quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Lendo entrelinhas inexistentes

A essência das coisas tem muito me interessado. Desenvolvi o hábito da leitura e, com ela, a leitura das entrelinhas. Tudo funciona como que usando lentes de aumento, lentes tipo fundo de garrafa, ampliando o significado das coisas.

Só que a profusão de informação também confunde: começo a interpretar sinais onde não existem sinais. Como diz o Sr. D., às vezes, chutar o balde pode significar meramente empurrar com um golpe do pé um recipiente plástico ou metálico de volume definido. Eu, muitas vezes, duvido e acredito que sim existe uma mensagem pronta para ser descoberta. A sutileza pode estar no ar - já percebeu?

Recentemente pus meus olhos em algo que tinha escrito há uns bons 10 anos atrás. Muito embora o papel estivesse amarelado, dobrado 3 vezes, eu sabia exatamente o que estava ali dentro, a emoção com que escrevi, o significado para mim, o significado que eu tentei imprimir. Putz, era um fragmento do meu coração de pedra. E, eis que este papel me aparece novamente, do nada. Fiquei olhando para ele por intermináveis segundos sem saber o que fazer, sem entender, e só sentia a adrenalina dizendo fight or flight, acelerando o coração. Droga, o que significa isto, e agora?

Pensei que fosse um alguém dizendo que eu e aquela pessoa de 10 anos atrás ainda fossem as mesmas - queria que fossem. Pensei que eu tivesse mudado - e isto sim, mudei pacas - e tivessem tentando me redescobrir. Pensei que fosse um aviso para eu entender que os outros também mudaram e gritassem este papel não vale mais nada. Pensei um monte de coisa menos o óbvio que só constatei mais tarde: que aquilo era apenas um papel velho e amarelado escrito por mim há 10 anos atrás, uma curiosidade por si só, datado, talvez motivo de graça.

Nunca antes ler nas entrelinhas tinha sido tão inútil.

5 comentários:

Caritas souzza disse...

Olá! Muito me alegrou sua visita em filhos da Lua. Obrigada! Qt a sua pergunta eu lhe respondo que uma Psico pedagoga trabalha tds os problemas sócio humana dentro de uma escola procurando soluções e ajuda para o melhoramento do educando em se ajustar a convivência entre colegas e educadores. Diria de forma simples, que uma psico pedagoga é a psicológa de uma entidade educativa. Desejo a vc uma quinta feira feliz e te convido a visitar meus rabiscos. Abraço!

mario disse...

Olá
Vi seu blog no de um amigo e resolvi passar comentar!!
Sinceramente, eu li o que vc escreveu 3 vezes e nao entendi!!
uashuashuas
Sou meio lerdo mesmo!!
:)
Qd der me visista la tambem

T+

Before Sunrise disse...

Caco,

Me vejo em muitas coisas que voce escreve, as vezes acho que as pessoas expressam aquilo que nao sei ou nao tenho coragem de expressar.... Eu tenho mania de ler as entrelinhas, e, como voce disse... as vezes as coisas simplesmente sao o que sao e nada mais. Pra que complicar, nao eh?

Bjos...

Caco disse...

CARITAS - Obrigado pela descrição. Você faz um meio de campo entre os educadores e educandos para que o resultado do jogo seja sempre a vitória (comentários feitos depois da visita ao blog do MARIO). O quadro mágico numa pessoa só! E diga-me, educadores e educandos têm lido nas entrelinhas também?

MARIO - obrigado pela visita e pela paciência. Não que você não tenha entendido, acho que só que você não se identificou com o que eu escrevi, não 'viajou' na maionese. Sem problemas, ando meio intimista. Volte mais vezes se tiver chance, talvez você encontre algo diferente (possivelmente).

SUNRISE - aha - acho que você, sim, viajou na maionese. Pelo pouco que te conheço, você também complica um bocado, como eu.
Este post foi feito numa tacada só mas eu vinha fermentando o assunto há dias. Depois que postei eu me disse: 'putz, quanta auto-exposição'. Só que algumas coisas ficam melhor escritas do que ditas e, se eu puder ter ajudado de alguma forma, o dia está ganho.

Before Sunrise disse...

Nossa, se eu viajei na maionese, nao entendi nada entao... Ainda to viajando... hahahaha..

E... sim... eu complico as coisas bastante... ;-)