terça-feira, 22 de maio de 2007

Honesto, até que se prove o contrário

Uma das experiências mais interessantes daqui é que a premissa da sociedade é que os indivíduos são honestos. Para ter uma linha telefônica, é só ligar para BT, dar algumas informações básicas - nome e endereço - e a linha está instalada. Idem para conta de luz, sem contar que é você mesmo quem faz a leitura e informa via internet. O IPTU daqui, o council tax, pode ter 25% de desconto se você mora sozinho. Basta preencher um formulário on-line (de novo). Fazer tudo on-line, evitar receber as contas impressas e usar o débito direto, dá um desconto ecológico por evitar o papel (Salim volta a atacar). Ninguém precisa andar com documentos (talvez a carteira de motorista, e eu uso a do Brasil). Se alguma otoridade pedir identificação, o indivíduo tem 48 horas para se apresentar na delegacia com o documento solicitado. Fui trocar um produto num supermercado e, como não queria substitui-lo, o dinheiro foi retornado imediatamente - creditado imediatamente na conta via cartão do banco. Fiquei chocado - lá na terrinha, teria que escolher outro produto na loja, possivelmente ligeiramente mais caro e pagaria a diferença. Quando se chega aqui para ficar mais de 6 meses com visto, tem que se registrar na polícia indicando seu endereço. E se se mudar, tem que se apresentar de novo, e informar o novo endereço em 7 dias - simplesmente informar o endereço, sem necessidade de comprovantes, nem contas de luz telefone água, nem nada.
Agora, se eles descobrem que você está mentindo... você está no bico do corvo.
Esta não é uma sociedade perfeita ou utópica. Existem pequenos deslizes aqui e ali. Mas o conceito base é muito diferente do que estamos acostumados na terrinha.

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