segunda-feira, 25 de setembro de 2006

In memoriam

Meu contato com a morte de parentes ou pessoas muito próximas foi relativamente pouco freqüente. Não consigo prever muito bem como reagirei quando o momento chegar. Possivelmente meu coração de pedra vai segurar a onda de todos à minha volta, até o momento que a minha estrutura de sustentação ruir (possivelmente eu vou estar completamente sozinho neste momento e ninguém vai ver). Mas tive uns pensamentos esparsos neste fim de semana: me arrependi de não dizer mais freqüentemente ou mais diretamente o quanto eu gosto, eu admiro, eu aprecio as pessoas, o quanto elas foram ou são importantes para mim. Partir sem poder demonstrar isto me seria duro. I travel light e não gostaria de carregar este arrependimento de peso. Dizer adeus inesperadamente é duro. É ir dormir pensando em alguém, acordar e descobrir que a pessoa se foi. Deixando um vácuo, aquele barulho rápido de ar sendo sugado e depois o silêncio. Silêncio. Deveria ser proibido que os filhos morressem antes dos pais. É anti-natural. Pais ficam desalentados nestes momentos, não merecem esta dor. É injusto.

O gráfico Maneiras de partir faz parte da seção Saúde da National Geographic Brasil (Setembro/2006).

6 comentários:

Kafé Roceiro disse...

Já perdi pra todos os lados. Agora te digo que realmente a pior perda que tive foi a de um filho. Realmente é fora do normal. Outro dia estava lendo que a mulher quando perde o marido se chama viúva, o filho quando perde o pai se chama órfão, mas não tem nome pra pai que perde filho, por que a dor não tem tamanho...
abraços, amigo Caco.

before sunrise disse...

Eu, como voce, nao tive grandes perdas. A pessoa mais proxima de mim que perdi foi um avo e na epoca nao eramos tao proximos, quase nao o via, moravamos em paises diferentes. Nao sei tambem como reagirei... Acho que ninguem sabe como vai reagir, ate que o fato aconteca.

Nao quero pensar nisso!! Especialmente na possibilidade de perder um filho no futuro. Isso, eu imagino, que seja a maior dor que se possa sentir.

Caco disse...

ROCEIRO - Nunca tinha observado este aspecto do nome. É revoltantemente injusto, insisto.

SUNRISE - Pois é. Nem é bom imaginar isto acontecendo com a gente.

TODOS - Abraços e don't stay gloomy.

Louise disse...

Caco,
Quando meu pai faleceu, em abril desse ano, lembro que mandei um e-mail pra minha lista toda dizendo que não queria "pêsames", "sinto muito", ou seja, aquelas expressões que saem por não ter mais o que se dizer...
Pedi apenas, à todos, que disessem e demonstrassem mais amor àqueles que os cercam. Meu pai se foi de um dia pro outro, e eu não tive chance de dizer o quanto eu o amava...
Estou convicta de que morte é passagem; por isso acho mais significativo algumas (muitas!) doses cavalares de afeto, amor e carinho desmotivado. Penso que essa é uma grande lição, e deveríamos passá-la pra frente, sempre.
Bjo, querido

Caco disse...

LOU - Obrigado pelo seu depoimento. Partilhamos da mesma opinião. Beijo & stay as you are.

Cler disse...

Oi querido,,,
Perdas são consequências... Para mim no início ruim.... depois fica a saudade que não passa.... após anos e já fazem 11 anos... ainda lembro de meu pai quase todos os dias....meu irmão 10 anos. O amor é infinito e ultrapassa o tempo, corpo....
Mas só uma pergunta não consigo responder: vou vê-los novamente e dar um abraço???
Beijos.... lembre-se que adoro vc.