num hospital respirando com a ajuda de aparelhos.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Post árido

Está acontecendo muita coisa tudoaomesmotempoagora. Ainda não consegui assimilar tudo muito bem, por isso este post árido. Tenho muita coisa registrada no meu moleskine mas acho incoerente postar o que não é realidade do agora. É como descrever um amor acabado como se ele existisse, falar de um filme que viu há 7 anos atrás como se ele ainda estivesse em cartaz, sentir uma dor no peito pelo que fez há meses. O passado recente não justifica meu agora, está vazio; palavras a respeito, só para para impressionar - não vai fazer falta alguma a ninguém. Por isso, volto com algo de valor assim que possível.

sábado, 9 de junho de 2007

Clássico do dia de domingo

Qual é a sua memória dos dias de domingos? Uma coisa legal, nada deprimente, por favor.

Eu tenho memória do Roberto, o Rei. É uma loucura, mas dia de domingo era quando o meu vizinho, o Eduardo, colocava para tocar toda a sua coleção de LPs do Roberto Carlos - em alto e bom som. Na época, eu odiava. Mas hoje entendo que, afinal, era o Rei cantando. E Rei é Rei, sabe como é que é. E o bicho continua Rei até hoje.
Fica aqui o link para um clássico incontestável dos meus dias de domingo:

Silent Disco

Já posso voltar amanhã para casa no Brasil. Hoje vi Billy Bragg ao vivo, e mais duas sessões de Portico Quartet. E, para fechar, Silent Disco. Silent Disco? Sim, possivelmente 1000 pessoas dançando com headphones - escutando eurodisco, música latina, irlandesa remixada, ao ar livre em plena madrugada na reabertura do Royal Festival Hall no Southbank Centre, na beira do Tâmisa. Uma das coisas mais bizarramente legais que já vi. Não havia música ambiente - só nos headphones. Se quisesse conversar, descansar ou observar 1000 pessoas dançando ou cantarolando no silêncio da noite, era só tirar o headphone. Tudo bem, voltei para casa: em Wapping. Mas foi A experiência.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Justiça para todos

Algumas pessoas são pegas de surpresa com meu senso de justiça. A máxima aos amigos, tudo; aos inimigos a justiça não se aplica a mim. Para mim, vale a todos, a justiça. Isto costuma colocar um senso de ordem no mundinho à minha volta - um tanto dura, um tanto rigorosa, no entanto igualitária.
Algumas pessoas insistem em pensar erroneamente que podem contrariar conceitos básicos (honestidade, generosidade, gratidão, ...) dentro do relacionamento de amizade, parceria, ou mesmo de negócios só porque outras ligações devem ser mais fortes. No-No. A confusão de amizade com negócios é clássica. As linguagens são diferentes; vocabulários são tão específicos. Compartimentar me torna as coisas mais fáceis.
Algumas pessoas que passaram pela minha vida se sentiram muito desconfortáveis com tudo isto. Elas tinham em comum uma certa arrogância por imaginar estarem alguns centímetros acima das outras pessoas, intocáveis e potencialmente impunes. Os mais humildes sentiram-se mais à vontade e entenderam que a queda dos primeiros seria iminente. Foram pacientes.
Hoje o Sr. C deixa a empresa para pegar uma nova trilha. Fiquei feliz por saber que se sentiu à vontade comigo.

domingo, 3 de junho de 2007

Num dia de domingo

Esfreguei meus olhos e empurrei o edredom. A lâmpada tinha ficado acesa durante a noite depois que li até tarde o livro que você me deu ou porque ainda tenho medo do escuro, sei lá. Aviões voavam mais baixo por causa das nuvens hoje cedo e eu pensava se tudo valia a pena.

Bows and flows of angel hair and ice cream castles in the air and feather canyons everywhere, I've looked at cloud that way. But now they only block the sun, they rain and snow on everyone. So many things I would have done but clouds got in my way. I've looked at clouds from both sides now: from up and down, and still somehow it's cloud's illusions I recall. I really don't know clouds at all.

As crianças estavam no colo dos pais. As meninas com os pais, os meninos com as mães. Os menores de todos dormiam. E os casais os levavam em cortejo para benção do padre. O tempo na espera era compensado pela troca de olhares e sorrisos cúmplices. A mão fria que tocava a fronte dos bebês não era capaz de acordá-los.

Moons and Junes and ferris wheels, the dizzy dancing way you feel as every fairy tale comes real: I've looked at love that way. But now it's just another show. You leave them laughing when you go. And if you care, don't let them know, don't give yourself away. I've looked at love from both sides now, from give and take, and still somehow it's love's illusions I recall. I really don't know love at all.

E deixei o meu playlist tocando. Nada era mais tão semelhante a o que ouvia a três meses atrás. Pouca coisa se repete agora, só alguns fiapos que ligam hoje e ontem. Mas que ainda quero manter para lembrar de velhos amigos. E manter a referência para reinventar o dia.

Tears and fears and feeling proud to say "I love you" right out loud, dreams and schemes and circus crowds: I've looked at life that way. But now old friends are acting strange, they shake their heads, they say I've changed! Something's lost but something's gained in living every day. I've looked at life from both sides now, from win and lose, and still somehow it's life's illusions I recall. I really don't know life at all.

E me restou Joni Mitchell, Both Sides Now.