sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Estive pensando

Tem horas na vida que a gente quer assentar. Parar e deixar a poeira baixar e poder ver o horizonte com mais clareza. De repente me descobri assim.

E aí vi que estava de novo dentro da barraca de camping. Dormindo no meu saco de dormir tranqüilamente. Enquanto lá fora o vento da noite tinha virado um vendaval que insistia em tirar os grampos mal firmados no chão. E eu dormia. Tranqüilamente. Tinha tirado apenas umas coisas de dentro da mochila, minha companheira, só coisas essenciais para a noite. Nem a desarrumei. E ela ficou ao meu lado toda a noite. O sol da manhã me avisou que era hora de aproveitar o dia. Firmar os grampos novamente. Tirar a areia de cima da mochila, enrolar o saco de dormir, escovar os dentes, arrumar a cabeleira. Acho que eu tinha uns 10 anos nesta época.

Estive pensando.

Nunca consegui me assentar. Sinais de poeira baixando era só o prenúncio que outro vendaval estava a caminho.

Minhas parcas tentativas de favorecimento para que as minhas raízes crescessem e se apegassem foram frustradas. O meu sangue nômade, cigano, peregrino tem prevalecido. A decepção por não conseguir atingir a estabilidade me corroi suavemente. Na verdade, acho que a corrosão é apenas pela falta de percepção de que a felicidade não está ali. Mais inteligente seria aceitar a condição sempre temporária, nunca perene, da minha vida. Entender que o repouso não combina com o meu momentum. Estar preparado para arrumar a mochila e desfazer o acampamento a qualquer hora é o que tem me movido. Impulsiona para a próxima parada. Pouso temporário para o repouso. Até a próxima parada.

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