sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Doce Companhia Vale do Rio Doce

Antes de me formar estagiei numa empresa controlada pela Companhia Vale do Rio Doce. Sempre pensei que ia enveredar pela área de tecnologia inorgânica, nunca pela petroquímica, orgânica ou muito menos alimentícia - onde estou hoje. A experiência me marcou bastante e a CVRD se tornou uma referência de profissionalismo. Ainda estatal, não conseguia entender muito bem como conseguia ser tal centro de excelência. Deveria haver muitos marajás, paletós pendurados nas cadeiras, gente passeando. Mas nunca vi nada disto e muito pelo contrário. Digo isto a partir de uma perspectiva particular de quem estava lá dentro.

Uma das minhas maiores frustrações profissionais foi ter participado do processo seletivo nacional para ser um dos Juniores da CVRD (o famoso PCJ), ter sido um dos 3 engenheiros químicos classificados e ver as posições abertas para esta carreira terem sido fechadas no meio do processo. Acho que nunca superei de todo isto.

O tempo passa e eis que a CVRD é privatizada. Foi a minha chance de participar um pouco da empresa. Usei parte do meu FGTS para comprar suas ações, e teria até mesmo comprado mais algumas se pudesse. Não no sentido de vingança porque I travel light. Acredito no potencial estupendo da CVRD, do seu estilo gerencial e profissionalismo. O retorno está na valorização absurda das cotas, na CVRD crescendo horrores e tornando-se a 2ª maior mineradora do mundo depois de comprar cash a canadense Inco. Ainda hoje acompanho todos os informes da mineradora e tento descobrir para onde ela vai. Que ela continue assim, rendendo muito.

Sua privatização tornou-se alvo de questionamentos na campanha eleitoral. O fato da empresa que explora os recursos minerais do subsolo pudesse não ser estatal foi colocado em cheque. Definitivamente, a CVRD precisava sim continuar a crescer e isto não seria possível com investimento puramente estatal. Ela só seria alavancada, como foi, sendo independente do estado. Explorar a maior jazida de minério de ferro do mundo é um privilégio.

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