quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Meus queridos

Estou no Rio de Janeiro, sob um sol escaldante e uma conexão discada. Não sei se isto me enche de fúria ou frustração. Volto a terra brasilis mais uma vez para mais um balanço. É, este ano foi muito mais foda do que eu poderia esperar. Não sei o que vai acontecer no ano que vem. Não sei muito bem o que quero que aconteça mas acho que sei o que eu não quero que aconteça. Este é um fim de ano de sabor amargo, esquisito, quando estou tentando compor um futuro e tudo está incerto, temporário. Quero que 2008 passe logo, que ele me seja leve, e que 2009 chegue em breve. Tomara que o destino me prove que tudo possa ser muito melhor do que minhas expectativas - mas não consigo ver isto. Uma nuvem acinzentada passa por cima deste post. Mas também vejo uma luzinha lá no horizonte, afinal sou um eterno otimista. É difícil, mas nada impede que eu envie as melhores vibrações para todos os meus amigos - reais e virtuais. Minha felicidade também depende que os meus amigos estejam felizes. Abraços e beijos a todos. Stay fabulous.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Crime, culpa e castigo

Um canoista desapareceu há 5 anos no mar. Sua esposa e filhos, depois de se recuperar do trágico evento, seguiram suas vidas. Ela sacou o seguro de vida e se mudou para o Panamá. Um dia, o cara reaparece na Inglaterra desmemoriado. Os filhos ficam atônitos, mas ele é levado para a polícia para dar explicações. A esposa é avisada no Panamá e quer voltar imediatamente para rever o marido. Só que aí começa a aparecer a lama. Uma pessoa fazia uma busca no Google e encontra uma foto. A imprensa então publica a fotografia do casal no ano passado junto com um corretor de imóveis no Panamá. Bonitos, saudáveis e felizes. A farsa cai. O marido é preso na Inglaterra. A esposa reconhece a veracidade da foto e resolve voltar para o país e é imediatamente presa ao desembarcar. Os filhos não querem ver os pais. Leia um timeline da estória aqui. O que o(s) levou a aplicar o golpe é certo: a grana. Eles poderiam estar voando pelo mundo. Ou mesmo ela poderia ter permanecido no Panamá e aguardar uma potencial extradição. Mas ambos deixam tudo para trás e voltam. Sentiram culpa. Francamente pensava que isto não fazia parte do repertório daqueles completamente criminosos.

"Eu prefiriria ter 6 gramas"

Comentário de Amy Winehouse quando soube que tinha sido indicada a 6 Grammys.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Trilha sonora para uma obsessão

Olhou a fotografia e quis que estivessem mais coladinhos, com um sorriso mais amplo. Every breath you take and every move you make. Every bond you break, every step you take: I'll be watchin' you. Quis que estivessem mais felizes. Every single day and every word you say. Every game you play, every night you stay: I'll be watchin' you. Oh, can't you see? You belong to me. How my poor heart aches with every step you take! Tentava lembrar o que tinham conversado naquela noite. A cada tentativa criava uma frase nova - talvez que nunca tinha sido dita. Criava uma realidade. Every move you make and every vow you break. Every smile you fake, every claim you stake: I'll be watchin' you. Não aceitou te perder, justo quem estava acostumado a tudo ganhar. Since you've gone I've been lost without a trace. I dream at night, I can only see your face. E ficou olhando a fotografia. Sem entender muito bem, sem saber para onde ir. I look around but it's you I can't replace. I feel so cold and I long for your embrace. I keep cryin', baby, baby, please. Oh, can't you see? You belong to me. Era uma angústia indignada, uma afronta aos seus sentimentos - será que você entenderia? Era a mesma indignação de Sting quando entoava: How my poor heart aches with every step you take! Every move you make and every vow you break. Every smile you fake, every claim you stake: I'll be watchin' you. Every move you make, every step you take: I'll be watchin' you. E ficou olhando a fotografia. I'll be watchin' you (every breath you take, every move you make, every bond you break, every step you take) I'll be watchin' you (every single day, every word you say, every game you play, every night you stay) I'll be watchin' you. E ficou olhando a fotografia.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O pato gordo

The Fat Duck é um restaurante caríssimo aqui da Inglaterra. O chef é Heston Blumenthal e ele tem um programa de televisão em que ele mistura ciência e culinária - In search of perfection. É legal se você é ligado na SuperInteressante mas pode ser tedioso se você quer aprender a cozinhar algo de forma rápida e simples. Deixando de blahblahblah, quero me concentrar na idéia de um pato gordo se refastelando com os pratos - como numa das refeições eduardianas com 10 pratos. Ou mesmo como aquele ganso cruel e forçosamente engordado para fornecer o foie gras. Em pensar que eu, gordo e hipertenso, vou ter que me controlar para tudo o que é lindo e delicioso. Um pato gordo tolhido das guloseimas da vida, um gansoparafoiegras às avessas.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Odeio muito tudo isto

Nada melhor do que fazer compras de Natal. Lojas cheias, ruas largas transformadas em ruas de pedestres, gente tropeçando umas nas outras. Indecisão constante no que comprar, em quanto gastar e julgar se o presente é bom o suficiente. Chega o momento em que se entra numa única loja e se compra tudo lá - pequenas variações no papel de presente, colocando as iniciais do presenteado embaixo da decoração, no vinco do embrulho para não aparecer muito. Escadas rolantes, cheias. Pagar no caixa, procure a fila. Provador repleto de consumidores e seus acompanhantes dizendo está ótimo, hum precisa de um tamanho menor, cores não combinam. Carregar tudo para casa torna-se uma tarefa hercúlea. Cuidado para não abalroar ninguém na rua, nem ser abalroado, sorry, excuse me. E a chuva se instala.

O que a rotina corriqueira e trivial esconde

Semana passada fui tomar o metrô em Whitechapel - no leste de Londres. Carregando minha mala, ia para Paddington tomar o velho colega Heathrow Express para 'Heathslow'. Estava preparado para observar a fauna urbana e registrar mentalmente algo. Desta vez, o objeto do meu interesse era um casal muçulmano. Jovens, ele usava a bata longa, larga e branca sobre sua calça, coberto por um casaco preto deslocado. Barba longa. A esposa com sua roupa longa, larga e preta. Não somente com a cabeça coberta, havia apenas uma fresta por onde devia exergar algo. Sempre provoca-me um certo desconforto quando vejo isto. Não é indignação, é só um incômodo pessoal que guardo para mim por respeito.

Daí vamos para dois casos relativamente recentes chamam a atenção no mundo muçulmano. Primeiro, a mulher árabe que foi condenada por não estar acompanhada de parentes do sexo masculino (e foi sucessivamente estuprada) na Arábia Saudita. E, segundo, a professora inglesa no Sudão que quase foi condenada porque, na sua classe, apelidou um ursinho de pelúcia de Maomé.

Existem leis particulares em cada país que são reflexos culturais locais. É inútil criticar uma cultura que não é a nossa, em que não vivemos. Observar e compreender é mais importante do que radicalizar. Mas existe o limite da decência humana e da utilidade das leis como ferramenta de organização social. Uma mulher estava, por algum motivo, desacompanhada e foi estuprada por diversos homens. O estupro já não teria sido punição suficientemente cruel para um delito tão particular? Uma adição de 200 chibatadas e 6 meses de prisão parece desproposital até para olhos compreensivos como os meus.

Uma ação descuidada, chamar um brinquedo com o nome do Profeta, feita por uma estrangeira para crianças: a perfeita combinação do desastre. É falar a coisa errada sobre o assunto errado no lugar errado para as pessoas erradas no momento errado. Entretanto, pergunto-me o quanto a reação pode ter sido exagerada. Por sorte (ou pressão diplomatica, ou econômica), o governo de Khartoum não caiu na armadilha do despropósito com conseqüência mais nefastas para a professora. Tudo se encaminhava para o pior porque a turba ignorante e enfurecida já iniciava o clamor por ações mais radicais nas ruas.

Irã e bombas nucleares não me preocupam tanto quanto estas pequenas e terríveis coisas da rotina. Elas me parecem a base de tudo, de todos os exageros, de todo o caos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Acordou e voltou a dormir

Acordou imobilizado sob o edredon, não abriu os olhos. Só imaginou a escuridão do quarto. O sol não poderia ter nascido ainda para que abrir os olhos se não há nada para se ver? Despertou indignado por um sonho em que testemunhava injustiça - uma das situações mais deploráveis a que alguém poderia ser submetido. O coração pulsava forte e acelerado. Sentia as veias aflorando na pele - pernas, braços, testa. Um suor leve umedeceu seu corpo - peito, costas, virilha. Incomodado, respirou fundo, empurrou com força o edredon, puxou as pernas para o ar frio da noite. Abriu os olhos, sentou-se na cama, e descobriu a luz acesa do quarto numa noite escura que ainda continuava lá fora. Olhou com decepção para o marcador do livro de um lado e o livro propriamente dito fechado do outro. Recusou-se a verificar que horas eram. Novamente deixou-se imobilizar instintivamente por uma fração de segundos que havia se tornado uma eternidade. Esticou o braço para alcançar o interruptor e apagar a luz, derrubando algo pesado e barulhento no caminho. Deixou as costas caírem novamente sobre o colchão. Penou para deixar a adrenalina baixar. Rolando de um lado para o outro na cama, enxugou a névoa de suor, gelou seu corpo. Voltou a dormir.

Na arquibancada, enquanto o circo pega fogo

Uma das maiores lições que já tive desde que estou aqui em Qüinzáilan é que sugestões não solicitadas não são bem vindas.

Estava assistindo o irritantemente excelente Election. Há uma cena na sala de aula em que o professor faz perguntas para uma classe pouco brilhante e sempre a aluna CDF levanta voluntariosamente o braço para o responder. Enquanto existem outros alunos para responder, o professor a ignora. Ela só tem vez quando os medíocres já esgotaram suas possibilidades - e ela responde com ultrajante alto nível. Tenho este maldito hábito de pedir licença levanto o braço e lançar meus comentários respondo às perguntas, quase sempre incisivos e quase nunca solicitados. É irresistível.

Só que por aqui, isto é encarado como patronising - algo como se eu estivesse tratando com indivíduos com dificuldades de raciocínio, também chamados de mentally challenged (preste atenção na ironia sutil desta expressão). Acreditando ser esta uma característica cultural, resolvi me adaptar e deixar que cada um lide com seus desafios como quiser e puder. Como diz o Sr D, 'Se pedir ajuda, pode até receber. Senão, ...'. Subo agora para a arquibancada e assisto o circo pegar fogo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Retrato falado

Um dia ficou olhando as pessoas em volta, todas aprisionadas no vagão de metrô. Como a fuga a cada estação era limitada, permitiu que fosse tranformando os rostos em retratos. Memorizava traços marcantes: testa aberta, nariz adunco, queixo pronunciado, rosto quadrado, triangular, os cortes de cabelos e os óculos que emolduravam a miopia. A partir de um certo momento, instalou-se um padrão repetitivo. Lembrava-se ter construído os mesmos retratos-falados nos dias anteriores. E os mesmos montados todos os dias desde que se viu por gente. Se o rosto que viu lembrava alguém a 2.000 km de distância, poderiam carregar a mesma carga genética? Os descritivos foram extrapolados para pequenas histórias, como a criança usando terno, a fugitiva do asilo, o pai e filho com os mesmos padrões de penteado arrepiado. Poderia inventar um conto só de olhar para uma orelha. Olhos expressivos, então, poderiam se tornar um épico de centenas de páginas.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Conversando com a sua ausência

Depois que a vida voltou a uma normalidade quase irritante, de vez em quando faz-se um vácuo no meu peito. E é quando lembro de você, meu irmão. Estas atividades repetitivas, corriqueiras, monótonas fazem a minha mente entrar num certo estado de transe. É quando me vejo conversando com a sua ausência. É um monólogo, na verdade, em vez de diálogo. Aposto que você gostaria de saber das novidades, e de como é a vida por aqui, e de me dar dicas para lidar com os problemas, e me contar dos seus novos negócios, e como está sol e calor e da praia, de me dizer que quer me encontrar logo, e de me dizer que vai fazer uma oração por mim. De repente, o vácuo torna-se um peso no meu peito que eu, por medo de afundar e afogar, largo e volto à superfície para respirar. E meus pulmões se enchem rapidamente e com força - chega a doer. Procuro então de novo a normalidade quase irritante para seguir em frente.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O amarelo em Wapping

Caminhava eu distraidamente pelas ruas do bairro nesta segunda-feira. Com frio e por causa do chuviscotipocuspe, meus olhos estavam voltados para o chão molhado, cobertas de folhas secas de um inverno que já chegou. Fui atravessar a rua de paralelepípedos, olhei para direita - em Londres, olhe para a direita primeiro. Mas parei durante aquela fração de segundos que parece eterna. E olhei para o alto. E fiquei olhando para o alto. E abri um sorriso bobo. O velho carvalho da estação de força, que já havia reparado estar totalmente seco, desta vez estava coberto de um absurdo amarelo. Muito embora parecessem flores, eram guarda-chuvas amarelos. Uma instalação de Sam Spenser, chamada Bloom nome bastante apropriado. E ficou aquela convulsão emotiva que só arte moderna consegue provocar, pensando numa Mary Poppins psicodélica que perdeu sua coleção de guarda chuvas num vendaval qualquer de Londres, ou numa árvore mutante tipo Wolverine (Oakerine?), ou num Van Gogh revisitado.
Saiba um pouco mais sobre o Wapping Project nos seguintes links:
Toda vez em que tropeço em algo interessante, deixei a câmera em casa. suspiro.

Velho e cansado

De repente, deu-se conta que tinha perdido todos os seus documentos. E todas as referências que existiam sobre sua vida havia desaparecido. O sorriso se abriu: descobriu que era a grande oportunidade para começar do zero, limpar todas as pequenas sujeiras - afinal lá ninguém sabia de sua vida pregressa. Só que este recomeço também significaria que qualquer história, experiência, sucesso, ou influência seriam anulados. A destruição seria impiedosa e trataria tudo de uma só forma. O processo de reconquista, reconstrução e reafirmação teria que ser iniciado, sem chance de usar fasttracks ou atalhos. Parou e pensou o quão velho e cansado já estava para tudo isso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Vulnerabilidade

Eu me pergunto o que acontece para que alguém perca tudo o que tem na vida. Todos nós conhecemos alguém que, em algum ponto da vida, num lance qualquer, perdeu grana, família, amigos, a dignidade - não necessariamente nesta ordem. Pode ser que tenham feito todas as opções erradas, uma após a outra e não tenham sido capazes de se aperceber isto a tempo.
Sabe aquela prima - bem aquela - que se atracou com a bebida e caiu na vida? E o primo e as drogas: sem comentários. Sou bonzinho em colocar os parentes de segundo grau - tudo pode acontecer com os de primeiro...
"Procurando bem, todo mundo tem pereba, marca de bexiga ou vacina..."
O quanto podemos estar vulneráveis a ponto de perder tudo que temos?

sábado, 24 de novembro de 2007

Como amar O Superstar?

Em Jesus Cristo Superstar, a ópera-rock, Maria Madalena se depara com Jesus. Ela está apaixonada mas não entende muito bem. Aquele cara era diferente de todos aqueles com quem já havia estado - por motivos óbvios. E ela fica perdida nos seus pensamentos e sentimentos e diz I don't know how to love him. E cada vez que eu escuto esta música ela se torna mais atemporal e universal. Estive conversando com o Sr M, que se diz ateu. Embora o diálogo tenha sido pontuado por ataques à instituição formal da igreja, foi interessante perceber que existia uma necessidade de acreditar, uma energia fervorosa, não canalizada naquele cara. Havia um vão claro que permanecia não preechido - era só atravessar a ponte e acreditar num Deus (independente de qual). Mas ele não sabia como amá-Lo, ou como começar a amá-Lo. Estas são as palavras de Madalena, escritas por Rice e Lloyd-Weber:

I don't know how to love him. What to do, how to move him. I've been changed, yes really changed. In these past few days, when I've seen myself, I seem like someone else. I don't know how to take this. I don't see why he moves me. He's a man. He's just a man. And I've had so many men before, in very many ways, he's just one more. Should I bring him down? Should I scream and shout? Should I speak of love, let my feelings out? I never thought I'd come to this. What's it all about? Don't you think it's rather funny, I should be in this position. I'm the one who's always been so calm, so cool, no lover's fool, running every show. He scares me so. I never thought I'd come to this. What's it all about? Yet, if he said he loved me, I'd be lost. I'd be frightened. I couldn't cope, just couldn't cope. I'd turn my head. I'd back away. I wouldn't want to know. He scares me so. I want him so. I love him so.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Etiqueta à mesa

Pediu o peixe e trocaram imediatamente os talheres. Colocaram à sua frente aquele garfo esquisito e a faca que só dá para ser usada com a mão direita. E ficou pensando na sua canhotice. Olhou para as 3 taças alinhadas e com tamanhos diferentes. Primeiro pensamento: elas poderiam servir para emitir sons diferentes. Olhou distraidamente e não moveu um músculo sequer quando o garçom chegou com o vinho - deixou que ele distribuisse na caixa de percussão correta. Pousou os talheres no prato; mas era para deixá-los ao lado do prato. Esfarelou o pão sobre a toalha da mesa, um pouco atabalhoadamente, mas com a displicência de quemnãoestánemaíparaapaçoca. Todas estas pequenas regras da etiqueta à mesa, ah, são de uma inutilidade absoluta.

Misturou cuidadosamente o feijão com macarrão até o tom perfeito de preto e cortou tudo com a faca. Tomou a sopa e fez shrulp com a colher sem contar os respingos que caíram na camiseta furada de dormir. Com os olhos semi-cerrados na manhã preguiçosa de quarta-feira, abriu a geladeira e pegou automaticamente o iogurte. Raspou o cantinho para remover o papel laminado. Não conseguiu. Quebrou a ponta do pote e levantou o papel. Ainda com os olhos semi-cerrados, automaticamente lambeu o iogurte do papel e também do dedo melado. Pegou a manga que caiu no quintal mas da árvore do vizinho. Apertou. Deu uma fungada (na manga, não no vizinho). Preparou-se mentalmente para se melar. Foi apertando, amassandoamassandoamassando, até que se sentiu que havia só líquido por baixo da casca. Fez um furinho com o dente, e schupchupchup. Todas estas pequenas inutilidades à mesa, ah, são de uma delícia absoluta.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Caminando por la Meseta

As velhas senhoras caminhavam pela cidade de braços dados. Impecavelmente penteadas. Indiscutivelmente maquiadas. Pequenas, com seus casacos longos, pareciam pequenos tarugos ambulantes. Desafiavam a osteoporose do alto dos seus altos, mas mantinham-se empertigadas e com um ar nobre, digno. O vento gelado trouxe o primeiro assunto da noite: a comparação entre as pensões recentemente depositadas nas suas contas. A seqüência natural foi a discussão para onde iriam juntas na próxima viagem para torrar a pensão. Em alguns segundos, as duas gargalharam em coro e imediatamente reclamaram de suas noras e como os netos estão mal alimentados. Trocaram instantaneamente segredos de suas receitas mais especiais e se surpreenderam por descobrir uma ou outra coisa que nunca tinham pensado a respeito. Pararam a caminhada em frente à farmácia enquanto umas crianças atravessavam a rua. Entreolharam-se. Sabiam que aquilo era o que dava alegria àquela altura da vida. E continuaram a caminhar em direção ao café.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sinéad O'Connor: tosqueada e selvagem

Blowg tinha dito que Sinéad O'Connor tinha envelhecido mal e isto me preocupou. Afinal, tinha um show para ver e não queria me decepcionar. Tinha assistido na TV uma performance dela cantando uma música do Andrew Lloyd Weber para Jesus Cristo Superstar, I don't know how to love him. E a velha Sinéad ainda estava lá na telinha da TV. Muito embora não mais absurdamente careca ou punk, mas uma rebelde quarentona de jeans velho e moleton nãoestounemaí.
Mecanicamente baixei todas as expectativas para o que eu ia assistir. Quando ela entrou no palco do Royal Festival Hall, juro que eu me assustei e pisei com meus dois pés na minha expectativa. Sim, as aparências determinaram o choque - prefiro não comentar porque minha descrição seria discutível, mas confiram a única foto decente que consegui tirar. Pensei no vaticínio do Blowg.


Mas aí, fez-se som.

The emperor's new clothes, seguido de You made me a thief of your heart, a indefectível Nothing Compares 2 U. Direto da Bíblia, ela mandou ver If you had a vineyard e outras do álbum Theology. I am stretched on your grave já era poderosa no estúdio mas ao vivo adquiriu um batidão assustador. Assim como a minha favorita, a curtinha, This is the last day of our acquaintance. Banda afinada, bateria pesada acompanhada do super baixo para o efeito batidão e violino para os efeitos eusouirlandesasimedaí. Para fechar nada como Thank you for hearing me.

Acho que estava com medo que ela realmente tivesse envelhecido mal, e eu idem, me carregando junto. Poderia não mais reconhecer aquela que cantava Mandinka há 20 anos atrás. Mas não é fato. Enfim, ela pode não estar mais totalmente careca, mas continua selvagem. Shorn to be wild.



E, a propósito, fico fora da minha base de operações na ilhota da Rainha durante 1 semana. Vou tentar publicar a partir do meu posto avançado no continente, mas não garanto nada...

domingo, 11 de novembro de 2007

Siena e Palio, não os carros

Siena é um modelo de automóvel no Brasil, certo? Certo! Mas também é uma cidade de uma história fascinante encravada nas colinas da Toscana.

Siena se descola do controle espiscopal no século XII, desenvolve sua própria constituição, refletindo o seu poderio econômico. Naturalmente as artes também são favorecidas e a escola de Siena vai influenciar outros pintores através dos séculos. Agora a The National Gallery reúne pinturas e esculturas da Siena Renascentista - impressionante.
No século XIII, antes de ir para batalha nos campos de Montaperti contra seus eternos rivais de Florença, a cidade se colocou nas mãos da Virgem Maria. Os florentinos tinham um exército muito maior, mas Siena os venceu. A vitória foi tão esmagadora que, se hoje em dia há qualquer embate esportivo entre Siena e Florença, os torcedores de Siena assustam os florentinos com um ameaçador Lembrem-se de Montaperti.
Palio é um modelo de automóvel no Brasil, certo? Certo! Mas também é uma corrida de cavalos em Siena. Mais do que isto, dando continuidade à devoção à Virgem Maria, 10 cavaleiros representando 10 dos 17 bairros de Siena disputam uma corrida de cavalos sem selas. A pista da corrida fica em torno da Piazza del Campo, a praça principal de Siena, e o vencedor - pode ser apenas o cavalo vencedor porque o jóquei maluco sem sela pode cair no meio do caminho - leva para o seu bairro a bandeira pintada com a Virgem - o Palio.


Siena só cai perante Florença no século XVI depois de 18 meses de sitiada. Mas ainda hoje mantém seu porte e beleza.

Imagens: Francesco di Giorgio, 'Saint Dorothy and the Infant Christ', about 1460.London, The National Gallery; Piazza del Campo, por Tetraktys.

Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome

Está estreando no mundo inteiro Lions for Lambs. Isto significa ter que assistir aos documentários dos backstages e aquelas entrevistas com os atores. Fórmula já está decorada, entrevistado e entrevistador frente a frente, banner do filme por trás do ator, muita cortesia, algumas tiradas com senso de humor, algum constrangimento, enfim, nada que já não se tenha visto antes. Mas aí aparece Meryl Streep, e a gente se pergunta de que planeta ela saiu, em nome do Santo Oscar. O discurso, as pausas, olhares e meneios de cabeça, tudo tem um propósito e um significado. Esta daí não veio ao mundo ao passeio, veio sim para deixar a gente boquiaberto.

sábado, 10 de novembro de 2007

Qual história, Wishbone?

"What's the story, Wishbone? What's this you're dreaming of? Such big imagination on such a little pup. What's the story, Wishbone? Do you think it's worth a look? It kind of seems familiar Like a story from a book Shake a leg now, Wishbone Let's wag another tale Sniffin' out adventure With Wishbone on the trail Come on, Wishbone What's the story, Wishbone?"

Putz eu curtia muito o Wishbone.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Diga 'não' a presentes que são um lixo

A Oxfam é uma organização de desenvolvimento, ajuda e promoções que trabalha com outras para acabar com a pobreza e sofrimento através do mundo (já ouvi falar de um presidente que diz fazer isto). Visite o website para saber um pouco mais sobre eles: Oxfam.

Pincei a campanha do Natal deste ano que já está pela cidade. Eles querem donativos para serem convertidos em fertilizantes, preservativos ou mesmo banheiros para comunidades necessitadas. O gancho é a presença de celebridades com a fita decorativa na boca e os dizeres "Speak out against the horror of RUBBISH PRESENTS!". Atrai os olhares imediatamente. Sim, porque a gente ganha cada lixo às vezes... Mas, por baixo da brincadeira, a proposta é mais nobre. É possível assistir a propaganda que será veiculada na TV na página da Oxfam (clique aqui).
A foto da Helena Bonham Carter é hilária, tomara que a campanha dê certo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pequeno léxico de expressões absolutamente inúteis

Momento profundamente superficial. Novas expressões garimpadas pela equipe da GQ (versão impressa, edição inglesa, publicada em Outubro de 2007). Há outras por lá, mas gentilmente traduzi só algumas que achei relevantes (?).
Oh-no second ou aquela fração de segundo em que você constata que acabou de fazer a maior cagada, por exemplo, clicou em 'responder a todos'.
Monkey bath é aquele banho tão quente que, quando você entra na banheira (ou eventualmente embaixo do chuveiro), você sai pulando e gritando 'Uu! Uu! Uu! Aa! Aa! Aa!'
SITCOMs (acrônimo para Single Income, Two Children, Oppressive Mortgage) denomina o que acontece quando yuppies têm filhos e um deles pára de trabalhar para ficar em casa com as crianças ou inicia um 'home business'.
Aeroplane Blonde é aquela que tingiu o cabelo de louro (ou descoloriu ou foi para a água oxigenada) mas ainda tem uma 'caixa preta'.
Johnny No-stars é o apelido daquele carinha de inteligência abaixo do padrão, o típico adolescente que trabalha num fast food. O No-stars vem daquele crachá com estrelas que o staff usa para mostrar o seu nível de desenvolvimento/treinamento.
Assmosis é o processo através do qual algumas pessoas parecem absorver sucesso, evolução, avanço muito mais através da puxação de saco do chefe do que por esforço próprio.
Adminisphere define as camadas organizacionais que estão acima da candangaiada, do chão de fábrica, das castas medianas do escritório. Decisões provenientes da adminisphere são geralmente profundamente inapropriadas ou irrelevantes para os problemas a que se propuseram resolver. Está também relacionada com a expressão administrivia, ou seja, papelada e processos inúteis.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

A talentosa Sra Highsmith

The Mysterious Yearning Secretive Sad Lonely Troubled Confused Loving Musical Gifted Intelligent Beautiful Tender Sensitive Haunted Passionate Talented Mrs Highsmith

Metal contra nuvens

Estava escutando uma compilação de música brazuca. Aquelas músicas escolhidas a dedo...
Algumas são clássicos da bossa nova (Astrud Gilberto, Corcovado) ou jovem guarda (O Rei Roberto, Sua Estupidez 1969). Muita gente boa cantando (Elza me passa o saaaaarrrrrrl Soares com Monobloco, Eu bebo sim) e outros nem tanto (Bonde do Rolê, Solta o frango). Coisas engraçadas (Frenéticas, Feijão Maravilha) e outras que não dá para saber se são engraçadas ou geniais (Mutantes, El Justiciero). Gente dando uma de inteligente (Secos & Molhados, Rosa de Hiroshima), e outros genuinamente brilhantes (Chico Buarque, Eu te amo). Gente que poderia fazer parte da aristocracia (Paulinho da Viola, Timoneiro) e outros, de uma outra elite (Zeca Pagodinho, Deixa a vida me levar). Coisa que um dia me deu vontade pular sem parar (Ira!, Envelheço na cidade), dançar sem parar (Lulu Santos, Descobridor dos 7 mares), cantar a plenos pulmões (Legião, Que país é este?), chorar (Pato Fu, Canção para você viver mais). Y cosas mucho locas (Raulzito, Gîtâ) ou locas demás (Lindomar Castilho, Você é doida demais). Gente charmosa (Marina, Para um amor no Recife) e gente numa terra estrangeira (Gal, Vapor barato 1971). Pequena janela para uma faceta sertaneja (Fafá, Nuvem de lágrimas) e brega-romântica (Fábio Jr., Alma gêmea). Mas aí aparece o pessoal modernoso (Zélia Duncan, Tudo ou nada) e prafrentex (Fernanda Abreu, Rio 40 graus). E muita coisa que não se encaixa em nenhuma classificação mas que significou algo em algum momento da minha curta existência (Paralamas, Óculos; Los Hermanos, Conversa de botas batidas; Luiz Melodia, Estácio Holy Estácio; Blitz, A dois passos do paraíso). E, finalmente, tem coisa que nunca consegui acompanhar (Olodum, Madagascar) ou entender muito bem (Elis, Trem Azul).
Mas enfim, Elis é Elis. Pode fazer qualquer coisa, inclusive brandir Metal contra as nuvens, como a Legião o fez.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

I want my BBC

América Latina não existe para a imprensa britânica. Isto é fato consumado e inquestionável.

Já havia constatado isto durante os Jogos Pan Americanos, que mereceu cobertura zero de toda a imprensa local. Mas é até compreensível que eles dediquem a maior parte do tempo à suas ex-colônias - Quênia, Tanzânia, Austrália, ou mesmo um inexpressivo Canadá. Há também uma fonte inesgotável de curiosidades no subcontinente indiano. Veja só o barril de pólvora (ou de urânio) sobre o qual o Paquistão está sentado, regido por Musharraf - um ditador de quem todos têm medo, em estado de emergência ('Desperate' Musharraf declares martial law).
Conto nos dedos da mão esquerda quantas notícias assisti na BBC sobre a AL ou o Brasil. Uma das últimas foi a escolha do Brazilzilzilzilzil para sediar a copa do mundo (Brazil will stage 2014 World Cup). Estereótipos à parte, acho que a trilogia samba-futebol-mulata deve ser a tônica da crônica local. Esperemos o Carnaval, a Copa e o Carnaval de novo.
Estivemos indiretamente em toda a mídia na semana passada. A Metropolitan Police foi declarada culpada por uma catastrófica série de erros durante a operação que levou à morte de Jean Charles de Menezes no metrô de Stockwell em 2005. Os adjetivos aqui usados para qualificação do caso não é a de um brasileiro em solo britânico, porém a transcrição de um artigo do jornal inglês The Guardian (Met police guilty over De Menezes shooting). O choque dos britânicos é compreensível porque a polícia não carrega armas e a taxa de mortes por armas de fogo é baixíssima. Ter alguém baleado pela polícia é definitivamente absurdo - não, nada de Tropa de Choque por aqui.
Embora bombardeado por todos os lados, Sir Ian Blair, o banbanban da Met, disse que não renunciaria ao cargo porque o caso foi crítico, mas isolado (Guilty, but Blair refuses to go). Vários segmentos da sociedade reconhecem este fato mas acreditam que o comandante de uma organização julgada culpada de erros crassos deveria demonstrar a sua culpa, reconhecer seus erros e expiar seus pecados através da renúncia. Há uma semana Sir Blair tem estado numa corda-bamba, muito mais por questões morais do que factuais.

Blues da Piedade

Artigo encontrado hoje no G1:

Acredito muito na Administração como algo orgânico, quase como um organismo pulsante, um ser vivo. Segundo a teoria evolutiva, o negócio é adaptação ou morte. Estes seres incompetentes mencionados no artigo cercam-se de gente menos capaz que eles para se manterem vivos na organização. Desta forma, tornam-se quase-competentes na comparação e ainda eventualmente podem lançar os ainda menos-competentes ao sacrifício (ou morte ou demissão).
Já entoava Cazuza com toda propriedade nos Blues da Piedade, vamos pedir piedade (Senhor, piedade!) pra essa gente careta e covarde. Vamos pedir piedade (Senhor, piedade!) lhes dê grandeza e um pouco de coragem...

Lembrem-se, lembrem-se

Hoje, 5 de Novembro, é o dia em que os ingleses soltam fogos de artifício e fazem suas fogueiras - o bonfire night, Guy Fawkes' night. Quem assistiu V de Vingança, sabe do que eu estou falando. Até então, pensava que era algo que estava restrito aos filmes, quiçá aos livros de história. Mas o povo aqui celebra a valer.

Escrevo este post em frente à janela (fechada, porque faz 9ºC lá fora; e protegendo-me com um aquecedor) e há fogos à todo momento lá no lado sul do rio, sem contar o barulho dos pipocos. Sábado fui assistir a uma exibição de fogos no Alexandra Palace - supostamente o melhor da cidade, porém nenhum revéillon em Copacabana. Tentei tirar umas fotos, mas ficaram absolutamente lousy. Além disto, ou se aproveita ou se tiram fotos. Optei pelo primeiro.

O objetivo é o de não esquecer o que acontece com um traidor. Para protestar contra a intolerância do sucessor de Elizabeth I aos Católicos ingleses, Guy Fawkes executaria o plano de explodir o Parlamento em 1605, matando o Rei James I, possivelmente seu sucessor o Príncipe de Gales, e boa parte da aristocracia Protestante presente. Seria considerado um terrorista. Tendo sido capturado, Fawkes foi torturado, condenado, enforcado e esquartejado.

Remember, remember the Fifth of November,
The Gunpowder Treason and Plot,
I know of no reason
Why Gunpowder Treason
Should ever be forgot.
Guy Fawkes, Guy Fawkes, t'was his intent
To blow up King and Parliament.
Three-score barrels of powder below
To prove old England's overthrow;
By God's providence he was catch'd
With a dark lantern and burning match.
Holloa boys, holloa boys, let the bells ring.
Holloa boys, holloa boys, God save the King!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Girimum de Ralouín

Covent Garden

Televisão de cachorro

O conhecimento necessário sobre potenciais toxinfecções alimentares me levou a ter pânico de alguns alimentos, práticas culinárias, temperaturas e condicionamentos. Não gosto da idéia do blue cheese forrado de bolores, a promiscuidade das facas num churrasco, ovo frito com a gema ainda mole e carnes (qualquer uma) mal passada. Queria viver num mundo sem microorganismos.
Partilhando a minha experiência inglesa, um dia descobri aqui que, intuitivamente, não conseguia tolerar o frango preparado aqui. Sabe quando você mastiga e engole sem respirar. Ele é devidamente cozido, acredito eu, mas está relativamente macio demais -seja em qualquer preparo. O frango assado não parece estar devidamente assado. Talvez culinariamente falando, ele esteja no ponto ideal para ser degustado. Mas não me convence.
O franguinho brasileiro - o nosso assado - condicionado na televisão de cachorro é formidável. É sequinho e coberto por uma indefectível casquinha crocante. A farofinha de miúdos do recheio pode ser um pouco mais umidecida para fazer o contraponto. Para deixar com um gosto de domingo-classe-média, a imbatível maionese também ajuda a quebrar a secura da ave.
Suspiro.

domingo, 28 de outubro de 2007

Este é o capitão

Depois de aterrisar num aeroporto e a aeromoça diz welcome to Shangri-la, it's 4:50 AM, e aí ela engancha num discurso absolutamente ininteligível. Simplesmente porque, depois de passar o recado na sua própria língua, elas falam rápido demais para se livrar do mico de falar em inglês. Talvez seja por isso que todos levantem antes do sinal de cintos afivelados sejam desligados.
(O passageiro) Eu queria um iogurte de morango... (A aeromoça) Claro! Só um momento... (A aeromoça, na área isolada separando o iogurte) Este povo não toma iogurte em casa, aí quando viaja fica pedindo iogurte. E ainda exige o sabor! É o fim da picada... Esta é uma transcrição de cabeça de um esquete da TV Pirata com a Regina Casé sendo a aeromoça. Piada? Pode(ria) ser a mais pura verdade.
Viajar em companhias aéreas de países diferentes dá uma noção de como são as pessoas fisicamente naqueles países. As polonesas, gordinhas. Os portugueses, mais velhos que a média. As holandesas, ruivas e rosadinhas. Estereótipos.

sábado, 27 de outubro de 2007

Juliette Binoche sem proibições

Uma das melhores capas que eu já vi, coisa de gente grande para gente grande - forma e conteúdo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Padecer no Paraíso

Rasguei algumas folhas de relatórios antigos. Gostava do barulho surdo qurrrr e da sensação do poder de destruição nas minhas mãos. Podia decidir pela sobrevivência de algumas idéias e isto dava um certo significado àquela atividade banal.
Quando você me perguntou sobre a vida, sobre o que eu estava achando de tudo aquilo, se eu estava gostando, limitei-me a um monossilábico ok. Havia escolhido a estratégia incorreta para me livrar de explicações adicionais - resultante da minha falta de diploma nas artes sociais. O choque que eu provoquei foi a principal razão para enfeitar o ok com descrições, comparativos, contrastes, vantagens e desvantagens.
Fui criando um roteiro que repeti à exaustão até que abandonei a abertura do discurso: ok. Ele foi sumindosumindo até que a história que eu contava foi se tornando Absoluta. Os fatos foram encantando olhos que facilmente brilhavam, sorrisos se abriam e a inveja que é uma merda pipocava. E as palavras foram tomando um peso diferente, tornaram-se concretas depois que o floreado foi abandonado. Fizeram sombra a todos meus pensamentos transtornados que pareceram repentinamente desimportantes. Padecer no Paraíso adquiriu um novo sentido para mim.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Uncle!

Estive ausente recentemente por vários motivos, inclusive devido a uma ida à terra brasilis para uma runião com os caciques da minha tribo. Tudo deu certo na pajelança e já voltei até com mais trabalho, mais selvas para desbravar.


Outro motivo foi uma sobrinha postiça que me visitou. Durante algumas semanas, a Srta S chegou de Toronto e partilhamos o mesmo teto. Já me adotou como Uncle no metrô. Eu, tio-avô, já havia me desacostumado a ter alguém me chamando de tio - de repente, me tornei uncle. E foi um tal de uncle para cá, uncle para lá. A família toda foi apresentada para os vizinhos de mesa num pub - enquanto o dedinho apontava para cada um de nós: Mama... Papa... Uncle... De tão simpática, a minha sobrinha ganhou uma canção do busker em plena Portobello Road.



E a Srta S reclamou em alto e bom som porque não queria deixar de assistir o busker. A vingança foi ficar tirando o sapato, enlouquecendo a mãe por tirar a meia também. Ela já havia gentilmente permitido que carregássemos todos os mantimentos comprados no mercado de Borough no seu carrinho - bem que merecia uma melhor contra-partida - azeitonas, patés, Haggis, Apfelstrudel, queijo fedorento. E a pobrezinha naquela noite teve que se contentar com baby food de potinho. A vida não é justa mesmo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Para o infinito e além

Já tinha escrito sobre o fundo do poço. Orhan Pamuk descreveu a queda de um corpo num poço em I am a corpse. E agora eu cheguei ao fundo do meu poço pessoal. Dei uma de Cazuza. Exagerado. Exagerei nas drogas lícitas, exagerei no stress, exagerei em esquentar a mufla, exagerei nas noites mal dormidas, exagerei na ansiedade, exagerei nos meus transtornos. E o meu corpo, combalido, reclamou. Hipertensão.
Honestamente a mortalidade bate de leve, mas sorrateiramente, à minha porta novamente. E isto me assustou. Não compreendi muito bem o que estava se passando por uma fração de segundos, mesmo porque minha pressão sangüínea era normal. Até que a imagem do poço veio até a minha mente.
Estou feliz por concluir minha indecente espiral descendente. Porque agora só me resta tomar a direção contrária. Para o alto e avante, to infinity and beyond, porque agora só resta subir, começar novo ciclo, respirar apropriadamente de novo.

sábado, 29 de setembro de 2007

Roman Holiday #3

(Fragmentos de memória)

Por conta do Vaticano encravado em Roma, a concentração de religiosos é muito maior do que em qualquer outro lugar. Praticamente tropeça-se em freirinhas e padrecos. Diferentes idades e nacionalidades e cores do hábito. As freiras sempre têm aquela carinha angelical, virginal, parece que nunca nem esbarraram num outra pessoa. Uma máscara semelhante em todos os rostos que é formada através do tempo, por hormônios nunca nem mentalmente neutralizados. Por outro lado, os padres parecem não trazer esta carga no rosto - não encontrei isto nem nos mais jovens nem nos mais velhos.
*
Enquanto minha cabeça encontrava a melhor posição para se acomodar na poltrona do trem o cochilo estava por vir, ele olhava pela janela. Usava um embaraçoso uniforme de escoteiro com direito a lenço no pescoço como todos os seus colegas em volta. O dia quente de sol a pino fez brilhar ainda mais o vale bucólico, os campos, as colinas mal cultivadas e uma ou outra casa que aparecia. Ele pensou no seu pai. Na sua mãe. E se perguntava se havia mais no mundo do que aquilo.
*
É notória a fascinação dos ingleses pela Itália - ou qualquer outro lugar no sul da Europa com sol. Em A room with a view a personagem de Helena Bonham Carter desmaia na Piazza della Signoria depois de ver um homem ser esfaqueado. Pergunto-me se no século XIX a quantidade de turistas era tão grande - possivelmente deveria haver uma colônia de ingleses que se reuniria para picnics nas redondezas, tomando seu vinho ou chá. Sendo uma pessoa pragmática, me preocuparia em como fazer câmbio naquela época.
*
Ainda sobre os ingleses na mesma praça, por lá atravessa uma mulher com um Marlboro na boca pela metade de cinza trançando as pernas. Um pouco atrás está outra com olhos perdidos fazendo bico para um pedinte. Passaram o dia provando vinhos, birras, grappas.
*
Tem uma hora que o tempo pára. É quando a gente se descola de todo o resto. E se concentra no agora. No presente. Somem a tristeza e a preocupação. E a gente transcende.
*
Fazer churrasco com lingüiça toscana passou a ter literalmente outro significado para mim.
*
Quando me aposentar, vou me mudar para Floripa. Agora, se eu fosse filthy rich, me mudaria para a Toscana.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Comparação: Rugby e Futebol

Rugby: um jogo de hooligans jogado por cavalheiros.

Futebol: um jogo de cavalheiros jogado por hooligans.

Alegria intolerável

Existe um caso clássico de gente que é adorada por todos. Gente de fácil relacionamento na maior parte do tempo, divertida, falante, aqueles que a gente lembra de convidar se lembra para fazer uma festa.
Só que algumas destas pessoas carregam algum traço desagradável. Seja uma intromissão supostamente natural em todos os assuntos alheios talvez seja a contra-partida de serem tão solicitados. Seja uma quase-irritante euforia, tornam-se cansantivas quase imperceptivelmente por tudo seu ser tão ótimo, tão fabuloso, tão tão. É tanto brilho que a gente não enxerga nem entende porque a gente se incomoda ora o sentimento deveria ser positivo.
Enquanto tudo é novidade, tudo vai bem; mas o tempo mina este sentimento. Usualmente não reagimos a esta situação, não reagimos à pessoa. Levamos em banho-maria porque o sentimento externado alegre é positivo e bom e contrário ao nosso sentimento incomodado, ruim e negativo. Isto vai tacitamente ecoando, vai derrubando o grupo um por um até o ponto em que ninguém suporta mais.
O corpo estranho como todos os corpos estranhos são removidos, naturalmente expelidos, ou simplesmente descobrem que não é mais a sua (dele) praia. Para o alívio geral. Em seguida, o grupo incomodado sente um alívio tão grande e nem conseguem entender como conseguiram suportar aquela situação por tanto tempo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Dia de São Cosme e Damião


Dia de São Cosme e Damião
Originally uploaded by artestórias

Quando era criança, este era o dia de correr atrás de doces, passar pela vizinhança, disputar o saquinho com a molecada em algum portão. O melhor de tudo era quando alguma vizinha ou parente já tinha reservado o nosso saco de doces. Daí era só esperar em casa. O saquinho vinha até com o nome!

O ritual era evitar o bolo, começar com o suspiro e a cocada. Talvez aquela geléia de duas cores, o doce de abóbora de coração. Pa-ço-ca, só comendo e falando ao mesmo tempo, para esfarelar e fazer aquela sujeirada. Tinha também o indefectível cocô-de-rato, no saquinho rosa-pink. A dupla em barras: doce de leite e doce de amendoim. Tinha também o pé de moleque que melava absolutamente tudo. Finalmente, o Zorro com aquele gostinho de coco. E as balinhas. Quanto ao bolo, ora com tanto docinho diferente, bolo era muito sem graça...

Ajudei muito a preparar saquinhos para minha mãe distribuir em casa. Este ano será a primeira vez que ela não deve dar doces desde que me dou por gente. Guarda a tristeza pelo meu irmão, que faria aniversário hoje.

É requeijão, é requeijão


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Originally uploaded by sdobry.
A Sra E gentilmente me ofereceu um Syrniki para matar a minha fome na Rússia. Acabei descobrindo algo simples, mas encantadoramente delicioso. Basicamente, é um queijo cottage (que ela me corrigiu em português impecável, chamando-o de requeijão) misturado com um pouco de açúcar e farinha. A massa é cortada em pequenos discos, que são fritos. Dá para comer puro, com geléia ou com creme. É simples, fácil de fazer e com ingredientes de baixo custo. Sendo assim, muito popular no café da manhã ou como sobremesa na Rússia. De lamber os beiços.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Second star, straight on 'til morning

Peter vôou por cima dos telhados. Todos estavam cobertos por pequenos jardins, de mesinhas e cadeirinhas. Achou as antenas digitais engraçadas, como conchas escuras ou moedas perdidas nos telhados. Mas os olhos foram atraídos pela quantidade de flores vermelhas que não sabia distinguir - nunca deu atenção a plantas a não ser quando conversava com elas. O cheiro da parede úmida e suas manchas secando ao sol também passaram pela sua mente. Paredes marrons, ocres, rosadas-esquisitas, amarelas, arenosas e rústicas que insistiam em contrastar com o céu azul da manhã fria. Acelerava o vôo e os ossos do rosto doíam, rapidamente, rapidamente, para a cama, para o sono que virá, enquanto contasse tudo para Wendy.

Isolamento

A minha primeira vez na Rússia me permitiu classificá-la como bizarra. Um trânsito caótico de permanentes engarrafamentos. O alfabeto cirílico que minha mente insistia em converter para o alfabeto latino - um quebra-cabeças divertido. Estilo de comportamento diferenciado, sem muito espaço para as cortesias e firulas, uma civilidade reta, direta e concreta. Os rostos são largos. A beleza feminina é multiplicada pelos brilhos, metais, saltos e rendas. O orgulho pela independência do ocidente é histórica. Este certo isolamento os levou a todas estas peculiaridades - um isolamento geográfico quase levando ao isolamento genético.

domingo, 23 de setembro de 2007

I am a corpse

"I am nothing but a corpse now, a body at the bottom of a well. Though I drew my last breath long ago and my heart has stopped beating, no one, apart from that vile murderer, knows what's happened to me. As for that wretched, he felt for my pulse and listened to my breath to be sure I was dead, then kicked me in the midriff, carried me to the edge of the well, raised me up and dropped me below. As I fell, my head, which he'd smashed with a stone, broke apart: my face, my forehead and cheeks, were crushed; my bones shattered, and my mouth filled with blood.
For nearly four days I have been missing: My wife and children must be searching for me; my daughter, spent from crying, must be staring fretfully at the courtyard gate. Yes, I know they're all at the window, hoping for my return.
But are they truly waiting? I can't be even sure of that. Maybe they've gotten used to my absence - how dismal! For here, on the other side, one gets the feeling that one's former life persists. Before my birth there was infinite time, and after my death, inexhaustible time. I never thought of it before: I'd been living luminously between two eternities of darkness."
Abertura do livro My name is Red, de Orhan Pamuk. Uma das melhores imagens que eu já li.

Fotos com emoções

A gente vê muita coisa por aí e fotografa, registra para guardar para um momento futuro ou para partilhar. Uma das inovações tecnológicas mais aguardadas por mim seria fotos que guardam consigo um fragmento da emoção provocada no olhar que as capturou. Poder transmitir a emoção, amplificada por todos os em-tornos, seria formidável. Até fotos inúteis, mal tiradas, poderiam ter alguma valia.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

From Russia, with love

Estou trabalhando na Rússia nesta semana. É minha primeira vez por aqui e tento captar tudo que possa deste outro lado da Europa. O hotel é mastodôntico, uma recepção atarracada, dois elevadores assustadores, 6 pisos. Cada andar se espalha e, de repente, se conecta com prédio vizinho e tudo se transforma numa grande complexo de quartos - obviamente não estou num Radisson ou Crowne Plaza (budget business trip)...
No restaurante hoje no jantar, resolvi arriscar algo que, na tradução para o inglês a partir do russo (escrito com as letras em cirílico), era grilled pork "ice-bun". Na mesa com Srta. C, pensamos em várias alternativas do que poderia ser enquanto o prato não chegava, afinal demorou uma vida para ficar pronto. Quando foi servido, ficamos tentando alternativas do nome para ver o que mais se aproximava. Até que a ficha caiu: ice-bun = eisbein. O prato era um joelho de porco com repolho e purê de tomate. Estava bem gostoso, com bastante alho frito.
A seguir, os dois desesperados por algo docemente calórico, viramos o menu de trás para frente. Das 12 páginas (sim, nós as contamos), não havia nenhuma página para sobremesas. Entretanto, contamos 5 páginas dedicadas às mais diferentes bebidas alcóolicas. Como diz a nossa tradutora Sra E enquanto ofereciam uma caipirinha para um visitante, na Rússia não existe hora para uma bebidinha.

domingo, 16 de setembro de 2007

Luta ou fuga

Lembro-me do quanto os dias de domingo me deprimiam. A perspectiva da segunda-feira me atormentava. Quando passei a dormir cada vez mais tarde, tudo voltou à tona. Durante algum tempo tive medo de dormir - não pelo sono em si - mas pela idéia que estaria me aproximando mais rapidamente de um futuro que eu queria evitar. Do receio de receber más notícias, de me aproximar de pessoas que não queria ver, de fazer o que eu não queria fazer. Era a maldita antecipação e ansiedade voltando a atacar. Uma batalha que se passa inteiramente na minha cabeça, pouco evidente no meu rosto, porém clara na minha economia de palavras - adicionada à adrenalina como energia para o confronto. Fight or flight.

Roman Holiday #2

Imagens dramáticas

Pra começar, quem vai colar os tais caquinhos do velho mundo? Pátrias, famílias, religião e preconceitos: quebrou não tem mais jeito.
Através deste Fundo de Garrafa, meu olhar para o drama foi acentuado. Há uma história, uma tragédia, por trás de cada imagem. É possível embutir o movimento rápido e sem volta. É operístico, descobri agora que italiano, com sangue, emoção, suor e lágrimas.
Pedaços, fragmentos, o vazio não têm nada para me dizer.
Se tudo caiu, que tudo caia pois tudo raia. E o mundo pode ser seu.
Todinho seu.

Roman Holiday


Teatro de Arena

Enquanto estava na parte de baixo do palco aguardando sua vez de ser forçado a entrar em cena, conseguiu ouvir a toda a movimentação sobre a superfície. A areia do piso do cenário penetrou as frestas e caiu sobre os seus olhos. Piscou, esfregou os olhos, piscou novamente. Encenavam uma caçada. Pôde acompanhar as rodas da carruagem pelo breve escurecimento dos raios de luz que iluminava o alçapão. Logo seria catapultado para arena, junto com os cenários representando a África. Seu papel era perseguir os animais até que eles resolvessem contra-atacar the hunter gets captured by the game. O som não era ensurdecedor, mas abafado, agudo e podia distinguir os gritos de indivíduos - fosse na arena, fosse na platéia. Estava aterrorizado, mas consciente e, quem sabe, conformado. Sua participação terminaria na sua morte para delírio de uma platéia de dezenas de milhares.
Livremente inspirado no que ouvi sobre o Coliseu de Roma.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Senso unico?


Senso unico?
Originally uploaded by Fundo de Garrafa.
Procurei evitar o circuito Elizabeth Arden, fugir das hordas de turistas e procurar coisas fora da trilha batida. Foi assim que tomei cachaça no Pântano do Sul e fui carranca em Ibirama, carreguei minha mochila montanha arriba e montanha abajo. Mas, fui sentindo falta dos clássicos, como faz falta a leitura dos clássicos da literatura. Hoje viajo mais leve e sei que posso encontrar alternativas até mesmo 'in the beaten track'. Aprendi a gostar de me perder e refazer as direções na minha mente. Talvez, quem sabe, eu reencontre o meu norte só para concluir que 'senso único' restringe demais.

Picadinho de férias

Sempre tirei férias no Brasil naqueles nacos de 20 ou 30 dias regulamentares. Nunca tinha tirado férias picadinhas - um pouquinho aqui, outro pouquinho ali. Esta foi a minha primeira oportunidade, na verdade, aqui eles até endossam não ficar muito tempo fora do escritório. Mas confesso que estranhei não ter aquela semana para me desconectar. Ainda fiquei consultando mensagens no blackberry e me odiei por este vício. Tive que fazer um esforço consciente para me desligar de tudo. Acho que só fui conseguir lá pelo terceiro dia. Foi quando eu me vi descobrindo que eu não tinha pensado em nada o dia inteiro, fiquei só vendo a vida me levar vida leva eu.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

No colo da Madame


Laptop
Originally uploaded by Fundo de Garrafa.
Esta foto foi a minha contribuição para o The Grand Tour Group no Flickr. Lá estava eu numa esquina esperando 'aquele' momento para bater a minha foto. De repente, este candango parou em frente ao quadro. Ele parecia estar com a cabeça confortavelmente instalada no colo de Madame. Não resisti.

Depois desta, aviso aos navegantes que o FdG ficará suspenso por uma semana enquanto viajo. Novos posts, talvez só em edições extraordinárias. Estarei registrando as idéias, se é que vou ter idéias, no moleskine neste ínterim para converter em posts no retorno.

O quadro da foto é "Madame de Pompadour at her Tambour Frame", 1763-4, pintado por François-Hubert Drouais, pendurando numa parede por fora do Regent Palace Hotel, na Glasshouse Street, London W1B 5DN.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O pequeno príncipe

Prince, o pequeno príncipe, está fazendo sua temporada aqui na cidade. Aproveitando o momento, estava lembrando de alguns dos seus versos. Ele ironiza todos os conselhos que recebemos quando estamos na pior I went to the doctor one day and guess what he told me! Guess what he told me! He said, "Boy, you better have fun no matter what you do." E continua com a nossa reação aos conselhos But he's a fool... E ainda explica o porquê 'Cause nothing compares, nothing compares to you.

domingo, 2 de setembro de 2007

Por que crianças não gostam de frutas?

Comendo a fruta na sobremesa, a mãe insistia Cuidado para não comer a semente. A contra-gosto, porque fruta de sobremesa é um pé-no-saco Eu quero o doce da vovó, chupava a laranja. No dia seguinte, era a melancia e a história se repetia. No terceiro dia, porque a mãe era absurdamente obsessiva por frutas na dieta da filha, foram morangos. Aí ela começou a entrar em pânico. O avô tinha explicado que a goiabeira do quintal havia nascido de sementes. Ela pensava Ai meu Deus, deve estar crescendo um montão de árvores na minha barriga. As laranjas, a melancia, ai e olha este tanto de pontinhos no morango. Imaginava os galhos ganhando o ar livre por baixo dos seus braços e as raízes partindo da sua barriga até os pés e saindo para a terra pelos dedos. Ai acho que nunca mais vou andar.

E a mãe nunca entendeu porque a filha deixou de comer frutas.

O poder da sutileza

The power of understatement. É o mote da campanha para o VW Golf no Reino Unido (veja aqui o video). É o poder daquele que faz tudo, as coisas mais difíceis, mas como se fosse a coisa mais natural do mundo. Sutilmente, com humildade. Sem suar.
Muito melhor do que exercer o poder, é ter o poder de exercê-lo mas não o fazer. Ou, quando o faz, exerce de forma sutil, suave mas perseverante. É viajar de Primeira Classe e pedir água em vez de Veuve Clicquot. Este é o grande poder da sutileza.
Veja o filme na sua mente. Noite americana. Vista aérea do pasto. Foco em um cordeiro, entre vários de um rebanho. Ele bale. Close dos olhos. Eles ficam semi-cerrados com um tom de reprovação. Panorâmica. Lobos escondidos, em posição de ataque, fogem assustados. Vista aérea do pasto. Câmera se afasta.

Atropelamento e fuga

Nunca conseguiram me enganar. Desde que ela levou os documentos para ele assinar, reparei naqueles maneirismos típicos. Um procurando evitar o outro. As conversas testemunhadas eram sempre nervosas e atropeladas. Não permaneciam sozinhos na mesma sala, sempre fugiam. Já vimos isto nos filmes, nos livros, nas novelas. Quando resolveram cruzar a linha fina, a atração explodiu. A iminência de uma separação doía o peito.

sábado, 1 de setembro de 2007

Milestone

Hoje faz 6 meses que estou por aqui.
6 meses. 180 dias já passaram.
25% do tempo.
(1/4) do tempo.
75% to go.

Adeus ao Big Brother

Day 94 in the Big Brother House. Brian and Amanda are in the caravan. Carol is in the bedroom. Ziggy and Liam are asleep in the bedroom. Sam and Jonty are in the pool. [narrator: Marcus Bentley]
Minhas noites estão mais vazias. Acabou o Big Brother 8 UK.
Big Brother House, this is Davina. You are live at Channel Four. Please do not swear. [narrator: Davina McColl]
E Brian, the Essex Lad, venceu. Sem saber quem é Shakespeare.

1º de Setembro

Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez. Já sonhamos juntos, semeando as canções no vento. Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar. Já choramos muito, muitos se perderam no caminho. Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer sol de primavera. Abre as janelas do meu peito. A lição sabemos de cor, só nos resta aprender.
Oração do 1º de Setembro para São Beto Guedes de Montes Claros.

Rocket Man (entrando na cápsula)

Existem umas melodias que parecem que já nasceram com a gente. She packed my bags last night pre-flight. Zero hour 9 a.m. And I’m gonna be high as a kite by then. E elas se tornam parte da nossa vida, tornam-se familiares, parecem que foram compostas ontem. I miss the earth so much I miss my wife. It’s lonely out in space on such a timeless flight. Será que a melodia altera o código genético das pessoas? De tal forma que uns gens do pai reunidos com outros da mãe formam uma proteína no filho que reconhece instantaneamente a melodia? And I think it’s gonna be a long long time till touch down brings me round again to find I’m not the man they think I am at home Oh no no no I’m a rocket man. Rocket man burning out his fuse up here alone. O cara do foguete, astronauta, fogueteiro, cientista espacial. Ele se posiciona no seu assento na cápsula e, na melodia, dá para sentir a força da gravidade no lançamento do foguete. Já lá em cima, tudo fica mais lento, mais frio. Mars ain’t the kind of place to raise your kids. In fact it’s cold as hell. And there’s no one there to raise them if you did. And all this science I don’t understand. It’s just my job five days a week. A rocket man, a rocket man. And I think it’s gonna be a long long time... A ciência é esquisita. Às vezes é melhor acreditar na melodia, na poesia.

Créditos da fotografia: Rocket Man (entering the capsule) Originally uploaded by berlintapes.

Pequenas frustrações às refeições

Comida quente, mas que já se esfriou.
Comida fria, mas que já esquentou.

Breve relato

Quando um bando de mulheres está reunida, invariavelmente se institui um te-te-te-re-te-te-re-te-te-re-hihahahaheheh-te-te-re-re-re. E isto vai num crescendo, como a maré que vai subindo subindo, bate no joelho, na bunda, chega no pescoço e invade o nariz. Assez. É sufocante. É neste momento que me calo e me abstraio. Sim, gosto de conversar, jogar uma conversa fora, sou o rei do breve relato. Mas quando a conversa vai tomando um rumo, se me permitem a palavra, bitchy, aí eu tiro o meu time de campo. Não sei jogar este jogo, não tenho habilidade nem paciência. Falta-me o gene X adicional.

Solta o frango e vem com a gente

OK, você está numa terra estrangeira e não espera ouvir a sua língua numa base rotineira. Daí você distraidamente prepara um sanduíche na sala no intervalo comercial de algum festival de rock na TV tarde da noite. Absorto na tarefa de encontrar ingredientes espalhados por armários e geladeira, um ruído de fundo soa estranho. Parece... parece... português. Mas não é bem... não, não é português. e por que seria? A uma hora destas e aqui... Volta com o sandubão e continua a assistir a TV embora ainda intrigado. Mais um intervalo e desta vez pode confirmar. Era português. Tosco, mas português. Era a propaganda do novo telefone da Nokia. Com trilha do Bonde do Rolê. Em plena TV inglesa.
Olhos vidrados na TV. Momento silencioso. "Rolê. Rolê. Solta o frango e vem com a gente."
(Clique aqui para assistir a propaganda)
Depois de se recuperar, inclui a música na compilação de música brasileira que está montando. Classificação: clássico trash.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O fundo do poço

Enquanto não viu o fundo do poço não parou de cavar. Compulsivamente. Peso oscilante. Humor cambaleante. O adormecer atrasado, o sono intoxicado, o acordar pesado. Gauloises galore. A agenda auto-imposta impedindo tempo para si. Impedindo o sacrossanto tempo para fazer nadação - fazer absolutamente nada. Mas continuou a cavar até que as unhas ganharam um contorno preto da terra preta se entranhando sob elas. As pontas dos dedos começaram a arder e avermelhar até que chegou definitivamente o incômodo da dor. A cabeça, os músculos, o estômago, as costas, as pernas - todos revezavam em turnos de reclamações. Quando a dor se instalou, descobriu que era hora de parar. Era o fim. Havia chegado ao fundo.

sábado, 25 de agosto de 2007

Gravidez tardia

Momentos sublimes que chegam muito tarde na vida dão este sabor de gravidez tardia. Fica muito difícil de aproveitar plenamente porque não existe mais o elemento de concretização de expectativas. Já ter abandonado a vontade ou substituído por outras - nem melhores nem piores, só diferentes. A cabeça não está mais preparada nem tão pouco pronta para lidar com a novidade. Resta o consolo de saber que muitos frutos de gravidez tardias são felizes, à sua maneira. Deal with it, já ordenaria Tracy.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Pick of the week: Don't fence me in

Oh, give me land, lots of land under starry skies above, Don't fence me in. Let me ride through the wide open country that I love, Don't fence me in. Let me be by myself in the evenin' breeze, And listen to the murmur of the cottonwood trees, Send me off forever but I ask you please, Don't fence me in. Just turn me loose, let me straddle my old saddle Underneath the western skies. On my Cayuse, let me wander over yonder Till I see the mountains rise. I want to ride to the ridge where the west commences And gaze at the moon till I lose my senses And I can't look at hovels and I can't stand fences Don't fence me in. Oh, give me land, lots of land under starry skies, Don't fence me in. Let me ride through the wide open country that I love, Don't fence me in. Let me be by myself in the evenin' breeze And listen to the murmur of the cottonwood trees Send me off forever but I ask you please, Don't fence me in Just turn me loose, let me straddle my old saddle Underneath the western skies On my Cayuse, let me wander over yonder Till I see the mountains rise. Ba boo ba ba boo. I want to ride to the ridge where the west commences And gaze at the moon till I lose my senses And I can't look at hobbles and I can't stand fences Don't fence me in. No. Poppa, don't you fence me in

sábado, 18 de agosto de 2007

Traumas psicológicos

Desenvolvi dois traumas na vida. Tenho plena consciência dos dois, sei quais são os motivos, e não resisto a eles. Não são travas na minha vida, mas tornam-se preocupações.
Primeiro. Quando vou viajar, deixo a casa em perfeita ordem e procuro avisar às pessoas relevantes o que fazer em caso de emergência. Sim, porque sempre penso que posso não mais voltar e aqueles que ficam não devem ter trabalho em organizar as minhas coisas, meus objetos, roupas, dinheiro. É um pensamento meio mórbido mas tudo começou quando fui fazer uma viagenzinha inocente de final de semana e sofri um grave acidente de carro.
Segundo. Quando os amigos desaparecem é porque estão passando por algum problema sério. Passei por esta experiência recentemente com os Sr R e o Sr S, sem contar eu mesmo. Deixar os sumidos de lado pode ser confortável, mas poderíamos estar fazendo a diferença na vida destas pessoas se fôssemos atrás delas. Como se fosse um resgate. Uma palavra de um velho amigo pode fazer a diferença. Me parte o coração quando é tarde demais. Parece negligência.
Pick of the week - Groove Armada, My friend

terça-feira, 14 de agosto de 2007

The Grand Tour


A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte.

Até o final de agosto, quem caminhar pelas ruas do Soho, Covent Garden e Piccadilly, vai encontrar algumas das pinturas mais incríveis do mundo. A The National Gallery distribuiu pelas ruas destes bairros reproduções de peças encontradas no museu.

É um pouco surreal encontrar as peças, algumas telas enormes, penduradas perto de esquinas, bares, restaurantes. Impossíveis de serem fotografadas dentro do museu, é irresistível clicá-las enquanto soltas pelas ruas. A caminhada para encontrar as peças pelas ruas torna-se o que foi batizado de "The Grand Tour".

O link para o site oficial está aqui: The Grand Tour. Para quem quiser ver as fotos que os transeuntes tiram das peças pelas ruas (recomendadíssimo), o link para as fotos no Flickr está aqui: Flickr The Grand Tour Gallery Pool.

Créditos da fotografia: "Seaport with the Embarkation of Saint Ursula, 1641 Originally uploaded by The Klan. CLAUDE 1604/5? - 1682 - Langley St. - Covent Garden"

sábado, 11 de agosto de 2007

Antes do cochilo

Bocejei seguidamente. Não resistia. Aquele balanço contínuo, a vibração curta e suave sempre serviram para me embalar, me precipitar no sono.
Era assim nos trens - enquanto alongava meu pescoço para encostar minha cabeça no painel e deixar correr a brisa que apaziguava o calor. Era assim no metrô - quando ele adquiria velocidade e fazia curvas nos túneis, e o corpo era jogado suavemente para frente e para trás. Era assim em ônibus - onde eu era capaz de dormir antes que ele saísse da rodoviária, bastava o motor ser acionado. Era assim em aviões - cujo ritual de taxiar pelas pistas me fazia cair num sono tão profundo que não era incomodado nem pela decolagem.
As tentativas de me manter acordado sempre foram ridículas. Os olhos cerravam e eram reabertos em chicotadas. Movimentar-me só servia para acabar numa posição mais confortável ainda. Falar com alguém já chegou a se tornar motivo de embaraço: deixar frases pela metade no meio da conversa não é muito educado.
Sempre capitulava ao cochilo.
Restava tentar lembrar o que havia acontecido no último momento em que estava acordado: alguém vendendo balas tinha acabado de passar, alguém arrumando objetos dentro da bolsa, alguém tentando acomodar sacolas no compartimento de bagagens, alguém contando passageiros no ônibus, alguém acenando para os passageiros no avião.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

And I made you trust in literature #2

CRÉDITOS: Mais uma canção do EBTG serviu de inspiração para o título destes últimos posts.
Clique aqui para ouvi-la.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

And I made you trust in literature

Recebi há algum tempo a convocação do Furacão Omar para as minhas 5 leituras "presentes" e "próximas".

Presente ou o que li e virou clássico...
"O Caçador de Pipas", Khaled Hosseini - li numa tacada só, simples e emocionante, sobre encontros e desencontros, e a influência que tudo isto causa na vida de um ser humano, tendo como cenário o caótico Afeganistão taliban. Em uma palavra: emocionante.

"O Evangelho Segundo Jesus Cristo", José Saramago - a história, todo mundo conhece. Mas só o Zé para escrever sob o ponto de vista do Homem. Se a perspectiva diferenciada sobre o conteúdo já ousada, a forma como ele escreve é radical - um capítulo pode ter um único parágrafo, incluindo aí todos os diálogos. Em uma palavra: maestral.

"Extremamente Alto e Incrivelmente Perto", Jonathan Safran Foer - Surpreendeu-me do início ao fim e me fez viajar na mente do personagem principal: um garoto de 9 anos buscando fragmentos de memória do seu pai, morto nas Torres Gêmeas, através de uma chave onde está escrito Black. O garoto não é nenhum gênio, ele só sente demais. Em uma palavra: indescritível.

"Primo Basílio", Eça de Queiróz - Basílio é um dos personagens mais deliciosamente fdp do mundo. Seduzidos pelo romântico Basílio, envolvidos pela suavidade apaixonada de Luisa, chantageados odiosa e merecidamente por Juliana, somos enganados como Jorge. Em uma palavra: amoral.

"A Insustentável Leveza do Ser", Milan Kundera - Lembro-me que foi uma dificuldade ultrapassar o primeiro capítulo Einmal ist keinmal. Não entendia de jeito nenhum onde aquele cara queria chegar. Mas quando as peças se juntam, o livro fica brilhantemente envolvente. Nunca mais Kundera foi tão bom. Em uma palavra: desbunde.

Estou lendo ou que podem virar clássicos depois que eu julgá-los...
"A Thousand Splendid Suns", Khaled Hosseini - Mais um do Hosseini, mais um mergulho no Afeganistão. Hosseini é econômico nas palavras, seco mas a perspectiva que ele usa habilmente nos faz sentir compaixão e solidariedade pelos desfavorecidos. Não há dúvidas sobre os mocinhos e os bandidos da história.

"Revolutionizing Product Development", Steven Wheelwright & Kim Clark - Tudo-o-que-você-sempre-quis-saber-sobre-desenvolvimento-de-produto-mas-tinha-vergonha-de-perguntar. Descobri este livro depois que notei que algumas empresas de ponta em inovação usavam sua teoria. Os autores tratam os assuntos mostrando as práticas usuais - erradas - e depois descrevem como deveria ser feito. Naturalmente dei muita risada porque me identifiquei com os casos de práticas errôneas. Um pouquinho da comédia da vida corporativa.

Futuro ou que só a Deus pertence...

Clássicos da Língua Portuguesa - Outros do Saramago, Guimarães Rosa, Veríssimo (Érico e Luís Fernando), Euclides da Cunha. Existem tantos livros na nossa língua, aclamados em praça pública, que não li que dá até vergonha. Por isso, pretendo me redimir no futuro próximo.

Salman Rushdie - Ele foi incensado e quase incendiado durante o episódio d'Os Versículos Satânicos, mas é fato que ele escreve bem. Quero ler outras coisas dele para confirmar. Acho que o contexto, o fato de estar aqui no Reino Unido, vai ajudar a colocar algumas coisas em perspectiva.

James Ellroy - Tudo começou com o L. A. Confidential e a Kim Basinger e o fdp do Ed Exley. Os livros deles são tijolões, mas tem uma hora em que a adrenalina e a ansiedade sobem e não dá mais para largar. É um tour-de-force, mas vale a pena.

Como obrigação, tenho que passar a lista. Convido minhas ligações perigosas FE CLANDESTINA, LITTLE MISS SUNRISE & EDMONT a darem continuidade à lista em seus blogs. Boas leituras.

domingo, 5 de agosto de 2007

sábado, 4 de agosto de 2007

Possivelmente separadas na maternidade

Este cabelo, esta atitude, este copo (ou garrafa) com alguma bebida alcoólica...
Como é que eu não pensei nisto antes?!!!

Patsy Stone

Amy Winehouse

Changing Of The Guard

'Changes of clothes and Summer showers like changing the guard: it only lasts for hours. Wondering what and where did it go? Crying over nothing worth crying for... Once in a while - I still think about the smile on your face girl, the first time around. I'm wondering what and who your doing it with. Crying over nothing - worth crying for, still... Just now and then - I still get it, that same old feeling, I can't forget it. Wondering why and where did I go. Trying not to let myself - need you so... Changes of mind - I have my doubts. I'm sure I was right but I'm not sure now. Wondering why and where did I go. Trying not to let them get to me so... Once in a while I just can't help it. It's that same old feeling and how I regret it. Wondering why I miss you so, crying over nothing worth it all. Baby please, if there's a chance, let's throw out the past and get something back. I'm wondering why did we part at all? Crying over nothing worth crying for, crying over nothing worth crying for, crying over nothing worth crying for...'

Mudando a Guarda

O final de semana com o tempo mais bonito desde que eu cheguei na ilhota da Rainha. Não haviam nuvens, talvez só o rastro dos indefectíveis aviões rasgando o céu. Restou me afastar por cerca de uma hora do centro de Londres e vasculhar a casa da rainha em Windsor, aproveitar o sol no alto da colina Castle Hill e na longa alameda Long Lane.
Movimentação estranha dentro palácio, hordas de turistas se concentrando numa área do palácio... HA aqui em Windsor também há Troca da Guarda. É um pouco mais democrática ou menos monárquica que a de Buckingham, e a plebe rude fica mais próxima da cerimônia.
A banda militar se apresenta com as músicas oficiais quando chega ao palácio. Mas, enquanto a guarda está em processo de troca, ela ataca com o tema de James Bond e Goldfinger. Fantasticamente pouco ortodoxo, deixaria a Rainha levemente corada e Dame Bassey, agradecida. E eu, que gosto de ser surpreendido, satisfeito.
Este blog começa a mudar seu tom de novo. Não para uma alegria descabida, mas para uma alegre melancolia de alquém que mudou a cor das lentes. Deixei de lado o fundo da garrafa âmbar e encontrei uma verde. É diferente e ainda estou me acostumando com ela. Estou mudando minha guarda.
Clique no título para 'Fazer a Festa Começar Neste Sábado à Noite'.