domingo, 12 de novembro de 2006

Produção científica e o sexo dos anjos

Notícia do dia: '...produção científica brasileira aumenta 20% entre 2004 e 2005, o maior em termos mundiais, e 830% nos últimos 25 anos.' (Jornal de Londrina)

Tive o privilégio de poder resistir à tentação de fazer um mestrado logo depois de formado. Foi possível me concentrar em me colocar no mercado de trabalho antes de partir para o mestrado. Além disto, não saberia muito bem o que fazer no mestrado - sou pragmático: não queria estudar o sexo dos anjos. Seria uma perda de tempo para mim e, certamente, eu o abandonaria na primeira oportunidade. Agora, sei exatamente o que fazer no mestrado mas, por motivos além do meu alcance, acho que terei de adiar este objetivo temporariamente.

Na graduação lembro do meu bom e velho professor de Mecânica dos Fluidos, o Eng. P., dizia que o Engenheiro Químico deveria começar pela Produção, passar para área de Processos, depois fazer Projetos e, finalmente ir para Pesquisa. Faz todo sentido (eu não sabia na época). É uma forma de ir consolidando o conhecimento e, aliando numa etapa posterior mais complexa o conhecimento adquirido na atividade anterior. Inverti algumas etapas e sofri um pouco pela minha inexperiência, reconheço. Mas passei pelas fases. Chegando à Pesquisa, só hoje em dia me sinto um pouco mais à vontade para fazer um mestrado - consolidar conhecimento e aliar à comédia da vida corporativa. Parabenizo quem cai direto num mestrado, consegue se situar e alia teoria e prática - certamente, este indivíduo tem uma excelente noção do que faz dentro do seu segmento.

Voltando ao aumento da produção científica, me pergunto se esta produção não vem exatamente dos graduados impelidos para fora do mercado de trabalho. Adicionalmente, me pergunto da qualidade da produção e da possibilidade de conversão das pesquisas para algo prático que alavanque o Brasil. Não sejamos tolos generalizando o conceito. Um grande salto à frente requer muitos pequenos saltos isolados, talvez aparentemente desconexos. Há muita gente fazendo pesquisas incríveis. Mas, se a produção estiver essencialmente ao sexo de anjos, a situação necessita ser repensada.

2 comentários:

Luiz Roberto Lins Almeida disse...

pois é, é por isso que é o Estado quem acaba patrocinando a maior parte dos estudos. Se esses doutores e mestres tivessem de provar produção, estariam fritos.
Mas confesso que, as vezes, o sexo dos anjos parece interessante.

Caco disse...

LUIZ - Pode ser entediante também...
Obrigado pela visita e abraço.