segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Flerte com desastre

Homens tendem a exagerar um pouco quando estão doentes, mas há tempos não me sentia tão mal como neste fim de semana que passou. Agravado por um mormaço que fazia qualquer um, sadio ou não, se sentir desconfortável. Duas noites mal dormidas, dois dias mal alimentados. Soro caseiro, suco de goiaba, gatorade, yakult - deu para sacar a profilaxia?

Já fiz muita sandice nesta vida. Nunca perdi uma chance de experimentar esportes radicais, quando possível. Já bati feio com o carro - rodei na estrada vazia, bati em todos os guard-rails disponíveis, abri um talho na cabeça.

Só dei uma acalmada depois que fiz o meu batismo no mergulho autônomo no mar. O que todos falavam que era uma experiência de conexão com o divino se tornou um trauma. Me senti desconfortável, impotente, totalmente à mercê dos elementos. Eu não tinha controle sobre mim. Nem respirar eu podia - era dependente do maldito equipamento. Exagero ou não, tinha a impressão de que qualquer erro poderia custar minha vida.

Foi o mais próximo da sensação de pânico de morrer que tive. Desde então, penso duas vezes antes de cruzar um rio a nado, subir num caminhão velho ou fazer um rapel. O que antes me atraía, agora parece-me um flerte com o desastre. Velhice? Amadurecimento? Talvez eu esteja sendo apresentado à minha mortalidade.

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