sexta-feira, 27 de abril de 2007

Hate-list

Tobey McGuire - este homem-aranha não me engana.
Mariah Carey - sem comentários.
Celine Dion - pensa que é Barbra Streisand.
Ricky Gervais - o ego não cabe em palavras.

Location

Ainda sobre o tópico mudança, confesso que aprendi um monte de coisas sobre casas, apartamentos, locais, o que prestar atenção e o vocabulário envolvido com o flat-hunting assistindo à televisão, mais especificamente ao programa Location, Location, Location.
No programa, Phil e Christie ajudam alguém que tem os cascalhos a escolher uma propriedade entre três que eles garimpam baseados num briefing. É interessante ver o que eles conseguem para aqueles que estão na busca, o porquê da escolha e os custos envolvidos. Daí vem a reação das pessoas quando visitam pela primeira vez a propriedade escolhida, seus comentários às vezes cruéis. Finalmente vem a dúvida para a escolha a esta altura já escolhemos nós mesmos a nossa propriedade ideal. Quando escolhem, ainda há a tensão da negociação do preço e condições, orçamentos e investigações adicionais.
É quase um programa de utilidade pública neste país em que as pessoas estão investindo maciçamente no mercado imobiliário. O preço das propriedades estão inflacionadíssimos, preocupando os especialistas.

Weather with you

Click no título para ouvir a música.

Air mass. Zenith. Blizzard. Mist. Night. Ozone layer. Yellow snow. Kelvin. Cold. Polar Front. Jet stream. Quasi-stationary front. Downpour. Warm. Rain. Ice. Vortex. Snow. El Niño. Fahrenheit. Heat wave. Ultraviolet. Typhoon. Greenhouse effect.
'Everywhere you go, always take the weather with you. '
Crowded House.

Flerte com o desastre

Pobres daqueles que tentam impor seu ritmo, as suas idéias, as suas atividades sem prestar atenção ao ambiente à sua volta, flertando com o desastre e com a frustração. Porque o ambiente pode ser mais poderoso do que a criatura. Não importa mais o indivíduo - ele pode ser dragado contra sua vontade.
Incrivelmente passei a não mais nadar contra a maré. Presto atenção nas direções, nos sentidos, nos fluxos, até que passo a usar meu próprio ritmo. Só então é momento de se rebelar dentro do mainstream. Quando menos se espera a revolução está instalada, irresistível. A partir daí, é só assistir a desgraça alheia.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

A room with a sunday viewing

O livro (EMForster - A Room With A View) é chatíssimo. Abandonei-o no meio da leitura. O filme é vitorianamente ingênuo e romântico - bem melhor do que o livro. E o título permeia minha busca de lugar com uma vista.
Semana que vem, mudo-me para o apartamento que aluguei. A busca foi estressante. Quando se quer ver um apartamento para alugar em Londres, é necessário marcar um viewing. Hora marcada, o apartamente ainda está habitado, assim o locatário precisa deixar tudo em ordem para a imobiliária. As empresas organizam tudo - usualmente de segunda a sexta em horário comercial. Mas algumas iniciaram um postura mais agressiva, marcando no domingo. O famigerado sunday viewing.
Fui a um destes sunday viewings. Marcaram 4 propriedades para eu ver. Descobri que tinha sido jogado numa grande maratona - andando de um lado para o outro na cidade. Vale lembrar que estou com um estiramento muscular no meu pe´que tem tornado longas caminhadas quase uma tortura.
Para começar, cheguei atrasado no primeiro viewing. Dancei. Já me dirigi diretamente para o segundo. Esperando pelo representante da imobiliária, mais quatro interessados pela propriedade chegaram. Seria praticamente um leilão - não gostei disto. A grande piada foi quando o cara abriu a porta do apartamento e deu de frente com o locatário atual, que de nada havia sido avisado. Vexame. Não entramos no apartamente e lá fui eu para o terceiro viewing. Mas, no meio do caminho, desisti. Não conseguiria chegar a tempo e me atrasaria para o 4º, conseqüentemente. Meu pé começava a abrir o bico. E o 4º merece um parágrafo à parte.
Era um basement apartment. Um apartamento tipo porão. Já deu para imaginar... Haviam 7 pessoas interessadas e algumas delas estavam com acompanhantes. Quando uma moradora local saiu do prédio e viu aquela aglomeração, ralhou conosco porque estávamos atrapalhando a passagem dentro de uma propriedade particular já deu para perceber o naipe da vizinhança - bitch. O viewing em si tornou-se um tour. Quando ganhei acesso ao basement apartment, descobri o que literalmente um muquifo é.
Roupas jogadas por todos lugares. Sujeira. Uma sala com pratos sujos espalhados e taças de vinho parcialmente consumidas. Mais roupas jogadas. Pouparei maiores detalhes sobre cozinha e banheiro. Tudo era estupidamente pequeno, escuro e sujo. A pièce-de-resistance foi o quarto com jornais jogados pelo chão bem como camisinhas.
Aquela foi a gota d'água. Abandonei os locais trendy - como este era - e me concentrei em lugares mais tranqüilos. E é para um destes que eu vou na semana que vem.

Nós, por definição

Uma pessoa ser definida pelo que está nos seus bolsos, pelo seu almoço de ontem, pela maneira como segura seu guarda-chuvas durante um vento mais forte, pelo saldo na sua conta, pela fé com que canta os hinos na igreja, pela tranqüilidade nos seus olhos, pela dor de dente, pela cor da roupa de baixo, pelo seu tom de voz quando importunada, pela coragem com que diz que ama alguém.

Não tem nada para você aqui!

"Can I help you at all?
(...well, ...)
Are you a local?
(...er, no...)
This is a local shop. For local people. There's nothing for you in here." Tubbs, League of Gentlemen

Tubbs is the co-proprietor of the Local Shop - which is situated on a hill just above Royston Vasey proper. It is a Local Shop for local people. Tubbs and her husband Edward do not approve of non-local outsiders who do not understand their local customs and local ways. They are extremely distrustful of anyone not local (and usually end up killing anyone not local). Although their shop (which they inherited from their mother) is full of "precious things", they are loathe to part with their stock. Tubbs wears a wedding band made of string, eats hair sandwiches, and eats onions as though they were apples. Although she's a killer, there is a childlike innocence to her.
Tubbs is based on a real-life shopkeeper in a little town near Brighton called Rottindean. Whilst on their first tour, the League-members wandered into her shop, and she proceeded to watch them all warily as though she didn't trust them. She also had a lot of snowstorms and tourist junk. She was so defensive of the "strangers" in her shop that the League (who are all nice guys, really) got rather offended at her distrust.

Tengo miedo del encuentro con el pasado que vuelve a enfrentarse con mi vida

Estava assistindo Volver de novo e curtindo todas as histórias embutidas no filme. Mais ainda, a familiaridade que tenho e acho que todos têm com que toda aquela comédia do absurdo que Almodóvar habilmente filmou. Parece que ele criou todo o roteiro em cima do argumento da canção Volver do Gardel.
Só uma frase, como a do título deste post, serve como fio condutor para toda a duração do encantamento do filme. Hats off para Pedro.

Volver

Tengo miedo de las noches que pobladas de recuerdos encadenen mi soñar. Pero el viajero que huye tarde o temprano detiene su andar. Y aunque el olvido que todo destruye haya matado mi vieja ilusión, guardo escondida una esperanza humilde que es toda la fortuna de mi corazón. Volver con la frente marchita las nieves del tiempo atearon mi sien. Sentir que es un soplo la vida que veinte años no es nada que febril la mirada errante en las sombras te busca y te nombra. Vivir con el alma aferrada a un dulce recuerdo que lloro otra vez.

domingo, 22 de abril de 2007

23-Abril, Dia de São Jorge

Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.

Todos os nomes

Alistair, Fiona, Siobhan,
Gordon, Cilla, Ashley,
Sean, Trevor, Kieran,
Keith, Kenneth, Lewis,
Reece.

Relógios no horário de verão (?)

O horário de verão começou aqui em 25-Março, há quase um mês atrás. A última coisa que parecia era que o verão estaria por perto. O que foi engraçado era que, no final de semana em que os relógios foram adiantados em 1 hora, eu não sabia de p... nenhuma. Nada de aviso na televisão, nada de relógio do Hans Donner para avisar. Fui desconfiando pela troca de horário na TV e em outros aparelhos eletrônicos sincronizados. A confirmação veio do relógio da estação de trem de Waterloo. Continuo sem fazer a menor idéia de quando termina. Isto é, estou alienado. So, I'm an alien. I'm a legal alien. I'm a Brazilian in London.

sábado, 21 de abril de 2007

Imagens em cacos

Olhei do alto dos seus 1,70m. Erguia-se com a coluna reta, ombros retos que pareciam mais largos do que eram de fato. Relógio digital. Bolsos vazios para caber só suas mãos pequenas. Eu as acompanhava enquanto escrevia. Ou desenhava. Ou serviam de apoio para o queixo. Ou mexia na mochila. Verde, nylon, aventureira.
E uma aventura me deixou parte de sua vida, com muito orgulho. Hesitação, nervosismo, ansiedade, tudo isto estava na sua voz que saía baixa, veloz e que eu não ouvia no barulho de um Circo esfumaçado. O taxi deixou para trás muitas perguntas, que cada um respondeu à sua maneira. O meu discurso seguinte foi ambicioso, feito à meia-luz. Mas não me lembro de nenhuma palavra - acho que não impressionei. Pedi demais, demais para entender, demais só para dois.
Em pouco tempo, o excesso de uma tristeza que se prendeu na garganta. E ficou lá até que esqueci. Mas nunca entendi muito bem. Fumava charutos e não entendia. Bebia tequilas e não entendia. Encontrava personalidades e não entendia.
Hoje você se resume a uns cacos. Não é tão ruim quanto envelhecer e ficar com cabelos brancos ou mesmo sem cabelos, triste pela carreira fracassada, melancólico por ter feito tudo errado. Se nada disto aconteceu comigo, o que poderia ter acontecido com você?

A quem você está querendo agradar?

Imediatamente você conseguiu pensar imediatamente em, pelo menos, uma pessoa. Marido, esposa, filho, pai, mãe, alguém da família, um-a amigo-a, chefe, avô? Você repete para si mesmo o quanto é independente e inteligente e faz o que quer, mas você se molda quando quer agradar. Isto torna-se uma referência tão subliminar na sua vida que nem mais se apercebe - agradar é parte da sua vida. Quando seu marco de referência desaparece, você se perde, se desajusta, perde todas as certezas e respostas. Os anos vão passar sem respostas até que você descubra que agradar não fazia sentido algum.

Memorable Quote #3

"Marla... the little scratch on the roof of your mouth that would heal if only you could stop tonguing it, but you can't. "

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Blog Real

Será que a Rainha tem um blog? Por que não? Todos têm um blog. Sob um pseudônimo, sua Majestade conta seu dia-a-dia em Buckingham e Balmoral. Desconta o tédio no teclado. Possivelmente foi Harry quem a ajudou a configurar o blog, escolher o template, criar o perfil. William é muito chato para isto - ele será Rei um dia. Harry não tem nada a perder. Seu destino é deixar a família embaraçada.


Harry pergunta, "Codinome, vovó?"


"Não tenho certeza... Liz... Betty? Lizzie, Bets. Liza, Bess, Leeza... Beebs!", diz Beth.

Downhill Racer

Clique no título para ouvir a música, se estiver a fim. Ela está tocando dentro da minha mente agora e está me dizendo algumas verdades inconvenientes.

"From the top you can see so far into the distance. Look, it's downhill all the way from here. And getting there is quicker, let go and you just slide. Shouldn't take more than a year. I could almost like you, Now it's nearly over, Now you've shown some weakness, Now you're looking older. I heard what you said, And I recognize those feelings. I know how hard it is to watch it go. And all the effort that it took to get there in the first place And all the effort not to let the effort show. I could almost like you Now we're falling over. Now you've feeling hopeless, Now you're looking over your shoulder. Who's gonna come and find you? If you can ride the backlash There's still time for a comeback. You don't have to lie down and die. But Lazarus he only did it the one time - He couldn't face another try. I could almost like you. Now you're falling over, Now it's really over. Now you've shown some weakness, Now you're looking over your shoulder. Who's gonna come and find you? Who's coming up behind you?"

Classe econômica

Carrega sua mala de rodinhas enquanto vai a pé para o trabalho. Vento de noroeste, frio de 6ºC, sensação de 2ºC. O almoço é uma combinação bizarra de lasanha, batata frita, pimenta do reino. Pega o metrô (ainda com a mala) e descobre, com muito esforço para entender o sotaque daquele que anuncia ao alto falante, que a linha está temporariamente parada para uma investigação de um alarme acionado na estação seguinte. Quando finalmente sai do metrô (não esqueça da mala), nota que a estação não tem escada rolantes. Só escadas. Inertes. Compra o bilhete de trem, atrasado, correndo o risco de que o bilhete de retorno não seja mais válido no retorno. Faz o check-in na budget airline. Passar pela inspeção policial requer que se enfrente uma fila considerável, tire o cinto, o sapato, e passe pela revista. O vôo é atrasado consecutivamente até chegar a 40 minutos do horário original. Assentos não são marcados e tem que rezar para não sentar numa das poltronas do meio. A companhia aérea não entrega a ficha de imigração e o guarda ralha. As malas demoram horas para chegar e serem distribuídas na esteira. A fila para pegar o táxi é enorme. Nenhum motorista sabe chegar ao hotel. O que sabe, fatura 1€ de gorjeta que não foi oferecida e não inclui no recibo. A recepção do hotel fica no 1º Andar (mala). O hotel não serve jantar, mas tem uma vending machine - que só recebe moedas, enquanto só existem notas no bolso. Há um restaurante do outro lado da estrada num shopping, mas já é tarde, tudo vai fechar. Resta trocar uma nota por moedas, escolher um sanduba. Tomar banho e dormir. Faz 2ºC e há uma mala a ser desfeita.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Fadiga mecânica

Se ninguém olha quando você passa você logo acha que a vida voltou ao normal. Aquela vida sem sentido, volta sem perigo. É a mesma vida sempre igual. Se ninguém olha quando você passa você logo diz 'Palhaço'. Você acha que não tá legal. Corre todos os perigos, perde os sentidos. Você passa mal.
Todos querem ter seus fifteen-fame-filled minutes. Lutam para chegar lá, exatamente sob os holofotes. E existem também aqueles que chegaram lá e juram que tudo que queriam era ser anônimos. Dizem que tudo isto é coisa de celebridade. Eu não compro porque acho que é da natureza do indivíduo.
Conhecemos pessoas que trabalham muito, têm bastante exposição e sucesso e buscam fugas periodicamente. E se tentam fugir conscientemente, abandonando de vez carreira, holofotes, público, amigos, entourage, chefe - fatalmente são trazidos de volta à ribalta. Por quê? Porque aquele era o seu lugar. Não adianta tentar fugir.
O palco, a exposição, os atrai. Os holofotes assustam, cegam, mas estas criaturas são atraídas por algo brilhante. O aplauso é meta mas embaraça ao mesmo tempo. O merecimento é questionado. Não compreendem porque sua fuga não deu certo, porque o esconderijo não foi eficaz. E se questionam sobre uma busca de reconhecimento específica - quem, ou o que os supriria?
Este constante jogo me parece perigoso. É como um elástico que se estende e se retrai. Hora ou outra, se rompe.

Circuito Elizabeth Arden

O mundo pode não estar a meu favor, mas sempre tenho a impressão que posso mudar as condições adversas. É por isso que nunca me importei em estar em Cornélio Procópio, Rio de Janeiro, Londres, Blumenau, Tóquio, NYC, Madrid, Lençóis, Rio Grande, Paris, Londrina. Nunca seria o lugar que me causaria problemas. Sou terrivelmente prático e otimista. Entendo que nem todas as pessoas sejam assim, nem tão pouco espero que elas me entendam - mas tenho esta irritante certeza inata de que tudo absolutamente tudo vai dar certo.

Seja você mesmo esta noite

Estava conversando com meu amigo Sr. F. enquanto tentávamos decifrar um menu. Relacionamentos independem de nacionalidades e seus passaportes. Independem de idade, línguas, religiões, opção sexual, tamanhos, posição social, diferenças. Passam pelas fases de falta de compromisso, vontade de ter compromisso, insegurança, romantismo, traição, filhos, morar junto, rir junto, envelhecer junto. Quem sabe até separar os que estão juntos. Está acontecendo com todo mundo, enquanto pensamos que somos os únicos aflitos.
Pode ser lugar-comum, mas onde quer que você esteja, sempre há alguém caindo na armadilha de que vai conseguir mudar o seu parceir-o-a. A natureza, a essência mesmo, ah esta não muda. Quando um passo mais concreto no relacionamento é tomado, cada parte está levando todos os seus defeitos e qualidades. Ninguém muda na essência - nem que queiram que o faça e nem por vontade própria. A essência já foi cristalizada.
Fica para mim o exemplo do meu amigo Sr. W., que se casou. Cada parte, tão diferente, não se enganaram. Levaram o que viram, sem maiores expectativas. E o combinado nunca é caro nem barato. É justo. Então be yourself tonight.

segunda-feira, 16 de abril de 2007




Portrait of Nita Maria Schonfeld Resch. 1898. Conrad Dressler (1856-1940).

Neve e calor

Há quase um mês atrás antes de sair do escritório, olhei pela janela e vi que as nuvens estavam densas e fechadas. Atrasado para encontrar o Sr. F. que me esperava do outro lado da Millenium Bridge, cheguei à portaria do prédio e preparei meu guarda-chuvas ainda na recepção. Para minha surpresa, não chovia. Nevava. O vento forte, fazia aquelas partículas secas rodopiarem antes de atingir o chão. A estação do metrô estava a apenas at one stone's throw, mas o que fazer? Meu guarda chuvas não ia resistir - resolvi caminhar. Era engraçado, a neve não molhava. Arrisquei caminhar sem proteção adicional. Não seria uma grande perda molhar o casaco - o que aconteceu só na estação. Depois de sair do metrô, sob St. Paul's, o tempo estava aberto, sem chuva ou neve. E encontrei Sr. F. ao pé da ponte.
Agora, quase um mês depois, o fim de semana foi marcado por temperatura próximas do verão daqui - uns 25ºC. Não chove há algum tempo. Excelente. A grande vantagem de um país pequeno é que é possível acompanhar a previsão do tempo com alguma precisão. E esta é uma obsessão nacional. No fim de semana, vai acontecer a Maratona de Londres. Há uma comoção geral pelas condições do corredores neste calor! Piada Vai correr no Rio de Janeiro...

domingo, 15 de abril de 2007

Q & A

Alguém tem a menor idéia como se joga cricket?
Cartas para redação.

Vai botar uma blusa, menino!

Como as mães são todas iguais, só mudam o CPF, minha mãe não permitia que saíssimos de casa mal abrigados em dia de frio. No dia de frio. No Rio de Janeiro. Talvez 17ºC. Ou congelantes 15ºC. Já dá para ouvi-la, vai botar uma blusa, menino!
Na primeira vez que cheguei na Europa em fim de inverno e vi as mães com seus bebês em carrinhos em tardes escuras e frias na Alemanha, eu fiquei chocado. Mães desnaturadas! As crianças deviam estar à beira da morte por gripe ou pneumonia. Teoria contrariada pelos relativamente baixos níveis de mortalidade por este motivo.
Eu não entendo porque tinha que me agasalhar para um frio de 15ºC. Depois de uma sessão intensa de exercícios, suando um bicas, saio para um ar frio e úmido da cidade a uns 5ºC. O que será que ela diria?

Confiar e descansar

Confiar e descansar. Hoje foi dia de ponderar sobre esta dupla. Há uma conotação religiosa mas quero retornar ao básico. Só de olhar as palavras, o significado está lá cristalizado.
Trabalhar sozinho me provoca um pânico diário. O fim da manhã e pós-almoço me perguntam para que raios de lugar você está indo? Acho que estou pegando o bonde errado, acho que desperdicei todo o meu tempo fazendo algo inútil.
De repente, tudo faz sentido. Todas as peças relevantes parecem se encaixar e fazer algum sentido. Acho que este é o momento em que começo a confiar. Depois, é só descansar para o dia seguinte. Confiar e descansar.
Quando eu me tornar sábio o suficiente, pararei de desconfiar e me preocupar. Vou gastar menos energia. Vou ter menos fios de cabelo brancos. Nem deixar a barba por fazer posso porque já existem tufos em que os fios descoloraram...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Portico Quartet

Clique aqui para ouvir:


Portico Quartet
Originally uploaded by miljasson.

All that jazz

Para confirmar...

Só confirmando: a felicidade não está em outro lugar.

Choque

OK, você vive numa cidade em que a comunidade oriental é pequena e ver um descendente de japonês ou chinês é raridade. De repente, você se muda para o norte do Paraná - praticamente uma filial do Japão. Choque cultural.
OK, você vive numa cidade em que a comunidade muçulmana é pequena e ver um fiel ao alcorão é raridade. De repente, você se muda para Londres - praticamente uma filial do Oriente Médio. Choque cultural.

Um horário civilizado

As suas manhãs foram feitas para extravazar toda a sua energia. Fazer todas as atividades que requeriam pouco do cérebro e mais dos músculos. Ação em vez de pensamento. Deixava para inverter os papéis para a tarde - preguiçosa, lenta. Tardes serviam para pensar, colocar as idéias no lugar, sintetizar idéias espalhadas, para que a manhã seguinte fosse rápida. Cheia de oportunidades para colocar a já fermentada tarde anterior em ação. Pensava para que perder tempo de manhã? Perguntas do gênero dormiu bem? vamos bater um papo agora, antes do café? soavam absurdas. Os assuntos só afloravam a mente depois das 10. Um horário de gente civilizada, como dizia Mr. J.

De alguns potenciais conflitos éticos

Já defendi o indefensável. Já promovi o impromovível. Já me desculpei pelo indesculpável. É difícil, mas vai criando uma camada resistente sobre a pele. Vai dando uma flexibilidade à um caráter inflexível. O importante é fazer tudo isto mantendo um eixo de honestidade com as partes envolvidas. A vida é dura para aqueles obrigados a manter o ponto de vista dos outros sem concordar ou quando, eticamente, há muito em jogo. Pobres dos advogados, porta-vozes, relações públicas.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Eu não sou um crocodilo

Leia a história completa sobre foto (não, não é minha) aqui.

"I'm not no red football to be kicked around the garden - no no. I'm a red christmas-tree ball and I'm fragile. I'm not no animal though I am to you. I'm not no crocodile like the one in Dublin Zoo who lived in a cage, the length and breadth of his body with a window which people could look through and throw coins on his back to taunt him 'though he couldn't move even if he wanted to. I'm not no animal in the zoo. I'm not no whipping boy for you. You may not treat me like you do. I'm not no animal in the zoo. My skin is not a football for you. My head is not a football for you. My body's not a football for you. My womb is not a football for you. My heart is not a football for you. I'm not no animal in the zoo. This animal will jump up and eat you. I'm not no animal in the zoo. And I've every intention of leaping up and getting you." Red Football. Sinéad O'Connor.

Olhando para o alto

Olhar para os céus de Londres é ver os rastros dos aviões atravessando a cidade. Com certeza, os aviões que vão para os aeroportos da City e Heathrow passam exatamente por cima deste mundão de pessoas.
Lembro-me da primeira vez que vim à Londres e o bom e velho MD-11 da falecida Varig chegava depois do almoço na cidade. Já tinha visto o mapa da cidade, e mesmo o estudado, tantas vezes que olhar pela janela era uma confirmação da geografia que já conhecia de cor. Era uma tarde ensolarada, dourada de. Depois de 12 anos, me afastei das janelas nos aviões e normalmente durmo nas aterrisagens.
Ainda assim, depois do 9/11, confesso que todos estes aviões por cima (tão longe e tão próximos) da minha cabeça me assustam um pouco. Sempre tenho a neurose que um deles pode ter sido seqüestrado e esteja adquirindo velocidade em direção a algum ponto da cidade. Descontroladamente. Sobre o Parlamento, Buckingham ou Canary Wharf. E recentemente foi reportado que este era, de fato, um dos planos.
Quando olho para céu e consigo identificar qual é a companhia aérea Thai, Virgin, Singaporean, BA, eu fico genuinamente preocupado. Putz eles estão voando muito baixo...

terça-feira, 10 de abril de 2007

Memorable quote #2

"We haven't got a snowflake's chance in hell."
Justin Hawkins (1975 - )

Um ombro que agradece

Voltei a fazer hatha-yoga. Um pouco antes da aula, depois que já tinha arranjado tudo, horário, instrutora, preço, já com as roupas apropriadas, chaves, dinheiro e documento na mão, pronto para sair de casa, eu pensei eu sou meio louco.
Já em português é meio complicado de acompanhar a aula - usar o membro esquerdo ou direito primeiro, mão ou perna, posição de ombro, cotovelo, joelho, pescoço, rotações, torções, virar para um lado, para o outro. Demora um pouco até acostumar. E eu estava prester a fazer tudo isto com ordens em inglês. Flerte com o desastre.
Mas foi mais fácil do que esperava. Intensa, intensiva - relativamente pouco relaxamento e muita força e torção. Já ter algum conhecimento prévio ajudou. E foi uma aula para relembrar como se fala as partes do corpo em inglês. Exercício físico e mental. E o meu ombro querendo ser chamado de shoulder, que reclamava há tempos, agradeceu pelo alongamento cheers mate thanks a lot.

Memorable quote

"Cities have sexes: London is a man, Paris a woman, and New
York a well-adjusted transsexual."
Angela Carter (1940-1992)

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Dormir e acordar

E a Nair Bello continua comatosa?

Minha leitura diária dos sites de informações brasileiros - o G1 em particular - me mantém a par disto. Pode ser inutilidade, mas sempre li a seção de Obituário dos jornais. Tudo bem a Nair Bello ainda não morreu. Então nada mais normal acompanhar o estado dela.

Às vezes, aparece quadro inalterado. É como um pintor que saiu de férias e deixou o quadro pela metade. Inacabado, em suspenso.

O editor do site deve ser fã de carteirinha, que tem relíquias da comediante, mandava presentes de aniversário, tem fotos autografadas e repete piadas, taglines e linhas dela em todas as oportunidades se é que alguém consegue reconhecer isto.

E enquanto isto, ela resolve dormir sem parar para ficar acordada pelo resto dos dias.

'...and the neighbour's wife, who has been in a coma for months, just decided to do all her sleeping at once.

"-This way, I'll stay awake night and day for the rest of my life."'

O tempo náo pára

Os europeus podem desfrutar de uma carga horária menor do que a dos brasileiros. Na sexta-feira, os alemães param ao meio-dia, os espanhóis lá pelas duas. Daí podem sair para passear, fazer compras, estas coisas triviais. Se não quiserem fazer nada disto, existe uma mega infra estrutura de transporte públicos para levá-los para casa.
Isto não é justo.

domingo, 8 de abril de 2007

Coração de Leão




Os Leões originais estão à solta aqui.
Suas cópias foram fotografadas aqui.
Trilha sonora para este post está aqui.

Justo comércio

Aqui somos bombardeados incessantemente pelo conceito Fairtrade. Todos são impelidos a fazer algo pelo Terceiro Mundo. É quase uma chantagem. Você pode ser malvisto se os produtos que consome não forem eticamente corretos. Os supermercados têm em suas gôndolas uma enorme quantidade de produtos fairtrade (principalmente as marcas próprias). Café, chá, chocolate, entre outros, são usualmente fairtrade.
Chantagem pode ser uma palavra um pouco pesada mas a mensagem subliminar é constante. Estamos na terra de Sir Bob Geldof e Sir Bono Vox (obrigado, Sr. J.) e a 'assim-chamada' ajuda é essencial. Então nada melhor do que fazer algo pelos necessitados. A propósito, todos os produtos fairtrade são mais caros do que a média - é o preço que se paga. Em relação à qualidade, esta é uma questão subjetiva.
Sou absolutamente favorável a um mundo em que as diferenças sociais são minimizadas. Mas ninguém quer sofrer constrangimentos - todos querem exercer suas opções. Sou favorável a um engajamento genuíno em que são compreendidos e aceitos os termos da negociação. Acho um tanto ousado abrir mão da qualidade de um certo produto por aquele resultante de um suposto comércio justo entretanto com qualidade questionável.
Ainda falando sob o ponto de vista de marketing, corre-se o risco do consumidor entrar em parafuso, passar a rejeitar e não mais confiar nos produtos fairtrade por mera overdose. Tudo depende do quanto o consumidor britânico se tornará genuinamente interessado pela causa. Às vezes acho que ele é mais engajado por uma questão de pressão da mídia, ou falta de opção, do que vontade verdadeira. Sei que isto é contra a teoria de que o consumidor é que define o mercado, mas só vou descobrir qual é a verdade com o tempo.
A questão agora é acompanhar os próximos passos deste movimento - enquanto isto, tomemos um café - fairtrade, por certo.

sábado, 7 de abril de 2007

Dedicado à Eternal Louise, que adora frases de efeito.
Visto aqui pelo Fundo de Garrafa.

Tacita Dean, The Roaring Forties: Seven Boards in Seven Days

"What the hell is the difference between a painting done by a person who wishes to paint like a child, and a child's painting?" Patsy Stone.

Nunca achei graça em arte moderna. Possivelmente a frase acima explica o motivo. Meu amigo Sr. F. deve estar repensando nossa amizade neste instante, mas espero que ainda reste ainda alguma consideração que ainda nos ligue. Na minha expedição de hoje, me coloquei à prova na Tate Modern. De tudo que vi, penerei uma artista chamada Tacita Dean e sua instalação, The Roaring Forties: Seven Boards in Seven Days.
O que a faz ser diferente: são 7 desenhos em giz sobre painéis pretos de 2,5 x 2,5m gigantes, cenas de barcos num violento alto mar (the Roaring Forties: Atlântico Sul, entre 40º e 50º de latitude, região de fortes ventos). Os desenhos parecem storyboards, com anotações sobre a direção do vento e situação dos elementos da cena. Instruções sobre a vista aérea ou cortes. Os sete painéis foram feitos em sete dias. Explica-se assim o título.
Texturas das velas dos barcos, espumas do mar, luz e sombra feitos com giz parecem iluminar as cenas noturnas. Dão um tom heróico a situações assustadoras para marinheiros de constituição fraca. Aí eu fico pensando o quanto meus desenhos são amadores.

Vauxhall velox

Uma coisa que eu não esperava era a quantidade de vezes que a polícia passa nas ruas em alta velocidade com suas sirenes, abrindo espaços, acelerando em suas Vauxhalls brancas e verdes e cinzas. Esta era para ser uma cidade pacata. Em dia de jogo de futebol, a polícia infiltrada investiga as reuniões de hooligans e cerca, ostensivamente, os pubs onde os torcedores estão reunidos. Já vi uma situação destas e é chocante. Mas tudo sem confrontamento. Risco de qualquer problema no metrô também faz as linhas pararem. Não chega a ser um caos, mas é necessário aprender a definir bem os timings antes de sair de casa para não chegar muito mais tarde que o planejado.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Vida em Marte


Sempre curti o paradoxo do tempo, viajar do presente para o passado ou para o futuro. Os 12 Macacos é genial, o conceito do Exterminador do Futuro e, em cartaz na BBC, Life On Mars. Sim, é o mesmo título da música do Bowie.

Neste programa, um detetive da Polícia atormentado pelo seqüestro de sua namorada na Manchester de 2007 é atropelado violentamente. Quando acorda, ele está em 1973. Chocado, descobre que tem um vida nos anos 70, seu trabalho tem outros métodos, e suas roupas são, eh bem, estilo anos 70. Na verdade, ninguém sabe se ele viajou no tempo, nas drogas, se está em coma, ou simplesmente louco. Este é o gancho dramático do programa, junto com a comédia do choque cultural das épocas e a trilha sonora formidável. Para quem se interessar, este video é longo (demora uns 6 minutos) mas é a seqüência de viagem no tempo. Vale a pena. Trilha sonora: David Bowie, Life on Mars.

Vivos ou mortos?

Tinham me falado que a cidade é cosmopolita. Mas você só começa realmente a entender o significado desta palavra quando anda pela cidade e esbarra em conversas em línguas ininteligíveis. Nada do trivial espanhol, francês ou alemão. Talvez estejam falando norueguês, javanês. Latim ou esperanto, estão vivos ou mortos? São todas aquelas línguas que a gente nem desconfia como possa soar. Nem tão pouco é possível distinguir a nacionalidade pela aparência. Alguns lembram da estória do dinamarquês com fisionomia de coreano. Esta Babel é Londres, que não absorve as pessoas; ela as suga.

Figurante capturado

Vivo a aproximadamente 3 km do trabalho. Posso optar entre ir a pé ou de ônibus ou, se necessário, táxi. De Metrô, nem pensar - é uma volta muito grande. Tenho optado pela caminhada, tentando recuperar todos os meus últimos meses do mais absoluto sendentarismo. Atravesso todos os dias a Tower Bridge - indo de manhã ou voltando à tarde, one way or another. Me pergunto em quantas fotos de turistas eu devo estar. Aquele figurante caminhando no segundo plano. China, Turquia, República Dominicana. Figurante de um instante de felicidade, viajando o mundo inteiro. Será que isto quer dizer que fui capturado e condenado a ser propriedade privada de algumas milhares de pessoas?

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Através dos olhos das crianças






Estou de volta

Depois de um longo e tenebroso inverno e um começo de primavera aqui na Inglaterra, aviso que estou de volta à blogsfera a partir de hoje. Muita coisa aconteceu neste período de hibernação, muita coisa passou pela minha cabeça. E registrei tudo. A partir de agora converto tudo (ou quase tudo) para os posts. Desculpem-me pela ansiedade provocada. Também estava ficando angustiado por não poder acessar a rede com a devida tranqüilidade. Vou aproveitar durante este mês porque em início de maio me mudarei para o meu futuro endereço fixo e daí vou ter que arranjar um novo provedor de internet... Enfim, seize the day, lads! Make your lives extraordinary!