quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Mal secreto

Aproveito o gancho da minha ligação perigosa Dani que, no seu post sobre a inveja, me fez refletir sobre a minha condição atual e aquelas dos meus amigos, velhos amigos, conhecidos que há muito tempo não se via.

Primeiro, da inveja. Segundo Zuenir Ventura em "Mal Secreto":
"A inveja não é você querer o que o outro tem (isso é cobiça), mas querer que ele não tenha, é essa a grande tragédia do invejoso."
Segundo, o inferno é a comparação. Estamos lá tão bem, felizes, levando a nossa tranqüila vidinha desinteressante. E aí é lançada aquela questão repleta de dor: por que estou assim e não como o outro? Esta é a maneira usual de verbalizar a sensação.

Mas, de fato, me questiono se realmente queremos o que o outro tem. Talvez só achamos que a felicidade está em outro lugar. Quem é solteiro, sonha em casar. Quem é casado, sente saudades do tempo de solteiro. Quem não viaja, quer conhecer o mundo. Quem vive na rua, queria descansar ficar dentro de casa. Quem tem muito dinheiro, queria um pouco mais de dinheiro. Quem tem pouco dinheiro, queria mais dinheiro. Ninguém quer assumir que é feliz do jeito que é. E que tudo que tem é resultado de uma série de opções que fez na vida - uma conseqüência após outra conseqüência desde o primeiro suspiro.

Eu também fiz minhas próprias comparações (afinal não estava imune). E, com serenidade, descobri que não queria ser como ninguém que eu conheço ou ter o que eles têm. Os rumos da minha vida, hoje sei, foram naturais. Me levaram a tantas coisas boas, e a tantos impasses, a preocupações e entusiasmos, mas que são todos intrinsicamente meus. Não caberiam para mais ninguém. Nem tão pouco os dos outros caberiam para mim.

Mas quero mais. Coisas diferentes, audaciosas, serenas, intensas, dolorosas, vibrantes. Sempre mais. Mas não quero nada de ninguém - que cada um tenha a sua cota nesta vida.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Confusão

E eu pensei como seu tempo está se esgotando. O ultimato era, na verdade, mais uma chance. Um aviso que abracadabra abriu-se a janela de oportunidade para entender tudo o que aconteceu nas últimas semanas. Lembrar-se que o defeito com que você acena para as pessoas é só físico e não tem nada a ver com a moral e daí você confundiu tudo - você fundiu tudo - você fudeu com tudo. Tanto que nem eu entendo como você conseguiu tal proeza. Pena que você não vê que dia após dia chutam sua confiança, desprezam a confidência. E penso ninguém é merecedor de injustiças de propósito - permito a falha inocente porém nunca negligente. Esta é só para você, sacou?

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Uma experiência especial

Quando um indivíduo vai comprar um produto especial, ele não somente quer abrir a carteira, sacar o talão de cheques, assinar a fatura e levar seu produto em baixo do braço. Isto é muito pouco. Ele quer sentir a 'experiência de ser especial' por tabela. Imagine comprar um Porsche - não é só entrar na loja e levá-lo. Há toda a experiência de ser atendido por um vendedor poliglota que fez treinamento na fábrica e te leva para um best-drive (não um test drive) numa pista exclusiva e te oferece kits de produtos caríssimos e deixa um carro com você para teste e manda um motorista te levar para casa e... Esta é uma experiência VIP.

Por outro lado, existe a atitude incorreta. Aquela em que o vendedor arrogantemente pressupõe que o cliente não faz jus à exclusividade do produto, e o dispensa. Quando o cliente não se enquadra no perfil padrão e quando ele é uma fonte potencialmente inesgotável de lucros? Ninguém sabe.

Hoje fui participar de uma experiência 'especial' e adivinhem o que aconteceu. Não ouviram o que eu tinha a dizer, corrigiram minha pronúncia para o nome do serviço e me disseram passar bem. Deu vontade de dizer "you only work in a shop, you know, you can drop the attitude". Lamentável. Além de perderem um cliente, o SAC deles vai receber uma carta de reclamação belamente redigida.

Portanto trate todos os seus clientes indistintamente bem. Você nunca sabe o potencial que eles podem esconder.

domingo, 26 de novembro de 2006

E a mídia queria um novo caso Richthofen

'Um casal é assassinado brutalmente supostamente pelo filho. A avó também é agredida mas sobrevive.' A polícia é chamada pela vizinha que vê a movimentação estranha na casa. O agressor, ferido, é levado para o hospital para tratamento.

Por défault, a imprensa vê um novo caso Richthofen. Um prato cheio para dias e dias de cobertura. Começa o massacre moral do filho - chegando a traçar um perfil desequilibrado dele.

Mas aí, evidências são devidamente reunidas: depoimento dos sobreviventes, situação da cena do crime. A mídia passa a reportar informações desconexas e radicalmente desencontradas. Fica claro que houve um engano e que toda a mídia montou um circo por um mico. Se as evidências a favor do filho não fossem tão grosseiras, o moço carregaria o fardo da suspeita pelo resto da vida. Já carrega a pichação de 'assassino' no muro da casa.

Tudo por irresponsabilidade de uma polícia inepta e apressada e uma mídia que está preferindo faturar a verificar criticamente o que está reportando.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Pick of the week: Sick Puppies, All the same


I don't mind where you come from, as long as you come to me. And I don't like illusions I can't see them clearly. I don't care, no I wouldn't dare to fix the twist in you. You showed me eventually what you'll do. I don't mind... I don't care... As long as you're here. Go ahead tell me you'll leave again, you'll just come back running, holding your scarred heart in hand. It's all the same. And I'll take you for who you are if you take me for everything and do it all over again. It's all the same. Hours slide and days go by till you decide to come. And in between it always seems to long all of a sudden. And I have the skill. Yeah, I have the will to breath you in while I can however long you stay is all that I am. I don't mind... I don't care... As long as you're here. Go ahead tell me you'll leave again, you'll just come back running, holding you're scarred heart in hand. It's all the same. And I'll take you for who you are if you take me for everything and do it all over again. It's always the same. Wrong or right. Black or white. If I close my eyes, it's all the same. In my life the compromise I close my eyes. It's all the same. Go ahead say it, you're leaving You'll just come back running, holding your scarred heart in hand. It's all the same. And I'll take you for who you are if you take me for everything and do it all over again. It's all the same.

FREE HUGS, post inspirado no post de Sandman.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Agulhadas na orelha

O acupunturista não conversou muito comigo. Foi direto ao ponto literalmente. Identificou os pontos de energia, verbalizou o problema. Agulhas. Sementes. Fitas. 4 pontos acionados. Ainda brinco com o desenho da orelha e tento localizar os locais. Espero a próxima sessão para continuar meu mapeamento.

Fiquei perplexo com os resultados. Logo eu que sou muito cético e crítico e não sou facilmente convencido. Mas quando os resultados operam inequivocamente em você mesmo, fica difícil por a prática em cheque.

Mercedes e a bicicleta no Leblon

Olhando os detalhes sobre o assassinato da ex-sra. Johannpeter, lá está uma socialite morta numa esquina da região com metro quadrado mais caro do Brasil, já diria o Casseta. O choque da bicicleta e da Mercedes. A compaixão pela perda violenta da vida procura candidamente cobrir a inveja e ódio pela riqueza e fama, e pela afronta que o ter dinheiro se constitui. Tudo se move rapidamente a algumas centenas de metros da autoridade do estado. Nada vai mudar, isto é líquido e certo. Que a dama descanse em paz.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Entender a Matrix

Depois que atravessei a rua, pisei com displicência o meio-fio. Estava totalmente convencido que tinha entrado num joguinho. Acabava de entender a Matrix. Os mestres dos fantoches disputavam quem era o manipulador mais hábil, qual seria o boneco mais importante da peça e quem iria operá-lo. Enquanto constatava a inutilidade de lutar contra os fatos, andava apressadamente e me desviava dos desníveis da calçada, dos sacos de lixos e dos cursos de água da lavagem de alguma garagem. Resolvi subir na arquibancada. Resolvi procurar um bom lugar para assistir a fogueira das vaidades, distante o bastante para só ver o brilho do fogo. Nem fumaça ia me atingir. Sorri, dei boa noite para o porteiro e entrei no elevador.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Spy shot #2

Flerte com desastre

Homens tendem a exagerar um pouco quando estão doentes, mas há tempos não me sentia tão mal como neste fim de semana que passou. Agravado por um mormaço que fazia qualquer um, sadio ou não, se sentir desconfortável. Duas noites mal dormidas, dois dias mal alimentados. Soro caseiro, suco de goiaba, gatorade, yakult - deu para sacar a profilaxia?

Já fiz muita sandice nesta vida. Nunca perdi uma chance de experimentar esportes radicais, quando possível. Já bati feio com o carro - rodei na estrada vazia, bati em todos os guard-rails disponíveis, abri um talho na cabeça.

Só dei uma acalmada depois que fiz o meu batismo no mergulho autônomo no mar. O que todos falavam que era uma experiência de conexão com o divino se tornou um trauma. Me senti desconfortável, impotente, totalmente à mercê dos elementos. Eu não tinha controle sobre mim. Nem respirar eu podia - era dependente do maldito equipamento. Exagero ou não, tinha a impressão de que qualquer erro poderia custar minha vida.

Foi o mais próximo da sensação de pânico de morrer que tive. Desde então, penso duas vezes antes de cruzar um rio a nado, subir num caminhão velho ou fazer um rapel. O que antes me atraía, agora parece-me um flerte com o desastre. Velhice? Amadurecimento? Talvez eu esteja sendo apresentado à minha mortalidade.

sábado, 18 de novembro de 2006

No estaleiro

Fui derrubado por um peixe e salada de frutos do mar.
Algo tecnicamente chamado de toxinfecção alimentar.
Volto depois que minha saúde for recomposta.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Christo sobre o rio

Christo é um artista plástico búlgaro admirável. A sua arte tem consistido de 'embrulhar' prédios, objetos, árvores. Suas instalações duram efêmeros 14 dias e nunca mais são repetidos - mesmo sob uma chuva de insistentes pedidos. Só que a sensação que fica é inesquecível, eterna. Seus projetos levam décadas para serem implementados desde a concepção até a realização.

Mudando do 'embrulho' para intervenções na paisagem, seu último evento em 2005 foi 'Os Portões, Central Park, NYC'.

Seu próximo projeto será o 'Over the River', previsto para acontecer em algum momento entre meados de julho e meados de agosto num ano futuro - possivelmente não antes de 2010. Nele, painéis de tecido suspensos horizontalmente bem acima do nível do rio Arkansas. Serão criadas ondas de tecido sustentadas por cabos que cobrirão quase 11 km de rio com larguras variando de 2 a quase 8 metros, seguindo o curso natural do mesmo. A luz do sol chegará às margens pelas laterais suspensas do tecido. Quando navegando pelo rio, o tecido luminoso e translúcido acentuará os contornos das nuvens, montanhas e vegetação. Vai ficar absurdamente lindo.

Todo o projeto é financiado por Christo e sua esposa - sem apoios público ou privado. O dinheiro virá da venda de desenhos (como o anexo), litografias, colagens do artista, e outros trabalhos referenciados a projetos antigos. Após término dos 14 dias, os materiais serão retirados e reciclados. Até agora, já foram gastos 2,5 milhões de dólares neste projeto.

A vida é dura para os sonhadores.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Sem cores

Preto no branco.

Às vezes fico meio perdido quando o cinza aparece. E me questiono.
Será que tenho cegueira para as cores?

domingo, 12 de novembro de 2006

Pick of the week: Pedro Almodóvar, Volver

Depois de muito recomendado pelo meu amigo Sr. R. fui assistir a 'Volver' do Almodóvar.

Ele não é uma unanimidade para mim. Incomoda-me o jeito exagerado dele filmar, principalmente as personagens homossexuais, transexuais, pansexuais, ou ...-sexuais. Não é puritanismo não, é que prefiro as sutilezas. Tanto que o meu filme favorito dele era Carne Trêmula. Um filme considerado menor, pouco badalado, mas pungente. O que foi considerado genial - Tudo sobre minha mãe e Má educação - achei só boas idéias. Mas ele converte boas idéias em cinema em Fala com ela, e principalmente neste Volver. Quando ele baixa o tom e fala de pessoas, é inigualável.

Assistir Volver foi emocionante. Há tiradas engraçadíssimas, um roteiro com senso de humor brilhante. Mas há também a vida como ela é, com tragédias (almodóvarianas) cotidianas mas que permitem com que a gente siga em frente. Nada é definitivo e a esperança que tudo dê certo, apesar de, se concretiza. A gente sai feliz do cinema. É filme de atrizes - impossível dizer quem está melhor. Um filme da Espanha, com seus maneirismos, sotaques, cenários e paisagens. Ingresso bem pago. Um desbunde, enfim.

Produção científica e o sexo dos anjos

Notícia do dia: '...produção científica brasileira aumenta 20% entre 2004 e 2005, o maior em termos mundiais, e 830% nos últimos 25 anos.' (Jornal de Londrina)

Tive o privilégio de poder resistir à tentação de fazer um mestrado logo depois de formado. Foi possível me concentrar em me colocar no mercado de trabalho antes de partir para o mestrado. Além disto, não saberia muito bem o que fazer no mestrado - sou pragmático: não queria estudar o sexo dos anjos. Seria uma perda de tempo para mim e, certamente, eu o abandonaria na primeira oportunidade. Agora, sei exatamente o que fazer no mestrado mas, por motivos além do meu alcance, acho que terei de adiar este objetivo temporariamente.

Na graduação lembro do meu bom e velho professor de Mecânica dos Fluidos, o Eng. P., dizia que o Engenheiro Químico deveria começar pela Produção, passar para área de Processos, depois fazer Projetos e, finalmente ir para Pesquisa. Faz todo sentido (eu não sabia na época). É uma forma de ir consolidando o conhecimento e, aliando numa etapa posterior mais complexa o conhecimento adquirido na atividade anterior. Inverti algumas etapas e sofri um pouco pela minha inexperiência, reconheço. Mas passei pelas fases. Chegando à Pesquisa, só hoje em dia me sinto um pouco mais à vontade para fazer um mestrado - consolidar conhecimento e aliar à comédia da vida corporativa. Parabenizo quem cai direto num mestrado, consegue se situar e alia teoria e prática - certamente, este indivíduo tem uma excelente noção do que faz dentro do seu segmento.

Voltando ao aumento da produção científica, me pergunto se esta produção não vem exatamente dos graduados impelidos para fora do mercado de trabalho. Adicionalmente, me pergunto da qualidade da produção e da possibilidade de conversão das pesquisas para algo prático que alavanque o Brasil. Não sejamos tolos generalizando o conceito. Um grande salto à frente requer muitos pequenos saltos isolados, talvez aparentemente desconexos. Há muita gente fazendo pesquisas incríveis. Mas, se a produção estiver essencialmente ao sexo de anjos, a situação necessita ser repensada.

sábado, 11 de novembro de 2006

Tudoaomesmotempoagora

Admiro a capacidade das mulheres de conseguirem fazer tudo ao mesmo tempo e ainda se concentrarem em cada uma das atividades. Tenho agora uma série de atividades críticas para fazer simultaneamente, assuntos a estudar, análises para pensar a respeito, decisões a tomar. Resultado: começo a surtar, sem saber o que fazer primeiro. E sem fazer nada. Fico neste estado catatônico um pouco de tempo. Pouco, ainda bem, porque eu poderia ficar de todo paralisado por tempo indeterminado. Daí começo a fazer qualquer coisa - aleatoriamente escolho uma das pendências e lá vou eu. E adrenalina baixa. E tudo se resolve, como de hábito.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Pick of the week: Björk, It's oh so quiet!



Shhhh, Shhhh It's, oh, so quiet. It's, oh, so still. You're all alone and so peaceful until... You fall in love Zing boom The sky up above Zing boom is caving in Wow bam You've never been so nuts about a guy. You wanna laugh you wanna cry. You cross your heart and hope to die. 'Til it's over and then. Shhh, Shhh It's nice and quiet Shhh, Shhh but soon again Shhh, Shhh starts another big riot. You blow a fuse, zing boom the devil cuts loose, zing boom So what's the use, wow bam Of falling in love? It's, oh, so quiet. It's, oh, so still. You're all alone and so peaceful until... You ring the bell, bim bam You shout and you yell, hi ho ho You broke the spell Gee, this is swell you almost have a fit. This guy is "gorge" and I got hit. There's no mistake this is it! 'Til it's over and then it's nice and quiet Shhh, Shhh But soon again Shhh, Shhh starts another big riot. You blow a fuse Zing boom The devil cuts loose Zing boom So, what's the use Wow bam Of falling in love? The sky caves in, the devil cuts loose, You blow blow blow blow blow your fuse ahhhhhhh! When you've fallen in love Ssshhhhhh...

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

"I love doing sequels"

Arnold Schwarzenegger vence com 57% dos votos e é reeleito para o governo da Califórnia.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Sem tempo de gritar

Uma análise preliminar da caixa-preta do Boeing da Gol aponta que a tripulação não teve nem tempo de gritar, informou o Jornal da Band. A tripulação e os passageiros teriam perdido a consciência logo após a colisão.
As frases são cruéis, mas admitamos: não sofreram, nem souberam o que estava acontecendo. Me pergunto o que será que poderia ter passado pela cabeça daquelas pessoas na fração de segundo em que Legacy rasgou a fuselagem do Boeing. Talvez não acreditassem no que estaria acontecendo e pensassem vou cair na ilha do Lost. Como os corpos estavam muito espalhados na floresta, pode ser um sinal que estavam todos despreocupadamente nos seus assentos - possivelmente sem o cinto de segurança - tomando seu refrigerante ou comendo a barra de cereais (budget airline, you know). O avião em parafuso, se partindo, foi lançando as pessoas por todos os lados. Silenciosamente. Para dentro da floresta.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Não é da minha natureza



Originally uploaded by soh_phee_ah
I hate halloween.
Falta-me senso de humor. Não gosto que façam piada de mim. Gosto que riam para mim, e nunca de mim. Tenho que tolerar quem me mantém na coleira, porque quero ser um vira-lata querido. E, sim, todos me acham querido. Mas na primeira chance, escapo e mordo quem está por perto. Como estão enganados! Todos ficarão com saudades de mim, ficarão olhando para mim nas fotos e dizendo quantas saudades têm, mas nunca mais me encontrarão porque fugirei. Correrei muito, com o rabo entre as pernas. Mas quero voltar triunfante, ameaçar os outros cães ou mesmo os meus antigos companheiros de rua. Eles acham que não vou conseguir, que só vou conseguir quando mudar. Mas mudar, isto não é da minha natureza.

sábado, 4 de novembro de 2006

You're so vain

Trágico o que a vaidade te fez. Criaste na tua mente um mundo infalível que gira de acordo com seu compasso. À sua volta, poucos são aqueles que têm coragem de ajudar a te trazer para próximo da realidade. É bom estar próximo à alegria superficial - por algum tempo a vibração é positiva. Mas cessa. E porque é cruel te dizer que nada é tão admirável quanto tu pensas. E tirar a máscara do que é pensado como potencialmente belo e perfeito não é bom. Evidenciar os sinais de vaidade pode ser confundido com inveja destilada. Daí resta-nos deixar o vaidoso à deriva. À espera de sua ruína. You're so vain. You probably think this post is about you, you're so vain. I bet you think this post is about you, don't you? Don't you?

Pick of the week: Elza Soares, Saltei de Banda



Eu já morei na tal da feira moderna mas saltei de banda e hoje sou meu próprio patrão e ninguém me manda. Eu já cansei de enganar a todo mundo que eu era santo mas não existe ninguém, minha mana, que me acredite tanto. A gente já viu muitos caminhos à nossa frente. Você já esteve doente, você também ficou bom. E hoje a gente está nesse caminho mas bem feito para gente: você descobre e eu também que nem tudo no mundo é sonho e agora eu sei! Eu já morei na tal da feira moderna mas saltei de banda e hoje sou meu próprio patrão e ninguém me manda.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Doce Companhia Vale do Rio Doce

Antes de me formar estagiei numa empresa controlada pela Companhia Vale do Rio Doce. Sempre pensei que ia enveredar pela área de tecnologia inorgânica, nunca pela petroquímica, orgânica ou muito menos alimentícia - onde estou hoje. A experiência me marcou bastante e a CVRD se tornou uma referência de profissionalismo. Ainda estatal, não conseguia entender muito bem como conseguia ser tal centro de excelência. Deveria haver muitos marajás, paletós pendurados nas cadeiras, gente passeando. Mas nunca vi nada disto e muito pelo contrário. Digo isto a partir de uma perspectiva particular de quem estava lá dentro.

Uma das minhas maiores frustrações profissionais foi ter participado do processo seletivo nacional para ser um dos Juniores da CVRD (o famoso PCJ), ter sido um dos 3 engenheiros químicos classificados e ver as posições abertas para esta carreira terem sido fechadas no meio do processo. Acho que nunca superei de todo isto.

O tempo passa e eis que a CVRD é privatizada. Foi a minha chance de participar um pouco da empresa. Usei parte do meu FGTS para comprar suas ações, e teria até mesmo comprado mais algumas se pudesse. Não no sentido de vingança porque I travel light. Acredito no potencial estupendo da CVRD, do seu estilo gerencial e profissionalismo. O retorno está na valorização absurda das cotas, na CVRD crescendo horrores e tornando-se a 2ª maior mineradora do mundo depois de comprar cash a canadense Inco. Ainda hoje acompanho todos os informes da mineradora e tento descobrir para onde ela vai. Que ela continue assim, rendendo muito.

Sua privatização tornou-se alvo de questionamentos na campanha eleitoral. O fato da empresa que explora os recursos minerais do subsolo pudesse não ser estatal foi colocado em cheque. Definitivamente, a CVRD precisava sim continuar a crescer e isto não seria possível com investimento puramente estatal. Ela só seria alavancada, como foi, sendo independente do estado. Explorar a maior jazida de minério de ferro do mundo é um privilégio.

Brasil é o país do suíngue


Brasileiro usualmente não gosta de olhar no espelho e se ver. Não gosta de ver a miscigenação. Não gosta de ver que não é tão rico, nem tão educado e que, no guichet da imigração, carrega o passaporte verde. Por mais alta a classe do indivíduo, ele nunca perde esta característica: é brasileiro, sul-americano. Por sorte, não vão dizer que vêm de Buenos Aires. Adotei a estratégia inversa, de me reconhecer como brasileiro enquanto pelo mundo. Não tento esconder ou fingir que sou da nacionalidade local - sim, eu respeito seu país mas sou um gaijin. Neste ponto a Regina Casé é um ícone. Brasil, Brasil, Brasil é o país do suíngue. Viajar com o Brasil Legal era reconhecer tudo aquilo que se tentava esconder, que envergonhava Deixa solta essa bundinha. Era a gente morena, suada, de shortinho e camiseta regata Deixa solto esse quadril e grita que vinha para a tela em escala nacional Brasil, Brasil, Brasil é o país do suingue. Agora vem a Central da Periferia para chocar você com a Tathi Quebra Barraco que é feia mas tá na moda. Cada vez que eu assisto a Regina Casé, eu me sinto mais brasileiro ainda e o quanto eu sou um bosta que precisa assumir ainda mais a minha nacionalidade. Brasil, Brasil, Brasil é o país do suingue.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Montanha-russa

Amanhã, logo que o sol aparecer no horizonte, irei para a varanda. Com um espelho vou lançar o reflexo do sol sobre onde você está. Este será o nosso sinal. Assim você poderá vir me ver. Assim o visto será carimbado no teu passaporte: para cruzar os sinais fechados, para ignorar os pedestres, para passar pela portaria sem responder perguntas e para subir ao meu apartamento. Sua voz ficará assim guardada. Pois, sim, quero ouvir o que você tem a falar em primeira-mão. Pois saiba que te espero antes que seja tarde demais. Pois saiba que logo eu também vou embora. Em contra-partida, se você me lançar o seu sinal de luz, saiba que irei com gigantesca urgência. Porque, de qualquer forma, a vida da gente é só a imagem de uma montanha-russa.

Previsão do tempo

Dia de trabalho:
Feriado:

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Halloween

"And then there was the one who said, in her cellphone’s voicemail message, sounding amused as she said it, that she was afraid she had been murdered, but to leave a message and she would get back to us.

It wasn’t until we read the news, several days later, that we learned that she had indeed been murdered, apparently randomly and quite horribly.

But then she did get back to each of the people who had left her a message. By phone, at first, leaving cellphone messages that sounded like someone whispering in a gale, muffled wet sounds that never quite resolved into words.

Eventually, of course, she will return our calls in person."

Leia aqui o artigo completo Ghosts in The Machine por Neil Gaiman no NYT.

Botha, Mandela e a África do Sul

JOHANESBURGO, 31 out (EFE).- O ex-presidente sul-africano Pieter Willem Botha, uma das figuras-chave do "apartheid", morreu hoje aos 90 anos em sua residência na província de Western Cape, informaram fontes de sua segurança.

JOHANESBURGO, África do Sul (Reuters) - Nelson Mandela, líder da luta contra o apartheid (regime de segregação racial) e ex-presidente da África do Sul, recebeu na quarta-feira o prêmio de "Embaixador da Consciência" de 2006, concedido pelo grupo Anistia Internacional.
O mundo dá muitas voltas. Um dia você está lá em cima. No outro, você está morto.

Faça a coisa certa. Seja honesto, correto, bom. Um dia, o que restará será só a lembrança. Como você quer ser lembrado?

Sinto saudades

Há muitos anos moro há mais de 1000 km de casa. Evidentemente tenho saudades de casa e visito meus pais com certa freqüência. Sinto saudades. Há pouco tempo entendi um pouco melhor o que é isto. Sinto saudades do café da manhã no dia de domingo com tudo mundo à mesa; de assistir televisão à noite antes de dormir e, incentivado pelos meus irmãos, mudar de canal enquanto meu pai cochila na poltrona; de brigar com a minha irmã e levar uns cascudos dela; de passear pelo Rio de Janeiro no dia de domingo; de receber alguém antes do almoço de sábado e servir um cerva gelada para as visitas; do lanche da tarde com rocambole; da minha mãe tentando puxar papo comigo de manhã cedo (sem sucesso); do passarinho cantando quando alguém encostava no portão da frente. Sinto saudades das pessoas e sinto saudades das pessoas daquele tempo. Só que entendi que nada do que eu sinto saudades existe mais e aquelas pessoas não existem mais, muito embora todas estejam vivas, e que eu volto e volto para lá tentando encontrar tudo de novo e, em pouco tempo, vejo que, putz, tudo mudou. Tudo mudou menos meu modelo mental do que é casa.